Quinta-feira, 15 de dezembro de 2022
A LIBERDADE DE EXPRESSÃO PODE SER ABSOLUTA?
Será? Vejamos: a meu ver, se posso tirar a minha própria vida, então, tenho liberdade absoluta para fazer tudo. Mas se eu pudesse fazer tudo o que me desse na "telha", todas as outras pessoas poderiam fazer o mesmo, não é? Neste caso, onde está a minha liberdade? Seria o mundo em estado de natureza de Hobbes — “o homem seria o lobo do próprio homem”. Há liberdade nessa situação? Penso que não...
Por outro lado, concordo com o filósofo existencialista francês, Jean Paul Sartre. Temos uma liberdade absoluta, no sentido de tentar fazer o que se passa pela cabeça (ele não disse com essas palavras); todavia, só pode haver liberdade absoluta com o fardo da responsabilidade. Somos responsáveis pelas nossas escolhas e atitudes e pagamos um preço por isso, ora! Posso fazer, mas há consequências... Isso de um ponto de vista ético, moral. Imagine, então, a vida em sociedade... Além dos valores éticos e morais, temos que respeitar as leis, não é mesmo? Podemos até desrespeitá-las, mas se formos descobertos, pagaremos o preço pelas nossas escolhas e atos.
Onde não há limite nem responsabilidade, é impossível conviver em sociedade. Portanto, as fake news não podem ser censuradas? Podem, devem e necessitam ser coibidas. Por quê? Porque, além de serem imorais, são ilegais. Como acreditar nas pessoas que preconizam as notícias falsas desenfreadas e sem consequências? Seria o reino da barbárie: o caos social!!
Para terminar: como acreditar que um candidato que legitima as fake news e as comete, além de estimular milhões de pessoas a fazerem o mesmo, seja confiável? Se o candidato mente o tempo todo, qual a promessa que ele fizer poderá nos convencer? Ele, simplesmente, poderá dizer, se caso for vitorioso nas eleições: “Todos sabiam que eu minto e, inclusive, me ajudaram, espalhando fake news; que moral vocês têm para me julgarem?” “Nós somos da mesma laia... vocês são meus cúmplices”...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO