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sábado, 12 de junho de 2010

OS NARCISISTAS QUE NÃO GOSTAM DE ESPELHOS

Sábado, 12 de junho de 2010
OS NARCISISTAS QUE NÃO GOSTAM DE ESPELHOS
Neste texto, eu quero fazer uma reflexão "superficial" sobre o conceito de "narcisismo". Muitas coisas têm sido ditas e escritas sobre o Mito de Narciso — principalmente quando se trata da referência ao espelho. Eu quero escrever um pouco sobre o narcisista que não gosta de espelhos... Eu li ou ouvi (não me lembro mais) há muito tempo, mas não sei se tudo não passou de um delírio... O título, se alguém pensou antes, nunca soube — pois esta ideia me veio assim que acordei, e escrevi o texto. Esclarecido, vamos aos “fatos”.
A meu ver, os piores narcisistas são aqueles que não se sentem atraídos pelos espelhos. Talvez eles até poderiam gostar de um espelho que multiplicasse a sua "beleza" ao infinito... A vaidade, o orgulho e a arrogância deles estão na "alma". Por isso, não perdem tempo com um objeto tão insignificante. Para quê? Um reles espelho? Não precisa!
Conta a lenda que um determinado rei queria casar a sua filha com um rapaz sábio, humilde, honesto, leal, trabalhador, entre outras qualidades. Para isso, mandou chamar alguns pretendentes. O rei colocou um espelho na entrada do castelo e ficou da sacada a observar os "candidatos". Passou um, parou diante do espelho e ficou arrumando o cabelo; outro, se a barra estava bem feita; um terceiro, se o corpo estava bem "malhado", diríamos hoje; e, assim sucessivamente... O rei, por sua vez, ao observar o suposto narcisismo dos pretendentes, ficara desapontado...
Quando estava quase desistindo de tarefa tão inglória, eis que surge um cavalheiro muito bonito — parecia um deus grego. Este candidato passou diante do espelho e nem o notou. Não parou diante do ímã que reflete imagens. Apresentou-se ao rei, que ficou encantado com tanto "refinamento": educado, sábio, entre outras qualidades que o rei queria para aquele que desposaria a sua linda princesa: a sua filha.
Pois bem. O rei casou a filha com o suposto cavalheiro "humilde". Na verdade, o agora genro era o mais narcisista entre todos os concorrentes. A sua vaidade não estava em ficar admirando-se no espelho. Era tão vaidoso, arrogante e orgulhoso que essas "qualidades" estavam na sua alma. Exteriormente existia todo aquele jogo de aparências refinadas; interiormente, no entanto, o genro não se sentia superior — tinha certeza de que o era...
Os maiores narcisistas não gostam de espelhos. Eles têm tanta convicção da própria superioridade que não perdem tempo com "pobres mortais". Não se expõem, evitam discutir, fogem dos debates. Para quê, não é? Já ganharam mesmo. Na verdade, eles continuam debatendo, porém na intimidade dos seus pensamentos. Dizem, através dos pensamentos: “Como são idiotas e imbecis esses pobres coitados, não devo perder o meu precioso tempo com essa gentinha”. Externamente dizem: "Puxa, como vocês são inteligentes"!!!
Conclusão: o rei só descobriu a verdade muito tempo depois... Mas aí já era tarde, pois o narcisista já havia tomado posse de tudo...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO