Domingo, 18 de outubro de 2009
ONTOLOGIA MATERIALISTA!
Estou interessado numa ontologia materialista que fundamenta o ser social — aquilo que nada mais é que o ser humano que se organiza para produzir a sua subsistência material. Viagens metafísicas servem para quê? Um conhecimento que não seja práxis não serve para nada. Não desejo saber da essência de coisa alguma; estou muito envolvido com as aparências, com o fenômeno material e natural, para ficar prisioneiro de conceitos ideais e sem correspondência com a realidade.
A única vontade que me interessa é a vontade das massas, que está adormecida. Massa alienada, vítima do idealismo ideológico que inverte a ordem do mundo. O homem mastiga ideias? Um conceito abstrato ou lógico enche a barriga de alguém? Uma fome teórica é igual à fome real?
Eu lhes digo que estou ficando cansado. O grau de alienação a que chegou a humanidade é de assustar. A reflexão — que deveria ser algo tão simples, ou seja, algo imanente ao ser humano pelo privilégio de ser racional (racionalidade adquirida no convívio social) — está virando artigo de luxo. As pessoas não compreendem, ou não querem compreender, que o planeta é nosso. Com mais de seis bilhões de habitantes, todavia, estamos deixando uma minoria gananciosa destruí-lo. E o que fazemos? Assistimos e achamos que é natural. Esperamos uma salvação sobrenatural que nos dê uma felicidade eterna. Mera ilusão...
E se houvesse uma nova forma de produzir — uma produção baseada no respeito à natureza, em que a humanidade produzisse só o necessário para a sua subsistência e as mercadorias não se tornassem obsoletas da noite para o dia? Haveria, com certeza, maior respeito entre os seres humanos; as relações sociais seriam mais fraternas e solidárias. Sobraria mais tempo para o lazer, a cultura, etc. O homem trabalharia para viver, e não viveria para trabalhar, como acontece hoje em dia. Toda a atual perversão tem a ver com a forma de produzir e de consumir. Se tudo se torna descartável, as relações entre as pessoas não podem ser diferentes. Descartamos seres humanos como descartamos os objetos. Pois é...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO
P.S.: O MINISTÉRIO DO BOM SENSO INFORMA: DIGA NÃO ÀS PSEUDOCIÊNCIAS, POIS ELAS NÃO SERVEM PARA NADA E ALIMENTAM A ILUSÃO DOS INGÊNUOS!