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sábado, 14 de novembro de 2009

A FILOSOFIA E O FANATISMO RELIGIOSO!

Sábado, 14 de novembro de 2009

A FILOSOFIA E O FANATISMO RELIGIOSO!
Infelizmente, poucos conseguem livrar-se de superstições e crendices arraigadas desde a mais tenra idade. Minha esposa colocou minhas filhas no catecismo, contra minha vontade. Acabei cedendo inicialmente. Mas não me contive: conversei com minha esposa e expliquei detalhe por detalhe sobre as consequências funestas de tais práticas. Elas saíram. Quando crescerem e tiverem uma visão crítica da vida, tudo bem; podem escolher o que fazer.
A religião pega a pessoa numa época que qualquer coisa que se diz a criança aceita e vira uma verdade dogmática. Sei porque minha mãe, por ignorância, me criou fazendo medo em mim em nome de Deus. Só que sempre fui rebelde e nunca aceitei crenças infundadas e invenções de uma imaginação descontrolada. Aos dez anos, eu lia a Bíblia e questionava cada contradição do Deus cristão — tanto do Velho Testamento quanto do Novo. O Novo Testamento é ainda pior: aprisiona a pessoa da forma mais cruel possível, a prisão psicológica. Além da culpa, remorso, arrependimento e toda crueldade neste mundo, existe a crença maldita e covarde de que a pessoa poderá ir para o inferno se não for salva: "E ali haverá choro e ranger de dentes".
Tenho alunos que têm pavor dessa ideia; morrem de medo. Aos poucos, através de argumentos lógicos, procuro levá-los à reflexão sobre a possibilidade de essa crença ter algum fundamento. Isso é uma gaiola. Como um rapaz questionou-me outro dia: "Você livrou a sua aluna da gaiola, mas ela entrou em quais outras?" Não tive a oportunidade de dizer tudo o que queria, nem é minha intenção ficar debatendo com quem não conhece a minha realidade profissional. Mas, só para esclarecer, a distinção é que ela pode, a partir de agora, entrar em qualquer outra gaiola ou ideologia. A diferença é que agora ela poderá entrar em outras gaiolas, mas tais gaiolas serão abertas por uma chave muito especial: a reflexão filosófica, à luz da razão.
A reflexão filosófica é a chave para abrir qualquer porta... A razão deve ser a guia de todos os seres humanos. Devemos fazer o bem sempre, independentemente se há um Deus, um paraíso. O bem deve ser um fim em si mesmo, e não um meio para uma suposta salvação. Isso é comércio: faço o bem aqui para ganhar mais lá no "céu". A meu ver, só é capaz de amar verdadeiramente aquele que acredita que o seu fim é uma vala de sete palmos. Nada mais!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO