As redes sociais merecem uma profunda reflexão. Tenho feito algumas observações há algum tempo, principalmente com pessoas que não conheço pessoalmente. Confesso que estou tendo uma certa dificuldade para compreender a atualidade. Não há, nestes tempos, uma ética que chegue para ficar valendo por um intervalo temporal "razoável"; nada se cristaliza; nada perdura.
O novo nasce e já está velho na semana seguinte. Nunca se sabe se a pessoa que você vê nas fotografias existe de fato, se é um fake com uma foto que foi "furtada" de uma pessoa maravilhosa (fisicamente), ou mesmo se a pessoa considerada "maravilhosa", na verdade, não passa de um efeito "mágico" dos recursos mais modernos de uma máquina fotográfica capaz de gerar uma outra criatura.
Eu fico sempre na dúvida, o que não é novidade para quem me conhece. O que muitas vezes me faz desconfiar de tantos deuses e deusas (por terem uma beleza que parece não existir neste mundo, mas só no Olimpo grego) é perceber como a maioria escreve mal. A mesma beleza estonteante torna-se frustrante diante da incapacidade da pessoa conseguir escrever uma frase sem alguns erros horrorosos. (Cometo erros também, mas escrever o básico corretamente é essencial.)
Por outro lado, aparentemente, não existe tristeza nas redes sociais. As pessoas parecem estar sempre felizes. As fotos mostram um mundo que para mim seria o paraíso terrestre, no entanto, há uma grande dicotomia: os alegres, de uma hora para outra, manifestam a mais profunda tristeza. Uma outra situação que me chama bastante atenção são os afetos. Em um dia a gente olha e a pessoa está num relacionamento sério e a "fábrica" de corações vermelhinhos não "descansa". E a frase que mais se lê é: Eu amo você!! Todavia, em pouco tempo já não há mais amor, mas a ruptura de um "amor" que parecia tão profundo...Como pode isso?
Existem muitos outros fatos, mas para resumir, por enquanto, pois o assunto merece ser estudado em maior extensão e profundidade, vou citar apenas mais um exemplo.
Entre essas pessoas que não sabem escrever direito, algumas ainda têm a coragem de chamá-lo de lerdo, simplesmente por não ter paciência de esperá-lo digitar. É como se não houvesse o tempo, tudo tem que ser instantâneo, imediato...Como pode uma pessoa que escreve tão mal rotular alguém de lerdo? Não sei o que se passa com muitos amigos e colegas, mas eu estou me sentindo numa espécie de mundo virtual, contudo, na última esfera (dimensão). Quando vejo pessoas normais, de carne e osso, perto de mim, tenho me questionado se o mundo sensível, concreto, denso, maciço é real, verdadeiro. E parece que a situação ainda está só no começo. O "homem"-máquina vem por aí. O conceito de ser biológico, em pouco tempo, deixará de existir, e só saberemos, pelos livros de História, que um dia houve espécies biológicas. Tenho medo disso...
TEXTO: Marco Aurélio Machado