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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

KARL MARX: O QUE O ESTUDO SIGNIFICA PARA MIM

KARL MARX: O QUE O ESTUDO SIGNIFICA PARA MIM

A meu ver, Marx foi ao cerne do problema humano, como eu já escrevi nos meus textos por várias vezes, ou seja, como os homens se organizam para produzir e reproduzir a sua subsistência material, principalmente no modo de produção capitalista. Houve uma época em que eu acreditava que seríamos capazes de fazer uma revolução social, não apenas no Brasil, mas que ela se espalhasse pelo mundo.

Sinceramente, penso que não verei isso, todavia, o estudo sério de Karl Marx, (muito antes de eu fazer Filosofia na UFMG e de ter sido aluno de um dos maiores marxianos do Brasil, talvez até da América Latina) que tive com o meu ex-professor José Chasin, foi excelente. A abordagem dele sobre Marx era ontológica, incomum à maioria dos estudiosos do filósofo alemão. Creio que o Marxismo libertou-me da alienação e da ideologia e me fez compreender como, de fato, o mundo humano funciona. A compreensão materialista da História (no sentido da práxis, enquanto intercâmbio com a natureza e de relações sociais entre os produtores livres e associados produzindo objetos que tenham valor de uso; e não apenas mercadorias usurpadas dos trabalhadores pelos capitalistas para vendê-las no mercado) é a chave para a emancipação humana.

É uma utopia? Para muitos, sim; contudo, ou os seres humanos acabam com o capitalismo ou este destrói o planeta!! Temos escolhas? Isso significa que só nós podemos mudar a nossa realidade econômica, política, social, cultural, ética, estética, etc. Infelizmente, não basta só vontade...

Paradoxalmente, tenho nisso um prazer e uma dor: o prazer de ser consciente da situação e, por isso, não ser escravo desse sistema, apesar de ter que viver nele. Adquiri certa compaixão por aqueles que produzem toda a riqueza no mundo capitalista, mas não têm uma vida digna, afinal o produto do seu trabalho não lhes pertence. Quanto à dor, não tenho esperança de que seremos capazes de mudar tal situação. Como me sinto diante disso?

Vejo-me como um sofredor consciente, mas impotente, e, não sendo profeta, penso que o atual modo de produção capitalista vai extinguir a Humanidade se nada for feito...Como no meu mundo não residem deuses nem intervenções sobrenaturais, o futuro só aos trabalhadores pertence...


TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

DIÁRIO DE UM DEBATE POLÍTICO EM 13 DE JUNHO DE 2013

 18 de junho de 2013

Hoje, fiz um debate na FUNEC-Riacho com o seguinte tema: Poder Político e Movimentos Sociais de Massa. Amanhã, continuarei com mais duas turmas, pois fizemos quatro debates. Confesso que fiquei bastante cansado, afinal tais discussões não são fáceis.

Todavia, valeu a pena! Os jovens ficaram muito entusiasmados, participaram ativamente e admito que fiquei orgulhoso. Não há mudanças sem participação popular. E nenhum povo de qualquer país do mundo conquistou direitos sem lutar arduamente pelos seus ideais. É nessas horas que a profissão de professor, apesar de todos os problemas, faz a diferença.

Sinto-me em êxtase quando observo que tantos jovens chegam à escola totalmente alienados, perguntam pela utilidade de disciplinas como a Filosofia, a Sociologia, a História e a Geografia—enfim, a área de Humanas. Evidentemente que todas as outras disciplinas são importantes, e não queremos nos vangloriar e dizer que apenas os professores dessas áreas sejam fundamentais, mas, do ponto de vista da política, da ética e de uma reflexão mais profunda sobre a realidade humana, não há dúvida de que tais matérias são essenciais.

Seria fundamental que cada pessoa que participasse dessas manifestações estivesse consciente do seu papel como cidadão, porém nem sempre isso é possível. Entretanto,
acredito que é participando do jogo democrático que aprendemos as suas regras. E um movimento de massas não segue necessariamente muitas normas, pois quase sempre há indignação e o sentimento de que a classe política tem nos tirado o "ar". É preciso continuar a luta, pois se queremos um país melhor, temos que construí-lo com as nossas próprias mãos, afinal, com raras exceções, poucos políticos representam o povo de fato e não apenas no discurso vazio.

Representar é tornar presente novamente! A maioria dos políticos tem a política como um fim em si mesma e não como um meio para promover o bem comum. Está na hora de acabar com essa história de continuarmos dando um "cheque em branco para esses crápulas que fingem nos representar. E, tomara, sinceramente, que o povo compreenda que só ele pode fazer transformações profundas.

Nada de partidarismo neste momento. Mais: queremos uma sociedade democrática com direitos substanciais e não apenas formais. Queremos uma igualdade de fato; não uma igualdade abstrata: não desejamos ser "iguais" só no papel.

Que a nossa juventude possa escrever o seu nome na História. Contudo, quero chamar a atenção para uma situação grave: até que ponto este movimento não está sendo orquestrado por gente muito poderosa, cujo objetivo é criar o CAOS, e, como pretexto, dar um golpe de Estado?

Pode ser um delírio, mas em se tratando da Direita reacionária e de boa parte da mídia no Brasil, todo o cuidado é pouco. Ou já não há gente pedindo o impeachment da presidente? Afinal, temos um histórico de golpes de Estado neste país...

P.S.: Parece que eu estava certo ao escrever o texto em junho de 2013. A presidente Dilma não sofreu um golpe militar, mas parlamentar, com certeza. Sempre que o povo é colocado no orçamento público, as quarteladas acontecem...