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MAPA DOS VISITANTES DESDE O DIA 29/11/2009

domingo, 11 de novembro de 2018

REFLEXÃO SOBRE RELAÇÕES HUMANAS NA ERA DA INTERNET

Domingo, 11 de novembro de 2018
REFLEXÃO SOBRE RELAÇÕES HUMANAS NA ERA DA INTERNET
Não sou profeta, apenas uma pessoa que reflete bastante os acontecimentos e problemas do seu tempo. As pessoas que nasceram até o final da década de 70, início da de 80, provavelmente, estão sentindo um certo mal-estar. Como o mundo mudou... A família como a conhecíamos vai desaparecer. O "amor" só existirá nas palavras, a monogamia desaparecerá...
Os relacionamentos já mudaram faz tempo. Por exemplo, antes não existia o termo "ficar". As novas gerações estão num outro contexto. Havia o namoro, mesmo que ele durasse pouco. O "ficar" pode ser dez minutos, uma hora ou uma noite; talvez de vez em quando. Quase sempre não há um clima, uma paquera, mas simplesmente a ação. Às vezes as pessoas não sabem nem o nome do "par".
Querer compromisso sério nesta época é motivo de piada, mas ao mesmo tempo lemos e ouvimos a palavra “mozão”. O atual comportamento humano (transcende o local), principalmente por causa do advento da internet, está melhor ou pior do que antes? Eu não sei; apenas tento compreender um movimento impermanente tão rápido que não é possível fechar, concluir...
Concomitantemente percebemos que muitas pessoas querem um relacionamento estável; porém, casam-se e o casamento não costuma durar nem dois anos. E por parte dos homens (que, num primeiro momento, perderam o seu chão), agora parece que estão curtindo muito a nova época. A maioria só quer "ficar", afinal se há tantas opções, para que escolher uma só? O mesmo serve para as mulheres. Ser solteiro(a) virou sinônimo de fazer o que quiser com o próprio corpo (eu penso que estão certos) — mas deveriam levar em consideração que não somos só natureza, somos cultura também. Seres humanos não ficam no cio, não são apenas instintos...
A principal consequência de tudo isso é o imenso vazio existencial. Um buraco enorme na "alma". A distração constante pode atenuar o vazio, mas uma hora ele chega para ficar e morar... Os anos vão passando e a lei da gravidade é para todos. Ninguém fica belo a vida toda, mesmo que tal "beleza" conte com uma imensa ajuda: todos os recursos disponíveis no mercado: de photoshop e maquiagens à cirurgia plástica...
Boa sorte para nós e, se possível, muita reflexão. Fico com pena das gerações futuras...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO






quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

REFLEXÃO SOBRE AS REDES SOCIAIS

Quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
REFLEXÃO SOBRE AS REDES SOCIAIS
As redes sociais merecem uma profunda reflexão. Tenho feito algumas observações há algum tempo, principalmente com pessoas que não conheço pessoalmente. Confesso que estou tendo uma certa dificuldade para compreender a atualidade. Não há, nestes tempos, uma ética que chegue para ficar valendo por um intervalo temporal "razoável" — nada se cristaliza; nada perdura.
O novo nasce e já está velho na semana seguinte. Nunca se sabe se a pessoa que você vê nas fotografias existe de fato, se é um fake com uma foto que foi "furtada" de uma pessoa maravilhosa (fisicamente), ou mesmo se a pessoa considerada "maravilhosa", na verdade, não passa de um efeito "mágico" dos recursos mais modernos de uma máquina fotográfica capaz de gerar uma outra criatura.
Eu fico sempre na dúvida — o que não é novidade para quem me conhece —; o que muitas vezes me faz desconfiar de tantos deuses e deusas (por terem uma beleza que parece não existir neste mundo, mas só no Olimpo grego) é perceber como a maioria escreve mal. A mesma beleza estonteante torna-se frustrante diante da incapacidade da pessoa conseguir escrever uma frase sem alguns erros horrorosos. (Cometo erros também, mas escrever o básico corretamente é essencial.)
Por outro lado, aparentemente, não existe tristeza nas redes sociais. As pessoas parecem estar sempre felizes. As fotos mostram um mundo que para mim seria o paraíso terrestre; no entanto, há uma grande dicotomia: os alegres, de uma hora para outra, manifestam a mais profunda tristeza. Uma outra situação que me chama bastante atenção são os afetos. Em um dia a gente olha e a pessoa está num relacionamento sério e a "fábrica" de corações vermelhinhos não "descansa". E a frase que mais se lê é: “Eu amo você!!” Todavia, em pouco tempo já não há mais amor, mas a ruptura de um "amor" que parecia tão profundo... Como pode isso?
Existem muitos outros fatos, mas para resumir, por enquanto, pois o assunto merece ser estudado em maior extensão e profundidade, vou citar apenas mais um exemplo.
Entre essas pessoas que não sabem escrever direito, algumas ainda têm a coragem de chamá-lo de lerdo, simplesmente por não ter paciência de esperá-lo digitar. É como se não houvesse o tempo — tudo tem que ser instantâneo, imediato... Como pode uma pessoa que escreve tão mal rotular alguém de lerdo? Não sei o que se passa com muitos amigos e colegas, mas eu estou me sentindo numa espécie de mundo virtual, contudo, na última esfera (dimensão). Quando vejo pessoas normais, de carne e osso perto de mim, tenho me questionado se o mundo sensível, concreto, denso, maciço é real, verdadeiro. E parece que a situação ainda está só no começo. O “homem”-máquina vem por aí. O conceito de ser biológico, em pouco tempo, deixará de existir, e só saberemos, pelos livros de História, que um dia houve espécies biológicas. Tenho medo disso...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 24 de outubro de 2017

CETICISMO POLÍTICO E OUTROS...

Terça-feira, 24 de outubro de 2017
CETICISMO POLÍTICO E OUTROS...
Felizmente ou infelizmente, ao contrário de outras épocas, tenho tido bastante tempo. A "alienação" que o trabalho provoca e que não nos permite refletir muito, talvez seja necessária — “distraímo-nos”, além de ser uma forma de não mergulhamos nas questões que deveriam nos interessar...
Tenho vivido, ultimamente, como se estivesse no Helenismo, quando o apogeu da cultura grega deu lugar à invasão macedônica e toda aquela atmosfera cultural anterior entrou em profunda crise. Logo, surgiram escolas filosóficas gregas que se isolaram e passaram a ter preocupações, principalmente, éticas; visto que, com a balbúrdia política da época de dominação por outros povos — era preciso arrumar um meio de buscar a serenidade, a tranquilidade, a felicidade e uma vida simples. E a política, com certeza, não é o lugar "ideal" para se encontrar a tranquilidade, muito antes pelo contrário...
Algumas escolas filosóficas, tais como o Cinismo, o Estoicismo e o Epicurismo foram as mais importantes. Vou me ater ao Epicurismo, mas sem a intenção de aprofundar o assunto. Cito-o mais para fazer uma analogia, mesmo que anacrônica, com a situação que me encontro atualmente...
Diante do dilema que a Humanidade, em geral, e o Brasil, em particular, vivem, o meu "retiro" não é o "Jardim Epicurista", local onde Epicuro vivia em paz com os seus amigos e amigas, filosofando sobre a melhor maneira de obtenção da ataraxia (tranquilidade da "alma"). O meu "jardim" é de puro concreto e numa zona urbana...
Ao contrário de Epicuro, com a sua Filosofia dogmática, o que tem acontecido comigo é um ceticismo generalizado; mormente na questão política, social e econômica, tanto no que tange à situação caótica do mundo quanto à total desesperança no Brasil, nos seus políticos, empresários, trabalhadores e o povo. Tenho procurado suspender o juízo, como faziam os céticos antigos; todavia, com todas as limitações do nosso tempo histórico.
Já não creio em mais nada; nada faz mais sentido para mim. Vivo mergulhado em leituras, reflexões — não para que aconteça alguma transformação na minha vontade, mas, sobretudo, para que eu continue chegando à conclusão de que a causa humana já está perdida. As mentiras, as ilusões estão em toda parte; só me resta a epoché (suspender o juízo dentro do possível) e esvaziar a minha mente de tanto lixo acumulado durante décadas, e que um dia acreditei que pudesse contribuir com alguma mudança... Mera ilusão. A única pessoa que posso mudar sou eu mesmo. E ela consiste no vazio absoluto. A paz está no vazio...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 29 de abril de 2017

LIBERDADE E DETERMINISMO!

Sábado, 29 de abril de 2017
LIBERDADE E DETERMINISMO!
O animal "irracional" é determinado. Nasce com instintos, já é "programado", aleatoriamente, pela natureza para fazer o que nasce sabendo. O animal não tem moral, ética ou amoralidade. Afirmar, como muitos por aí, que o animal é malvado é, no mínimo, ignorância. A "natureza" do animal é ser o que é e não outra coisa. Ele não faz escolhas...
O homem, que se julga superior aos animais, na verdade foi "amaldiçoado" pela mãe natureza; pois não é apenas natureza e também não é só um ser cultural — ele é e não é cultura e natureza. É um ser determinado e livre; racional e irracional; bondoso e maldoso; ético e antiético; generoso e mesquinho; capaz de amar e de odiar. Competente para construir e destruir coisas belas...
O homem é o único ser que nasce como uma "tábula rasa", como dizia o filósofo inglês empirista John Locke. Uma vez nascido neste mundo, necessita de cuidados por parte de outros humanos: não sabe andar, falar, pedir; nasce sem crenças, portanto, é ateu (ausência de crenças); não conhece o bem e o mal, logo não tem moral ou ética. Numa palavra: é um animal irracional inferior aos outros animais, afinal é totalmente dependente. O homem, quando bebê, compartilha de alguns instintos naturais com outros mamíferos: ninguém ensina um bebê a mamar. Há outros — o choro, talvez, seja o mais importante...
Desconfio que o maior problema humano na atualidade (começou bem antes) seja a arrogância de pensar que não é um animal inferior e o distanciamento da natureza. Exceto pequenas comunidades tribais isoladas, que têm uma relação de respeito com o mundo natural porque não foram "contaminadas" pela maneira "civilizada" de pensar, sentir e agir da nossa sociedade "sofisticada". Há um grande dilema da "espécie humana". Esta quis transcender uma parte da essência que lhe é imanente. Como fugir do próprio corpo? O corpo é natureza, ora!! Como viver só como corpo? O homem não é só corpo, ora!! — ele é também cultura; é capaz de fazer escolhas... Como viver só como corpo? Impossível; pois, como viver em sociedade, agindo apenas com os instintos naturais?
O equilíbrio se perdeu e penso que é muito tarde... As religiões preconizam uma vida como se o homem não tivesse um corpo e, por consequência, desejos naturais. O capitalismo, consumista por essência, preocupa-se só com o lucro, a glória, a fama e o hedonismo sem limites. A palavra de ordem é: prazer! Nada de moderação, porque a produção e o consumo não podem parar.
Alguns homens estão descobrindo o seguinte: éramos natureza e cultura; agora não somos nem uma coisa nem outra. Estamos em estado de derrelição, desamparados pela nossa própria estupidez...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

domingo, 6 de novembro de 2016

"CAMINHOS PARA COMBATER A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO BRASIL" *


Domingo, 6 de novembro de 2016
"CAMINHOS PARA COMBATER A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO BRASIL" 
As pessoas de bom senso, lúcidas e inteligentes não aceitam quaisquer tipos de intolerância: esportiva, econômica, cultural, social, política, entre outras. Todavia, a intolerância religiosa é inaceitável, por vários motivos.
Primeiro, que a CF/88 preconiza que o Estado é laico, ou seja, não tem uma religião oficial. Segundo, que para ser possível a vida na sociedade é extremamente necessária a tolerância e o respeito recíproco entre os cidadãos. E, por último, a educação é fundamental para se ampliar a visão de mundo na mais tenra idade — dever-se-ia estudar a História das Religiões, assim, não prevaleceria apenas a visão cristã do mundo. Diga-se de passagem que até entre a religião cristã há divergências...
O ser humano é um eterno buscador da verdade. Por ser carente e não ter a maioria das respostas sobre a sua condição no mundo, muitos religiosos querem impor a sua verdade; contudo, não levam em conta que fazem parte de um planeta composto de várias culturas. E cada uma delas acredita que os seus valores são únicos, e a religião tem um peso muito grande nessas circunstâncias, pois trata-se de crença na salvação das almas e, portanto, da vida eterna.
Não é fácil acabar com preconceitos arraigados há anos; porém, o diálogo, o respeito — inclusive àqueles que não professam nenhuma fé — é essencial para que possamos ter no Brasil concepções de mundo diferentes, desde que possamos nos colocar no lugar daqueles que pensam e agem de outras formas. O fortalecimento da democracia é muito importante para o combate à intolerância, ao fanatismo e ao sectarismo religioso.
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO
* TEMA DA REDAÇÃO DO ENEM DE 2016

segunda-feira, 13 de junho de 2016

REFLEXÃO SOBRE CIÊNCIAS EXATAS E HUMANIDADES!

Segunda-feira, 13 de junho de 2016
REFLEXÃO SOBRE CIÊNCIAS EXATAS E HUMANIDADES!
Li, no ano passado, se não me engano, um texto do portal UOL que o ministro da Educação do Japão sugeriu que as universidades excluíssem os cursos de Humanidades do sistema universitário, pois se deveria substituí-los por cursos mais úteis à sociedade. Algumas universidades já colocaram em prática a decisão do ministro, mas a maioria ou não quis ou preferiu discutir o assunto mais profundamente. O interessante é que até o curso de Direito (segundo a notícia) não escapou da possibilidade de extinção... Logo, o Japão? O capital é avassalador...
Tenho visto muitas brincadeiras nas mais diversas redes sociais e muito antes do advento delas, no próprio cotidiano da universidade onde eu cursava Filosofia. Cursos de Filosofia, Sociologia, História, Psicologia, Ciência Política, Antropologia, dentre outros, não são valorizados numa sociedade capitalista. É até compreensível; pois, quando a conta bancária tem a possibilidade de construir um padrão de vida material rico e "confortável" — a "alma" (reflexão, pensamento racional), com certeza, se empobrece. Evidentemente que não estou generalizando. Mesmo porque pessoas que pensam assim nem têm culpa de ser alienadas: o desejo de ter um carrão, uma mansão, ser empresário ou empregado de uma grande indústria e ser, portanto, bem remunerado, além de fazer parte de uma classe social importante, conhecer pessoas influentes, frequentar festas chiques, comprar produtos de grife, ter um bom plano de saúde, dentre outras coisas que o dinheiro pode comprar. Eis a utilidade do alienado pela ideologia perversa da burguesia. O sujeito, quase sempre, não é o proprietário nem das próprias ideias, mas pensa com a cabeça dos seus verdugos (carrascos).
Todavia, não custa lembrar de uma célebre frase de Karl Marx, que é mais ou menos a seguinte: "Não são as ideias que determinam o modo de produção, mas, pelo contrário, é o modo de produção que determina as nossas ideias". Fica explícito aqui que aqueles que "brincam" com a suposta inutilidade das Ciências Humanas servem de cobaias para reproduzir o discurso de quem os explora. Eles não pensam a situação política, econômica, social, cultural, histórica, sociológica, filosófica, psicológica, antropológica do modo de produção que está em curso no planeta — eles são pensados; pois alguém pensa por eles o que devem sentir, pensar e agir. São úteis enquanto estão produzindo riquezas; contudo, serão descartados como qualquer coisa que envelhece no atual sistema.
O atual modo de produção não quer pessoas e cidadãos plenos, quer robôs. Robôs só recebem ordens, lidam bem com a manipulação de mercadorias e produtos; porém, não percebem que também são mercadorias. Uma pessoa da área de Humanas, normalmente, tem uma visão de conjunto — estabelece relações entre todas as dimensões da realidade — logo, não enxergam apenas números, mesmo porque o ser humano é muito mais do que um número.
Por outro lado, quantas pessoas da área de Exatas que odeiam as Ciências Humanas, mas são fanáticas religiosas? A religião, por acaso, é uma Ciência Exata? Partindo deste pressuposto, a religião não é inútil e, por isso, não deveria ser descartada? Por que o capitalismo despreza a área de Humanas, embora valorize a religião, principalmente nos países mais pobres? Não seria para deixar a pessoa conformada; pois, o que o religioso não conseguir neste mundo, existe a possibilidade de obter no Paraíso, não é mesmo? Ao menos enquanto promessa...
Para refletir: existe alguma ciência que não seja humana? Toda ciência é humana, ora! Ou alguém já viu qualquer outro animal que não seja humano produzindo Ciências Exatas? Será por que quase todas as pessoas que conheço que são da área de Exatas são, politicamente, de Direita? Talvez porque falte a elas a capacidade de se preocupar com todos os seres humanos, e não ter um olhar direcionado apenas ao próprio umbigo... Se tivessem uma consciência crítica sobre a totalidade do real, provavelmente o ser humano seria mais importante do que a conta bancária!!!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

REFLEXÃO SOBRE O EGO!

Quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
REFLEXÃO SOBRE O EGO!
Em breve, daqui a algumas horas, este lado do planeta comemorará mais um "Ano Novo"!! Fogos de artifícios, pessoas vestidas de branco, oferendas para Iemanjá, shows de "músicos" em diversos lugares, promessas de mudanças comportamentais, renovação da esperança, abandonos de vícios e apostas na busca de virtudes... Evidentemente, há muitos outros desejos em cada ser humano e a "eterna" luta maniqueísta entre o bem e o mal — queremos nos identificar com o bem e nos afastarmos do mal, como se não fôssemos os dois ao mesmo tempo...
Perceber o ego em movimento é extremamente difícil. Encará-lo frente a frente, não quando se olha no espelho, mas por meio dos pensamentos — que dão a impressão de que somos muitos, quando, na verdade, há uma integração. O problema é "saber" disso sem o uso de pensamentos e de palavras; até parece algo místico...
O ego humano nos prepara muitas armadilhas; talvez esta época do ano, quando, amanhã, estaremos em 2016, seja o momento mais propício para encarar o "monstro de mil faces" — o ego. Sim, porque somos uma legião de egos; ou seja, para resumir, há dentro de cada ser humano lembranças e memórias da nossa vida, da história pessoal que todos nós construímos e que também foram "edificadas" pela sociedade e a cultura em que nascemos. Isto para quem não crê na reencarnação; pois, para quem vive como se existissem outras oportunidades de reviver num outro corpo e continuar evoluindo, tais lembranças e memórias também constituem o ego de outras vidas passadas. Eu, particularmente, creio que só existe uma vida: esta que estou "vivendo". E depois de muito refletir sobre o assunto, tenho me questionado se vale a pena preocupar-me com os meus muitos disfarces — o outro nome do ego!!
Penso que a humanidade sofreu, sofre e sofrerá muito ainda por causa dos movimentos dessas sombras que obscurecem a inteligência e a lucidez das pessoas. Alguns exemplos podem nos ajudar a explicitar o tema. Quantos indivíduos consultam tarôs, mandalas, búzios, mapas astrais, horóscopos, bolas de cristal, baralhos, fazem oferendas, rezam e oram pedindo a Deus que o Ano Novo seja abençoado e que a "roda da fortuna", o destino lhes traga "coisas boas", principalmente, bens materiais? Além disso, querem saúde, paz, felicidade, entre outros pedidos... Todavia, são poucos os que têm noção do movimento sutil do ego — o ilusionista das mais variadas máscaras...
O mundo só mudará quando cada um mudar. Entretanto, todas as vezes que uma pessoa se achar especial perante deuses, destinos, reencarnações de "espíritos evoluídos", almas de reis e rainhas do passado, "mestres espirituais" que vieram neste mundo para ajudarem pessoas atrasadas — não perceberemos o ego que nos escraviza!!
Estou muito longe de percebê-lo plenamente; contudo, procuro observá-lo — o que para tantas pessoas é pura arrogância. Qual é a melhor forma de observar os movimentos do ego e livrar-se deles? Encarando-os. Porém, isso dói, dói muito, mas não é fugindo que se escapa; pelo contrário, é "abraçando" todas as suas lembranças e memórias e não se identificar com nenhuma. No entanto, este parto deve ser de cada ser humano. Pior: não há anestesia para ele...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

AS MÁSCARAS DOS HUMANOS E O MITO DOS SUPER-HERÓIS NA CONTEMPORANEIDADE!

Quinta-feira, 26 de novembro de 2015
AS MÁSCARAS DOS HUMANOS E O MITO DOS SUPER-HERÓIS NA CONTEMPORANEIDADE!
Quando era criança gostava muito do Fantasma, também denominado “o espírito que anda”. A lenda do Fantasma espalhava-se pela floresta de Bengala pelos nativos. Estes diziam que ele tinha 400 anos e que ele não morria; mas os nativos — que fizeram de tal lenda uma tradição — nunca se perguntavam sobre o motivo de alguém ter uma idade tão avançada e não morrer. Na verdade, os "Fantasmas morriam"; contudo, eram substituídos pelos filhos. E estes continuavam a tradição. (Não vou me alongar, porque não faço consultas ao escrever; se alguém se interessar, poderá fazer uma pesquisa mais profunda.)
Temos muitos super-heróis criados pela imaginação de pessoas capazes de despertar em nós, simples humanos, o desejo da imortalidade, da força, da coragem, da justiça, da ética, da luta maniqueísta entre o bem e o mal (este sempre perde) — na vida real, geralmente, acontece o contrário. Há algo em comum entre todos: a luta sem trégua para salvar a humanidade!! E quantos de nós até hoje lemos revistinhas em quadrinhos e assistimos aos filmes dos nossos super-heróis prediletos, não é mesmo?
Uma outra questão interessante é que os justiceiros supracitados quase sempre usam máscaras e na vida real são considerados educados, refinados, "frágeis" e incapazes de salvarem o mundo dos malvados cujo objetivo é usar os seus poderes para dominarem o pobre planeta e a humanidade — que no mundo do faz de conta, só faz o "bem"... Saliento, ainda, que os super-heróis jamais revelam os seus segredos, mesmo que sejam ridicularizados pela sociedade. As máscaras "ajudam" a manter as suas verdadeiras identidades veladas, ocultas, escondidas...
Tais seres "mitológicos" representam o desejo da humanidade de ser como eles; todavia, somos o oposto. As máscaras humanas são a plástica e todos os produtos de beleza capazes de fazer uma pessoa considerada fora dos padrões estéticos como se fosse alguém, se não linda, ao menos "razoável". Isto se tivermos contato pessoal com ela; se não for o caso, há mil recursos para transformar um “zumbi” num Brad Pitt... As redes sociais que o digam!!!
Todavia, a reflexão até agora está no plano físico. As verdadeiras máscaras estão no nível psicológico. E, neste plano, a situação é deprimente. Por mais que tentemos disfarçar, as máscaras caem, mesmo que não estejamos num baile à fantasia. Elas estão na "alma", "no espírito", no ego...
Não há um ser humano capaz de escapar: uns mais, outros menos, mas todos somos as máscaras. Não temos máscaras, somos as próprias máscaras. E quem é a referência para nos dizer que os outros "se acham"? Que deveriam ser mais humildes? Talvez só um Deus!! Se tivéssemos acesso aos pensamentos e sentimentos dos que se autodenominam humildes e sinceros, provavelmente teríamos a maior decepção do mundo!! A arrogância dessas pessoas está na alma. Se por um azar do destino os pensamentos e sentimentos delas viessem à tona sem "querer"... Nossa!!!
Somos anti-heróis por natureza. Daí o gosto pelo mito. O mito é fantasia, imaginação, e neles podemos desejar e ser o que quisermos. Na vida real, cotidiana, não passamos de mascarados que se julgam no direito de criticarem as máscaras alheias. Prefiro o arrogante tagarela, apesar de ter (ser) a minha coleção de máscaras também... Adoro ser chamado de arrogante, pois descubro muito mais da pessoa do que ela imagina...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

PROFESSOR DE FILOSOFIA!


Quarta-feira, 21 de outubro de 2015
PROFESSOR DE FILOSOFIA!
Ser professor de qualquer disciplina não é tarefa fácil; contudo, lecionar Filosofia é andar no fio da navalha — é provocar os estudantes, não para brigar fisicamente, porém, "desestruturar" emocionalmente, psicologicamente e, concomitantemente, sofrer mais do que eles, afinal, lidar com jovens é ter consciência de que eles estão no meio de uma "ponte de madeira" sobre um rio perigoso... Eles não são crianças nem adultos; porém, adquiriram uma educação familiar com valores, princípios, normas e regras alheias, quase sempre, à Filosofia. Esta convive com a dúvida, o ponto de interrogação, exclamação e as reticências; ou seja, nada está pronto, nada está acabado; nada está construído... Aquela (educação familiar) é composta de pontos finais e os dois pontos. A obediência e a autoridade são valorizadas, mesmo que não sejam "explicadas". A Filosofia, pelo contrário, é a busca "amorosa" pelo conhecimento. Um "amor" que antes, por parte de grande parte dos neófitos (iniciantes), é raiva, rancor e ódio!!
O professor de Filosofia, antes de ser amado, é "odiado". Ele mesmo, às vezes, se odeia — como muitas vezes já aconteceu comigo ao ir para casa depois de mais um dia de trabalho. Uma angústia profunda toma o seu ser, justamente porque é tal sentimento que ele gera nos seus discentes. O parto de novas ideias é doloroso; é o infarto, não do coração, mas da alma (intelecto). Uma dor quase que insuportável...
Um professor de Filosofia que nunca sentiu um vazio existencial terrível nunca poderá dizer que esteve numa sala de aula; pois, lecionar tal disciplina é querer que a dor do "aluno" passe para ele, assim como os pais gostariam que as dores físicas e espirituais (sentimentais) dos filhos fossem suas (deles).
Um professor de Filosofia, de fato, não sabe o que é um parto sem anestesia; embora, por intuição, saiba que deve ser a dor física mais pavorosa que as mulheres sentem. Mas ele sabe o que é a dor da alma provocada pelas perguntas e questionamentos; compreende como as primeiras aulas incomodam e "martelam" dia e noite o "espírito" dos jovens.
O professor de Filosofia sabe pouco sobre todas as coisas, mas sabe, como poucos, a dor de um jovem que lida com as incertezas e dúvidas que tal disciplina provoca. Sabe, porque não está imune às questões colocadas, e que causam abalos nos alicerces mais firmes.
Quem já fez uma reflexão filosófica tem a "certeza" (o que é "certeza" mesmo?) que quebrou o espelho que durante muito tempo foi guardado com carinho. Pode-se colar o espelho, mas ele jamais será o mesmo!! Talvez, mesmo quebrado, ele representará uma alma (intelecto) que sofreu uma fratura profunda — fratura esta que pode ser comparada à loucura...
Mas eis que, de repente, vem a paz, e as superstições, que eram monstros cruéis, tornam-se simples sombras. Continuaremos ignorantes sobre quase tudo; todavia, paradoxalmente, seremos "ignorantes" sábios!! E os jovens, com o passar do tempo, podem até continuar não gostando de Filosofia, mas agora já não importa: ela já terá inoculado neles a semente da sabedoria. E esse processo é infinito, ao menos enquanto esta vida durar!!
O professor de Filosofia, então odiado, pode, desta feita, ser "amado"!!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

SOMOS TODOS SOFISTAS?

Quarta-feira, 30 de setembro de 2015
SOMOS TODOS SOFISTAS?
Desde a aurora da Filosofia, cujo nascimento convencionou-se entre a maioria dos historiadores e estudiosos considerar o século VI a.C. — e que a tradição histórica considerou como pai o filósofo grego Tales de Mileto; aquele pré-socrático que disse, pela primeira vez, que a água era a arché de todas as coisas — era o advento da Filosofia. A razão é a filha nobre que "separa" a explicação cosmogônica da cosmologia. A primeira tinha que ver com os mitos, com os deuses; numa palavra, com o sobrenatural. A segunda recorria apenas ao Lógos, à razão, ao homem — e a explicação agora concentrava-se na capacidade humana de explicar os fenômenos da natureza sem recorrer ao sagrado. O homem estava começando a engatinhar na autonomia e na liberdade...
Evidentemente que no decorrer do tempo apareceram outros filósofos, e o elemento divino sempre esteve presente de uma ou outra forma. Talvez não seja por acaso que o filósofo francês e ateu militante Michel Onfray esteja escrevendo uma Contra-História da Filosofia; ou seja, ele está tentando resgatar os filósofos materialistas e hedonistas que, segundo ele, foram vencidos pela longa História da Filosofia, cuja matriz é, em última análise, platônica. Ele até cita outros, mas Platão é o alvo principal do idealismo e da inversão do mundo.
Tivemos, depois da preocupação filosófica com o elemento primordial, material, de todas as coisas — ou seja, a cosmologia, a physis — um deslocamento para a antropologia, a vida social, política e ética na pólis — cidades-Estado gregas. É em tal contexto que temos a consolidação da democracia e o aparecimento dos sofistas e de Sócrates. Aqueles, segundo as más línguas, queriam vencer o debate, a discussão nas ágoras (praças públicas) a qualquer custo. Os principais nomes destes verdadeiros mestres do discurso, da oratória e da retórica são Protágoras de Abdera e Górgias de Leontini; eram eloquentes e capazes de opor argumentos e persuadir as pessoas com certa facilidade, além de cobrarem caro por ensinar tal arte nas diversas cidades que perambulavam. A verdade, para eles, era relativa e circunstancial. Em outras palavras, a verdade se confundia com a capacidade de persuasão. O importante era vencer o debate. Eram professores dessa arte e, numa democracia direta, mais uma vez, quem podia pagar aprendia as técnicas e influenciava as decisões nos debates.
Sócrates, pelo contrário, criticava as cobranças dos sofistas e pensava que o saber não se vende. (Talvez seja por isso que os professores ganham tão mal...) O filósofo Sócrates vivia fazendo perguntas a todos, e argumentava que perguntava porque não sabia. Utilizava o método da Ironia e da Maiêutica. A primeira tinha como fim a desconstrução das meras opiniões que os atenienses pensavam que sabiam. A segunda, Maiêutica, etimologicamente, é a arte de trazer à luz, partejar. Só que no caso de Sócrates, trazer à luz novas ideias. Enfim, desconstruir e reconstruir novas ideias. A mãe de Sócrates, Fenareta, era parteira. Não é difícil deduzir o que Sócrates fizera, não é mesmo?
Sócrates buscava não a relatividade dos sofistas, mas o conceito, o universal e necessário. Ele queria a essência; ou seja, o que subjaz à aparência. Esta muda, aquela permanece. Não foi à toa que Platão, discípulo de Sócrates, inventou um outro mundo e aprofundou a metafísica de Parmênides, e foi além da metafísica embrionária socrática...
Poderia citar um pouco mais de Platão e do seu principal discípulo, Aristóteles — um dos maiores filósofos e metafísicos de todos os tempos —, mas o meu interesse é voltar ao tema da pergunta: "Somos todos sofistas"?
Quem dera se tivéssemos a competência para chegar ao menos perto dos grandes sofistas da Grécia antiga; todavia, vivemos numa época de riqueza da linguagem por algumas elites e de uma pobreza absoluta da linguagem pelas massas do mundo inteiro. E o que é pior: muitos linguistas, com o pretexto de "respeitar" as diferenças e a multiplicidade dos "cidadãos", a diversidade das culturas, preconizam e até estimulam uma linguagem paupérrima de significados. Esta, sem dúvida, torna a concepção de mundo dos mais explorados muito mais complexa; pois dificulta a percepção mais ampla e rica da cultura humana, patrimônio que deveria ser de todos. O que tais "especialistas" não percebem é que também estão alienados e reproduzem uma ideologia que deveriam combater. Principalmente porque quem acredita nessas teses dificilmente faz parte ou está inserido no contexto da reality social, política, econômica e cultural dessas comunidades.
A linguagem é o que nos faz diferentes dos animais; e, como seres humanos, temos o direito de compreender, analisar, interpretar, refletir e dar um novo sentido ao discurso das pessoas que "falam e escrevem" bonito — afinal, numa democracia de fato, e não apenas de direito, é preciso que a gama de sinônimos seja rica. A linguagem é poder e o poder domina, sobretudo, pelo apelo à força das palavras. Se fôssemos todos sofistas, a maioria dos políticos, advogados, médicos, jornalistas, mestres de propagandas e publicidades, vendedores, entre outros, não teria vida fácil conosco.
Não é por acaso que a sociedade desdenha a Filosofia... Esta, além de desmascarar e desvelar as ideologias e ilusões vendidas pelo atual sistema de produção, conhece noções de Lógica e as principais falácias e sofismas. Afora a capacidade de fazer perguntas — que são verdadeiras bombas atômicas para explodir o discurso fácil dos inimigos da verdade.
Cuidado com a manipulação, pois ela está em toda parte... Até mesmo por muitos que querem nos vender um lugar no céu...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A TORRE DE BABEL DOS INTERESSES HUMANOS!

Segunda-feira, 31 de agosto de 2015
A TORRE DE BABEL DOS INTERESSES HUMANOS!
Na natureza os animais nascem com instintos rígidos em muitos casos, como, por exemplo, os insetos. Todavia, tal determinação não é absoluta, uma vez que há mais flexibilidade de ação e comportamento na escala da evolução; por exemplo: os mamíferos são capazes de aprender muitas coisas, portanto, há uma certa "inteligência", mesmo que não tenha o mesmo teor de abstração da de um ser humano. No caso deles, podemos afirmar que se trata de uma "inteligência" concreta para realizar tarefas simples, sem criatividade, como acontece com os seres humanos. Se bem que ainda sabemos muito pouco sobre a "inteligência" dos animais, e a comparação com seres humanos é complicada; pois, como já dizia o filósofo cético Michel de Montaigne, em muitos aspectos os animais nos são muito superiores...
O ser humano, com raras exceções, é egoístas, ganancioso, ambicioso e outros adjetivos pejorativos que não valem a pena colocar aqui, porque é do conhecimento de quase todos. O ser humano tem a mania de pensar que é racional e que os demais animais são irracionais; entretanto, quero fazer uma provocação: somos racionais de uma forma imanente, essencial? Penso que não precisamos nem lembrar que sem a sociedade não haveria humanização da espécie humana; logo, se fôssemos racionais essencialmente, nunca deixaríamos tal racionalidade. Mas é realmente isso o que acontece? Somos, ou usamos a Razão de vez em quando?
O ser humano, em sua maioria, criou o Estado político. Há várias teorias sobre a origem do Estado. Desde a origem divina, passando pela natural e a tese do contrato social. Não entrarei em detalhes aqui, mas espero que estas questões sejam explicitadas na proporção que o texto avançar. A verdade é que o ser humano é complexo demais; e afirmar, peremptoriamente, que a espécie humana é racional essencialmente é, no mínimo, leviano. Se fosse, como seria possível o sistema capitalista de produção? Produzir, acumular, vender e destruir o planeta e não compreender que os recursos naturais são finitos — depois recomeçar o processo numa escala e velocidade cada vez maior!!! Podemos chamar estas ações de racionais? Vou um passo além: como não questionar uma "riqueza" inexistente, abstrata, como a que se "consegue" nas bolsas de valores de todo o mundo? Eis o paradoxo: ser proprietário e não proprietário simultaneamente — porque tal "dinheiro" é apenas números transferidos para onde se supõe ganhar-se mais, ou ganhar-se menos, porém, ter-se mais "segurança". Há um porém: às vezes, a pessoa que investe em ações perde tudo da noite para o dia. Onde está a riqueza, se ela não foi produzida e depende muito mais de apostas de onde investir que da racionalidade de quem investe de forma conservadora? Daí a loucura do mercado financeiro!! Basta um boato e os investidores comportam-se como se fossem uma "boiada". Eis a Razão da espécie humana — a meu ver, um ardil para ficar rico sem produzir...
Percebe-se, na situação acima, não uma racionalidade, mas a total irracionalidade; pois é o desequilíbrio psicológico e emocional que fica evidente nos agentes a serviço do capitalismo financeiro. A Torre de Babel, em vez de ser "destruída", como na alegoria bíblica, é motivo de conflitos entre os que defendem o capital voltado para a produção; os que fazem apologia do capital financeiro e não produzem um parafuso — como é o caso dos banqueiros e "especialistas" que só vivem da especulação — e aqueles que produzem, mas que também têm ações nas bolsas. Contulo, o que é comum a todos é o papel do Estado. Infelizmente, neste caso, por ideologia, estupidez, irracionalidade ou má-fé, quase todos defendem o mesmo: o Estado não deve interferir na economia e no mercado financeiro, embora a irracionalidade daqueles que só usam a razão para ganhar dinheiro dependa, ontologicamente, do Estado. Este foi, é e, provavelmente, será a "mão invisível" para os cegos; mas, para quem utiliza a Razão para refletir sobre o todo, a Torre de Babel econômica é apenas uma parte da realidade, talvez a mais importante. Aliás, Karl Marx já dizia que a economia determina tudo; apesar de ele ter se referido apenas à economia que produz, afinal o filósofo alemão desenvolveu as suas teorias no século XIX e não conheceu a bolsa de valores em nível planetário. Se o modo de produção capitalista, que subtrai mais-valia relativa e absoluta da "classe trabalhadora", foi motivo para uma teoria socialista, comunista — imagine se Karl Marx vivesse na nossa época? Ele, com certeza, ficaria horrorizado com a "produção" de riqueza financeira abstrata. Ser proprietário de números e não de algo concreto e palpável... E o que é pior: números que podem desaparecer da tela do computador com a mesma rapidez que apareceram. Eis o irracional com verniz de racionalidade do capitalismo... Ideologia, nada mais.
A Torre de Babel, no atual sistema e na nossa época, não é apenas uma questão de misturar as línguas por um suposto Deus bíblico, mas uma balbúrdia infernal sobre interesses diversos. Estamos voltando à Grécia dos antigos sofistas, contemporâneos de Sócrates, porém com uma roupagem linguística mais sofisticada. Isto porque a comunicação é globalizada também. A velha e surrada luta de classes não é mais entre quem explora e quem é explorado; entre opressores e oprimidos. São ricos contra ricos, dependendo de como "produzem" riqueza; de ricos e pobres; da classe média alta contra pobres; das mais diversas classes de profissionais — ou seja, uma fragmentação que o irracionalismo não pode compreender —, além dos interesses morais, políticos, sociais, ideológicos, culturais, entre outros.
Evidentemente, este tema merece um livro, tal é a quantidade de assuntos a ser abordados. No entanto, é necessário fazer apenas algumas observações e provocações para que sejam refletidas pelos interessados. Vou dar um exemplo aqui, que deve ser do conhecimento da maioria, e que está caminhando para acontecer em nível mundial. Refiro-me à briga, às discussões, às acusações recíprocas entre os taxistas tradicionais e o aplicativo Uber. Muitos desses pretensos motoristas de táxi preconizam que o Estado é burocrático, inchado de apadrinhados, antro de corruptos, etc.; porém, com a concorrência do livre mercado, a quem eles recorrem? Ao Estado, não é mesmo? Querem ser protegidos pelo papai estatal. O mesmo serve para todas as situações supracitadas. O Estado deve ser mínimo para o povo e máximo para os ricos. Estes fundaram o Estado; portanto, se forem à falência, a babá estatal deve protegê-los... Dei tais exemplos, mas cada leitor deste texto pode fazer um exercício mental e tentar lembrar das divergências entre os seres humanos na luta pela sobrevivência.
Uma pergunta: em qualquer sentido, se alguém estivesse numa situação oposta à que defende, será que ele seria capaz de colocar-se no lugar do outro? Em outras palavras, se um motorista de táxi fosse alguém que trabalhasse com o Uber, ele defenderia o direito de quem? Relembro aqui o grande Protágoras de Abdera, porém não com as mesmas palavras: "Sobre qualquer discurso é possível fazer um oposto com o mesmo nível de persuasão"!!! Em outras palavras, trocam-se raciocínios lógicos por um jogo de palavras que muda de acordo com os interesses e a conveniência. A astúcia em detrimento da verdade. A ética kantiana aqui não passa de uma fábula, não é mesmo?
No modo de produção atual, cada um defende o seu lado e, quase sempre, sem bons argumentos — pelo contrário, com provocações rasas e uso da força bruta. O que move o ser humano é a razão? Duvido. O darwinismo natural não estaria sendo utilizado pela ideologia para legitimar o darwinismo social? Estaria o ser humano virando uma besta, ou está sendo estimulado a agir como tal? A Torre de Babel, aqui, não poderia ser representada pelo irracionalismo? O animal é "irracional", mas não sabe disso. O homem tem a possibilidade de usar a razão; mas a História tem provado que ele é irracional, tem consciência disso e, ainda assim, prefere agir como um autômato... Há algumas exceções, raras, porém, como um diamante...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO