Página

MAPA DOS VISITANTES DESDE O DIA 29/11/2009

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Filosofia Política: Cidadania e o papel do Estado

Quando lemos jornais, revistas, estudamos e estamos fazendo uma discussão política, uma das palavras que mais se ouve é esta: cidadania. O que é cidadania?

Entendo cidadania como o direito à vida em plenitude. Só de o ser humano nascer, mesmo que ele não faça nada na vida, o Estado tem a obrigação de lhe dar o básico para a sobrevivência. Quem questiona isso, deveria questionar também a falta de democracia com relação aos bens dos ricos. Por que uma pessoa que nunca fritou um ovo na vida, tem o direito de herdar a fortuna dos seus pais? Isso, não é, por acaso, uma monarquia absolutista hereditária? Afinal, são poucos os que podem dizer que ficaram ricos sem explorar o trabalho alheio.

Um cidadão tem o direito à vida: logo, para que ela possa se desenvolver em condições dignas, o cidadão deve ter saúde, educação, habitação, política de pleno emprego, segurança, participação política, e participação na riqueza que ajudou a produzir. Isso é o básico. Não estamos falando numa social-democracia do tipo sueca, norueguesa ou dinamarquesa. Estamos nos referindo à cidadania básica. Ou a sociedade fica boa para a maioria absoluta das pessoas, ou situação não ficará boa para ninguém. Porque a violência que ora vemos no país, é fruto da distribuição de renda à força. Isso para mim é básico.

O Estado, a meu ver, nas três esferas em que é representado, tem esse papel. O Estado deve intervir para ajudar as pessoas mais carentes. Quando não há esse tipo de preocupação, quem paga a conta são os mais pobres. Os ricos se protegem como podem. Os pobres não têm para onde ir. O Estado não deve ser um aparelho para garantir a propriedade dos ricos. Deve intervir com políticas sociais para promover o bem comum. Qualquer partido que tiver essa cosmovisão terá o meu apoio. Todavia, na política não há espaço mais para experiências extravagantes. Não se pode mudar as coisas sem o apoio da sociedade. E a sociedade, quando é devidamente informada, sabe o que é melhor pra ela. Mágica existe só em circo. E a economia não pode ser picadeiro para truques de verbos sobrenaturais.

O Estado, a meu ver, não deve ser um gigante e muito menos um anão. Deve estar a serviço de toda a população. Os impostos que todos nós pagamos, deve retornar em forma de benefícios para a população. É o mínimo que um ser humano merece para desenvolver todas as suas potencialidades.

Texto: Marco Aurélio Machado

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

BIG BROTHER E LIBERDADE!

Este assunto sobre o Big Brother não se esgota facilmente. Na verdade, daria para se escrever um livro, diante de tantas questões que podem ser analisadas e criticadas.

Vejamos um pouco sobre a liberdade. Até que ponto estamos abrindo mão da nossa liberdade, em nome da segurança? Um assunto que para a maioria não tem relação, oculta uma questão importantíssima a respeito da liberdade e de uma suposta segurança. Acostumamo-nos à vigilância constante, num programa que, aparentemente, é de puro entretenimento e falta do que fazer, e não nos interrogamos e nem questionamos o que está implícito: a presença das onipresentes, onipotentes e oniscientes câmeras espalhadas no programa. Cada gesto, palavras, sussurros e intrigas são captados por esses novos deuses(demônios), cujo objetivo é deixar os novos seguidores ajoelhados diante do novo altar religioso: a televisão.

O que parece que ainda não nos demos conta, é o que está implícito. O sistema precisa saber sobre os nossos pensamentos, desejos e sentimentos. Sem isso, o que seria do capitalismo? Ele precisa inovar-se; renovar-se; reinventar-se; gerar novidades ad infinitum. Todavia, isso tem um preço. Qual? Em nome de uma suposta segurança, abrimos mão da liberdade. Sim, porque o Big Brother está presente no mundo inteiro, em forma de câmeras que nos filmam em todos os lugares: nas ruas, nos shoppings, nos bares, nas lojas, nas praças, nos restaurantes, nos supermercados, nas farmácias; no trânsito; nas repartições públicas, nas nossas casas, via satélite, para rastrear veículos, e mais uma série interminável de exemplos poderiam ser colocados aqui.

A continuar assim, logo o atual sistema vai querer colocar chips no nosso cérebro. Saberão o que pensamos, sentimos e até mesmo quais as possíveis ações cometeremos no futuro. Em nome da segurança, seremos presas fáceis do atual sistema que já nos faz de robôs há muito. Dessa forma, a palavra liberdade cairá em desuso, sairá aos poucos dos dicionários e com o tempo, quando alguém falar em liberdade, a mídia dirá que é um "neologismo".

E a Filosofia? É inútil! Ela não serve para nada! Pois é...Uma reflexão sobre a liberdade não serve para nada, não é mesmo? E a massa? Vai para a galera! Amém!!

Texto: Marco Aurélio Machado

domingo, 31 de janeiro de 2010

O BIG BROTHER!

Desde que o Big Brother foi lançado pela REDE GLOBO, há cerca de uma década, que fico pasmo e perplexo diante de uma espécie de hipnose coletiva que toma conta de quase todos os lares brasileiros. Sem contar, evidentemente, o mesmo fenômeno que assolou grande parte de outros países no mundo.

Vivemos numa época em que a banalidade, a boçalidade, o descartável e o ridículo passaram a imperar numa sociedade que vangloria e bate palmas para o excesso de músculos fabricados em academias ou em laboratórios (os anabolizantes que o digam) e as operações plásticas. São tantas intervenções cirúrgicas que já não sabemos se estamos diante de um ser humano ou de robôs constituídos de silicone, cremes e outros recursos produzidos em larga escala pelas indústrias de "beleza". Se a pessoa tem músculos e roupas bonitas, pouco importa se tem deficiência de neurônios. Em outras palavras, hipertrofia dos músculos e atrofia do cérebro. Isso é o útil hoje em dia!! Veja o paradoxo: O INÚTIL É O ÚTIL E VICE-VERSA.

O importante é a beleza. Já não é uma beleza natural, pelo contrário, é uma "beleza" quase sobrenatural, pois transformamos seres humanos em DEUSES, todavia, esses DEUSES aparecem e desaparecem como a velocidade da luz. Os DEUSES, em todas as culturas, eram imortais; na cultura das massas, os DEUSES morrem quando ainda estão vivos. Eis mais um paradoxo: DEUSES mortais em vida, apesar dos silicones, lipoaspirações, e todos os recursos infrutíferos para se deter o tempo, senhor cruel e perverso da vaidade humana.

A Filosofia? É inútil!! Não serve para nada! Por quê? Ela me faria ver o real significado dessas produções de diversão das massas; ela me faria enxergar o quão curioso sobre a vida alheia eu sou, em vez da compreensão de que só o autoconhecimento pode me libertar; ela me faria perceber como as pessoas que participam do programa são usadas e iludidas; ela me faria ver que a beleza é cultural e padronizada por interesses econômicos; ela me faria refletir sobre a pobreza intelectual dos participantes; ela me faria compreender que a maior riqueza de uma pessoa não é a material, mas o caráter, a dignidade, a compaixão e o uso da razão para nos guiar neste mundo cão. Compaixão, inclusive, dos participantes que perderam a noção de que são mortais, mas têm a "doce ilusão" de que são DEUSES eternos. Não sabem que a eternidade no sistema atual dura tanto quanto um flash de uma câmera fotográfica. Amém!

Texto: Marco Aurélio Machado

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

PLATÃO E A BELEZA

Outro dia estava fazendo um debate numa dessas comunidades de Filosofia e surgiu a pergunta sobre "O que é a beleza"? Quero deixar claro que todos os textos que escrevo neste espaço são apenas reflexões que faço na hora; não faço consultas de nenhuma espécie. Tento puxar pela memória e acaba saindo alguma coisa. Alertando, então, para isso, discordei ( para variar, pois o dia em que não discordo de alguma coisa, não durmo), e postulei uma ideia muito peculiar a Platão. Vejamos:

Platão não achava a beleza subjetiva. Daí o seu idealismo realista. O Belo vivia num mundo à parte, existia como "modelo"e, que, portanto, era o MUNDO PERFEITO.

Este nosso mundo era, para Platão, um mundo das aparências, sombras e ilusões. Ele é múltiplo, em contraposição à unidade do verdadeiro mundo. Ele é uma cópia do mundo real, eterno e imutável.

Quando se diz que Platão era um idealista realista parece paradoxal, mas é que as ideias, para Platão, não estão dentro apenas do nosso cérebro, elas são reais, eternas e imutáveis. Eis a bendita metafísica que Platão sistematizou tão bem. Apesar de não gostar muito dele, penso que ele está muito presente até hoje, afinal, Platão foi cristianizado por SANTO AGOSTINHO. Foi colocado dentro do esquemão CRISTÃO.

A beleza é subjetiva e relativa ou objetiva e absoluta? Ela existe na própria estrutura do Universo e nós a descobrimos ou ela é histórica e cultural? O que é a beleza? O que faz a beleza ser a beleza e não outra coisa? Eis a metafísica nua, pura e crua. Para Platão, a beleza existe num mundo à parte.

O interessante é que para Platão explicar um suposto mundo à parte e, segundo ele, era o mundo original, perfeito, imutável e eterno, ele postulou a existência de uma alma imaterial que viveu no MUNDO DAS IDEIAS, FORMAS E ESSÊNCIAS, antes de encarnar num corpo físico. Platão propôs a chamada Teoria da Reminiscência. Mas o que é isto? Teoria da Reminiscência? Para ele, na Teoria da Reminiscência, a nossa alma antes de nascer num corpo físico contemplou o mundo verdadeiro, ou seja, o MUNDO DAS IDEIAS, FORMAS E ESSÊNCIAS. A alma "conheceu" este mundo (MUNDO PERFEITO) e ao nascer" na matéria densa e sólida, esqueceu-se do que contemplou, inclusive, a tal BELEZA OU O BELO.

A alma esquece a "verdade," por assim dizer. Como ela pode relembrar? Através do método dialético, do diálogo racional e lógico entre as pessoas, para purificar os possíveis erros e equívocos. Consequentemente, conhecer, para Platão, é reconhecer, relembrar o que a alma contemplou antes de seu nascimento na prisão do corpo, no mundo das aparências, sombras e ilusões (o nosso mundo).

Daí o idealismo de Platão ser UM IDEALISMO REALISTA. Não sou especialista em nenhuma corrente filosófica. Mas, basicamente, penso ser isso que Platão quis dizer.

Os diálogos platônicos são belos, mas, como eu disse em outros textos, não gosto do idealismo enquanto Filosofia que inverte a ordem do mundo. Castelos lógicos são bonitos, entretanto, prefiro uma ontologia mais simples: NATURAL, SOCIAL, HISTÓRICA E COM HOMENS VIVOS, ATIVOS e sendo os únicos responsáveis por fazer deste mundo um lugar melhor para se viver. Por quê? Porque a Filosofia dissociada de um engajamento político e social para mim não serve para nada. Simples!

Ass: Marco Aurélio Machado

domingo, 17 de janeiro de 2010

Filosofia - A alienação ontológica

O modo de produção (economia) é o responsável pela alienação ontológica, fundamental. As outras alienações são derivadas, como, por exemplo, a política, a social, a filosófica(idealismo) e a pior forma de alienação em que um indivíduo pode se perder, que é a religiosa. A inversão total do mundo. Por aí, você mesmo pode responder em que nível o "ser humano" chegou. Basta ver o que aconteceu no Haiti. Depois de toda aquela tragédia as pessoas continuavam rezando. Vontade de Deus? Duvido. Livre arbítrio? Mais absurdo ainda. Enfim, a cada dia que passa a minha esperança com a HUMANIDADE está menor. Ela ainda existe, mas é do tamanho de um átomo. Infelizmente...

Não é à toa que o Estado e a Igreja são essenciais para a exploração. O primeiro detém o poder temporal e material; a segunda, detém o poder espiritual. São os supostos representantes divinos na Terra. Essa aliança é essencial para a exploração. O Estado, ontologicamente, está a serviço dos proprietários dos meios de produção privados; a Igreja vende a esperança no além túmulo. Pior: a Igreja faz uma lavagem cerebral na cabeça das crianças quando elas não têm a mínima capacidade de fazer escolhas. Simplesmente, a semente da alienação religiosa e o comércio metafísico de almas começam na mais tenra idade. Assim, já não é a exploração do homem pelo homem atráves das relações sociais equivocadas de produção as responsáveis pela miséria humana, mas a vontade de Deus. A promessa é que os pobres e humildes de coração entrarão no REINO DOS CÉUS, enquanto o REINO de quem explora e se dá muito bem no REINO DA TERRA ( o único que existe, pelo menos por enquanto) é dos exploradores do suor alheio: os capitalistas nas suas várias dimensões, ou seja, banqueiros, fazendeiros, grandes empresários e por aí vai.

Tudo isso me gera uma tristeza profunda. E não há argumentos plausíveis capazes de fazer um fanático refletir. Daí o meu ceticismo e a minha indignação contra aqueles que exploram e aqueles que fazem o povo ajoelhar diante dos deuses inventados pelos sacerdotes de todas as épocas. A meu ver, está aí a gênese de todas as desgraças humanas. Fazer o quê? Quase nada! Pessoas que vivem piores do que o diabo neste mundo ainda querem tentar me converter! É para achar graça? Eu fico é muito triste...

Texto: Marco Aurélio Machado

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Filosofia - O cético, a política e a ética

Eu sou um cético. Disso ninguém que convive comigo tem dúvida. Paradoxal? Para eu voltar a participar de qualquer coisa novamente( mais da metade da minha vida eu participei), preciso ser convencido com argumentos plausíveis e ações coerentes por parte de quem preconiza as mudanças. Por quê? Porque tenho maturidade intelectual para não me deixar guiar por diletantismo, voluntarismo ingênuo e enfrentar o inimigo quando ele está mais forte. Não se enfrenta bombas atômicas com estilingues, cuja munição é "bolinha de gude".

Estou dentro de uma sala de aula tentando desalienar as pessoas, mas, mesmo que me esforce para fazer isso, eu também sofro esse processo de alienação e tenho que fazer da reflexão racional e lógica um exercício diário. Como se diz: "MATAR UM LEÃO POR DIA". Como posso competir com a televisão, o rádio, os jornais, as revistas de fofocas, a internet, a religião ( onde padres e pastores reproduzem a vontade de Deus), as propagandas em massa, entre outras coisas?

A coisa está tão brava, que o sistema estimula o desejo, mas não possibilita que a maioria tenha acesso aos bens de consumo. Por outro lado, o desejo continua, entretanto, a capacidade de realizá-lo é insignificante. Daí as crianças, os adolescentes e os adultos estarem completamente perdidos neste mundo cão. Tolerar frustrações hoje é muito difícil. O que faz uma pessoa ser considerada madura? A capacidade de separar o desejo e a sua possível realização. Infelizmente, a maioria age como as crianças. Confundem o desejo com a própria realização. E tome birra: agora, não só das crianças, mas das pessoas de uma maneira geral.

A situação é tão perversa que não conseguimos nem ao menos cristalizar um caráter, uma identidade, porque tudo se torna obsoleto da noite para o dia. Tudo vira mercadoria. Logo, as relações sociais não poderiam ser diferentes. Troca-se de namorado, marido e esposa como se trocássemos de roupas. É a eterna procura da felicidade num sistema onde realiza-se o desejo e vem outro e assim num processo ad infinitum!

Já não há sujeitos. Só as mercadorias humanas.

O que fazer? Não tenho respostas prontas e acabadas. A educação, como muitos sempre apontam como a solução, reproduz o sistema. Vejo colegas de profissão que estão mergulhados até o último fio de cabelo na ideologia e na alienação. Quase todas as pessoas que conheço preconizam a mudança, desde que a dita cuja não interfira nos seus interesses particulares e egoístas.

Os nossos representantes são o retrato do povo. O povo é o retrato das condições do modo de produção capitalista. Como defender a solidariedade, a fraternidade e uma ética coletiva, num sistema que preconiza a disputa, a concorrência e o individualismo exacerbado?

O atual sistema levou séculos e mais séculos para ser implantado. E a mudança dele levará mais algumas centenas de anos. Não há mágica. Conscientizar as massas, sendo que aquele que supostamente conscientiza, também sofre o processo de alienação, não é fácil, pois eu terei um discurso maravilhoso sobre o que o outro deve fazer, mas eu mesmo não farei. Não haverá correspondência entre o meu discurso e a minha prática.
!
Muitas pessoas me questionam sobre o porquê não participo mais das greves e de outros movimentos sociais e políticos. Eu participo, ora. Participo com as minhas críticas e sugestões nas escolas e nas conversas com outras pessoas. Entretanto, não posso participar de algo que não acredito. O primeiro compromisso que uma pessoa deve ter é com a sua consciência. Portanto, eu não posso violentar a minha consciência para satisfazer desejos equivocados que provaram não ser a solução. Eu não preciso bater a cabeça na parede dez, 20 vezes, para descobrir que ela é dura. Não faço parte de ideias, conceitos e práticas de quem percebe as coisas pelo instinto, logo, sem reflexão. Não é o fato de uma maioria levantar a mão e não saber o porquê a levanta, que farei o mesmo. Não sou guiado por decisões de massas que acham feio tudo o que não é igual.

Para terminar: não é fácil me convencer de coisa alguma. E eu não serei massa de manobra.

O que eu posso fazer? Muito pouco. Contribuo com algumas ideias, mas não tenho esperança que elas terão algum eco. Daí o meu pragmatismo de esquerda. Fazer o que for possível para amenizar o sofrimento do povo, mas o povo precisa acordar. Contudo, eu não posso colocar uma arma na cabeça da pessoa para que ela faça isso.

Penso que a Humanidade ainda vai comer o pão que o "diabo amassou com o rabo" para mudar as coisas. Talvez, esta situação seja irreversível, e não será o Marco Aurélio, aqui, que vai querer ser o herói. Não tenho a intenção de guiar e nem de ser guiado. Faço o que posso sem muita esperança! Simples assim!!!

Texto: Marco Aurélio Machado

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ANIVERSÁRIO E EXISTÊNCIA!

Hoje é o meu aniversário!! Há 45 anos, nascia o Marco Aurélio Machado. Natural de Belo Horizonte - MG - Brasil. O nascimento de um indivíduo é para se comemorar e muito, sabem por quê? Porque nascer é pura loteria, ainda mais por eu ser filho de um português, de Aveiro, que saiu de Portugal aos 17 anos. Pior: veio para o Brasil sozinho e com a roupa do corpo. As circunstâncias em que ele veio, prefiro não comentar. Mas isso não é o mais importante...

Bom, de um ponto de vista estritamente filosófico e existencial, para se ter uma ideia, o meu pai fora carreteiro. O que um carreteiro faz? Viaja quase que o tempo todo. Não digo que o meu pai traía a minha mãe, mas por ser carreteiro e viver muito tempo na estrada...Ele que se vire com a sua consciência. Talvez ele pudesse resolver a sua "libido" de uma outra forma. Basta para isso estar sozinho e ter uma boa imaginação! O que não falta na nossa imaginação são belas mulheres!! Mas o que tem tudo isso a ver com a Filosofia e a existência? Muito!! Só o fato de ele ser português, a possibilidade de ele encontrar a minha mãe, num país que é um verdadeiro continente, já dá o que pensar. Quanta coincidência!! Além disso, nas muitas e muitas viagens, ele poderia jogar justamente aquele espermatozóide (EU) num outro lugar. Não seria muito difícil: outras mulheres, a mão...enfim, não entremos em detalhes sobre a vida íntima de um carreteiro com desejos sexuais...

Todavia, há outro fato mais interessante. Para que eu ou qualquer outra pessoa viesse ao mundo, uma série de coincidências devem acontecer. Provavelmente, ao chegar de viagem, cansado, o desejo é grande, mas o cansaço pode ser maior. Além disso, minha querida mãe deveria estar num período fértil. Após todas as dificuldades e coincidências, o Marco Aurélio, aqui, teve que disputar uma corrida com no mínimo 300.000.000(Trezentos milhões de espermatozóides). Todos eles querendo chegar à minha frente. Felizmente, eles perderam. Fico chateado por eles, no entanto, mais um milésimo de segundo e eu não estaria escrevendo este texto por aqui, não é mesmo?

Por que eu estou abrindo a minha intimidade com vocês? Para falar da importância que é a vida de cada um. Somos únicos: mais do que pessoa, sujeito, cidadão, eu sou um indivíduo. E é o indivíduo, com o seu corpo físico e com o seu espírito (intelecto), quem sente na pele as alegrias e as dores deste mundo. Viver é muito bom, mais ainda porque nascer é pura loteria, e depende de uma série de coincidências. Quando paramos para pensar racionalmente, constatamos que é quase impossível nascer cada um de nós. Somos especiais, porque tivemos a oportunidade de nascer e ver a luz. E ao nascer, devemos ter uma grande responsabilidade. A responsabilidade de fazer deste mundo um lugar diferente. Se possível, fazer o bem, mesmo que eu não queira ser um exemplo, mas é difícil não sermos uma espécie de luz para algumas pessoas e, também, escuridão, para tantas outras...

Após dizer tudo isso, fico um pouco mais feliz diante da morte que se avizinha, no entanto, tive a sorte de nascer, enquanto milhões de outros concorrentes sucumbiram. Nascer foi uma glória e no meu caso, 45 anos, é uma grande vitória. Eu estou tentando fazer a minha parte. Um vagalume pode produzir até mais "luz" do que eu, mas ele não sabe que a produz. A diferença entre nós, é que eu sou o responsável por tudo o que faço, pois a "luz" que eu produzo vem da minha razão e das minhas atitudes; não é apenas uma "luz" física. Tenho feito pouco, mas o mundo jamais seria igual, se não fosse a minha pequena contribuição. Conheço muitos que fizeram muito menos e pensam que carregam um fardo muito pesado. Fazer o quê? E você, já se perguntou a importância que é nascer? Quantos poderiam estar em seu lugar? Eles poderiam muito bem fazer este mundo ser muito melhor, não é mesmo?

Ao levantar todos os dias pela manhã, pergunte a si mesmo: SE TODAS AS PESSOAS DO MUNDO FOSSEM IGUAIS A MIM EM ATITUDES E SENTIMENTOS, ESTE MUNDO ESTARIA MELHOR OU PIOR? Que tal consultar a sua CONSCIÊNCIA?!!!

Texto: Marco Aurélio Machado

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

METAFÍSICA E MATEMÁTICA

A Filosofia, infelizmente, principalmente, após Platão, desenvolveu uma forma de pensar que tinha na metafísica o objetivo principal. Ali, a meu ver, começou a inversão de mundo. As ideias, as essências passaram a ser mais importantes que o mundo material e natural, ou seja, o único que conhecemos, pelo menos é o que sabemos. Para fazer uma analogia bastante superficial, vejamos:

Acabei de comer uma maçã lá do mundo das ideias. Não matou a minha fome, afinal, conceitos abstratos iludem apenas o intelecto. Depois comi uma maçã bichada e imperfeita do mundo das aparências. Esta, sim, matou a minha fome.

Kant deve estar se movendo no túmulo. Entretanto, ele também disse que o homem é um animal metafísico por excelência. O problema é que a maioria não sabe disso. Vão continuar buscando o que não sabem que buscam. Vão achar? Não! Vão achar as próprias projeções das suas respectivas culturas. Nada mais! CETICISMO NELES, ORA POIS...

Ceticismo é para céticos? Acertou. Se não conseguimos saber quase nada do mundo dos fenômenos, imagine um suposto mundo metafísico? É bonito, tal qual a filosofia hegeliana. Contudo, prefiro Karl Marx. Quando o homem apenas grunhia, ele tinha que se organizar socialmente para produzir a sua subsistência material. Articulação lógica de conceitos é apenas uma abstração do único mundo que para mim é real: o mundo material. Ninguém filosofa de barriga vazia. Prefiro uma ontologia materialista, naturalista, a ficar viajando no plano das ideias sem um objeto correspondente. Mas tudo bem. Há gosto para tudo. Essa inversão de mundo não passa de ideologia. Isso nunca foi Filosofia. É uma teologia disfarçada com o nome de metafísica.

Algumas pessoas recorrem à matemática e querem explicar tudo através de signos númericos. Não foi à toa que Platão também fora um grande matemático ou estou enganado? A matemática, sem dúvida, é muito importante, mas daí aceitá-la como um dogma absoluto na resolução de todos os dilemas humanos? Daqui a pouco aparecerá alguém e dirá que encontrou uma equação matemática para a existência até de Deus, ora! Deus não seria mais um SER, seria uma equação matemática? Duvido. A matemática prova o quê? Se você prova alguma coisa com a matemática, quem provará a matemática como critério para provar alguma coisa? Se a matemática demonstra algo, quem demonstra a matemática para demonstrar algo? Esses céticos...Voltamos à estaca zero. Vidinha difícil, viu?!! Talvez Kant tivesse razão: ele acabou com a metafísica, mas a ressuscitou, ao dizer que o homem é um animal metafísico por excelência. Fazer o quê? Paciência!!

Texto: Marco Aurélio Machado

SOCIALISMO E CAPITALISMO

Muitas pessoas preconizam que países como Cuba, China, ex-URSS e mais alguns outros que não têm necessidade de citar por aqui, são socialistas: Pior: alguns dizem que tais países são comunistas...Qual o país pode se tornar socialista sem um alto desenvolvimento tecnológico? Eu discordo. Assim como discordo que o capitalismo é melhor e, por isso, venceu a guerra ideológica.

O capitalismo (CAPETALISMO) deu certo em quantos países? Numa minoria, com certeza. O resto é o paraíso, não é mesmo? Não tem fome, miséria e outras mazelas? Será por que o Brasil também é conhecido por Belíndia?

Daí a necessidade de a longo prazo, acabar-se com o Estado e a política, pois tais instituições estão a serviço de quem tem propriedade privada, logo, de quem defende a exploração do homem pelo homem. O ideal seria a auto-organização dos trabalhadores em nível planetário; e não uma ditadura do proletariado. A emancipação humana deve ser universal. Não pode ser de uma classe. Não preconizo a violência, apenas penso que o homem deverá sair um dia das cavernas, pois elas estão presentes no homem através dos instintos.

Foi isso o que aconteceu na China, ex-URSS, Coreia do Norte, Cuba, etc. Queimou-se etapa, pois não pode haver um novo modo de produção sem um alto desenvolvimento tecnológico. Não se divide a pobreza. Não se faz socialismo em economias predominantemente arcaicas e primárias. Não se organiza uma nova forma de se relacionar e produzir com pessoas alienadas. Logo, a minha esperança é pequena...

Tenho apenas uma certeza: o atual sistema é um câncer planetário. Ou o homem acaba com ele ou o sistema atual acaba com o homem. A escolha deveria ser nossa. Será que queremos isso? Os ricos e gananciosos ainda vão destruir totalmente o planeta. Quando não tiver mais jeito, então eu quero ver a cara dessas pessoas que sempre defenderam a total destruição de tudo. Fico pasmo em ver como as pessoas podem se iludir com tantas promessas de felicidade, apenas no consumo desenfreado. Um consumo alienado. Eu realmente não compreendo. Tudo se torna descartável. Como é que as relações humanas não seriam descartáveis? Já não há sujeitos, já não há seres humanos. Há seres programados pela propaganda que naturalizam a exploração, o domínio e a violência.

No fundo essa ganância está relacionada ao desejo de segurança psicológica. Ter muito dá a impressão de que somos eternos, imortais, melhores do que os outros. Mede-se a pessoa pela quantidade de dinheiro que ela tem. Quando não houver mais nada para ser destruído, os ricos comerão o dinheiro que acumularam. Euros e dólares devem ter muitas calorias, proteínas, sais minerais e vitaminas...Simples assim!!
Texto: Marco Aurélio Machado

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

KARL MARX - RAIZ E FOLHAS

A capacidade de abstração é de fundamental importância para fortalecermos a nossa vontade, não resta dúvida. Uma mente confusa perceberá e agirá sobre o mundo de uma forma equivocada. Karl Marx, a meu ver, representa a raiz de uma árvore (Ontologia), pois inverteu, magistralmente, o idealismo hegeliano que representa as folhas(Ideologia). Este pequeno texto representa uma reflexão superficial que fiz sobre uma analogia entre a raiz de uma árvore e as folhas. A primeira, pressupõe ver as coisas com a agudeza de quem enxerga como uma águia; a segunda, a de quem vê o mundo com óculos escuros. Pior: cor-de-rosa.

Tudo é práxis. O que seria o ser humano sem práxis? Nada. Ao transformar a natureza, o homem transforma a si mesmo. Karl Marx, a meu ver, foi à raiz do problema humano. Para mim essa é a questão ontológica. Ninguém é humano e nem pode se tornar humano, se não for através das relações sociais de produção. Sem produção econômica, não há humanidade. O problema é que o ser humano está alienado, logo onde não poderia: na organização social da produção. Esta é alienação nuclear. As outras, ou seja, a religiosa, política, filosófica e social são derivações da primeira. O ser humano vai ter que sofrer muito até aprender a enxergar o óbvio. Mas fazer o quê? Paciência. Pior: muitos confundem Cuba, China e a ex-URSS, com o socialismo. Capitalismo de Estado seria o conceito correto, penso eu.

Em Filosofia, as ideias devem ser flexíveis. Todavia, discordo dessa tese como se fosse um dogma absoluto a seguir. Vejamos: algumas ideias eu não abro mão de jeito nenhum. Este fundamento ontológico marxista ao preconizar que, em última análise, a economia determina tudo, para mim, é como se fosse a raiz de uma árvore. Estou aguardando o ser humano que nascerá e me convencerá de que essa ideia não seja uma verdade absoluta. Quando se relativiza tudo, fica muito fácil manipular. A raiz é a raiz. Ela não pode ser uma folha.

Não acho que Marx se enganou. Quase tudo pode ser questionado, e é salutar que seja assim. Mas a ideia nuclear, essencial, de que a economia e o modo de produção determinam as nossas ideias e não o contrário, para mim, é uma verdade absoluta. É a raiz ontológica de tudo. É o que faz o ser humano ser um ser humano, e não um bicho. Se o homem se encontra alienado no modo de produção, então, acabou-se. Se eu viver 100 anos, vai ser difícil alguém me convencer de que essa ideia não seja uma verdade absoluta. Deixe a humanidade ficar sem produzir uma semana. Rapidinho vocês vão se lembrar de Karl Marx. O cara foi um gênio. Se não souberam colocar a sua teoria em prática, ou se as forças conservadoras impediram, não é problema de Marx. É a alienação de quem não soube lidar com uma realidade diferente. As forças conservadoras vão fazer o possível e o impossível para preconizar a morte de Marx. A mim, porém, ele continua mais vivo do que nunca. O tempo vai dizer quem estava com a razão.

As folhas, a meu ver, representam a ideologia e a alienação. A raiz está dentro do chão. Não se vê. Contudo, sem raiz ( modo de produção) não há frutos( produção de bens). Se eu produzo e não sou dono, não me realizo no que produzo, porque o produto é usurpado pelo patrão; logo, não tenho prazer no que faço. Por isso, a presença estatal é um fardo, pois ela garante a propriedade privada dos meios de produção. O Estado está a serviço dos poderosos. E tem o aparato jurídico e militar para conservar a propriedade. É por isso que em Cuba e nos demais países ditos socialistas, nunca tivemos uma experiência de emancipação humana. O Estado tem que desaparecer, para que haja uma auto-organização humana. O agigantamento estatal, é o CAPITALISMO DE ESTADO. A DIMINUIÇÃO ESTATAL É O NEOLIBERALISMO. LEMA: ESTADO MÍNIMO=MERCADO MÁXIMO. Simples assim. Um Estado, pelo menos por enquanto, que não fosse máximo e nem mínimo, seria, a meu ver, uma social-democracia. Se caminharmos rumo a ela nestes tempos, já me dou por satisfeito. Mas a luta continua em direção à emancipação humana. Esta não depende de babá estatal. Deus deu escritura e um modelo econômico a ser seguido? Não. Então, podemos fazer diferente, ora.

Se não houvesse a teoria marxista, não haveria a possibilidade de conhecermos as transformações sociais; as artimanhas capitalistas e as suas principais gêneses: a mais-valia, a ideologia e as diversas alienações; além do avanço social-democrata. Os ricos perderam alguns anéis para não perderem os dedos, não é mesmo? A Social-democracia está longe de ser o ideal. Falta colocar um limite no consumo artificial de mercadorias, pois mesmo com uma maior divisão das riquezas e maior igualdade social, ela representa as folhas que deixa o mundo mais belo, mas nos impedem de postular que uma árvore para se manter em pé precisa ser sustentada por uma raiz. A raiz é a economia, o modo de produção. É aí que a HUMANIDADE se perde.

Teremos que escolher, pois a natureza não fala, mas o recado que ela tem dado para quem enxerga, não é muito difícil de se compreender. O homem é determinado pela HISTÓRIA, mas ele também é capaz de transformá-la, pois não existe HISTÓRIA como uma alma penada que fica a vagar por aí, não é mesmo? A escolha é nossa...apenas nossa!!

Texto: Marco Aurélio Machado

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

DEUS - O CONCEITO DE DEUS NÃO É DEUS

Defina Deus. Definiu? O que você encontrou? Uma representação, um conceito, uma crença. Nada mais. Se tal ser existe, ele é, por acaso, um conceito, uma representação, uma crença? O conceito de cachorro morde? E o cachorro verdadeiro, morde? O conceito de cachorro existe. O cachorro verdadeiro existe e morde. O conceito de Deus existe? Existe, porque seres humanos o criaram. Deus existe? Não sei. Ninguém sabe. E, provavelmente, nunca saberemos...

Quais os edifícios ficaram em pé? Crenças e descrenças. É por isso que se coloca o problema da representação conceitual, ou seja, as pessoas possuem crenças e descrenças. Por que antes de se discutir a existência ou não de DEUS, não se coloca este problema: por que uma pessoa precisa de uma crença? Por que acredita? São poucos os que têm essa coragem, infelizmente. Por que ninguém discute sobre fatos objetivos? Porque um fato não é matéria de crença, pois trata-se de um saber. Por que matamos e fazemos guerras em nome de um suposto Deus? Porque não sabemos e temos só crenças ou descrenças.

Interpretamos os conceitos e as crenças diferentemente. Veja: interpretamos só os conceitos e as crenças, porque não temos provas, e, provavelmente, nunca as teremos. Por que não brigamos quando o assunto é a Matemática? Porque chegaremos às mesmas conclusões se seguirmos a mesma metodologia, não é mesmo? Já com a maioria dos conceitos e crenças essas coisas não são possíveis. Daí as guerras, o ódio, os preconceitos...

A lógica é muito importante, mas ela não é mais importante do que os fatos. Muitos pequenos fatos já derrubaram imensos castelos lógicos. Sempre que a lógica se confronta com os fatos, ela perde. Compare todos os fatos existenciais com uma suposta lógica sobre a existência de Deus e você verá. A começar pelo mais simples. Se Deus é onisciente, não pode ser onipotente e vice-versa. Por quê? Porque é uma contradição lógica. Quem tiver interessado, descubra o porquê. Eu não vou dizer. Isso prova que ele não existe? Não. Mas me faz desconfiar que não. E assim acontece com muitos outros argumentos lógicos.

As contradições lógicas se multiplicam, gerando PARADOXOS. Paradoxos são insolúveis. Mesmo quando não há contradição lógica, quando se compara com os fatos...Os fatos desmontam a LÓGICA. Resultado: CONCEITOS ABSTRATOS...Uma ideia ou um conceito de fome, por exemplo, para quem nunca ficou três horas sem se alimentar, não pode ser comparado com as milhares de pessoas que morrem de fome todos os dias no mundo, principalmente, em muitos países africanos, não é mesmo?

Um ateu não pode provar a inexistência divina. JAMAIS PROVARÁ. Mas por falta de evidências existenciais ( fatos que acontecem no mundo e que são absurdos até mesmo para seres humanos que não seriam tão cruéis, imagine para um Deus...), nos fazem desconfiar, não acreditar. Mas não acreditar, não significa dizer: NÃO EXISTE. E acreditar não significar dizer: EXISTE. O que existe? Desejo de segurança, de permanência, num mundo ontologicamente impermanente...


TEXTO: Marco Aurélio Machado

DEUS E A LÓGICA!

Por que Deus sendo PLENO, precisa de amor? O que é o amor? Por que teve necessidade de criar? Se ele precisa de qualquer coisa, não é perfeito. Não sendo perfeito, não é Deus? Além do mais, a NAVALHA DE OCCAM e as leis da evolução darwinista provam que é a partir do mais simples que se criou o mais complexo. Se DEUS é um ser complexo, por que criaria o mais simples através das leis da evolução, se ele poderia criar o ser humano e tudo o que existe no mundo com a complexidade que vemos hoje?

Mais: se Deus é um ser complexo, ele precisaria de um ser mais complexo ainda, para criá-lo, e assim num processo ad infinintum . O que é mais absurdo? Explicar a natureza, o universo, dentro das possibilidades humanas, do simples para o complexo, como uma verdadeira casualidade ( no sentido de que a evolução não é uma escatologia, não tem nenhum objetivo ou finalidade), ou postular um ser complexo, que criou o mundo, mas ele mesmo não fora criado? Eis o porquê, após Kant, não ser possível possível pensar em Deus de um ponto de vista de uma lógica analítica; e o porquê a metafísica clássica não conseguir resolver esses dilemas.

Perguntas metafísicas sem respostas: de onde saiu Deus? Por que saiu? Se era pleno, por que teve a necessidade de criar o mundo? Se criou, teve uma necessidade, tendo uma necessidade, é carente, sendo carente, como pode ser Deus? Sejamos humildes, não é? Quem é o homem para dar conta de saber sobre tais assuntos! Todos os conceitos de infinitude, perfeição, eternidade, onisciência, onipresença, onipotência, etc., foram criados a partir do efeito, no caso, o homem; e não da causa , no caso, um suposto Deus.

Vejamos: O homem se percebeu finito, inventou algo diferente, a infinitude; o homem se sentiu imperfeito, inventou a perfeição; o homem percebeu que era mortal, inventou a imortalidade ; o homem percebeu que era temporal, inventou a eternidade; o homem é ignorante, inventou a onisciência; o homem só pode estar num lugar por vez, inventou a onipresença; o homem pode muito pouco, inventou a onipotência ; o homem percebeu que não era Deus, inventou um Deus para protegê-lo. Inventou tudo isso, infelizmente esqueceu-se que inventou e tornou-se prisioneiro na sua própria gaiola. Pergunta: Será que foi Deus quem criou o homem ou foi o homem quem criou Deus, como já perguntara o filósofo alemão, Feuerbach?

A questão da existência divina não pode ser resolvida pela lógica; uma equação matemática. Há muitas pessoas que acreditam em Deus (a maioria, e outras, não, mas não se pode em nome da crença ou descrença matar em nome de um Deus. Não nascemos católicos, protestantes, budistas, islâmicos ou quaisquer outras crenças. Aprendemos todas essas crenças em sociedade; somos frutos de uma determinada cultura. Se soubéssemos respeitar as crenças e descrenças dos outros, o mundo não seria este CAOS.

A melhor religião de todas, a meu ver, é viver como se Deus existisse, mas sem fazer um comércio metafísico, esperando ganhar mais lá no CÉU, as supostas boas ações que fazemos neste mundo. Devemos fazer o bem, mesmo que a Ciência algum dia provasse que DEUS não existe; se bem que eu duvido que algum dia saberemos disso. Sabemos muito pouco. E ter consciência que se sabe muito pouco é nada mais nada menos que a velha SABEDORIA. Só os tolos pensam saber muito...Pessoas inteligentes adoram o ponto de interrogação (?).

Texto: Marco Aurélio Machado

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

CIÊNCIAS E PSEUDOCIÊNCIAS

Eu "rezo" para a ciência todos os dias. E ela me responde com novos tratamentos. A cada dia que passa, melhor!!! Bendito seja o pai do experimento científico e dos descobridores de novas tecnologias que amenizam a dor e o sofrimento dos seres humanos, pois deles serão o REINO DA TERRA. Como é bom saber que existem a anestesia, os remédios, o avião, o carro, o telefone etc. Como é bom saber que podemos ter esperanças para a cura de tantas doenças, pelo  empenho de seres humanos que, às vezes, dedicam toda uma vida à pesquisa científica. Bendita seja a CIÊNCIA E O CONHECIMENTO EMPÍRICO. Amémmmm!!!


Como é cruel vender ilusões e o medo do inferno para tantos humildes e puros de coração...

Este mundo cão pode melhorar, mas o problema, a meu ver, não é o conhecimento científico e a sua filha mais nobre: A TECNOLOGIA. Quem quiser que vá para a floresta e viva com os bichos. Ou se não quiser fazer isso, quando tiver uma dor de dente, arranque os dentes com um alicate. Se pegar AIDS, não tome os medicamentos doados pelo governo, e reze bastante. O problema não é a tecnologia, pois ela não é boa e nem má. É a forma que a usamos que pode ser boa ou má. Se você defende o capitalismo, por exemplo, não deveria nem dar pitaco. Afinal, ele é o responsável por usarmos a tecnologia de uma forma equivocada.

Penso que você seria mais feliz sendo um eremita e morando numa caverna. Não deveria nem acender uma fogueira, afinal o risco de colocar fogo na floresta é grande. Quando tiver com fome, coma carne crua...Mas antes compreenda que não há açougue por perto. É preciso caçar e ter coragem para matar a "onça"!!!

Continuo preferindo todos os problemas das ciências às pajelanças dos ignorantes. É preciso muito cuidado, até parece que não existem plantas tóxicas...

E há como voltar às teses do Romantismo? Não. Não há volta. O que faremos com a tecnologia que temos? Continuaremos colocando-a a serviço de uma minoria ou a serviço da HUMANIDADE? Isso dá para fazer. Queremos fazer?

O fato de a ciência não ter conseguido resolver totalmente os problemas de bactérias e vírus e outros mais graves, não significa que tenhamos que desistir. O conhecimento científico evolui e talvez mais cedo ou mais tarde possamos superar esses dilemas. Não há saída com as pajelanças e muito menos uma volta romântica ao estado de natureza.

Penso que estamos numa situação paradoxal. É a partir do que temos hoje que precisamos resolver os nossos impasses. Somos os responsáveis por tudo. Não há pretextos nem forças sobrenaturais à nossa disposição. Ou abrimos mão dessa forma de produzir ou seremos varridos do "mapa". Este tema é recorrente nos meus textos, mas ele vai continuar...

Texto: Marco Aurélio Machado

sábado, 19 de dezembro de 2009

OS PARADOXOS DA FÉ E DA LINGUAGEM!

O crente tem fé no que ele não vê, não toca. Acredita num SER em tudo diferente do homem: infinito, eterno, imortal, onipresente, onisciente, onipotente...ou seja, tudo o que o homem não é. Acontece, porém, que um ateu não tem uma descrença ou crença gratuita. Não é por que ele não tem experiência de ver, sentir, tocar, que não acredita. Pelo contrário. Não acredita, porque não observa nenhum fato irrefutável ou uma convicção lógica e racional para supor tal existência. Se subtrairmos todos os deuses das religiões, sobra a natureza. Com que estatuto racional, devemos supor a existência de algo que não a natureza? Se vou além dos limites da minha razão e dos meus sentidos físicos, transcenderei o mundo dos fenômenos; o mundo das relações de causa e efeito. Logo, estou no plano da imaginação. E a imaginação pode postular qualquer coisa. A meu ver, o ateu não tem fé, porque não se baseia na imaginação. Mas em ausência de fatos explícitos e, portanto, em crenças irracionais.

A linguagem nos leva a paradodoxos insolúveis. E ela é um grande problema quando se depara com questões metafísicas ou mesmo cotidianas. Vejamos alguns exemplos, que são os labirintos e os paradoxos da linguagem. Não sei quem disse isto, mas eis mais um exemplo:"A mentira é verdade". Por quê? Porque senão ela não seria verdade, seria mentira". Outra. Se digo:" Não existe verdade absoluta". Bom, se não existe verdade absoluta, como pode a frase acima ser verdadeira? Ela é falsa. Por quê? Porque tem que existir ao menos uma verdade absoluta, ou seja, o fato de que não existe verdade absoluta. Veja agora o paradoxo:" Se existe ao menos uma verdade absoluta, como posso afirmar que não existe verdade absoluta? Paradoxal, não? "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". As palavras nos jogam nesses labirintos. David Hume, grande filósofo escocês do século XVIII, já nos alertava para isto: "quem tem certeza de que o sol vai nascer amanhã"? De um ponto de vista estritamente lógico, a crença de que o sol nascerá amanhã não se sustenta. Porque o viu nascer durante toda a sua existência terrena, supõe-se que ele nascerá, mas isso não é um raciocínio lógico. É crença, é hábito. Reflita o porquê é crença e hábito e não uma proposição lógica.

Vejamos um outro. Se não me engano, este paradoxo foi proposto por Bertrand Russell. " O catálogo de todos os catálogos é um catálogo ou não"? Se ele for o catálogo de todos os catálogos, como ele pode ser um catálogo também? Por outro lado, se ele é um catálogo, como pode ser o catálogo de todos os catálogos? Escolha. Pular no abismo ou tentar escapar atravessando um poço de areia movediça? Não tem jeito. A questão da crença e descrença cai no mesmo dilema. Dependendo do ponto de vista que você pegar, pode transformar uma na outra.

Por isso, os filósofos da linguagem questionaram as correntes filosóficas tradicionais. Para eles, muitos problemas filosóficos são falsos problemas. Wittgenstein, filósofo austríaco, e pertencente ao Círculo de Viena, foi um. Paro por aqui. Coisas muito espinhosas e que a linguagem, a meu ver, não resolverá. O melhor é suspender o juízo, a bendita epoché dos céticos gregos. Que venha a ataraxia. Amémmmmmmmmmmmmmmmmmmm!!!


Texto: Marco Aurélio Machado

sábado, 12 de dezembro de 2009

O QUE É O HOMEM?

O que é o homem é a parte da Filosofia que estudamos com o nome de Antropologia Filosófica. Talvez seja uma das disciplinas mais complexas que quem estuda Filosofia se depara. O que é o homem? Várias definições já foram postuladas, nenhuma, a meu ver, deu conta de "enquadrar" o homem dentro de um conceito.

O conceito congela a realidade. Uma realidade congelada é estática, não tem vida. O homem, tal qual a vida, é dinâmico e o fim do seu projeto é a morte. Entre as várias características humanas, uma das mais angustiantes é a consciência da própria morte. É a certeza da destruição total. É a convicção que de um ponto de vista estritamente lógico e racional, nada mais resta a esperar. A morte é o fim da odisseia terrestre individual para a pessoa humana. Diante dessa questão, apenas de o homem, geralmente, se sentir superior aos animais, penso que quem já refletiu sobre tal assunto, no íntimo, tem inveja dos animais, visto que eles não sabem que morrerão.

Sartre afirmou uma vez que a morte é a "nadificação dos nossos projetos; é a certeza que um nada nos espera". Eu discordo. Nem isso podemos afirmar. Morremos para o outro, saber o que é a morte ninguém sabe. Temos tão somente crenças e descrenças a respeito. Dizer que o homem é um animal racional, como disseram alguns filósofos gregos antigos, também não resolve o problema. A razão humana pode muito pouco sobre o dilema da morte.

Há muitas outras definições sobre o que é o homem. Ele é definido como um ser político; um ser econômico; um ser cultural; um ser histórico; um ser social; um ser simbólico; e tantos outros. Penso que o homem é tudo isso. E mais tantas coisas... Esse processo conceitual é infinito. O homem não é uma equação matemática ou uma dedução lógica. É complexo demais para caber dentro de uma ideia universal. Todavia, uma pergunta não quer se calar: o homem precisa refletir sobre a morte, para que ele não esteja morto em vida. No meio de milhões e milhões de possibilidades, nasceu cada um de nós. Pura loteria. Um bom motivo para perguntarmos: o que estamos fazendo das nossas vidas? Ela é muito importante para que os outros a vivam por nós!!! Eis o dilema...

Texto: Marco Aurélio Machado

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

UMA EDUCAÇÃO ESQUIZOFRÊNICA

Enquanto pensarmos a educação apenas como um problema moral e de força de vontade, os "doutores e especialistas de araque" continuarão a fazer a cabeça dos alienados, arrumando um bode expiatório: O PROFESSOR.

Pode-se ter o melhor professor do mundo numa sala de aula, mas se a família não ajudar, se o aluno não estudar, inclusive, em casa, as coisas não se resolverão e continuaremos pagando os "especialistas" de coisa nenhuma a fazer palestras e mais palestras, ganhando dinheiro e não vivendo, na prática, a teoria que preconizam aos outros. Duvido que muitos "especialistas" coloquem em prática o discurso decorado que preconizam à categoria. A maioria talvez nunca tenha pisado numa sala de aula. São cegos querendo nos levar para a escuridão.

O aluno, o professor, a família, a comunidade e a sociedade estão situados num contexto econômico, político, social, cultural e histórico. Como não sofreremos a influência desses setores? Como dar uma aula de ética, por exemplo, e concorrer com a moral burguesa? Disputar espaço com a mídia em todas as suas dimensões? Como falar de uma ética solidária, cooperativa e fraterna, se a nossa sociedade preconiza a disputa, a concorrência e a lei de Gérson?

A verdade é que estamos numa situação econômica, política e social complicada. Este modo de produção levará a espécie humana à extinção. Isso não é discurso de socialista, comunista ou qualquer outra doutrina: É UM FATO. Não levar em consideração a situação como um TODO e que a educação é apenas uma parte do TODO, é estar alienado.

Soluções de "especialistas", que teorizam pela vidraça da janela, sem nunca terem colocado os pés numa favela é conversa fiada para gado dormir. É diarreia cerebral; é curto-circuito mental de quem só tem dois neurônios e um com defeito. Simples!

Vivemos num planeta em que o modo de produção determina as nossas ideias e não o contrário como muitos pensam. A incapacidade de tolerar frustrações é muito grande entre todos nós. O sistema impõe o novo a todo momento. Logo, como formar uma identidade, se tudo se torna obsoleto da noite para o dia?

O mais engraçado? Devemos formar cidadãos críticos, conscientes e participativos!!!! Alguém acredita nisso? Deveria ser assim, mas, infelizmente, não o é. O sistema forma os robôs para dizerem "AMÉM" e consumir. Pior: o consumidor, que deveria ser o senhor do objeto que consome, além de ser mais um objeto, mais uma mercadoria, é também escravo do objeto e não o contrário. Essa é a educação de fato. Somos educados para sermos idiotas a serviço dos nossos "especialistas de araque". São fantoches do esquema e acham que podem iluminar o nosso caminho. ACHO GRAÇA!!

Texto: Marco Aurélio Machado

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

FILOSOFIA DA MENTE

A mente existe no cérebro, mas é independente, ou pelo contrário, a mente não passa de um processo físico-químico? Como um analgésico interfere numa dor de cabeça, por exemplo? Como um comprimido pode aliviar os sintomas de um esquizofrênico? A esquizofrenia seria uma doença da alma ou um desequilíbrio bioquímico? Neste caso, seria a mente apenas material? Não sou especialista em neurociência e nem em outras áreas de estudo do cérebro.

Tenho lido alguma coisa sobre Filosofia da mente. Não me lembro no momento o nome do filósofo, mas um deles tem uma teoria, no mínimo, intrigante. Ele disse que daqui a alguns anos (décadas), o ser humano será capaz de transmitir todo o conteúdo mental para um robô. Seria o advento da imortalidade?

A mente é intrigante. As pesquisas na área vão jogar muitas "verdades absolutas" por terra. Por isso é muito importante abrirmos a nossa mente para novas possibilidades. Como estudá-la objetivamente? Por mais que façamos experimentos cientifícos e vejamos cada área do cérebro em diversas cores, o pensamento sobre a cor azul, por exemplo, não faz essa parte do cérebro ficar azul. Quando sinto uma dor qualquer, como o interlocutor poderia medir a intensidade do meu sofrimento físico? Quando uma pessoa sofre um AVC, mesmo que algumas áreas do cérebro sejam afetadas, ela desenvolve mecanismos que compensam a área afetada. Enfim, as perguntas continuam...

O assunto é por demais complexo para ser resumido em tão poucas linhas. Será que chegará o dia em que a ciência terá a última palavra sobre a mente? Em última análise, a mente é de natureza apenas material e natural? O mental faz parte do espiritual, no sentido da possibilidade de haver uma alma dentro do nosso corpo? Há espaço para o dualismo psicofísico, ou seja, uma alma separada do corpo como queria Descartes? O mental é a própria matéria num grau mais elevado de refinamento e complexidade?

O fato é que este estudo é tão interessante, que as futuras respostas sobre a natureza da mente e do cérebro, podem fazer virar pó todas as nossas crenças religiosas, bem como abalar definitivamente a relação que o homem tem consigo mesmo, com os seus semelhantes e com as crenças sobrenaturais e espirituais.

De minha parte, acho que a mente e o cérebro são a mesma coisa. Penso que mais cedo ou mais tarde as diversas disciplinas que estudam o cérebro-mente provarão essa tese. Acredito no naturalismo. Por quê? Porque é mais fácil de ser explicado; não pressupõe o sobrenatural, e, responde, talvez, não satisfatoriamente, o efeito que as substâncias químicas têm sobre o cérebro.

Todavia, a Filosofia da mente não tem respostas para tais questões. Ela continuará a fazer perguntas e as respostas vão se tornar novas perguntas. Um dia saberemos? Espero estar vivo para ver o edifício ruir ou mudar o meu ponto de vista! Quem sabe?!!



Texto: Marco Aurélio Machado

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Filosofia - O Ceticismo

Muitos céticos nos deixariam em grandes dificuldades para provar a morte biológica. Por exemplo. O solipsismo cartesiano. Ou o argumento dos sonhos, o argumento da loucura, entre outros. Como ter certeza de que tudo o que existe não é uma projeção de um ser superior? Não necessariamente, Deus? Como ter certeza que a única mente que existe não seja a sua?

Apesar de gostar do ceticismo, não sou especialista. Não digo que não existe. Mas, um cético poderia argumentar assim: quando você está dormindo e sonha, tem certeza absoluta de que o sonho é real, não é mesmo? Você pode sonhar que está beijando uma linda mulher e acordar babando no travesseiro...O sonho era tão real...contudo você foi despertado com o "grito de um espírito de porco". Se a mente pode se iludir, quem lhe garante que este mundo não é um sonho de um SER SUPERIOR, um ET, por exemplo, e que o que você acha que é real neste mundo, não passa de um sonho desse ser superior? Logo, a morte ou qualquer outro fenômeno seria uma ilusão mental. Se a mente é capaz de inventar no sonho, quem lhe garante que ela não inventou tudo?

Tudo seria uma ilusão, inclusive, a morte biológica. Se a mente é capaz de inventar tudo, como acreditar no corpo físico, na natureza, e nos supostos objetos? O esquizofrênico não sabe o que é a realidade e a diferença entre ela e o seu estado ilusório. Onde acontece a ilusão do esquizofrênico? Dentro da sua consciência ou fora? Ele vê coisas que não existem, ouve vozes e outros fenômenos externamente. Mas se o que vê é real, por que só ele vê? Por outro lado, se está em sua mente apenas, por que ele faz essa projeção para fora? O mundo, em tese, não estaria todo dentro da nossa mente? E tudo o que vemos não passar de uma projeção da nossa mente esquizofrênica, porém, num grau menos acentuado?

Suponha a seguinte situação imaginária. Todos os seres humanos perderam a capacidade de perceber os dados sensoriais, sendo ou não ilusão. Ou seja, perdemos os nossos sentidos. Cadê o mundo? Cadê a morte? Cadê a ilusão? Você saberia o que seriam os seus pensamentos? E se eles fossem deletados também? E, então?

Foi justamente por buscar a verdade e observar as várias contradições dos sistemas filosóficos em todos os tempos, que o cético chegou a essa conclusão. Se as conclusões filosóficas têm o mesmo peso, logo, não preciso mais buscar. Para buscar eu precisaria saber o que é o que busco. Como cada corrente filosófica parte de premissas diferentes, logo, o cético suspende o juízo e chega a paz que a susposta certeza filosófica daria. A suspensão do juízo é a tal de EPOCHÉ. A tranqüilidade estaria em não mais buscar. EM GREGO, ATARAXIA.

Conclusão: só um pequeno esclarecimento. Existem várias formas de CETICISMO. A linha cética que mais gosto é o PIRRONISMO. Criado por Pirro de Élis e que chegou até nós através do médico e cético Sexto Empírico. Não vou entrar em detalhes. Mesmo porque daria para escrever um livro e não sei se tenho essa competência.

Na linha cética pirrônica, não sei, por exemplo, qual é a essência da realidade. Conheço os fenômenos. Não sei se o mel é doce por natureza, mas que me parece doce, parece. Conhecemos aquilo que aparece para cada um de nós, mas não se sabe qual é a essência da realidade, porque por estarmos envolvidos no problema, não seríamos árbitros imparciais. Quem percebe a realidade em si mesma? Não sei.

O cético pirrônico para viver neste mundo segue as leis da natureza, os instintos, as leis e os costumes criados pelos homens e as artes e as ciências. Vive como o homem comum. Simples assim!!

Texto: Marco Aurélio Machado

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Filosofia - Frases ácidas e irônicas

Quantos pessoas acreditam em Deus? Se acreditassem e seguissem os seus "mandamentos", não era para o mundo estar bem melhor? O mundo está melhor por causa disso?

O importante não é acreditar em Deus, mas viver como se ele realmente existisse!


As palavras podem encantar, mas o comportamento demonstra se elas são verdadeiras ou falsas!

Sou ácido, mas sei ser doce quando quero. Quando sou doce, as pessoas têm saudades da acidez e do azedo.

É preferível a acidez do que se diz francamente à polidez da hipocrisia.

O antídoto contra a polidez hipócrita é a doçura irônica!

Se não houvesse resistência à liberdade, não saberíamos o que é a liberdade, pois um pássaro só voa, por causa da resistência do ar.

A diferença entre um arrogante calado e um tagarela, é que o segundo é mais honesto. O mesmo vale para outros sentimentos negativos!

Nunca nos encontraremos com a morte, porque se existir uma alma, a vida continua, se não existir, não saberemos que morremos.

Um orgasmo verdadeiro vale mais que mil gozos teóricos.

Veríamos a morte com mais naturalidade se soubéssemos que a perspectiva da eternidade gera um tédio maior.

O próprio homem é o caminho, a verdade e a fé. O caminho, porque só ele pode se orientar; a verdade, porque a verdade é intersubjetiva; e a fé, porque só precisamos acreditar em nós mesmos. A inversão do mundo não passa de um comércio metafísico de pessoas que não acrdidtam em si mesmas...

Frases de MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 28 de novembro de 2009

Filosofia - Refutando Descartes

Quem pensa? Descartes dizia que era um "EU". Quem é o "EU"?

O "EU" é uma entidade que existe dentro do corpo físico?

O "EU" pensa o pensamento?

O "EU" identifica-se com o pensamento? Neste caso, o "EU" tem vários pensamentos?

O "EU" e o pensamento são a mesma coisa?

O "EU" pode sobreviver à morte do corpo físico? Um raciocínio lógico é suficiente para comprovar a continuidade da existência após a morte?

O "EU" continua pensando após a morte do corpo físico?

O "EU" poderia pensar se ficasse isolado e não tivesse contato com nenhuma sociedade ou cultura, ou seja, como pensar sem aprender uma linguagem que só é possível vivendo em sociedade?

SE PENSO, LOGO EXISTO, COMO EXPLICAR o caso de Amala e Kamala que foram achadas no meio de lobos e tinham todas as atitudes dos lobos? Comiam carne podre, lambiam a água, andavam de quatro e uivavam à noite? Elas não pensavam? Por que, sendo "humanas," desenvolveram todos os hábitos dos lobos?

O argumento acima prova que não é possível pensar fora da sociedade humana? Se Descartes vivesse entre os macacos, tal qual TARZAN, ele estufaria o peito e diria: PENSO, LOGO EXISTO? Por acaso, TARZAN teria forma humana, mas seria um macaco fazendo todas as macaquices próprias de tais primatas? Ele teria consciência de Deus a quem recorreu para sair da gaiola solipsista? Ele poderia acreditar em Deus? Se pudesse, por acaso, o seu Deus não seria a imagem e a semelhança dos macacos?

Se temos um "EU" diferente dos pensamentos e sentimentos, por que sofremos? Por acaso, não bastaria o "EU" não se identificar com os pensamentos e sentimentos e ficar livre das fobias, medos e neuroses?

Afinal, quem é esse "EU" de Descartes? Uma substância pensante? O que é uma substância pensante? Um nome? Uma alma? Uma parte da matéria mais refinada?

Se Descartes tivesse dor-de-dente e tomasse um analgésico, ele melhoria? O efeito do remédio seria na alma? Como pode a alma sofrer o efeito de um comprimido material? A mente não seria o próprio cérebro? E então?
Se a mente for a mesma coisa que o cérebro, como explicar o dualismo psicofísico de Descartes, ou seja, por que Descartes chegou à uma conclusão que ele não poderia provar empiricamente, experimentalmente?

A lógica cartesiana é perfeita, mas ela resiste aos fatos? Que fato? Que nunca se soube até hoje que alguém pudesse pensar fora da sociedade humana. Somos humanos porque vivemos e temos relações sociais, principalmente, as de produção econômica. Quem vive de barriga vazia sem produzir e conviver com outros seres humanos? Descartes conseguia fazer isso? Ele, então, não era humano? Será que era um ET?

O que eu disse: UM PEQUENO FATO PODE DERRUBAR UM CASTELO LÓGICO. É só conferir no outro tópico.

Quem tiver as respostas que me dê, porque até agora, não fui convencido de coisa alguma. Só falácias e sofismas baratos. Uma pena!!

Eu parto de uma premissa ONTOLÓGICA, não de uma premissa LÓGICA. O que faz o ser humano ser humano são as relações sociais, econômicas e culturais. Sem a humanização, que só pode se dar no convívio com outros seres humanos, não poderia haver as condições para que Descartes afirmasse o seu famoso COGITO, ERGO SUM. Sem produção da vida social, não há ser "humano" que pensa. Principalmente, logicamente. As meninas-lobo, Amala e Kamala foram encontradas na Índia, no início do século XX, no meio de lobos. Não tiveram a oportunidade de se humanizarem. Não tinham nenhuma emoção humana: não choravam, não riam e não falavam. Em compensação, andavam de quatro, lambiam a água, comiam carne podre e uivavam. Foram recolhidas para uma instituição social, mas não conseguiram sobreviver. Uma delas aprendeu um vocabulário básico de 50 palavras. Essa é a prova que sem vida em sociedade, não há pensamento e nem linguagem, mas há a existência delas comprovada por outras pessoas. Há pouco tempo uma pastora de ovelhas se perdeu, num país da Ásia e ficou 17 anos perdida na floresta. Parece-me, que esqueceu-se do próprio nome. Desumanizou-se totalmente. A lógica tem importância, mas ela não é mais real do que o mundo natural e cultural. O homem inventou a lógica, mas a lógica não criou o homem: A NATUREZA, sim, pois antes de o homem aprender a falar, quando ele ainda grunhia, ele precisava se organizar de alguma forma socialmente para produzir a sua subsistência material. Mais: a razão foi inventada pelos gregos, ela não é algo natural; é cultural e histórica. E não foi Descartes que a inventou, ele a pegou pronta.

Texto: Marco Aurélio Machado

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

CRENÇAS E DESCRENÇAS EM DEUS/DEUSES

Deus, para mim, é uma questão existencial; não gnosiológica. Não acredito em nenhum conceito de Deus. Eu falo isso o tempo todo. Mas as pessoas fazem de conta que não leram, ou se leram, preferem dizer o contrário do que afirmei. Penso que o ateísmo o livra da culpa, do medo do inferno, da esperança de ser salvo. Dá-se mais valor à vida, porque é uma só; de fazer o bem pelo prazer de ajudar, não para ganhar o paraíso; de inventar os próprios valores, já que não existem valores determinados; de ser humano em todos os sentidos e não renegar os desejos mais ocultos; de estar em harmonia com a natureza e de saber que se faz parte dela; de aceitar os fenômenos naturais e mudar o que se é possível; de saber que o que não posso explicar racionalmente, não preciso inventar um ser imaginário, etc. Viver e ser feliz.

Porque a vida é única e bela. Se houver um Deus, ótimo, a vida continua, se não houver, excelente; não saberei que morri... Em primeiro lugar, quero dizer que sou um humanista. Baseio minha vida em valores estritamente naturais. Não acredito em seres sobrenaturais: deuses, fadas, duendes, demônios, anjos, arcanjos, serafins, capetas, diabos, anjos caídos, anjos que subiram, unicórnios, elementais, astrologia e seus signos, poder dos cristais, macumbas, espíritos das trevas, espíritos de luz, almas encarnadas e nem desencarnadas, fogo do inferno e em nenhuma religião e seus supostos salvadores ou MESSIAS.

Acredito na finitude da minha razão, nos limites das minhas impressões sensoriais e na recusa radical de dar asas à minha imaginação, inventando deuses e tornando-me prisioneiro dos seus caprichos e ameaças. Não se preocupem comigo. Quando morrer estarei debaixo da terra. Mas, quero fazer nesta vida curta e finita, o que muitos só fazem no discurso. Para terminar: todas as minhas convicções são baseadas nas CIÊNCIAS E NA FILOSOFIA. ATÉ QUE SE PROVE O CONTRÁRIO, ELAS SÃO A LUZ DA MINHA VIDA E DO MEU CAMINHAR FINITO, MAS SOLIDÁRIO, FRATERNO E HUMANO!!!


TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Filosofia - Ontologia Marxista

A ontologia marxista é a relação do seres sociais(homem) com a natureza para transformá-la pelo trabalho. São as relações sociais de produção as responsáveis por tornamo-nos humanos. Não somos humanos. Tornamo-nos. Sem produção econômica não há barriguinha cheia, logo, não há filosofia, ciências, artes, religião e cultura. O homem é essencialmente um ser social. Mas essa sociabilidade não acontece no plano dos conceitos. Ninguém sobrevive se alimentando de conceitos. Ao se relacionar com outros seres humanos e se organizar para produzir a sua subsistência material, o homem torna-se homem. Isso é a ontologia marxista. Quando o homem não percebe isso, está alienado. Inverte as coisas e fica procurando a essência das coisas numa metafísica que se alimenta de idéias. Se apenas as idéias sustentassem o homem, Marx não precisava ter detonado o mago das idéias: o senhor Hegel e a sua diarréia cerebral.

Muito antes de a Filosofia existir os homens tinham que se organizar para produzirem a sua subsistência material. Isso é ontologia. Sem relações sociais de produção não há possibilidade nenhuma de o homem sobreviver. Sem produção, consumo e reprodução da vida econômica, não há possiblidade de existir seres humanos. A meu ver, essa forma de pensar é fundamental. Infelizmente, o capitalismo se apropriou dos meios de produção e aquilo que poderia ser a redenção humana, ou seja, a tecnologia, está a serviço de uma minoria para explorar a maioria desprovida de tudo, mormente, da sua dignidade. E ainda dizem que o trabalho dignifica o homem. Deveria dignificar, mas no atual sistema, "coisifica". Lamentável...

Fico perplexo com toda doutrina filosófica que inverte a ordem do mundo. Uma corrente filosófica que dá mais valor à palavra, ao conceito, ao pensamento, é uma fábrica metafísica de comércio de ilusões e fantasias. Eu nunca mastiguei uma ideia. Não sou feito de luz, ora bolas...

Texto: Marco Aurélio Machado

domingo, 15 de novembro de 2009

Filosofia - Quem é o EU?

Quem é o EU? Ele é fixo? É permanente? Se fosse seríamos a mesma pessoa e não cairíamos em contradições. Uma hora estou alegre, na outra, estou triste; uma hora, estou calmo; na outra, estou nervoso; uma hora quero; na outra, não quero. A mente humana (EU) é o conjunto de tudo isso. Como poderia um Eu pensar independentemente do pensamento? Quando penso, o único processo que existe é a relação de pensamentos. Num conflito sem fim. O Eu é impermanente, muda o tempo todo, mas ao tentar congelar o real, ele entra em conflito e em contradição. É preciso mergulhar fundo nisso. Não é fácil compreender. E nem vou tentar explicar. Ficaria aqui um ano. Sugestão: leiam os livros do Krishnamurti. Ele não é místico como muita gente pensa. Ele é um cético que suspendeu todos os juízos. Quem consegue suspender os juízos só percebe os pensamentos. Contudo, não interferem nele. É como se cada ser humano fosse um labirinto. Os pensamentos estão dentro do labirinto( mente ), eles vão para lá e para cá, mas não conseguem escapar da sua própria natureza, que é o movimento, o dinamismo e a impermanência. O Eu é o centro que se forma por querer ser permanente e estático. Ele quer segurança. Mas não existem segurança e permanência. Só existem mudanças. Compreendendo isso profundamente, não há o que fazer. Assim, como é perda de tempo tentar escapar do labirinto, pois não tem saída, é perda de tempo querer controlar o "oceano" dos pensamentos. Toda tentativa de controle vai gerar uma neurose no indivíduo.

Logo, esta pretensão de rotular: eu sou isto; eu sou aquilo, é perda de tempo. O ser humano é o resultado das suas escolhas. Ele é o resultado dos seus atos, mas não de uma forma definitiva. Posso querer hoje e desistir amanhã. Não há felicidade permanente num mundo, ontologicamente, impermanente. Mais: o prazer contém a dor.

Tudo tem o seu preço. Quer prazer? Ótimo!!! Mas ele traz consigo a dor, pois tudo o que vira memória e lembrança é fonte de prazer e de dor. Os desejos são infinitos, mas quem vive como se fosse um animal, dando vazão aos seus instintos primitivos, não deveria reclamar. Todo prazer é vontade de mais prazer, num processo ad infinitum. Quando não vem, tome sofrimento e dor. Gostoso, não?

Texto: Marco Aurélio Machado

sábado, 14 de novembro de 2009

A FILOSOFIA E O FANATISMO RELIGIOSO!

Infelizmente, poucos conseguem livrar-se de superstições e crendices arraigadas desde a mais tenra idade. Minha esposa colocou minhas filhas no catecismo, contra minha vontade. Acabei cedendo inicialmente. Mas, não me contive. Conversei com minha esposa e expliquei detalhe por detalhe sobre as conseqüências funestas de tais práticas. Elas saíram. Quando crescerem e tiverem uma visão crítica da vida, tudo bem. Podem escolher o que fazer.

A religião pega a pessoa numa época, que qualquer coisa que se diz, a criança aceita e vira uma verdade dogmática. Sei, porque minha mãe, por ignorância, me criou fazendo medo em mim, em nome de Deus. Só que sempre fui rebelde e nunca aceitei crenças infundadas e invenções de uma imaginação descontrolada. Aos dez anos, eu lia a Bíblia e questionava cada contradição do Deus cristão. Tanto do Velho Testamento, quanto do Novo. O Novo Testamento é ainda pior. Aprisiona a pessoa da forma mais cruel possível: a prisão psicológica. Além da culpa, remorso, arrependimento e toda crueldade neste mundo, existe a crença maldita e covarde, de que a pessoa poderá ir para o inferno, se não for salva. "E ali haverá choro e ranger de dentes".

Tenho alunos que têm pavor dessa idéia. Morrem de medo. Aos poucos, através de argumentos lógicos, procuro levá-los à reflexão sobre a possibilidade dessa crença ter algum fundamento. Isso é uma gaiola. Como um rapaz questionou-me outro dia. "Você livrou a sua aluna da gaiola, mas ela entrou em quais outras"? Não tive a oportunidade de dizer tudo o que queria, e nem é minha intenção ficar debatendo com quem não conhece a minha realidade profissional. Mas só para esclarecer, a distinção, é que ela pode, a partir de agora, entrar em qualquer outra gaiola ou ideologia. A diferença é que agora ela poderá entrar em outras gaiolas, mas tais gaiolas serão abertas por uma chave muito especial: a reflexão filosófica, a luz da razão.

A reflexão filosófica é a chave para abrir qualquer porta...A razão deve ser a guia de todos os seres humanos. Devemos fazer o bem sempre, independentemente se há um DEUS, um PARAÍSO. O bem deve ser um fim em si mesmo, e não um meio para uma suposta salvação. Isso é comércio. Faço o bem aqui para ganhar mais lá no "CÉU". A meu ver, só é capaz de amar, verdadeiramente, aquele que acredita que o seu fim é uma vala de sete palmos. Nada mais!!


Texto: Marco Aurélio Machado

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Filosofia - Qual é a UTILIDADE DA UTILIDADE?

No meu cotidiano, nas aulas de Filosofia, e também nas demais relações sociais, uma questão sempre me deixou perplexo: a pergunta sobre qual é a utilidade da Filosofia? A Filosofia serve para quê? Geralmente, eu respondo com outra pergunta: qual é a utilidade da utilidade?

A utilidade da utilidade serve para quê? O que é ser útil? Se, normalmente, as pessoas se engasgam com uma pergunta tão simples como essa; se elas não sabem qual é a utilidade da utilidade, como poderiam saber sobre como ser um ser humano no sentido mais nobre e magnânimo desse conceito?

Se fazer perguntas não é importante, o que é ser importante? Se o homem não fizesse perguntas, como poderia haver respostas para a resolução e tentativas de soluções para os desafios que a NATUREZA nos coloca? Como poderia haver tentativas de soluções para os problemas econômicos, políticos, sociais, entre outros?

Ser útil é tudo que se faz de um ponto de vista prático? O que é ser prático? Por acaso, para se descobrir o que é a prática, não precisamos teorizar sobre ela? Não é preciso refletir sobre ela? Mas, o que é a prática? Ser prático e útil é trabalhar, comer, beber, dormir, se divertir, reproduzir e morrer? Fazer tudo isso e nunca perguntar a si mesmo por que fazemos, pensamos e sentimos? Se assim for, quero dizer que não sou humano: sou uma coisa mecânica, tal qual um robô programado para ser alienado e fingir ser feliz, já que se alguém me perguntar o que é ser feliz, não saberei responder. Por quê? Porque terei nojo da reflexão filosófica! Por quê? Porque a reflexão filosófica me fará virar um ser humano consciente, crítico, capaz de questionar todos aqueles que foram programados para mandar fazer o que é útil, mas que também não sabem o que é a utilidade.

Conclusão: EU prefiro ser inútil. Assim terei tempo para pensar na utilidade e saber que muitas coisas ditas úteis, só servem para que as pessoas sejam inúteis, descartáveis e sobras de um sistema que acho feio tudo o que não é útil. Mas a questão filosófica continua a perguntar: O QUE É SER ÚTIL? Qual é a utilidade da utilidade? Talvez muitas pessoas não saibam responder, porque estão perdendo muito tempo querendo ser úteis e com isso não passam de pessoas inúteis e dignas de pena...

Texto: Marco Aurélio Machado