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MAPA DOS VISITANTES DESDE O DIA 29/11/2009

domingo, 1 de maio de 2011

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO!

O assunto sobre educação é interessante e fascinante, mas quase sempre partimos do pressuposto de que já sabemos o que é a educação. O que é a educação? Por que e para que precisamos de educação? Qual educação? A que liberta ou a que aprisiona? A educação existe só no espaço escolar ou ela é bem mais ampla? A minha intenção neste texto é fazer perguntas, pois há muitas coisas para serem explicitadas. Espero que alguns "especialistas" respondam algumas perguntas, pois não é novidade que a maioria têm muitas respostas e são amantes de um belo gabinete. Sabem tudo sobre conceitos abstratos de educação...Sabem tudo sobre a educação dos filhos dos outros, mas não educam os próprios filhos. Há exceções! Ainda bem, não é?!

A meu ver, o problema é complexo e envolve o tempo, a qualificação, o dinheiro, a vocação, a persistência e muitas outras dificuldades. Por exemplo: por que os professores das décadas de 50, 60, 70 não ficavam doentes como ficam os de hoje? Conheço vários profissionais que estão deprimidos, ansiosos, angustiados, medrosos e apáticos. Por que muitos professores faltam ao serviço e arrumam tantos atestados médicos? Por que tantos professores tomam remédios controlados-TARJAS PRETAS-, para poderem trabalhar? Por que vários professores têm receio de chamar a atenção de um aluno? Por que inúmeros professores já foram agredidos fisicamente e moralmente? Por que vários alunos não respeitam os professores? Por que tantos alunos vão para as escolas drogados? Por que muitos vão para as escolas alcoolizados? Por que muitos alunos querem ouvir MP3 dentro das salas de aula? Por que inúmeros alunos querem atender e fazer ligações em celulares dentro das salas? Por que os alunos, em vez de estudarem, começam a namorar e transar tão cedo? Por que tantos jovens estão morrendo antes de completarem os 25 anos? Por que os jovens das escolas particulares estudam o conteúdo das disciplinas e as escolas públicas dão ênfase em outros métodos, que supostamente são melhores, mas quem passa nos vestibulares das melhores universidades federais são justamente os conteudistas? Por que não comparar todos os recursos das escolas particulares com o sucateamento das escolas públicas? Por que a educação básica-valores morais e éticos- não começa na família? Por que os pais não colocam limites nos filhos? Por que os pais não têm tempo para ajudar na educação dos filhos? Por que os pais jogaram a responsabilidade para os professores? Por que os governos jogam a culpa do fracasso escolar nos professores? Por que um profissional que forma todos os outros profissionais ganha tão mal e os nossos políticos, a maioria parasitas, ganham tão bem? Por que os nossos sindicatos nunca propuseram uma greve em dezembro, mas preferem cometer os mesmos erros durante todos os anos? Por que a imprensa não diz quem são os verdadeiros culpados, ou seja, o sistema capitalista vigente que divide as pessoas em pobres e ricos, mas quem produz de fato não tem acesso à riqueza? Por que os filhos dos ricos recebem uma educação para mandar e os filhos dos pobres para obedecer?



As perguntas acima precisam de respostas. Os "especialistas em educação" se habilitam? Educação pública, principalmente, porque as escolas particulares de ensino fundamental e médio estão relativamente bem. Pagam caro, não é? A coisa pública no Brasil não é de todos. É de alguns. E as migalhas que sobram para os mais pobres, infelizmente, eles não as reconhecem como bem comum. Passa a ser de ninguém, pois o que é público, na visão deles, não precisa ser preservado e nem melhorado. Contentam-se com o pior e ainda agradecem! É da vontade de DEUS! Se não é de ninguém, como ter compromisso? Cidadania aqui é palavrão. ALGUNS MUNICÍPIOS FECHAM ATÉ ESCOLAS!! Isto é incrível!!



Por que os Estados têm dinheiro para salvar bancos e usam sempre o pretexto que não há dinheiro para políticas públicas? Por que a educação estimula a concorrência e a disputa, em vez de estimular a cooperação e a solidariedade? Por que as escolas continuam reproduzindo os valores capitalistas? Por que uma educação acrítica, sem compromisso com a reflexão e o questionamento? Por que a alienação tomou conta, inclusive, da maioria dos professores? Por que tantos professores olham com desdém para a área de humanas? São robôs também? Por que tantos levam a igreja para dentro das escolas? O "além" vai resolver os problemas humanos?


Perguntinhas chatas e incômodas, não é? Que coisa mais triste...Como, todas essas questões que coloquei, não tem nada a ver com a economia, com a política e o social? Evidentemente que tem. Não podemos formar alunos para continuar produzindo mercadorias na escala que ora vemos.


O PLANETA não suportará este modo de produção por muito tempo. É a própria espécie humana que será extinta. Não posso deixar de ver isso como um problema econômico, político e social, se a educação está contida no sistema. Como não perceber que os jovens de hoje em dia, não sejam capazes de cristalizar alguns valores, pois quando pensam em alguns valores, os mesmos já mudaram, porque o ritmo da produção capitalista faz com que tudo se torne obsoleto da noite para o dia? Como não ser mais um objeto neste sistema? Tudo vira mercadoria, inclusive o ser humano, ora! São desejos infinitos de felicidade e prazer, contudo, acaba-se de comprar um objeto de desejo e aparecem outros, numa escala sem fim. Tudo vira bosta, como disse a cantora RITA LEE. O sistema contém a educação, muito sofrimento ainda vai acontecer.


Como perguntar não ofende, então vou fazer mais umas perguntinhas básicas! Não será essa uma das razões do envolvimento com as drogas, tão cedo, por parte dos jovens? A realidade fica tão dura, que é preciso inventar um outro mundo cor-de-rosa; infelizmente, é isso o que acontece com muitos. Mais: que professor consegue competir com os valores do nossos meios de comunicação, as propagandas, a imprensa e as novelas? Duro demais, não?! É a alienação total!

Para concluir, quero deixar uma sugestão aos nossos jovens. Vocês são vítimas desta situação. São preparados para a guerra, para morrerem ou sobreviverem neste sistema cão. Apesar de discordar, porque ao ver a "floresta pegar fogo, penso que é necessário ajudar a apagá-lo com água e não com querosene ou álcool, é preciso prosseguir na luta por um mundo melhor; ser o mais humano e ético possível. Quem sabe? Pois é...


Aqui vão algumas ponderações para os que "querem vencer na vida". Quem disse que estudar é prazeroso? Estudar é algo árduo. Envolve sacrifícios. É preciso escolher entre "namorar" os livros e cadernos ou encontrar os amigos e ir ao cinema, talvez um barzinho, etc. É preciso ler, escrever e perder noites de sono. É necessário abrir mão dos prazeres imediatos para crescer em todas as dimensões humanas. Quem não deseja isso, pode ser chamado de estudante? Quem não é capaz de tolerar frustrações, em prol de um objetivo nobre, pode ser chamado de aluno? Quem só quer se divertir e, por isso, foge de um livro como o "capeta foge da cruz," passará nas melhores universidades? Será que não serão analfabetos com diplomas, pois passarão nos vestibulares de faculdades que são verdadeiros tamboretes?



Jovem, coloque na cabeça que um mundo sem reflexão é muito pior. Ninguém é melhor do que os outros por usar roupas de grife, ter bens materiais e ser famoso. Somos melhores pelo nosso caráter e dignidade e pelo exemplo das nossas atitudes. De que adianta ter uma embalagem bonita e ser oco por dentro? Ter um corpo "malhado" e o cérebro atrofiado? Ganhar muito dinheiro e ser um um "cidadão" alienado? Resolver os seus problemas e ser vítima dos menos favorecidos? Pense nisso! A escolha é sua! Boa sorte!
Texto: Marco Aurélio Machado

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O QUE É A REALIDADE NATURAL E PSICOLÓGICA?

O que é a realidade? Seria muita pretensão, por parte de um ser humano finito e limitado, tentar definir a natureza do real. Entretanto, não custa fazer uma pequena reflexão sobre o tema. Este texto baseia-se numa cosmovisão oriental do mundo, principalmente, na leitura do pensador indiano, Krishnamurti. Todavia, é uma reflexão pessoal minha, portanto, é apenas uma pequena contribuição para um tema profundo e fascinante. Estou "engatinhando" nesta floresta densa e escura...Bom, comecemos...


O que é a realidade? É movimento incessante. A vida é movimento, fluidez, dinamismo: é como se fosse um rio, que ao deparar-se com um obstáculo, o contorna e continua. Assim são os pensamentos. O conflito vem quando queremos ser diferentes do que somos. Isso explica a metafísica grega antiga e o nosso desejo de estabilizar e enquadrar as coisas num conceito! Se tivéssemos seguido Heráclito, talvez a forma de vermos o mundo seria totalmente diferente. Queremos segurança. Não nos conformamos com o movimento. Não queremos perder. Queremos apego. Queremos controlar tudo. E a vida é dinâmica, particular, concreta. Por isso, não podemos achar que as ideias e os conceitos, ou seja, os símbolos, sejam mais importantes que o real. O real é muito mais rico e complexo do que supõe a nossa vã filosofia. O que é a crença? Um apego e um desejo de tornar o que é essencialmente movimento e impermanência em algo estático e permanente. Desejo de segurança. Nada mais que isso. Desejamos fazer um monte de coisas, mas não percebemos que é fuga. Fugimos o tempo todo de nós mesmos.


Não queremos esse confronto. Não queremos saber que somos a inveja, os ciúmes, o medo, a insegurança, o ódio, o amor, a raiva, o desespero, a felicidade e a infelicidade, enfim, somos tudo isso. Compreende-se o porquê essa história de inconsciente não se sustentar. O inconsciente nada mais é do que memória e lembrança. Para que preciso dividir a mente? Não há separação. Existe, sim, uma ilusão de um "EU". Se o "EU" fosse separado de mim, bastaria não me identificar com os meus supostos pensamentos e sentimentos. Assim, ficaria livre das neuroses e psicoses de todos os tipos. Mas quando acontece qualquer coisa, todo o meu ser sofre ou se alegra. Não há separação mente-corpo. Sócrates, Platão e Descartes foram os responsáveis por essa forma de pensar, ou seja, separar uma suposta alma do corpo.


O "EU" é justamente essa organização e capacidade de articular as coisas. Só que ao fazer isso, ele é diferente de mim? Claro que não. Ele não passa de passado e lembrança. Se penso, falo e ajo no mundo, é porque antes eu tenho isso como memória e lembrança. Caso contrário, como poderia reconhecer o que não conheço? Tanto é assim que se tenho uma experiência ela vira memória e lembrança. Mais um "EU". Ao querer repetir, ficarei desapontado, porque nunca mais terei a mesma experiência. O prazer que tive ontem ou a dor, nunca mais serão iguais. Sempre que queremos fazer o mesmo, advém a dor. O prazer contém a dor. Não são opostos. Fazem parte de uma mesma escala, porém, em graus diferentes. Esta frase ilustrará o que quero dizer:"ERA FELIZ E NÃO SABIA". Por quê? Porque só se pode se feliz em ato. Quando penso em repetir a mesma experiência, não conseguirei. Tudo não passará de memória.


Cada experiência é única, pois a vida é dinâmica. São os apegos que nos fazem sofrer. Se olhasse para todas as coisas como se fosse a primeira vez que a tivesse vendo, não teria memória e lembrança, logo, o novo surgiria. Outra: dizemos que temos medo do desconhecido. Falso. Temos medo de perder o conhecido. Se não conheço, como posso temer? É a suposta segurança que tenho, quem me faz ter medo de perdê-la. Se aprendêssemos a morrer todos os dias-simbolicamente-, para as coisas do mundo, então, teríamos uma outra relação com a existência. Como se pode ver, estamos muito longe disso. Eu sei que isso é verdadeiro, mas o meu CENTRO NÃO QUE SER O CONJUNTO DE TUDO.


Se existisse um "EU" separado de nós e que não se identificasse com os nossos pensamentos e sentimentos, logo, não teríamos neuroses e todo tipo de doenças psicológicas e emocionais. Bastaria estarmos separados. Isso acontece? Não! Todo o meu ser sofre. É a interação mente-corpo que dissera antes... Isso não significa abrir mão do mundo. O mundo está aí para ser usufruído. A natureza é bela e nos oferece tudo o que precisamos. Usufruir, sim, possuir, não. Os animais usufruem ou alguém teria coragem de dizer que um animal rouba alguma coisa da natureza? O engraçado é o ser humano dizer que os animais são irracionais! Nós somos tão racionais, que "saqueamos" a natureza para acumularmos bens e sofrimentos! Afinal, desde quando escravos de bens materiais são felizes?


Podemos ter uma vida plena e feliz. Não a temos por causa desse desgraçado do "EU". Gerador de uma falsa segurança psicológica e, que na verdade, gera todo tipo de apego e posse. E apego é sinônimo de sofrimento. Olhe o sistema vigente de acumulação de capital. Não dá para separar as coisas.Tudo está interligado. Nós e o UNIVERSO SOMOS UM. Somos a própria existência. A EXISTÊNCIA É NEUTRA, PORTANTO, NADA TEM A VER COM UM DEUS PESSOAL separado do UNIVERSO. Aliás, na Bíblia, Jesus disse: "EU E O PAI SOMOS UM". Pois é...



Texto: Marco Aurélio Machado

quarta-feira, 23 de março de 2011

Educação: Filosofia e Sociologia no Ensino Médio

Fiquei indignado, ao ler um texto desses especialistas de araque, filosofastros do ar-condicionado, a infeliz opinião de diminuir aulas de Filosofia, Sociologia, Arte e Educação Física. Mais? Afinal, Filosofia e Sociologia só têm uma aula semanal!! Cada um tem o direito de dizer o que quiser, todavia, devemos ter compaixão daqueles que não conseguem enxergar para além do próprio umbigo...

Mais uma vez, vem essa ladainha de procurar o problema na moral e na força de vontade dos professores, os atuais bodes expiatórios do sistema. O problema não é moral como costumam pensar muitos imbecis, a raiz do problema é ontológica. Quando digo que é ontológica, é porque a ontologia vai além da economia ou o modo de produção atual. A necessidade fundamental do ser humano é a sua subsistência material. O problema é ontológico, porque sem produção e reprodução da vida vida material não há sociedade humana, mas isso não significa que a única alternativa que temos seja a exploração e o lucro desenfreado. Podemos fazer diferente. Tudo muito simples, quando se estuda as coisas em profundidade. A ideologia reacionária deste sistema perverso está fazendo "festa" na cabeça dos "especialistas de gabinete". Talvez as pessoas não percebam isso, porque não sabem que a ideologia e a alienação são "almas gêmeas: SÃO VERSO E REVERSO DA MESMA MOEDA. Em outras palavras, ao não perceber a ideologia, a pessoa está alienada; e não percebe a alienação por causa da ideologia. Esta inverte a ordem do mundo; aquela transfere a sua consciência e a pessoa passa a ser comandada de fora. O alienado não é capaz de pensar e compreender a realidade em todas as suas dimensões: POLÍTICA, ECONÔMICA, SOCIAL, CULTURAL E HISTÓRICA.

As únicas disciplinas que podem ajudar a ampliar a visão do mundo, de um ponto de vista bem amplo, são a Filosofia e a Sociologia. Justamente as que muitos querem ver fora da escola. Hoje, alguém preconiza diminuir as aulas, amanhã, vão preconizar que elas não servem para nada! Tenho pena dos nossos jovens...

Muitas pessoas têm a doce ilusão de que há uma total liberdade nas nossas escolhas!! Cada um faz o que quer? Tem certeza? Eu não pedi para ninguém fazer uma lavagem cerebral na minha cabeça quando eu era criança, me impondo valores, crendices e superstições religiosas; eu não pedi para ninguém me dizer opiniões que nem elas sabem que são apenas opiniões; enfim, dar para escrever um livro a esse respeito.


O mais "interessante" é isto: alguém acreditar que a educação é uma coisa e consumismo é outra. A educação está fora da sociedade? A escola não está no sistema? A escola, por acaso, não reproduz também os valores capitalistas? A escola não preconiza a disputa, a concorrência, inclusive, entre os professores? O próprio ensino não é vendido? O que são as escolas particulares? São gratuitas? Estudar numa escola particular do ensino infantil ao médio, não é status, enquanto a escola pública é sucateada? Menos as federais, porque lá, os cursos de elite, como MEDICINA, por exemplo, são para os ricos, não é mesmo? É...


Ser uma espécie de voz, de eco no deserto é duro...Tento demonstrar que as duas disciplinas são essenciais para a compreensão da realidade em todas as suas dimensões. A educação é apenas parte dessa compreensão. Todavia, uma educação que abre mão da Filosofia e da Sociologia, com certeza, será empobrecida. Quantos acreditam que as aulas de Matemática, Física, Português, Biologia, entre outras, são mais importantes? Mas não são. Os jovens e também a maioria dos adultos, precisam dessas disciplinas como uma pessoa que está morrendo, necessita do ar. Não adianta as pessoas serem excelentes engenheiros(as), médicos(as), advogados,(as) administradores(as) de empresas, se elas não têm noções de cidadania, de raciocínio lógico ( são vítimas das falácias e sofismas), ética e valores magnânimos que as façam ser seres humanos no sentido mais nobre desse conceito. Elas precisam ser mais do que consumidores. Necessitam saber distinguir quem é o sujeito e quem é mercadoria numa relação de consumo, visto que, atualmente, sujeito e objeto se confundem. Já não há seres humanos, apenas mercadorias descartáveis. Fica claro o porquê dessa antipatia gratuita contra a Filosofia e a Sociologia. Afinal, robôs não pensam, apenas executam, de acordo com a sua programação, o seguinte MANTRA: COMPREM, pois essa é a única maneira de serem felizes!! As mercadorias valem mais do que a dignidade e o caráter...O importante é a embalagem!! Conteúdo mental? Nada disso. Os donos do sistema pensam por nós...Pensam para ganhar dinheiro, pois são escravos do próprio egoísmo.

O consumo deve ser sadio. A reflexão sobre quando, como e o porquê comprar, deve fortalecer a nossa vontade e não instigar o nosso condicionamento produzido pela fábrica de propagandas ilusórias.
E o vazio existencial? Será preenchido com novas "comprinhas", em dez vezes sem juros, no cartão de crédito. Mas crédito não é o que entra na nossa conta? Na verdade, é um cartão de débito!!!


É urgente termos uma alternativa para a sobrevivência humana neste planeta. Este modo de produção perverso, que destrói a natureza; que retira recursos naturais do planeta como se eles fossem infinitos; que acumula riquezas materiais como se as pessoas fossem levá-las para o túmulo; que preconiza a concorrência em detrimento da solidariedade e da cooperação...O que será dos nossos filhos e netos, porque a continuar assim, não teremos bisnetos.


A escolha é nossa. A natureza não precisa de nós. Assim como matamos as formigas, o mesmo será feito conosco: seremos varridos do "mapa". Se não for pela natureza, será por uma guerra atômica. Pobre, rico homem! Tão capaz de construir coisas belas e tão incapaz de controlar a sua própria ganância de poder e de destruição...

Eu disse também que não há seres humanos fora da sociedade e da cultura. Somos bichos com um verniz miserável de cultura. Entretanto, não fazemos uso da nossa racionalidade, porque se fizéssemos, não seríamos presas fáceis de uma ideologia tão cruel com a natureza, a maioria dos seres humanos e com todo SER que vive...ainda...


Ainda bem que a natureza não precisa de nós. E ela fará o que tem de ser feito, se nós não modificarmos a nossa forma de pensar, sentir e agir. Não sei se estarei aqui para ver isso acontecer, mas não posso pensar só em mim. Tenho filhas, quero ter netos, quem sabe, bisnetos. Será possível isso? Com essa educação em nível planetário, que acha feio tudo o que não é novo e descartável, onde tudo se torna obsoleto da noite para o dia, as coisas só tendem a piorar. Não vai demorar e vamos começar a comer pedaços dos nossos celulares, computadores, carros, etc, porque a continuar assim, não haverá uma árvore em pé; não haverá um único rio; não haverá água potável e muito menos comida. Tudo será contaminado por essa sede de riqueza que eu não consigo compreender. Tanta ganância para quê? E depois as pessoas dizem acreditar em "Deus". Não acreditam em "DEUS", acreditam nos pequenos deuses que dão sentido à vida delas: celulares, mansões, sítios, fazendas, ações nas bolsas de valores, carros do ano, etc. DEPOIS NÃO RECLAMEM!

Quero deixar claro que não faço apologia do socialismo ou comunismo, tal qual alguns regimes que já foram implantados no século XX. Babá estatal? Para quê e para quem? Não compactuo com ditaduras, sejam de "direita ou de esquerda". Sei que é preciso termos uma alternativa, mas não tenho a receita pronta. A única certeza que eu tenho é esta: O ATUAL MODO DE PRODUÇÃO COLOCARÁ UM FIM À ODISSEIA HUMANA NO PLANETA TERRA...


A Filosofia e a Sociologia podem fazer muito pouco, porque concorrer com alienados, com a mídia e as propagandas, não é fácil. Mas pelo menos as pessoas não podem alegar que não foram alertadas. Eu tenho feito isso há 14 anos. A minha voz é um pequeno eco no deserto, mas ela vai continuar. Se não para mudar as pessoas, pelo menos direi algumas verdades que farão muitos "seres humanos racionais" sentir vergonha da sua ganância e sede de poder. Se somos mortais e temos tanta sede, imagine se fôssemos imortais?!! Acho graça!


"Rezemos", irmãos e irmãs, para os nossos pequenos deuses!! AMÉM!


Texto: MARCO AURÉLIO MACHADO

domingo, 20 de fevereiro de 2011

ATEÍSMO E EXISTÊNCIA HUMANA!

Deus, para mim, é uma questão existencial; não gnosiológica, ou seja, não tem nada a ver com conhecimento racional sobre DEUS, visto que, a meu ver, a razão é do tamanho da dimensão humana. O resto é sonho do delírio humano... Não acredito em nenhum conceito de Deus. Eu digo isso o tempo todo, mas as pessoas fazem de conta que não leram, ou se leram, preferem dizer o contrário do que afirmei. É a velha intolerância e preconceito daqueles que odeiam o mundo no discurso, entretanto, adoram o conforto do mundo...E a "mesada vem todos os meses"...

Quase sempre volto a este assunto, porque, infelizmente, por ignorância ou má-fé, muitos preferem distorcer o conceito de ateísmo. Desde quando o ateísmo é a negação de um DEUS? Como posso negar a existência de DEUS, se não sei se existe tal SER? Se existe um DEUS, como posso negá-lo? Como se pode negar a inexistência, se não se pode negar o nada? Eu nego as crenças humanas em seres sobrenaturais, todavia, não invento uma crença que diz que deuses não existem. Afinal, ausência de crença não é crença na ausência. Crenças, cada cultura inventa as suas, nada mais. O mais engraçado disso tudo é que a maioria das pessoas não sabe que também é ateia. Quem nunca viu um cristão questionar os deuses de outras sociedades e culturas? Tal atitude não é ateísmo com relação aos deuses alheios? E outras culturas, por acaso, não negam o DEUS cristão? Estamos dispostos a colocar "ZEUS" na conta de "historinha da carochinha", mas quando alguém faz o mesmo com os deuses e santos que acreditam, a maioria perde a calma, em vez de analisar racionalmente tal possibilidade. A verdade nua e crua: todos somos ateus!!


Se as crenças em DEUS(ES) fossem verdadeiras, teríamos apenas uma crença, não é mesmo? Uma única e, portanto, verdadeira para todos os habitantes da Terra. Mas é isso que vemos? Não! Em nome das crenças nunca se viu tantas mortes e guerras. Por quê? Porque DEUS é amor!!! Imagine se não fosse...Penso que o ateísmo (NEGAÇÃO DAS CRENÇAS, DOS CONCEITOS LIMITADOS POR PARTE DE PESSOAS HUMANAS A RESPEITO DE UM SER DIVINO OU SERES DIVINOS), o livra da culpa, do medo do inferno, da esperança de ser salvo. Dá-se mais valor à vida, porque é uma só; de fazer o bem pelo prazer de ajudar, não para ganhar o paraíso; de inventar os próprios valores, já que não existem valores predeterminados; de ser humano em todos os sentidos e não renegar os desejos mais ocultos; de estar em harmonia com a natureza e de saber que se faz parte dela; de aceitar os fenômenos naturais e mudar o que é possível; de saber que o que não posso explicar racionalmente, não preciso inventar um ser imaginário, etc. Viver e ser feliz, porque a vida é única e bela. Se houver um Deus, ótimo, a vida continua, se não houver, excelente; não saberei que morri...

Em primeiro lugar, quero dizer que sou um humanista. Baseio minha vida em valores estritamente naturais. Não acredito em seres sobrenaturais: deuses, fadas, duendes, demônios, anjos, arcanjos, serafins, capetas, diabos, anjos caídos, anjos que subiram, unicórnios, elementais, astrologia e seus signos, poder dos cristais, macumbas, espíritos das trevas, espíritos de luz, almas encarnadas e nem desencarnadas, fogo do inferno e em nenhuma religião e seus supostos salvadores ou MESSIAS.

Acredito na finitude da minha razão, nos limites das minhas impressões sensoriais e na recusa radical de dar asas à minha imaginação, inventando deuses e tornando-me prisioneiro dos seus caprichos e ameaças. Não se preocupem comigo. Quando morrer estarei debaixo da terra. Mas, quero fazer nesta vida curta e finita, o que muitos só fazem no discurso. Para terminar: todas as minhas convicções são baseadas nas CIÊNCIAS E NA FILOSOFIA. ATÉ QUE SE PROVE O CONTRÁRIO, ELAS SÃO AS LUZES DA MINHA VIDA E DO MEU CAMINHAR FINITO, MAS SOLIDÁRIO, FRATERNO E HUMANO!!!

Texto: Marco Aurélio Machado

sábado, 29 de janeiro de 2011

CRÍTICA AO RACIONALISMO CARTESIANO!

Neste texto, gostaria de fazer uma crítica ao racionalismo cartesiano e a uma suposta linguagem privada que, infelizmente, ainda encontra defensores...

Descartes é um racionalista. Ele, depois de colocar tudo em dúvida, chega à conclusão que existe, porém, como RES COGITANS, como alma, como pensamento, como consciência, como EU, ou o nome que se queira atribuir às piruetas e acrobacias lógicas dele. O PENSO, LOGO EXISTO, é isto: existe apenas e tão-somente enquanto algo que está separado do CORPO FÍSICO. É como se a alma, o espírito, existisse fazendo presepada por aí, tal qual um fantasma. Não tem nenhuma correlação com o mundo material, carnal, corporal.

Quando ele percebeu que existia como um FANTASMA apenas, o que ele fez? Recorreu a Deus. Para quê? Para que Deus assegurasse a existência do mundo e o do próprio corpo de Descartes. Ora, para Descartes existiam ideias inatas que não dependiam de nenhuma experiência. Uma delas é a da perfeição divina e a sua infinitude. Só que ele está apenas num plano lógico, racional, idealista.

Ele inverteu tudo. O que eu questiono? Ele não poderia pensar sem um corpo físico; sem aprender uma linguagem; sem viver em sociedade, porque não há um EU que possa existir sem O OUTRO; sem intersubjetividade; sem relações sociais de produção, porque ninguém pensa de barriga vazia, certo?

Não é muito difícil refutar tal tese. Para isto, vejamos um pouco o EMPIRISMO. Qual é o lema principal do EMPIRISMO? "Nada existe na mente que antes não tenha passado pelos sentidos". Descartes desconfia dos sentidos, ora. Mas ele dependeu, para formular o COGITO, ERGO SUM, justamente daquilo que ele negava: O CORPO FÍSICO. Mais do que isso eu não posso ir. É preciso mergulhar nisso. Descartes e o raciocínio lógico são apaixonantes, tal qual Hegel também o é. Entretanto, ideias lógicas são apenas ideias. É uma inversão do mundo. Para mim, ele não provou coisa nenhuma. NADA. Apenas viajou em devaneios a priori e entrou na gaiola solipsista!

Nada em FILOSOFIA é óbvio. Se fosse, ela já teria acabado há tempos. Se ela existe desde o século VI a.C, é porque as diversas correntes filosóficas partem de questionamentos e premissas diferentes. Uma Filosofia perfeita, apenas num plano lógico, não serve para mim. A Filosofia só tem valor para mim se tiver relação com o mundo dos fenômenos e deve ser engajada nas diversas dimensões da vida política, econômica, social e cultural. É por isso que a tradição idealista de Platão, Descartes, Espinosa, Hegel, entre outros, para mim, não serve para nada.

O conhecimento deve ser práxis. Relação do sujeito teórico com a prática e relação da prática com o sujeito teórico. Uma aperfeiçoando a outra. Mas o sujeito só pode ser sujeito dentro de uma sociedade, pois não existe sociedade sem sujeito e vice-versa. INTERSUBJETIVIDADE HUMANA, no mundo natural, fenomenal. Aqui e agora; não no além-mundo e na esperança que se sustenta num tempo futuro. E tenho dito!!!


Texto: Marco Aurélio Machado

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O HOMEM: TRANSCENDÊNCIA NA IMANÊNCIA



A natureza, a meu ver, de forma absolutamente aleatória e contingente, tornou possível a existência humana. A existência do mundo e do ser humano não é, até onde se sabe, algo necessário. Diante do exposto, gostaria de refletir sobre a transcendência e a imanência humana, pois o homem é o único ser transcendente na imanência.

O interessante é que a transcendência humana acontece, mesmo para aqueles que têm uma concepção de mundo materialista, porque, para estes, aquilo que transcende ou vai além, não é uma alma imortal, que tem num tempo futuro a esperança de dar um adeus ao mundo imanente e, portanto, material, mas uma transcendência do intelecto na mais pura imanência: a relação corpo-mente como fenômeno natural e finito. A morte de um é necessariamente a supressão do outro e vice-versa.

Em outras palavras, é a transcendência no tempo e no espaço, logo em tudo o que é mundano e que “permanece”enquanto muda. A “impermanência” é a única “permanência” em tudo que é transitório e efêmero. Mera coincidência com o grande filósofo, Heráclito? O homem, que é feito da mesma “substância” do mundo e, que neste sentido, compartilha átomos com o universo, é consciente do que foi, pelo passado; do que é, pelo presente; e do que pode ser, pelo tempo futuro, portanto, pela imaginação, que nada mais é que a consciência antecipando o que não existe, em pleno tempo presente, o tempo futuro. A linguagem humana é a representação do tempo...

O homem, enquanto transcendência na imanência, torna-se alienado, ou seja, perde o contato consigo mesmo e tenta ser tudo o que não é: infinito, imortal, eterno. Em outras palavras, ao tentar ser infinito, imortal e eterno, o homem encontra-se com aquilo que mais teme: a própria morte. Afinal, o que é o infinito? A negação da finitude e deste mundo...O que é a imortalidade? A negação da transcendência intelectual em prol de uma dualidade suprafísica, numa palavra, a crença numa alma estranha ao corpo e que o habita pensando na “mansão das almas,” e na sua suposta volta um dia...O que é a eternidade? A ausência do tempo e da mudança, logo, a morte da própria vida como a conhecemos... A única que conhecemos...O que é a vida? A própria existência em movimento contínuo, criando-se e recriando-se num dinamismo simples e complexo!

O que seria o mundo e o homem sem o tempo e o espaço? Nada? Não, pois o que é o nada sem o ser humano que pergunta pelo NADA? Não tenho resposta, alguém se habilita? Só sei que o ser transcendente na imanência ( o homem) é pura contingência...

Enquanto vivermos, cabe a cada um de nós darmos significado à vida; não deixemos àqueles que abrem mão deste mundo, em prol de um suposto paraíso, dizer o que é melhor para nós, pois eles só sabem o que é melhor para suas contas bancárias...Alienaram-se deste e neste mundo e inventaram o sobrenatural para preencherem o vazio existencial que os perturbam. Estão mortos em vida, pois abriram mão deste mundo e preferiram um futuro antecipado pela imaginação: a senhora que escraviza o transcendente finito em prol do transcendente imaginário, ou seja, tudo o que não é humano, mundano, material, natural e finito. Pois é...

O homem, ser em estado de derrelição no mundo desde o nascimento encontra, nos pais, um amparo temporário, todavia deve buscar por si mesmo o sentido da vida sem a esperança de uma escatologia sobrenatural. O homem deve ser o meio e o fim do próprio homem. Meio, porque não vive sem o outro, e fim, porque só pode recorrer e compartilhar experiências em todas as dimensões humanas...

Texto: Marco Aurélio Machado

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

VOCABULÁRIO DAS ELITES E DAS MASSAS

Diferenças entre o vocabulário das elites e das massas


Infelizmente, não é incomum constatarmos a diferença entre o vocabulário das classes dominantes e a linguagem das classes mais humildes. Gostaria de fazer uma reflexão básica, elementar sobre tal assunto que, a meu ver, é de importância nuclear para quem tem um vocabulário rico e, portanto, domina e a pobreza do vocabulário das massas, que são dominadas. Vejamos o porquê a linguagem é tão importante.

Em primeiro lugar, por que será que tantos intelectuais defendem a ideia de que devemos respeitar a linguagem extremamente empobrecida das camadas mais humildes da população? Eles alegam que essas camadas se comunicam e que isso é o mais importante. Dizer, por exemplo, “nois foi”, “nois vai”, “a gente vamos”, e outras pérolas tão comuns, são consideradas uma parte cultural muito importante e que todos os tipos de comunicação devem ser respeitadas, e não apenas o padrão culto.

A quem interessa que o vocabulário das massas seja empobrecido? Por que essa “tolerância”? Por que os intelectuais que defendem essas teses não as colocam em prática no cotidiano, e, portanto, não falam “errado”? Essas são as perguntas que eu sempre fiz quando me deparo com “especialistas” de outras áreas que estudam a linguagem. Nunca me convenci de que por trás dessas “teses” não existissem ideologias a serviço da classe dominante. Se a palavra, a linguagem, o vocabulário distinguem o homem do animal; se só o homem é capaz de se situar no tempo pelo uso dos signos e dos símbolos, por que a defesa e a tolerância de uma linguagem que não se distancia do tempo e do espaço por ser reduzida em sua gama de sinônimos, convencem os “especialistas”?

Eu discordo. Um vocabulário pobre deixará as massas não apenas desprovidas de recursos materiais, mas, sobretudo, de recursos intelectuais. As massas, sem os recursos lingüísticos, que as camadas mais ricas da população possuem, serão dominadas e exploradas, tanto de um ponto de vista material como espiritual. Não vejo e ouço os ricos e a classe média alta não terem cuidado com o vernáculo. Por que será? Por que os USA dominam o mundo, inclusive, pela língua inglesa? Por que os ricos e a classe média alta aprendem outros idiomas? Por que todas as profissões técnicas e acadêmicas têm um vocabulário bastante especialiazado e profundamente técnico? Quantas pessoas refletiram sobre isso? Por que a maioria das pessoas procuram menosprezar a linguagem filosófica? Não será por ser ela uma das dinamites que detonarão esse discurso ideológico? Não será por que ela quer fazer uma terapia profunda sobre o significado das palavras e se preocupar com o rigor dos discursos? Pois é...Domina-se também pela violência "inocente" das palavras; troca-se o uso da força, tão comuns na nossa história, pelas palavras e frases bonitas. As massas, inclusive, se encantam com pessoas que falam bonito, desde que não sejam discursos muito longos...

O que me deixa mais perplexo é a tolerância de tantos professores de Português, que embarcam nessa ideologia nefasta. Um vocabulário rico por parte das elites é elogiado pelas massas, mas quando alguém de uma comunidade humilde enriquece o seu vocabulário e torna-se, por isso, capaz de ampliar a sua maneira de pensar, sentir e agir, inclusive, ajudando a mudar a realidade social, cultural e política de onde ela vive, os colegas e amigos costumam julgá-la alguém diferente e “metido à besta”. Ora, enriquecer o vocabulário das comunidades carentes e tolerar o mínimo possível que as pessoas se expressem de forma "incorreta", mesmo não sendo um padrão culto, seria o mínimo que poderíamos exigir. Não por ser “feio”, mas por causa do efeito perverso de dominação implícito nesse processo. As novelas e o telejornalismo poderiam ser grandes parceiros nessa luta, mas eles estão preocupados com isso? Duvido! E basta um pouquinho de reflexão e de bom senso para desvelarmos o que está oculto pela ideologia dominante. Num certo sentido, os que dominam são dominados também, porque apesar da riqueza do vocabulário, há pobreza de reflexão. E o que seria do capitalismo se a reflexão fosse algo corriqueiro? A sua própria ruína, pois comprar seria um ato saudável por pura necessidade e não porque as compras fossem influenciadas pelas propagandas de artigos supérfluos e pela moda do momento. Ter sempre muito bens ajudam a aparência, mas esvaziam a essência...

Evidentemente, que as aulas de Filosofia, Sociologia, História e Português são essenciais para que começássemos a mudar tal realidade. Uma linguagem rica, mas sem pedantismo, é um caminho crucial para que os nossos jovens carentes pudessem ser ricos pelo menos intelectualmente. A riqueza do vocabulário verbal e escrito, com certeza, é um dos recursos para a superação da pobreza em suas várias dimensões. E, principalmente, a Filosofia deve estar atenta em explicitar os pressupostos da exploração conduzida pela linguagem empobrecida e denunciar, inclusive, os especiliastas que estão a serviço da dominação e que muitas vezes não se dão conta da própria alienação!


Texto: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O QUE É A AMIZADE?




A palavra amizade é de uma beleza ímpar, singular. Muitas vezes repetida e quão poucas vezes colocada em prática. Mencionamos tal palavra ad Nauseam, entretanto, quantas pessoas sabem o significado filosófico da amizade? Em outras palavras, qual é a essência da amizade? O que faz a amizade ser amizade e não um mero coleguismo?

Vou tentar definir a amizade, mas não tenho a intenção de esgotar o assunto, mormente, num pequeno texto como é a pretensão deste. Defino a amizade como um sentimento nobre e altruísta de companheirismo, lealdade, sinceridade, carinho e solidariedade, nas mais variadas situações da vida. Ser amigo é estar junto, mesmo estando longe, ou seja, é ter o amigo no pensamento; é compartilhar segredos e confidências; é ficar alegre com as vitórias e triste com as derrotas; é ser sincero, quando perguntado, mas respeitar a vontade do outro quando ele prefere o silêncio; é compreender que o amigo é humano e pode nos ferir, mesmo sem querer; é ter a certeza de que uma amizade não acaba, a não ser com a morte física das duas pessoas, pois enquanto uma estiver viva, o outro “existirá nas lembranças...

A amizade é um sentimento raro, por isso, bendita seja a pessoa que encontrou um verdadeiro amigo. Quase sempre, encontramos na nossa odisséia terrestre, várias pessoas com quem convivemos e compartilhamos trocas afetivas. Todavia, o tempo se encarrega de mostrar se houve uma amizade ou um simples coleguismo. Na maioria das vezes, os desencontros são mais freqüentes, principalmente, porque não podemos dissociar a amizade de um contexto político, social, econômico e cultural.

A amizade só pode existir quando consideramos o outro como se fosse um fim em si mesmo e não um meio para interesses mesquinhos e egoístas. Parafraseando uma frase do cantor e compositor Milton Nascimento: “Amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves”. ..



Texto: Marco Aurélio Machado

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O CETICISMO PIRRÔNICO!

Quando nos referimos ao ceticismo geralmente pensamos que o cético é aquele que duvida de tudo e tal qual Descartes, coloca em dúvida a existência do mundo exterior e do próprio corpo. Evidentemente, que com um ceticismo tão radical, chegaríamos ao solipsismo, ou seja, a crença de que só posso ter acesso à minha mente e que tudo em volta não passa de situações na minha consciência. Vou preconizar neste espaço um outro tipo de ceticismo. O ceticismo pirrônico. E a minha intenção não é me referir à História do Ceticismo, já que há várias concepções sobre o CETICISMO. Pirro de Élis,( 360 a.C - 270 a.C) filósofo grego, que nasceu na cidade de Élis, é considerado o pai do ceticismo pirrônico ou pirronismo. Entretanto, conhecemos mais sobre o pirronismo através do médico e filósofo cético, Sexto Empírico, que viveu entre os séculos II e III da nossa ERA.

Um cético pirrônico acredita nas leis naturais; nos instintos; nas leis e costumes humanos, e na ciência, desde que não seja uma tentativa de ir além dos fenômenos, ou seja, daquilo que me aparece. Sexto Empírico era médico. E o ceticismo pirrônico tem uma relação com o empirismo, desde que seja de acordo com o que eu disse acima.

Percebemos uma certa regularidade na natureza; temos uma inclinação instintiva para matar a fome, dormir, reproduzir a espécie; sempre que vemos uma cicatriz, podemos deduzir que houve um ferimento naquele local; seguimos as leis e tradições ou podemos propor outras, mas sem achar que atingimos a essência ou a causa primeira do real. Não se deve confundir o CETICISMO PIRRÔNICO com outras formas de ceticismo. Percebemos de uma forma natural, eis o ceticismo pirrônico. Não sabemos qual é a natureza de nada, apenas daquilo que nos aparece, ou seja, o fenômeno. Ex: um cético pirrônico não lhe dirá que o mel é doce por natureza, apenas que lhe aparece como tal. Ele lida com o mundo dos fenômenos, nada mais. Qual a natureza do fenômeno? Ninguém sabe, ora!

Se o cético lida com o fenômeno e a experiência que ele tem com o mundo, não busca a essência de coisa alguma, pois isso seria próprio das Filosofias dogmática. Quem disse que o cético pirrônico abre mão do mundo dos fenômenos e do que lhe aparece? Não sabe qual é a causa do mundo e a sua verdadeira essência. Ele não faz metafísica, entretanto, quando alguém insiste, demonstra que não há como escolher entre duas teses filosóficas, pois elas se equivalem. Se uma doutrina filósofica afirma que algo é, o cético pirrônico demonstra que "não é"; se a doutrina adversária afirma que algo "não é", ele demonstra "que é". Diante dessas divergências, o cético pirrônico apenas usufrui do fenômeno sem colocá-lo em dúvida. Nada mais falso, portanto, a ideia de o ceticismo pirrônico é contraditório. Pelo contrário, o cético se reconcilia com a vida comum dos homens. Insere-se no mundo dos fenômenos e se contenta com os seus limites...

Sabemos muito pouco e quando o cético pirrônico analisa as várias correntes filosóficas, percebe que elas são contraditórias. Sempre há bons argumentos entre as várias doutrinas filosóficas, num conflito ad infinitum. Não podendo saber qual tem razão, o ceticismo pirrônico faz com que suspendamos o juízo (epoché) e nos permite, assim, chegar à ataraxia, ou a imperturbalidade da alma. No trecho abaixo, fruto de outro texto que escrevi, constatamos a atitude de um cético diante das perguntas metafísicas, a respeito das interrogações sobre as leis do universo.

(...) As leis naturais e o mundo deveriam ter sido inventados antes; que por sua vez, deveriam ser antecedidas por outras leis e outro mundo; que por sua vez deveriam ser antecedidas por outras leis e outro mundo...AD INFINITUM. Mas se formos regredir ao infinito, logo, de onde saiu este mundo? Da eternidade? E de onde saiu a eternidade?

Diante das questões supracitadas, evidentemente, o cético voltaria a se deliciar com o mundo dos fenômenos, nada mais!


Texto: Marco Aurélio Machado

sábado, 23 de outubro de 2010

O QUE É O FUTURO?

O que é o futuro? Não conheço este tempo. Mas ele existe pela imaginação. Quem vive de imaginação, não tem tempo para saborear o único tempo que existe: O PRESENTE.

Que futuro? As pessoas vivem 24 horas por dia. Cada minuto deve ser aproveitado da melhor forma possível. Não podemos antecipar pela imaginação ( futuro ) o que possivelmente acontecerá ou não. Isto é uma fonte de ansiedade e de angústia. A pessoa não vive o presente e fica o tempo todo pensando no futuro. Quando o "futuro" chega, ele será o futuro? Não. Será o PRESENTE. E, talvez, completamente diferente do que fora planejado.

Um usuário de drogas ficará esperando o futuro para tentar parar pela força de vontade? Buscará um tratamento no futuro? Quando? Vai esperar chegar no fundo do poço? Não. A decisão de parar é aqui e agora. Um dia eu vou parar? Quando isto dará certo? Vivamos os problemas de hoje, hoje. Os de amanhã, amanhã e, assim, por diante. Pensar no futuro não é bom para a saúde mental, pelo contrário, é fonte de muito sofrimento antecipado.

Vou dar um exemplo simples. Os AA ( Alcóolicos Anônimos ). Eles não pensam no futuro. Evitam o primeiro gole nas próximas 24 horas. No dia seguinte, renovam o compromisso. Por acaso, eles não ficam anos sem beber? Se fizessem o compromisso de que um dia iriam parar, o que aconteceria? E se decidissem que parariam para sempre? Para sempre é muito "tempo". É todo o "futuro". Dificilmente, uma atitude assim daria certo...

O passado gera a culpa e o futuro gera a preocupação. Dois tempos que não existem, mas que são a desgraça da maioria das pessoas. O passado já passou. O futuro não chegou e, quando chegar, será o PRESENTE. Infelizmente, no entanto, vivemos o passado pela nossa memória e lembranças e o futuro pela imaginação. E o único tempo que existe ( O PRESENTE ) nós o gastamos remoendo o passado e projetando o futuro. Resultado: TOME SOFRIMENTO.


Texto: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 2 de outubro de 2010

IDENTIDADE EM MOVIMENTO!

Eu? Quem é o EU? Ele existe? Se existe, tem uma identidade imutável? É uma alma? Uma alma que, supostamente, existiria em uma outra dimensão espiritual? Será? Duvido.

Eu tenho muitas dúvidas. Talvez, não seja, por acaso, que eu goste tanto do ponto de INTERROGAÇÃO (?). Não consigo conceber um suposto "EU", separado do conjunto dos meus pensamentos. Não sei como alguém pode explicar um "EU" pensando e ser diferente dos próprios pensamentos. Como pode um "EU" pensar, se ele não é também pensamento? Como pode algo que é dinâmico e está em constante movimento, ser uma entidade central e imóvel? Como se pode ver, as perguntas não param. A ideia de um "EU" imutável, que pensa sem ser pensado, é absurda e contraditória.

Penso que a situação supracitada faz nascer o medo e a superstição. Inventamos crenças e criamos deuses aos montes, para que possamos nos sentir seguros. Construímos as nossas gaiolas, a trancamos por dentro e jogamos a chave fora.

A Filosofia é, a meu ver, a única chave que temos para abrirmos a gaiola e voarmos. Entretanto, o que pode ser a solução, pode também ser o receio de enfrentar o nosso pior inimigo: as algemas fabricadas pela nossa estupidez e ignorância. Viver no mundo das trevas é o mesmo que odiar as perguntas e aceitar explicações tolas e infantis, principalmente, por parte daqueles que também estão no abismo, mas não sabem que estão. Estes são as piores companhias, pois cegos de "nascença" não podem saber o que é a luz do sol. O conceito de sol, por mais belo que seja, se for dito por um cego de nascença, não terá o mesmo valor, comparado aos olhos de uma criança inocente que percebe o sol como um fato.

O grande dilema humano é tentar explicar o mundo. Compreende muito mal esta realidade material, mas quer explicá-la por algo que compreende menos ainda: UM SUPOSTO DEUS. Prefiro a minha ignorância sobre o assunto. Sei muito pouco e sei que sei muito pouco...Todavia, sei como poucos, a arte de fazer perguntas, de me espantar e de me admirar com a minha própria ignorância...Eis o motivo da minha paixão pela FILOSOFIA, a luz da minha vida!!!

Texto: MARCO AURÉLIO MACHADO

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Imprensa e a DEMOCRACIA NO BRASIL

A palavra democracia é uma das mais pronunciadas no mundo. De ditadores sanguinários, políticos de direita e de esquerda, aos meios de comunicação em geral, a palavra democracia é como se fosse o maná dos deuses. Tantas vezes pronunciada e raras ocasiões colocada em prática. Está na moda dizer que a liberdade de imprensa é tudo, e que qualquer pessoa pode dizer tudo, desde que seja para bem "informar o público". Informar, sim, mas a imprensa deve ter partido político? A imprensa pode acusar sem provas? Jornalistas podem ser demitidos por serem isentos? Governantes podem deixar de anunciar numa determinada mídia, se a mídia divulgar os fatos?

Infelizmente, no Brasil, mesmo a democracia formal, está muito longe de ser uma realidade. Para quem não sabe, na democracia formal há o direito à igualdade num plano abstrato, ou seja, todos são iguais ( deveriam ser ) perante a lei; liberdade de associação; de "ir e vir"; de ser inocente até que se prove o contrário, pois a CARTA MAGNA ( CONSTITUIÇÃO) nos garante tal "direito".

No Brasil e em muitos países com uma vocação autoritária, tipo "manda quem pode e obedece quem tem juízo", a palavra democracia chega a ser motivo de chacota, afinal, a regra quase sempre é esta: para o inimigo a lei, para o amigo o "jeitinho". E estamos nos referindo apenas à democracia formal, pois se formos mencionar a verdadeira democracia, ou seja, a democracia substancial, que preconiza uma igualdade de fato, e não apenas sujeitos de direito abstrato, as coisas, então, viram piada de gosto duvidoso! A democracia abstrata não alimenta quem tem fome; não dá educação de qualidade aos pobres; não cuida dos doentes; não coloca a pessoa sob um teto digno; não prepara o indíviduo para a cidadania; não emprega, em compensação, desampara...

É com muita tristeza, que vemos indignados e quase impotentes, uma meia-dúzia de famílias dominarem a mídia no Brasil e ainda estufarem o peito para grasnar uma "democracia" de fachada. Desde quando, alguns coronéis que trocaram o chicote pelo black tie, podem querer ganhar uma eleição no grito e no poder do dinheiro? Trocar as esporas das botas, por uma roupa mais sofisticada, muda também a alma de quem tem horror aos pobres? Basta alguém começar a tentar dar um pouco de dignidade ao povo e as elites reacionárias querem colocar mordaças, não apenas nas nossas bocas, mas nos tirarem o direito sagrado de sermos humanos? Já não se contentam em apenas dividir migalhas durante 500 anos?

Deixemos de ser uma republiqueta de bananas e vamos respeitar a vontade do povo, ora! Não é com mentiras, calúnias, infâmias e força bruta, que a direita reacionária voltará ao poder. É preciso que este PAÍS assuma de vez o seu destino de crescer com autonomia, liberdade e responsabilidade. O Brasil é de todos, não é apenas de meia-dúzia de famílias, que faz da onipresente mídia, um meio para tentar impor interesses mesquinhos. O Estado brasileiro deve ser um meio para promover o bem comum, não pode, por isso, ter compromisso com quem diz "informar". A mídia não pode estar acima da lei. A lei é para todos e deve ser democrática, principalmente, porque os canais de televisão e rádio são concessões estatal, e não poder de grupos privados, que só gostam da "democracia" que assegura privilégios à nata da sociedade.

O PAÍS está no caminho certo e precisamos apenas colocar a CONSTITUIÇÃO cidadã em prática. Democratizar este PAÍS. E isto inclui cidadania de fato, e a mídia não pode ser contra um Estado, que tem no povo a sua referência. A sociedade é a genitora do Estado. Este, então, deve cuidar de todos: desde a pessoa mais humilde à mais rica, ninguém pode querer ser mais "igual" do que os outros.

AVANTE BRASIL, pois a sua vocação é a luz que ilumina e não as trevas daqueles que, por terem um microfone, a audição e a imagem onipresente e onipotente, pensam que podem ofuscar a nossa inteligência e o nosso sagrado direito de escolher o caminho que queremos seguir; mesmo que as nossas escolhas se mostrem equivocadas, pois é participando do jogo democrático que aprenderemos o que é a democracia de fato. Assim como ninguém aprende a nadar apenas teoricamente, ninguém saberá o que é a democracia somente através dos discursos dos donos do poder no Brasil. Por quê? Porque eles são treinados para exigir dos outros, todavia, quando se trata de exigência alheia, geralmente a intolerância é a regra: "façam o que eu mando, mas não façam o que eu faço". Consideram a maioria dos brasileiros cidadãos de segunda classe, para dizer o mínimo... A voz do povo é inviolável e intransferível, não está à venda. Façamos o nosso destino e torçamos para que a mídia possa informar com lucidez e coerência. O bom senso e a tão decantada "informação democrática agradece. E que a luz da Filosofia continue atenta para denunciar as tentativas de profissionais que fugiram das aulas de ética.


TEXTO: Marco Aurélio Machado

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O MITO DO LIVRE-ARBÍTRIO

O livre-arbítrio é um dos maiores argumentos utilizados pelas pessoas de boa-fé ou má-fé para tentar explicar o mal que acomete os seres humanos. Todavia, uma pequena reflexão pode jogar por terra a tentativa de explicar o que não tem explicação.

A maioria das pessoas, para fazer predominar as suas crenças e opiniões infundadas, parece ter um certo horror à lógica, e muitas querem encarcerar deduções lógicas em prisões dogmáticas. Vejamos mais de perto o tão decantado argumento do livre-arbítrio e as contradições lógicas que insistem em desaprová-lo. Recorrer ao argumento do livre-arbítrio é o mesmo que dizer que somos livres e responsáveis pelos nossos atos e atitudes. Em primeiro lugar, qual é o livre-arbítrio que uma criança de cinco anos tem? E uma criança de dois anos? Um pai responsável seria capaz de colocar uma criança de dois anos num ônibus, para viajar para o centro de uma cidade grande? Por acaso, os seres humanos em relação a DEUS, não teriam menos de dois anos? Deus, por ser onisciente, já não sabia desde a eternidade o que um dos seus filhos faria? Se sabia, como poderia colocar à prova alguém cuja atitude já estava escrita? Se, por outro lado, Deus não sabia, como pode ser DEUS e onisciente? Parece o Mito de Adão e Eva. Deus já sabia que Adão e Eva pecariam. Se dissermos que não, então duvidaremos também da onisciência, onipotência e onipresença divina. Se sabia, não precisava experimentá-los, certo? A lógica é fria e não podemos colocá-la a serviço do nosso narcisismo divino...

O argumento do livre-arbítrio é totalmente contraditório. Uma criança de dois anos pode escolher não ser vítima de um pedófilo? Pode escolher não cair da sacada de um edifício? Quem poderia olhar por ela? Os pais? Mas os pais são imperfeitos, não são oniscientes, onipotentes e onipresentes. O único "pai" com todos esses atributos é o "pai" divino. Entretanto, é triste constatar que as crianças são vítimas de violências as mais variadas e, infelizmente, ainda não se viu intervenção do único ser que poderia fazer isso. Dizer que Deus deu livre-arbítrio para os seres humanos, é mais improvável do que afirmar que um pai responsável deixa um filho de dois anos viajar sozinho. Pior: o primeiro "pai' é DEUS, o segundo, um ser humano. Não tem o menor cabimento. Todavia, é nesse tipo de absurdo que as pessoas ingênuas querem nos fazer acreditar. A palavra é providencial: acreditar. Crença não é um fato, é apenas uma crença!

Essas pessoas não conseguem explicar quase nada, mas querem explicar a mente divina através de argumentos pueris, crenças e superstições. É o cúmulo da arrogância.

Eu poderia desenvolver este assunto com muitas e muitas páginas e demonstrar, cabalmente, que de um ponto de vista lógico o argumento do livre-arbítrio é fraco e infantil. Mas fico por aqui e espero ter contribuído para que as pessoas possam refletir sobre o assunto sem paixões, devaneios e piruetas acrobáticas que não explicam nada...

Texto: Marco Aurélio Machado

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A PRIVATIZAÇÃO DO AR

Nas minhas "viagens," para trabalhar todos os dias, às vezes mergulho fundo em alguns questionamentos que fariam um "louco" se sentir "normal". Vou compartilhar com os poucos visitantes deste espaço, uma dessas minhas especulações tenebrosas, dignas de um filme de terror. Parece brincadeira, mas em se tratando de dinheiro, ganância, ambição e egoísmo, é bom não duvidar. Aliás, se dinheiro fosse comida, muitos capitalistas comeriam só notas de EUROS.

Não sei como os capitalistas e "empreendedores" ainda não descobriram uma forma de "privatizar" o ar. Sim, porque já arrumaram um jeito de privatizar as terras ( parece até que receberam escrituras e registros de loteamentos, divinos), e também já são "donos" até do verbo criador do mundo.

Não vai demorar muito e algum grande empresário descobrirá a "fórmula" de filtrar o ar, não para benefício da Humanidade, mas para engordar a sua conta bancária. Virá em forma de download, direto da esfera celeste! Quem teria direito de respirar um ar puro e revitalizador? Os ricos e a classe média alta. Aquela que não é proprietária dos meios de produção, assalariada, ou composta por profissionais liberais, mas que tem pose de rica. Há exceções, é claro. A crítica não é uniforme. Pobre, "rica" classe média...

Essas classes pagariam uma senhora taxa por mês, com direito a reajustes anuais. Caso o cliente ficasse inadimplente, o "filtro" seria cortado...Parece brincadeira, mas é preocupante, afinal, a educação, a saúde, a televisão, a internet, a terra, a água, os animais e as plantas, já têm donos. Se pagaram a duplicata a Deus é outra discussão. O mais engraçado disso tudo é que muitos empresários agradecem a Deus pelo fato de terem sidos "abençoados". Benção para explorar o que deveria ser de todos? Pois é...

Pobre Humanidade. Pobres, ricos exploradores...Todavia, pelo menos um tipo de ar fora privatizado, afinal os ricos e a classe média alta respiram um ar puro, mormente aos fins de semana e nas férias!! Onde? Nos sítios, chácaras, condomínios fechados, fazendas e outros refúgios naturais.

Seria interessante, que o nosso lindo planeta azul, pudesse ser um lugar onde não houvesse territórios cercados com arames farpados, muros, camêras e cercas elétricas; que as malditas crenças ( não apenas as religiosas ), não dividissem os homens, pois onde não há reflexão racional, impera a "lei dos instintos". Como seria bom, se pudéssemos usufruir os recursos naturais e não sermos "proprietários"de nada. O melhor exemplo de que isso é possível, é o AR, elemento essencial à vida de todos, mesmo que seja poluído pelo efeito do "progresso". O "progresso" em direção à morte. A morte de tudo que é belo e natural. Pergunta: os outros elementos também não são, por acaso, fundamentais à vida? Por que, então, foram privatizados? Bendita seja a democratização do ar, pois o dia em que ele for privatizado, só os ricos e a classe média alta (será?) poderão viver. Tudo muito triste...Antes, só existissem os pássaros...

Texto: Marco Aurélio Machado

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

FILOSOFAR ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE!

Filosofar é voltar a ser criança. É olhar para todas as coisas como se tivéssemos olhando-a pela primeira vez. É o espanto e a admiração. É ter dúvida, onde a maioria das pessoas tem certezas. É ter uma visão ampla, raciocínio rigoroso e coerente e, principalmente, ir à raiz das questões.

A Filosofia é diferente da ciência. Onde a ciência termina, começa a Filosofia. Por outro lado, onde termina a Filosofia, começa a religião. Tudo é objeto do filosofar. Mas há um limite. Vamos até essa fronteira. Daí para a frente, se não tomarmos cuidado, expulsaremos a razão e deixaremos a imaginação e a fantasia tomarem conta do nosso ser.

Filosofar é um ato corajoso. É mergulhar fundo. É sofrer toda a responsabilidade e a angústia pelos efeitos das nossas perguntas. Cada resposta torna-se-á uma nova pergunta. É, por isso, que a Filosofia existe desde o século VI a.C. Quem deseja certezas, deve correr da Filosofia como o diabo foge da cruz. Na Filosofia não há lugar para misticismos e superstições infantis.

Filosofar é incomodar: perguntar, comparar, analisar, confrontar, sacudir, criticar e buscar ad infinitum as respostas. É dormir e acordar com as perguntas. É sonhar e ter pesadelos com o ponto de interrogação. É pular no abismo profundo da nossa "alma". É brincar com as respostas como as crianças...É andar na escuridão em busca da luz. É preferir o precipício ao terreno firme. É ter orgasmos intelectuais com aquilo que de mais sagrado o ser humano tem: A LUZ DA RAZÃO.

Seja bem-vinda, madame Filosofia e os seus benditos frutos: O ESPANTO E A ADMIRAÇÃO! Sem eles, a Humanidade se perde na mais profunda escuridão da estupidez, e pode fazer companhia aos equinos!! Os equinos têm uma vantagem sobre aqueles que residem nas certezas e, por isso, matam o movimento, o dinamismo, numa palavra, a própria vida. Eles não sabem que são equinos...Façamos, urgentemente, o uso da razão, para que o mundo humano seja iluminado por ideais nobres e altruístas guiados pelo bom senso; para que aqueles que vivem nas trevas dogmáticas não nos apontem o caminho do delírio, de uma imaginação descontrolada e, portanto, paranóica. Onde não há luz filosófica, só pode haver as trevas mais nefastas ao gênero humano...



TEXTO: Marco Aurélio Machado

sábado, 7 de agosto de 2010

ATEÍSMO E ÉTICA!

Escrever sobre o ateísmo é muito complicado. Geralmente, tento explicar o conceito, mas em vez de as pessoas prestarem atenção no que está sendo dito, elas estão acumulando crenças para tentar refutar o que ainda não compreenderam. Quem sabe que DEUS existe? Ninguém. Quem acredita em DEUS/DEUSES? Quase toda a Humanidade. Mas é diferente: uma coisa é crer, outra muito diferente, é saber. Eis o dilema. Vou tentar esclarecer, que é possível ser uma pessoa descrente e ter uma ética altruísta e magnânima. Uma ética humanista, ou seja, a que coloca o homem como senhor do próprio destino sem recorrer às forças sobrenaturais.

Ateísmo é apenas a ausência de crenças em DEUS(ES). Uma criança de dois anos é ateia, porque não tem crenças. As crenças virão através dos pais, da sociedade e da cultura em que ela viverá. Este é o chamado ateísmo passivo ou fraco. O ateísmo forte ou militante é mais radical, pois nega uma suposta existência divina; não é o meu caso. Eu não sei se existe um DEUS. Até gostaria que existisse, mas tenho um compromisso com a verdade, não com crenças. Nada mais.

O que vamos fazer da nossa vida é uma escolha nossa. Os países mais desenvolvidos do mundo (exceção dos EUA) têm um grande percentual de ateus e pessoas com cursos superiores. E há um índice muito pequeno de criminalidade. Portanto, têm uma ética e leis apenas e tão somente humanas. Os países mais religiosos do mundo são, geralmente, os mais miseráveis e explorados, e onde os índices de criminalidade são enormes. Como explicar esse paradoxo? A religião, infelizmente, não é garantia de paz, quase sempre mata-se e discrimina-se as pessoas em nome de DEUS/DEUSES.

Somos livres para fazer o bem e o mal. No caso do ateísmo, temos a liberdade para fazer um mundo apenas humano e colocar limites aos nossos instintos, através da moral, da ética e das leis humanas. Não há garantia de que os seres humanos vão preferir a paz ou a guerra. Assim, como não há garantia nenhuma de paz num fundamento moral DIVINO. A crença em Deus, pelo contrário, tem promovido muito ódio, preconceito e genocídios terríveis entre os povos. O darwinismo social já existe, inclusive, com a complacência de uma suposta existência divina, afinal, o país que faz mais guerras no mundo são os EUA, e quase 90% dos cidadãos americanos acredita em Deus. A maioria é protestante. Paradoxal, não? Li em jornais que o ex-presidente americano chegou a afirmar que fora DEUS que o mandou invadir o Iraque...

Estamos tão acostumados com essas crenças que achamos impossível vivermos sem uma tutela sobrenatural. Ninguém nasce católico, evangélico, espírita, islâmico, budista ou qualquer outra religião. Os homens são capazes de formular os seus valores, princípios, normas, regras e leis PERFEITAMENTE bem. A maior parte da HUMANIDADE acredita em DEUS. O mundo está melhor por causa disso? Pelo contrário, a crença em DEUS(ES) gera muitos assassinatos por causa dos conflitos religiosos e de crenças divergentes. Somos capazes de colocar limites aos nossos instintos; somos capazes de construir um mundo melhor apenas e tão somente por sermos diferentes dos animais. A ética só pode existir, verdadeiramente, se ela, única e exclusivamente, for um valor humano. Enxergar o ser humano como um fim em si mesmo e não um meio para se ganhar a salvação. Isto, a meu ver, é fazer um comércio metafísico com um suposto DEUS. Faço o bem, porque tenho medo da ira divina. E, esqueço, que se Deus existe, ele sabe disso! E como deve saber!!

Devo fazer o bem independentemente da existência divina. Por quê? Porque sou um ser humano e tenho a obrigação de me colocar no lugar do outro. Penso que se alguém ama, verdadeiramente, neste mundo, são as pessoas descrentes, porque fazem o bem sem esperar nada em troca num plano espiritual. Se faço o bem querendo ganhar mais num plano espiritual, eu realmente amo alguém? Amo a mim mesmo; sou um tremendo egoísta. PIOR: ainda achamos que se existe um DEUS e se ele tiver todos os atributos que dizemos que tem, que ele não perceberá o quão hipócritas e egoístas nós somos.

Quem é mais honesto aos "olhos" de um suposto DEUS? Faça uma pesquisa nas prisões e você verá: a maioria absoluta acredita em Deus. Nos EUA, 75% da população carcerária acredita em DEUS (são cristãos). Apenas 0,2% dos presidiários são ateus. Se há 300.000.000 de habitantes nos EUA e 10% são ateus, a população carcerária de ateus é ínfíma. O mesmo podemos dizer dos países civilizados. Para citar apenas alguns, na Noruega, Suécia e Dinamarca, por exemplo, se não me engano, a maioria absoluta da população é ateia. Como é o padrão de vida por lá? E, por que, é justamente nos países mais pobres que as grandes religiões monoteístas predominam? Por que se abre mão deste mundo, em prol de um suposto paraíso? Por que não podemos ter um padrão de vida melhor aqui e agora? Por que não ser feliz aqui primeiro e se houver um paraíso, ser feliz lá também? Pois é...

Somos instintos e somos os únicos animais capazes de fazer escolhas também. Por isso, valores éticos só podem existir entre seres humanos. O animal não é bom e nem ruim. O ser humano é capaz de se colocar no lugar do outro; premeditar o mal e fazer o bem. A vida de um cético é muita valiosa, pois ele acredita que é a única. Não faz planos para o além-túmulo, logo, se a vida é uma só, não vale a pena desperdiçá-la com medos e desesperos que não podem ser provados. Fazer o bem sem esperança é difícil...Eu sou um cético, mas tenho religiosidade. O que é isto? É fazer o bem sem ter uma religião e ser um cidadão de um mundo sem fronteiras.

Texto: Marco Aurélio Machado

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O HOMEM E O PODER DAS PALAVRAS!

O homem é o único ser que pergunta. Por que o homem pergunta? Porque não sabe. Por que não sabe? Porque não nasce sabendo. Por que não nasce sabendo? Porque o homem é mais do que instinto ou programação biológica. Por que é mais do que instinto ou programação biológica? Porque é um ser de cultura. Por que é um ser de cultura? Porque compartilha uma parte da natureza com os outros animais, devido às necessidades de um ser vivo animal, todavia, é mais do que os animais, pois é o único ser da natureza que transforma a natureza e, consequentemente, é transformado por ela. E o que tem isso a ver com o homem? Tudo, ora!

O homem, além de ser parte natureza, é também cultura. Isto significa que o homem é um ser de transcendência: transforma a natureza pelo seu trabalho intencional e consciente, dá sentido e significado à sua vida e se situa no tempo e no espaço, devido a uma questão fundamental: o aprendizado da linguagem, através das relações sociais. Daí a importância do enriquecimento do vocabulário humano. Uma linguagem rica de sinônimos será de suma importância para a extensão e a compreensão do nosso mundo, na maneira humana de pensar, sentir e agir.

Entretanto, não basta ter uma linguagem rica. É preciso ser o senhor da linguagem. As palavras, os conceitos são representações do "real". O que é representar? Tornar presente novamente. Eis algo que escapa a tantas pessoas...Tornar presente novamente é fazer abstração daquilo que está ausente de nós, mas que se torna presente por um processo de abstração. Aqui mora o perigo. Podemos estar tão encantados pelas palavras, que não percebemos o seu enfeitiçamento. As palavras encantam...As palavras envenenam...

Quem sabe a diferença entre elas e já mergulhou profundamente na relação entre o pensamento e a linguagem, sabe bem o que quero dizer: o pensamento é a palavra em potência. E a palavra é o pensamento verbalizado e dinamitado. Mas a palavra pode ser mais do que a dinamite. A dinamite explode e faz muitos estragos, disso ninguém duvida. A palavra, porém, pode ter o efeito de uma espada. Antes esta espada cortasse apenas a nossa "carne". Uma espada comum, fere a carne, no entanto, a espada, simbolicamente representada pela língua, corta a alma das pessoas. É muito importante sabermos disso...

Algumas pessoas são doces (no fundo são ácidas, amargas e mal-amadas ) com uma sutileza de invejar um sofista. São amáveis, carinhosas, polidas e enganam a muitos. Fico até com pena da ingenuidade de tantas pessoas que se deixam levar. A mim, entretanto, elas não enganam. Conheço "cheiro" de hipócritas a quilômetros de distância. Conheço as sutilezas de uma linguagem venenosa. Não preciso ouvir a voz das pessoas. A forma de escrever revela muito: as frases soltas e "inocentes". Pois é...

Nesta vida, as máscaras caem. E muitas vezes não precisamos mover uma palha para que a lição seja aprendida: a falta de autoconhecimento sobre o poder que as palavras têm pode ser fatal de um ponto de vista psicológico. Cada um que carregue a sua cruz e se responsabilize pelas palavras que solta ao vento. Uma pessoa sábia não busca aplausos e tem a consciência leve. Não sente tanto os efeitos das palavras, pois se coloca sob a mira delas o tempo todo. Só observa e não julga os possíveis efeitos delas sobre si. Não sabe se muitos que gostam de falar "umas verdades", têm estrutura emocional para tomar o contragolpe.

Eis um dos motivos de se dar corda e sair do "combate". Muitos chamam tal atitude de covardia, como se o bater boca fosse sinônimo de valentia. Ao dizerem que somos isto ou aquilo, não percebem que estão dizendo implicitamente: SEJA MAIS PARECIDO COMIGO! Como não percebem as trevas da própria alma, enxergam as dos outros. São os "Procustos" da vida, a procura de medir pessoas e atitudes na sua "cama de ferro". São os atores de periferia, que de tanto usarem máscaras, já não sabem se são pessoas ou os(as) personagens que encarnam...São os donos de navios que já afundaram faz tempo, cujos fantasmas cultuam a "abelha rainha em forma de zumbi". São os filosofastros virtuais, cuja profundidade estar em fazer citações de filósofos, porque as suas (delas) ideias são cópias de um senso comum esclerosado, mofado e preconceituoso. Parte de uma classe sem rosto, que não tolera a frustração diante da coragem de pessoas que dizem "NÃO". São os curiosos da vida alheia, porque a própria vida é destituída de significado.

Não vale a pena perder tempo com quem não tem rosto( uns não têm literalmente, não se sabe qual o papel que representam ) e um possível coração de vidro...A melhor escola que tem é a vida, e ela não tem pressa...

Texto: Marco Aurélio Machado

terça-feira, 13 de julho de 2010

A MÍDIA E AS NOVELAS!

Faz algum tempo que venho refletindo sobre a mídia. Em especial, a mídia televisiva. Antigamente, mesmo em casos criminais cometidos por pessoas famosas, a mídia informava e, logo, havia outras "novidades". Sim, "novidades" entre aspas, porque acontecem tantas coisas boas, todavia, a impressão que se tem é que este mundo é um "circo de horrores". Por quê? porque notícias boas quase nunca vendem jornais e nem aumenta a audiência...

A notícia já não cabe numa edição de jornal. A notícia virou novela. Uma "novela" que transcende, em tempo real, as fronteiras do país, nesta imensa aldeia global que se tornou o planeta Terra. A notícia é comentada, discutida e debatida à exaustão. Inclusive, acontecem outros crimes devido aos comentários dos crimes precedentes. A notícia tem gerado paixões, a ponto de se condenar o suposto culpado, num réu criminoso e quase sempre considerado "psicopata", antes mesmo do julgamento no tribunal. Sobram demagogia e sensacionalismo por toda parte. Já não importam os fatos, mas como se contam os "fatos". O que importa é a audiência...

O jornalismo, por natureza, faz um recorte dos "fatos". Ele é tirado do contexto em que supostamente os fatos aconteceram, e editado em pequenos capítulos da nova novela: a jornalística. A diferença é que nas novelas, normalmente, os verdadeiros culpados são presos ou têm um fim trágico; o galã vence e, no último capítulo, quase todos se casam e são felizes para sempre...Na novela jornalística, não. O fim quase sempre é trágico, principalmente, se a vítima é pobre e não pode pagar um advogado para se defender. Quando é rica e famosa, pode ter o dinheiro para os honorários dos advogados, entretanto, são condenadas antes do julgamento. Os fatos? Os fatos são feitos e refeitos. A opinião pública? Não tem opinião, apenas repete os deuses apresentadores, os juízes soberanos do novo pódio: o Olimpo televisivo.

A mídia "suga" a notícia novela até as últimas consequências; quando a audiência fica escassa,, vai atrás de novos capítulos tenebrosos. Catarses coletivas? A desgraça alheia é divertida? Evidentemente, há exceção, no entanto, rara como encontrar um diamante lapidado num bairro de periferia. Aonde vamos parar? Não vamos. Na sociedade do espetáculo, tudo é "espetáculo". As aparências coloridas dão de goleada na essência, palavra séria candidata a desaparecer dos dicionários num futuro próximo.

Todavia, o pior de tudo, é que o apresentador do "jornal novela", já não é humano. Estamos diante dos novos deuses que falam através do novo Olimpo: a emissora de televisão e outras mídias conhecidas. O apresentador deus é onipresente, pois está em milhões de lares, concomitantemente. Tão perto e tão distante...E as massas questionam os deuses? Não. Elas repetem, tal qual um papagaio de pirata, os mantras das emissoras.

A meu ver, estamos diante de um fenômeno preocupante. A justiça do "jornalismo noveleiro," dos novos deuses midiáticos, está acima das leis humanas. E o que está por trás disso tudo? Um outro deus, que já desbancou os deuses de várias religiões: o deus dinheiro. Lamentável!! Mais do que nunca, a Filosofia é a luz que jamais pode se apagar. Contra esses deuses, o melhor antídoto é a luz da razão...

Texto: Marco Aurélio Machado

terça-feira, 29 de junho de 2010

O QUE É A FELICIDADE?

O que é a felicidade? Sempre escuto alguém dizer: "Eu sou muito feliz"! Mas quase nunca escuto alguém perguntar: "O que é a felicidade"? Penso ser muito difícil responder tal pergunta e não sei se alguém tem respostas, mas de qualquer forma, às vezes, que não eu tive consciência da minha felicidade, percebi que era feliz em ato. Não há tempo e nem espaço. A ação da pessoa está focada num grande prazer, que, por incrível que pareça, as palavras não são capazes de descrevê-lo. Não há nada de místico nisso. É apenas uma constatação. Quantas vezes já ouvir alguém dizendo que era feliz e não sabia?

O que é a felicidade? Se não sei o que é uma coisa, como posso saber que tenho ou sou essa coisa? Estas questões me lembram a constante presença de Platão. A assombração de uma suposta alma que já vivera no Mundo das Ideias e que conhecera a felicidade. Como? Através do método dialético platônico, que preconizava a purificação dos erros e equívocos "fabricados" pelas nossas opiniões, para chegar ao mundo "verdadeiro". É a chamada Teoria das Reminiscências. A alma conheceu antes e, por isso, pode reconhecer...Mas não é sobre isso que quero escrever...

Outros dizem que são felizes, porque sentem a felicidade. O que é sentir a felicidade? Mas as coisas se complicam, pois outra pergunta continua a nos incomodar: "O que é o sentimento"? Vou tentar responder, todavia, não tenho a intenção de ter a última palavra sobre assunto tão espinhoso. Enquanto houver pensamentos dirigidos a um fim, não haverá felicidade. Uma criança é feliz em ato. Se você tem consciência da própria felicidade, então, não há felicidade alguma. Uma pessoa feliz não lembra do passado e nem antecipa o futuro. Ela vive num eterno presente. Não há pensamento e nem sentimento. Há somente o ato no presente. Nada mais!

Vou citar um princípio cristão, apesar de não ser religioso: " Se vós não voltares a ser como as crianças, não entrarás no Reino do Céus". Jesus Cristo. As crianças são puras, inocentes. Brigam e, logo em seguida, estão brincando. Não guardam mágoas. E não sabem o que é o egoísmo. Não sabem, porque agem e não ficam raciocinando sobre se agiram certo ou errado. É do ponto de vista de um adulto que as crianças ganham os rótulos. Elas simplesmente são o que são. Nunca querem ser o que não são. Depois que se vira adulto, isto por acaso acontece? Quantos são capazes disso? Eis a felicidade: a felicidade das crianças!

O mais engraçado disso tudo, é que ainda dizemos que é preciso educar as crianças. Deveríamos, isto, sim, sermos educados por elas...




TEXTO: Marco Aurélio Machado

sábado, 19 de junho de 2010

TEORIA DO CONHECIMENTO!

A Teoria do Conhecimento é a parte da Filosofia que faz uma reflexão a respeito dos fundamentos do conhecimento humano. Faz perguntas e procura respondê-las, mas, como sempre, em Filosofia, as perguntas não param. Penso que a Teoria do Conhecimento é a base da Filosofia. E há teorias divergentes sobre qual o filósofo ou corrente filosófica foram capazes de responder, peremptoriamente, à pergunta nuclear: " O que é o conhecimento"?

Os filósofos gregos antigos já diziam que o homem é um animal racional. Mas o que é ser racional? O homem pode conhecer alguma coisa com certeza? Alguns dizem que sim, outros, que não. Vamos, desde o ceticismo radical que nos leva fatalmente ao solipsismo, ao ceticismo relativo, que preconiza ser possível conhecermos algumas coisas. Temos filósofos e correntes filosóficas que são dogmáticos e, por isso, afirmam que é possível conhecer a "verdade". Há filósofos, por exemplo, crentes que a razão pode conhecer a essência das coisas, pois ela pode ir além das aparências. Existem teorias sobre o conhecimento para todos os gostos!

Entre as perguntas, para os que pensam ser possível termos algum conhecimento verdadeiro, portanto, aqueles pensadores que discordam do ceticismo absoluto, temos as seguintes: "Quantos elementos é preciso para que haja o conhecimento"? Esta pergunta é fácil de responder e aproveito para respondê-la agora: dois. Quais são? O sujeito que conhece e o objeto que é "conhecido". Lembrando, que o próprio sujeito pode ser objeto de conhecimento. As ciências humanas, por exemplo, lidam com essa forma de conhecer. Fácil, não? Daí para frente, caímos na mais profunda escuridão, mas a tentativa de iluminar essa escuridão existe desde o surgimento da Filosofia, no século VI a.C.

Entretanto, continuemos...A "verdade" está no objeto? Está no sujeito? Está na relação entre o sujeito e o objeto? Neste caso, não está nem no sujeito e nem no objeto, pois não existe um sem o outro. A verdade é histórica? É cultural? Ela se faz na produção e reprodução da vida material dos seres humanos? Ela é convencional, um acordo das instituições humanas? Novos problemas vão surgir, evidentemente. Não darei nomes a essas correntes filosóficas, porque não é a minha intenção lecionar Filosofia no blog, mas apenas despertar curiosidades, para que os interessados possam pesquisá-las.

Outras perguntas que a Teoria do Conhecimento procura responder são: "O conhecimento é pragmático, ou seja, verdadeiro é aquilo que é útil e funciona"? Quais são os limites para a razão humana? Qual é o valor do conhecimento? É possível um conhecimento racional puro? O conhecimento racional puro é impossível, pois tudo começa com os dados sensoriais? Há imparcialidade dos sujeitos envolvidos? O poder econômico, político, cultural e ideológico interferem na busca pela verdade? E por aí vai...

Fica evidente, neste pequeno texto, que em Filosofia nada é fácil. Mas isso não é motivo para que fiquemos paralisados e acomodados. Geralmente, as pessoas que gostam de Filosofia se identificam com uma ou mais correntes filosóficas, e procuram defender as suas teses. De minha parte, gosto muito do ceticismo, em geral, e, do pirrônico, em particular, do existencialismo de Sartre e do Marxismo. O conhecimento, para mim, tem uma base material, concreta e sensível: ele começa nas relações sociais humanas com a natureza, na produção e reprodução da vida material. Ele é ontoprático, como dizia o meu ex-professor José Chasin.

Neste sentido, a Teoria do Conhecimento torna-se uma ontologia, em que o homem vivo e ativo transforma a natureza e é transformado por ela. Os que são enfeitiçados pela linguagem e pela lógica como forma de fazer Filosofia, invertem a ordem do mundo, para o deleite dos exploradores e da Filosofia idealista de inspiração platônica, o reacionário aristocrata...

Talvez seja por isso que a tradição idealista tenha ganhado a parada. Ela é essencial para que os conceitos abstratos sejam mais importantes do que o mundo material e para a invenção de um paraíso eterno imaginário: o combustível da esperança, de um mundo melhor para as massas alienadas...Pergunto: "Alguém já viu um pensamento pensando sozinho"? Acho graça!


Texto: Marco Aurélio Machado

sábado, 12 de junho de 2010

OS NARCISISTAS QUE NÃO GOSTAM DE ESPELHOS

Neste texto, eu quero fazer uma reflexão "superficial" sobre o conceito de "narcisismo". Muitas coisas têm sido ditas e escritas sobre o Mito de Narciso, principalmente, quando se trata da referência ao espelho. Eu quero escrever um pouco sobre o narcisista que não gosta de espelhos...Eu li ou ouvi (não me lembro mais) há muito tempo, mas não sei se tudo não passou de um delírio...O título,  se alguém pensou antes,  nunca soube, pois esta ideia me veio assim que acordei, e escrevi o texto. Esclarecido, vamos aos “fatos”.

A meu ver, os piores narcisistas são aqueles que não se sentem atraídos pelos espelhos. Talvez, eles até poderiam gostar de um espelho que multiplicasse a sua "beleza" ao infinito...A vaidade, o orgulho e a arrogância deles estão na "alma". Por isso, não perdem tempo com um objeto tão insignificante. Para quê? Um reles espelho? Não precisa!

Conta a lenda que um determinado rei queria casar a sua filha com um rapaz sábio, humilde, honesto, leal, trabalhador, entre outras qualidades. Para isso, mandou chamar alguns pretendentes. O rei colocou um espelho na entrada do castelo e ficou da sacada a observar os "candidatos". Passou um, parou diante do espelho e ficou arrumando o cabelo; outro, se a barba estava bem feita; um terceiro, se o corpo estava bem "malhado", diríamos hoje; e, assim, sucessivamente...O rei, por sua vez, ao observar o suposto narcisismo dos pretendentes, ficara desapontado...

Quando estava quase desistindo de tarefa tão inglória, eis que surge um cavalheiro muito bonito, parecia um deus grego. Este candidato passou diante do espelho e nem o notou. Não parou diante do imã que reflete imagens. Apresentou-se ao rei, que ficou encantado com tanto "refinamento": educado, sábio, entre outras qualidades que o rei queria para aquele que desposaria a sua linda princesa: a sua filha.

Pois bem. O rei casou a filha com o suposto cavalheiro "humilde". Na verdade, o agora genro, era o mais narcisista entre todos os concorrentes. A sua vaidade não estava em ficar admirando-se no espelho. Era tão vaidoso, arrogante e orgulhoso, que essas "qualidades" estavam na sua alma. Exteriormente, existia todo aquele jogo de aparências refinadas; interiormente, no entanto, o genro não se sentia superior, tinha certeza que o era...

Os maiores narcisistas não gostam de espelhos. Eles têm tanta convicção da própria superioridade, que não perdem tempo com "pobres mortais". Não se expõem, evitam discutir, fogem dos debates. Para quê, não é? Já ganharam mesmo. Na verdade, eles continuam debatendo, porém, na intimidade dos seus pensamentos. Dizem, através dos pensamentos: "COMO são idiotas e imbecis esses pobres coitados, não devo perder o meu precioso tempo com essa gentinha". Externamente, dizem: "Puxa, como vocês são inteligentes"!!!

Conclusão: o rei só descobriu a verdade muito tempo depois...Mas aí já era tarde, pois o narcisista já havia tomado posse de tudo...

Texto: Marco Aurélio Machado