Sexta-Feira, 23 de outubro de 2009
OS SOFISTAS, SÓCRATES, PLATÃO E A EDUCAÇÃO!
Vou escrever umas ideias que vieram à mente a respeito da educação no Ocidente, para tentar desvelar (tirar o véu) sobre os "responsáveis" por uma visão tão romântica da educação, que ainda paira sobre a sociedade ocidental. Professores, principalmente no Brasil, deveriam ter um corpo de luz; afinal, para que precisam de dinheiro?
Sócrates, Platão e Aristóteles, a meu ver, são os responsáveis por uma visão deformada dos professores. Sócrates não cobrava para ensinar e criticava os sofistas — professores de filosofia e retórica, ambulantes, e que cobravam caro para ensinar. Sócrates preferia viver de "esmolas", mas achava que "o saber não se vende".
Todavia, foi Platão — sempre o tal Platão, um dos filósofos mais conservadores da história da filosofia — o responsável por essa visão tão romântica da educação. Platão criticava os sofistas violentamente; para Platão, os sofistas não mereciam respeito porque cobravam para lecionar. O saber não deve ser vendido, segundo ele.
Quem era Platão? Era um nobre e, portanto, muito rico. A riqueza da sua família era baseada em terras... muitas terras. Ele não precisava trabalhar para sobreviver; tinha tudo do bom e do melhor. Platão tinha horror a tudo o que era material, entretanto, nunca abriu mão do conforto; inclusive, não gostava das massas — tanto é assim que tinha a sua academia, lugar frequentado por gente escolhida a dedo. Logo, dessa forma era fácil criticar os sofistas, porque podia se dar ao luxo de ficar "filosofando" o tempo todo e sem compromisso com a luta pela sobrevivência.
Os sofistas cobravam, e caro, para lecionar. "Vendiam" o conhecimento porque era a única forma que tinham para sobreviver; não poderiam se alimentar de luz. Quando a fome aperta, não são ideias e conceitos que ingerimos, não é mesmo?
Infelizmente, foi essa visão romântica que chegou a nós. O professor é visto como alguém que já nasce com o dom, o talento para ensinar; ele tem que ser o exemplo, o timoneiro, o Fiat Lux da educação. O problema é que o nosso sistema é o capitalista.
Platão vivia numa sociedade escravagista. Os sofistas cobravam caro de quem podia pagar; os sofistas não tinham horror ao povo como era o caso de Platão. Numa sociedade "democrática", como era a Atenas da época, Platão ficava incomodado com os sofistas; afinal de contas, ele era um aristocrata. Olhe a luta de classes mais uma vez presente aí.
A visão platônica da educação ainda permanece viva entre nós, mesmo que não saibamos disso. Platão fez prevalecer uma visão negativa dos sofistas. Etimologicamente, a palavra sofista estava relacionada à sabedoria; com Platão, ela ganhou o significado pejorativo de coisa falsa, ilusória. Daí o tão decantado sofisma, ou raciocínio falso.
De quem é a culpa dessa tragédia? De Platão. A mesma culpa que temos pelos nossos desejos e tudo o que se relaciona com o corpo vem das teorias idealistas de Platão. Ele inverteu o mundo. Já não é o modo de produção quem determina nossas ideias: é o Mundo das Ideias o modelo para o mundo material.
Pois eu prefiro comer uma maçã "bichada" do mundo material a uma maçã perfeita do Mundo das Ideias. Aquela forra a minha fome; esta enche a minha mente de ilusões. Platão foi genial, mas foi o responsável por essa maneira idealista de concebermos o real.
Conclusão: os sofistas precisavam trabalhar e, por isso, cobravam dos filhos abastados. Platão era rico e não precisava trabalhar, logo, podia fazer metafísica, buscar a "essência" numa outra dimensão! Os professores vivem e sobrevivem numa sociedade capitalista (capetalista também). Estudaram muito para fazer um curso superior; precisam ser valorizados, não apenas com elogios, mas também com dinheiro.
Não precisam ter o salário de um prefeito, governador, presidente e demais políticos, mas deveriam ganhar muito bem. Afinal, não se nasce com talento: isso é mais uma ideia errônea platônica e aristotélica. Não há potência para ser desenvolvida e transformada em ato; há, sim, empenho e horas e mais horas para desenvolver o "talento".
Salário mínimo para os políticos! Que tal?
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO