Página

MAPA DOS VISITANTES DESDE O DIA 29/11/2009

sábado, 28 de novembro de 2009

Filosofia - Refutando Descartes

Quem pensa? Descartes dizia que era um "EU". Quem é o "EU"?

O "EU" é uma entidade que existe dentro do corpo físico?

O "EU" pensa o pensamento?

O "EU" identifica-se com o pensamento? Neste caso, o "EU" tem vários pensamentos?

O "EU" e o pensamento são a mesma coisa?

O "EU" pode sobreviver à morte do corpo físico? Um raciocínio lógico é suficiente para comprovar a continuidade da existência após a morte?

O "EU" continua pensando após a morte do corpo físico?

O "EU" poderia pensar se ficasse isolado e não tivesse contato com nenhuma sociedade ou cultura, ou seja, como pensar sem aprender uma linguagem que só é possível vivendo em sociedade?

SE PENSO, LOGO EXISTO, COMO EXPLICAR o caso de Amala e Kamala que foram achadas no meio de lobos e tinham todas as atitudes dos lobos? Comiam carne podre, lambiam a água, andavam de quatro e uivavam à noite? Elas não pensavam? Por que, sendo "humanas," desenvolveram todos os hábitos dos lobos?

O argumento acima prova que não é possível pensar fora da sociedade humana? Se Descartes vivesse entre os macacos, tal qual TARZAN, ele estufaria o peito e diria: PENSO, LOGO EXISTO? Por acaso, TARZAN teria forma humana, mas seria um macaco fazendo todas as macaquices próprias de tais primatas? Ele teria consciência de Deus a quem recorreu para sair da gaiola solipsista? Ele poderia acreditar em Deus? Se pudesse, por acaso, o seu Deus não seria a imagem e a semelhança dos macacos?

Se temos um "EU" diferente dos pensamentos e sentimentos, por que sofremos? Por acaso, não bastaria o "EU" não se identificar com os pensamentos e sentimentos e ficar livre das fobias, medos e neuroses?

Afinal, quem é esse "EU" de Descartes? Uma substância pensante? O que é uma substância pensante? Um nome? Uma alma? Uma parte da matéria mais refinada?

Se Descartes tivesse dor-de-dente e tomasse um analgésico, ele melhoria? O efeito do remédio seria na alma? Como pode a alma sofrer o efeito de um comprimido material? A mente não seria o próprio cérebro? E então?
Se a mente for a mesma coisa que o cérebro, como explicar o dualismo psicofísico de Descartes, ou seja, por que Descartes chegou à uma conclusão que ele não poderia provar empiricamente, experimentalmente?

A lógica cartesiana é perfeita, mas ela resiste aos fatos? Que fato? Que nunca se soube até hoje que alguém pudesse pensar fora da sociedade humana. Somos humanos porque vivemos e temos relações sociais, principalmente, as de produção econômica. Quem vive de barriga vazia sem produzir e conviver com outros seres humanos? Descartes conseguia fazer isso? Ele, então, não era humano? Será que era um ET?

O que eu disse: UM PEQUENO FATO PODE DERRUBAR UM CASTELO LÓGICO. É só conferir no outro tópico.

Quem tiver as respostas que me dê, porque até agora, não fui convencido de coisa alguma. Só falácias e sofismas baratos. Uma pena!!

Eu parto de uma premissa ONTOLÓGICA, não de uma premissa LÓGICA. O que faz o ser humano ser humano são as relações sociais, econômicas e culturais. Sem a humanização, que só pode se dar no convívio com outros seres humanos, não poderia haver as condições para que Descartes afirmasse o seu famoso COGITO, ERGO SUM. Sem produção da vida social, não há ser "humano" que pensa. Principalmente, logicamente. As meninas-lobo, Amala e Kamala foram encontradas na Índia, no início do século XX, no meio de lobos. Não tiveram a oportunidade de se humanizarem. Não tinham nenhuma emoção humana: não choravam, não riam e não falavam. Em compensação, andavam de quatro, lambiam a água, comiam carne podre e uivavam. Foram recolhidas para uma instituição social, mas não conseguiram sobreviver. Uma delas aprendeu um vocabulário básico de 50 palavras. Essa é a prova que sem vida em sociedade, não há pensamento e nem linguagem, mas há a existência delas comprovada por outras pessoas. Há pouco tempo uma pastora de ovelhas se perdeu, num país da Ásia e ficou 17 anos perdida na floresta. Parece-me, que esqueceu-se do próprio nome. Desumanizou-se totalmente. A lógica tem importância, mas ela não é mais real do que o mundo natural e cultural. O homem inventou a lógica, mas a lógica não criou o homem: A NATUREZA, sim, pois antes de o homem aprender a falar, quando ele ainda grunhia, ele precisava se organizar de alguma forma socialmente para produzir a sua subsistência material. Mais: a razão foi inventada pelos gregos, ela não é algo natural; é cultural e histórica. E não foi Descartes que a inventou, ele a pegou pronta.

Texto: Marco Aurélio Machado

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

CRENÇAS E DESCRENÇAS EM DEUS/DEUSES

Deus, para mim, é uma questão existencial; não gnosiológica. Não acredito em nenhum conceito de Deus. Eu falo isso o tempo todo. Mas as pessoas fazem de conta que não leram, ou se leram, preferem dizer o contrário do que afirmei. Penso que o ateísmo o livra da culpa, do medo do inferno, da esperança de ser salvo. Dá-se mais valor à vida, porque é uma só; de fazer o bem pelo prazer de ajudar, não para ganhar o paraíso; de inventar os próprios valores, já que não existem valores determinados; de ser humano em todos os sentidos e não renegar os desejos mais ocultos; de estar em harmonia com a natureza e de saber que se faz parte dela; de aceitar os fenômenos naturais e mudar o que se é possível; de saber que o que não posso explicar racionalmente, não preciso inventar um ser imaginário, etc. Viver e ser feliz.

Porque a vida é única e bela. Se houver um Deus, ótimo, a vida continua, se não houver, excelente; não saberei que morri... Em primeiro lugar, quero dizer que sou um humanista. Baseio minha vida em valores estritamente naturais. Não acredito em seres sobrenaturais: deuses, fadas, duendes, demônios, anjos, arcanjos, serafins, capetas, diabos, anjos caídos, anjos que subiram, unicórnios, elementais, astrologia e seus signos, poder dos cristais, macumbas, espíritos das trevas, espíritos de luz, almas encarnadas e nem desencarnadas, fogo do inferno e em nenhuma religião e seus supostos salvadores ou MESSIAS.

Acredito na finitude da minha razão, nos limites das minhas impressões sensoriais e na recusa radical de dar asas à minha imaginação, inventando deuses e tornando-me prisioneiro dos seus caprichos e ameaças. Não se preocupem comigo. Quando morrer estarei debaixo da terra. Mas, quero fazer nesta vida curta e finita, o que muitos só fazem no discurso. Para terminar: todas as minhas convicções são baseadas nas CIÊNCIAS E NA FILOSOFIA. ATÉ QUE SE PROVE O CONTRÁRIO, ELAS SÃO A LUZ DA MINHA VIDA E DO MEU CAMINHAR FINITO, MAS SOLIDÁRIO, FRATERNO E HUMANO!!!


TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Filosofia - Ontologia Marxista

A ontologia marxista é a relação do seres sociais(homem) com a natureza para transformá-la pelo trabalho. São as relações sociais de produção as responsáveis por tornamo-nos humanos. Não somos humanos. Tornamo-nos. Sem produção econômica não há barriguinha cheia, logo, não há filosofia, ciências, artes, religião e cultura. O homem é essencialmente um ser social. Mas essa sociabilidade não acontece no plano dos conceitos. Ninguém sobrevive se alimentando de conceitos. Ao se relacionar com outros seres humanos e se organizar para produzir a sua subsistência material, o homem torna-se homem. Isso é a ontologia marxista. Quando o homem não percebe isso, está alienado. Inverte as coisas e fica procurando a essência das coisas numa metafísica que se alimenta de idéias. Se apenas as idéias sustentassem o homem, Marx não precisava ter detonado o mago das idéias: o senhor Hegel e a sua diarréia cerebral.

Muito antes de a Filosofia existir os homens tinham que se organizar para produzirem a sua subsistência material. Isso é ontologia. Sem relações sociais de produção não há possibilidade nenhuma de o homem sobreviver. Sem produção, consumo e reprodução da vida econômica, não há possiblidade de existir seres humanos. A meu ver, essa forma de pensar é fundamental. Infelizmente, o capitalismo se apropriou dos meios de produção e aquilo que poderia ser a redenção humana, ou seja, a tecnologia, está a serviço de uma minoria para explorar a maioria desprovida de tudo, mormente, da sua dignidade. E ainda dizem que o trabalho dignifica o homem. Deveria dignificar, mas no atual sistema, "coisifica". Lamentável...

Fico perplexo com toda doutrina filosófica que inverte a ordem do mundo. Uma corrente filosófica que dá mais valor à palavra, ao conceito, ao pensamento, é uma fábrica metafísica de comércio de ilusões e fantasias. Eu nunca mastiguei uma ideia. Não sou feito de luz, ora bolas...

Texto: Marco Aurélio Machado

domingo, 15 de novembro de 2009

Filosofia - Quem é o EU?

Quem é o EU? Ele é fixo? É permanente? Se fosse seríamos a mesma pessoa e não cairíamos em contradições. Uma hora estou alegre, na outra, estou triste; uma hora, estou calmo; na outra, estou nervoso; uma hora quero; na outra, não quero. A mente humana (EU) é o conjunto de tudo isso. Como poderia um Eu pensar independentemente do pensamento? Quando penso, o único processo que existe é a relação de pensamentos. Num conflito sem fim. O Eu é impermanente, muda o tempo todo, mas ao tentar congelar o real, ele entra em conflito e em contradição. É preciso mergulhar fundo nisso. Não é fácil compreender. E nem vou tentar explicar. Ficaria aqui um ano. Sugestão: leiam os livros do Krishnamurti. Ele não é místico como muita gente pensa. Ele é um cético que suspendeu todos os juízos. Quem consegue suspender os juízos só percebe os pensamentos. Contudo, não interferem nele. É como se cada ser humano fosse um labirinto. Os pensamentos estão dentro do labirinto( mente ), eles vão para lá e para cá, mas não conseguem escapar da sua própria natureza, que é o movimento, o dinamismo e a impermanência. O Eu é o centro que se forma por querer ser permanente e estático. Ele quer segurança. Mas não existem segurança e permanência. Só existem mudanças. Compreendendo isso profundamente, não há o que fazer. Assim, como é perda de tempo tentar escapar do labirinto, pois não tem saída, é perda de tempo querer controlar o "oceano" dos pensamentos. Toda tentativa de controle vai gerar uma neurose no indivíduo.

Logo, esta pretensão de rotular: eu sou isto; eu sou aquilo, é perda de tempo. O ser humano é o resultado das suas escolhas. Ele é o resultado dos seus atos, mas não de uma forma definitiva. Posso querer hoje e desistir amanhã. Não há felicidade permanente num mundo, ontologicamente, impermanente. Mais: o prazer contém a dor.

Tudo tem o seu preço. Quer prazer? Ótimo!!! Mas ele traz consigo a dor, pois tudo o que vira memória e lembrança é fonte de prazer e de dor. Os desejos são infinitos, mas quem vive como se fosse um animal, dando vazão aos seus instintos primitivos, não deveria reclamar. Todo prazer é vontade de mais prazer, num processo ad infinitum. Quando não vem, tome sofrimento e dor. Gostoso, não?

Texto: Marco Aurélio Machado

sábado, 14 de novembro de 2009

A FILOSOFIA E O FANATISMO RELIGIOSO!

Infelizmente, poucos conseguem livrar-se de superstições e crendices arraigadas desde a mais tenra idade. Minha esposa colocou minhas filhas no catecismo, contra minha vontade. Acabei cedendo inicialmente. Mas, não me contive. Conversei com minha esposa e expliquei detalhe por detalhe sobre as conseqüências funestas de tais práticas. Elas saíram. Quando crescerem e tiverem uma visão crítica da vida, tudo bem. Podem escolher o que fazer.

A religião pega a pessoa numa época, que qualquer coisa que se diz, a criança aceita e vira uma verdade dogmática. Sei, porque minha mãe, por ignorância, me criou fazendo medo em mim, em nome de Deus. Só que sempre fui rebelde e nunca aceitei crenças infundadas e invenções de uma imaginação descontrolada. Aos dez anos, eu lia a Bíblia e questionava cada contradição do Deus cristão. Tanto do Velho Testamento, quanto do Novo. O Novo Testamento é ainda pior. Aprisiona a pessoa da forma mais cruel possível: a prisão psicológica. Além da culpa, remorso, arrependimento e toda crueldade neste mundo, existe a crença maldita e covarde, de que a pessoa poderá ir para o inferno, se não for salva. "E ali haverá choro e ranger de dentes".

Tenho alunos que têm pavor dessa idéia. Morrem de medo. Aos poucos, através de argumentos lógicos, procuro levá-los à reflexão sobre a possibilidade dessa crença ter algum fundamento. Isso é uma gaiola. Como um rapaz questionou-me outro dia. "Você livrou a sua aluna da gaiola, mas ela entrou em quais outras"? Não tive a oportunidade de dizer tudo o que queria, e nem é minha intenção ficar debatendo com quem não conhece a minha realidade profissional. Mas só para esclarecer, a distinção, é que ela pode, a partir de agora, entrar em qualquer outra gaiola ou ideologia. A diferença é que agora ela poderá entrar em outras gaiolas, mas tais gaiolas serão abertas por uma chave muito especial: a reflexão filosófica, a luz da razão.

A reflexão filosófica é a chave para abrir qualquer porta...A razão deve ser a guia de todos os seres humanos. Devemos fazer o bem sempre, independentemente se há um DEUS, um PARAÍSO. O bem deve ser um fim em si mesmo, e não um meio para uma suposta salvação. Isso é comércio. Faço o bem aqui para ganhar mais lá no "CÉU". A meu ver, só é capaz de amar, verdadeiramente, aquele que acredita que o seu fim é uma vala de sete palmos. Nada mais!!


Texto: Marco Aurélio Machado

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Filosofia - Qual é a UTILIDADE DA UTILIDADE?

No meu cotidiano, nas aulas de Filosofia, e também nas demais relações sociais, uma questão sempre me deixou perplexo: a pergunta sobre qual é a utilidade da Filosofia? A Filosofia serve para quê? Geralmente, eu respondo com outra pergunta: qual é a utilidade da utilidade?

A utilidade da utilidade serve para quê? O que é ser útil? Se, normalmente, as pessoas se engasgam com uma pergunta tão simples como essa; se elas não sabem qual é a utilidade da utilidade, como poderiam saber sobre como ser um ser humano no sentido mais nobre e magnânimo desse conceito?

Se fazer perguntas não é importante, o que é ser importante? Se o homem não fizesse perguntas, como poderia haver respostas para a resolução e tentativas de soluções para os desafios que a NATUREZA nos coloca? Como poderia haver tentativas de soluções para os problemas econômicos, políticos, sociais, entre outros?

Ser útil é tudo que se faz de um ponto de vista prático? O que é ser prático? Por acaso, para se descobrir o que é a prática, não precisamos teorizar sobre ela? Não é preciso refletir sobre ela? Mas, o que é a prática? Ser prático e útil é trabalhar, comer, beber, dormir, se divertir, reproduzir e morrer? Fazer tudo isso e nunca perguntar a si mesmo por que fazemos, pensamos e sentimos? Se assim for, quero dizer que não sou humano: sou uma coisa mecânica, tal qual um robô programado para ser alienado e fingir ser feliz, já que se alguém me perguntar o que é ser feliz, não saberei responder. Por quê? Porque terei nojo da reflexão filosófica! Por quê? Porque a reflexão filosófica me fará virar um ser humano consciente, crítico, capaz de questionar todos aqueles que foram programados para mandar fazer o que é útil, mas que também não sabem o que é a utilidade.

Conclusão: EU prefiro ser inútil. Assim terei tempo para pensar na utilidade e saber que muitas coisas ditas úteis, só servem para que as pessoas sejam inúteis, descartáveis e sobras de um sistema que acho feio tudo o que não é útil. Mas a questão filosófica continua a perguntar: O QUE É SER ÚTIL? Qual é a utilidade da utilidade? Talvez muitas pessoas não saibam responder, porque estão perdendo muito tempo querendo ser úteis e com isso não passam de pessoas inúteis e dignas de pena...

Texto: Marco Aurélio Machado

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Filosofia - Ideologia do ANO NOVO, o fortificante do povo

Todos os anos é a mesma coisa. Renasce a esperança de que o mundo será melhor. Que os astros nos trarão sorte, que o ano será regido pelo planeta tal e qual, que realizaremos todos os nossos sonhos, enfim, não há ideologia melhor para quem domina do que o nascimento de um novo ano. E a mitologia e os rituais de passagem continuam a embotar os neurônios do senso comum e da imaginação popular. Muitos se vestem de branco e esperam a paz. Uma paz que só virá com a mudança de cada indivíduo. E viva a esperança! Para mim, ela já nasceu morta. É a primeira que tem que morrer. Quem vive de esperança só espera, enquanto a elite faz a festa. Hehehe! Nada como começar o ano fazendo uma crítica a mais uma idiotice inventada para suavizar as dores da massa. E viva a alienação! O FORTIFICANTE do povão!

Ninguém precisa concordar comigo. É apenas uma reflexão. O povo sempre gostou de pão e circo. É futebol ( um dos deuses das massas), carnaval, drogas, bebidas alcóolicas, etc. Simplesmente, mecanismos de fuga. Se as pessoas escolhem isso livremente...Apenas vejo as coisas como elas são. Agora mesmo há várias pessoas me desejando um excelente ano. E eu espero realmente que seja. Desde que dependa dos meus esforços e das minhas ações. Se o povo está feliz...ótimo. Eu queria ser assim...

Eles têm o que comemorar. A esperança de um mundo melhor sem esforço pessoal. Esperança nos astros e todo tipo de superstições e crendices. Se estão felizes, tudo bem. A proporção que a alegria deles aumenta, a minha diminui...mas não vou me suicidar por causa disso...

Cuidado com os profetas do ANO NOVO! Desconfio que muitos desses profetas passaram por algum hospital psiquiátrico. Sempre desconfiei dessa gente. Isso tudo não passa de baboseira, conversa fiada e anestésico para mentes infantis e tolas. Não tem coisa nenhuma, a não ser o desejo de mudarmos as coisas. Contudo, só se muda alguma coisa, se cada indivíduo mudar. Infelizmente, eu uso como estratégia a linguagem ácida e agressiva. As pessoas estão num sono dogmático tão profundo, que precisam tomar um choque bem forte. O choque incomoda, mas martela a cabeça das pessoas. Era de aquário, astrologia, esoterismo e outros "ismos" são ótimos para quem quer viver na ilusão...excelente para engordar o lucro das editoras. Melhor, ainda, para o capitalismo e a burguesia safada. Assim, o povo vive na esperança...

Pisamos no pescoço dos nossos semelhantes durante o ano inteiro. No Natal e ANO NOVO damos beijinhos. Isso é ser refinado e educado? Para mim tem outro nome: HIPOCRISIA! Ah! Pisamos com jeitinho. Com vaselina entra melhor...

Para terminar este assunto. No sentido marxista e que é da minha preferência para analisar a ideologia e a maldita alienação, a ideologia é um conjunto de valores, princípios, normas e regras de uma determindada classe social, ou seja, a classe que detém os meios de produção e o poder econômico como um todo, que impõe através dos mais variados meios a sua maneira de pensar, sentir e agir. Em outras palavras, os valores de uma classe, portanto, valores individuais, tornam-se valores universais. O que deveria servir apenas para uma classe, generaliza-se. A ideologia inverte toda a realidade, econômica, política, social, cultural, histórica, educativa, religiosa, o aparato jurídico-estatal, entre outros. A explicação ideológica tem a função de manter a sociedade coesa e harmônica. O objetivo é encobrir, em vez de desvelar. Ocultar, em vez de esclarecer. O que é um fenômeno social, ela coloca como natural. A explicação é sempre abstrata e lacunar, porque não explica o real de forma transparente. A forma mais fácil de dominar é através da ideologia, porque condiciona às pessoas a aceitarem toda a exploração sem consciência crítica. É muito comum encontrar pessoas que não têm um lote para morar, defedendo interesses de fazendeiros. Isso é o quê? Por que a pessoa não percebe isso? Por causa da alienação. Por que não percebe a alienação? Por cauda da ideologia. Conclusão: verso e reverso da mesma moeda. Outras explicações podem convencer a muitas pessoas. A mim, não. Isso, para mim, é um fato consumado.

Texto: Marco Aurélio Machado

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Filosofia - Política - Economia - Sociedade planetária

Como as pessoas confundem conceitos...Criticam o socialismo e o comunismo e só conhecem o CAPITALISMO DE ESTADO, mas não sabem disso. Nunca tivemos uma experiência socialista, quem dirá comunista...Quantas vezes vou ter que dizer a mesma coisa? O CAPITALISMO DE ESTADO é o que aconteceu na ex-URSS, acontece na China, Cuba, Korea do Norte, etc. O capitalismo as pessoas conhecem bem. Ele é bom para quem? Para meia-dúzia de países. Quantos países existem no mundo? Já pensou se todos tivessem o nível de consumo que tem os EUA? Compreenda uma coisa, jovem. O que eu digo não se trata de ideologia. Não concordo com o TOTALITARISMO de nenhuma espécie. Sempre fui a favor da liberdade. Em todos os sentidos. Não concordo com ditaduras. Eu sou filho de uma ditadura de direita neste país. Nasci no dia 11/01/1965. Fui criado em plena ditadura militar. O que eu preconizo é uma mudança no modo de produzir do planeta e a extinção da política e do Estado. Fiquem tranquilos, o mundo voa pelos ares e não veremos tal fato acontecer. Por sermos humanos temos que resolver os nossos problemas. Não podemos continuar com esse consumismo exagerado, onde temos muito mais do que precisamos. O planeta não suporta tanta sangria de recursos naturais. Sem contar a ganância. A luta pelo poder. A destruição das florestas, dos mananciais de água doce, a poluição dos mares, a violência-para não dizer a barbárie-, pois já estamos em plena GUERRA CIVIL. O rico se defende como pode. Os pobres, além das dificuldades, estão à mercê dos bandidos. É a espécie humana que será extinta. Será que não dar para prever isso? É questão de tempo. Temo que já seja irreversível.

Pode ser até uma social-democracia; um socialismo moderado, desde que os Estados tenham a missão de colocar limites nesse consumo desenfreado. Todavia, isso deveria ser feito em nível planetário. Colocar um limite é a palavra de ordem. O planeta agradece. Como se faz isso, é difícil, porque demandaria uma consciência por parte das massas e dos líderes, que eles não têm. Não sei se terão um dia. A solução é a tecnologia. Ela deve estar a serviço de toda a Humanidade. E não apenas de uma minoria, para explorar e desempregar a maioria. Se ela estiver a serviço de todos, é a solução. O contrário não é verdadeiro. A auto-organização das pessoas sem a intervenção de nada. É claro que essa transição seria dolorosa e conflituosa. Mas as coisas não estão muito diferentes agora, estão? O que produzir? Bens necessários, sem exageros. Isso seria decidido por conselhos populares, com a participação de todos. Enfim, não tenho uma fórmula pronta. Mas, do jeito que está, não dá.

Nada de conceitos mofados, esclerosados e cristalizados, como, por exemplo, a "Ditadura do Proletariado". Isso jamais entraria na minha proposta. Tenho horror a esse discurso. Se queremos acabar com as classes sociais, vamos criar outra classe: a ditadura do proletariado? De jeito nenhum. Se não tiver outro jeito, contento-me com uma social-democracia. Com intervenção estatal e limite na produção e no consumo, para o bem do planeta. Haveria desigualdades sociais e econômicas, contudo, o povo teria cidadania plena. Para mim está razoável!

Sonhar não custa nada, não é mesmo? Isso é um sonho, um ideal. Diante, porém, da situação vigente e o alto grau de alienação das massas...Sinceramente, não acredito. Tomara que esteja equivocado. É com muita tristeza que vejo isso. Agora, procuro fazer isso nas salas-de-aula. Mas, na primeira oportunidade, vou abandonar também a educação. Não vale a pena. Espero não sentir muitas saudades, se é que ainda dar tempo de mudar...Sei lá...O futuro a ninguém pertence, ele foi inventado também para conformar as massas adormecidas e sonhadoras. Vai uns óculos cor-de-rosa, aí?

Texto: Marco Aurélio Machado

REFLEXÃO SOBRE A PSICANÁLISE!

Desde a minha adolescência, sempre tive uma certa curiosidade de saber um pouco mais sobre a Psicanálise e a ideia de inconsciente. Li há muitos e muitos anos textos de Freud e alguns livrinhos bem introdutórios. Na universidade, no curso de Filosofia, sempre víamos alguma coisa a respeito da Psicanálise. Entretanto, nunca me convenci de que um suposto inconsciente não seja totalmente contraditório de um ponto de vista lógico. Vejamos um pouco sobre este assunto, sem, contudo, termos a intenção de colocar um ponto final no debate.

Como o inconsciente pode recalcar, censurar ou reprimir o que não conhece? Se conhece, não pode ser o inconsciente, pois é consciente daquilo que recalca ou censura, certo? Se não conhece, como pode recalcar ou censurar, já que é inconsciente? Como se pode ver, tal tese do inconsciente, de um ponto de vista lógico, é contraditória. Não tem explicação plausível que me convença do contrário...

É como se existisse um outro ser dentro de mim que soubesse o que é melhor para mim. Mas se tal "ser" existe, ele se comporta de uma forma muito estranha, pois reprime o que, supostamente, conhece, mesmo sem conhecer, porque é inconsciente, mas ao mesmo tempo gera vários sintomas desagradáveis em todo o meu organismo, em nome de uma suposta tese de que o sujeito não aguentaria saber certas coisas sobre si mesmo. Ora, se já sabemos as possíveis causas de uma neurose, que não deve sair muito de um Complexo de Édipo e outros desejos humanos, por que haveria essa resistência? Além do mais, os diversos conceitos psicanalíticos são a priori. É como se existissem primeiro à espera de encarnar em alguém. Em última análise, tudo é sexo na psicanálise. Até parece que Freud tinha um pênis na mente. Se o sexo é o responsável pela vida, por que haveria tanto sofrimento psíquico em algo tão natural e bom?!

Eu até gostaria mesmo que ele existisse, assim, deixaria de ser o responsável pelos meus atos. Se algum dia matar alguém, não terá sido eu: foi o meu inconsciente que veio à tona e me fez virar um "bicho", um monstro irracional e irresponsável! O problema vai ser explicar à polícia e à Justiça... Pois é!

A mente humana é assunto que será estudado durante muitos e muitos anos. Partir da premissa de que o inconsciente existe é complicado...Eu não sou especialista em Psicanálise, daí o meu interesse, para que os psicanalistas explicassem as diversas teorias (eles não se entendem), pois assim ficaria mais claro para todos. A verdade é que a Psicanálise é muito subjetiva. Duvido que se eu fizesse um tratamento com dez psicanalistas de qualquer linha ( são muitas ) se, por acaso, eles chegariam às mesmas causas do meu sofrimento psíquico. Duvido.

A impressão que tenho (e que não posso provar) é que a religião inventou os demônios que nos atentam externamente, "soprando" nos nossos ouvidos o que deveríamos fazer, e a Psicanálise colocou esses demônios dentro da mente humana. O problema é que eleS não "sopraM" nada internamente, só causaM neuroses e todos tipos de desordens psicológicas, e ainda "acham" que nos protegem de coisas que não suportaríamos saber sem a ajuda de um assessor: o psicanalista.

O suposto inconsciente é uma espécie de "demônio bom", que por nos querer proteger, nos causa o mal: todos os sintomas físicos e psicológicos. E quem entende a linguagem dele? Os psicanalistas. Quem pode compreender tantas contradições lógicas?

É muito difícil compreender tal mecanismo. Se eu perdesse o sentido do tato, por exemplo, se por acaso tomasse uma pancada ou acontecesse algum acidente relacionado a essa área do meu cérebro, eu poderia fritar a minha mão na frigideira e não sentiria nada. Um fenômeno natural. Aconteceria o mesmo com o inconsciente, se eu sofresse algum acidente? Ele desaparecia? Em caso afirmativo, onde ele se localiza? Se não se localiza em lugar nenhum, como eu posso dizer que ele existe? Devemos pressupor uma entidade espiritual dentro do cérebro? Fora do cérebro? Mas Freud era um ateu... Chegamos, a meu ver, numa metafísica. Eu quero saber onde se encontra esse tal inconsciente, porque se ele não se localiza no cérebro, como explicar que os sintomas além de mentais são físicos? Não há uma dualidade psicofísica. Sem cérebro não teríamos nenhum sintoma: nem mental e nem físico. Um paradoxo, para dizer o mínimo...

De minha parte, se ficar doente, de um ponto de vista psicológico, não perderei o meu tempo com a Psicanálise. Por três motivos: 1º) Nunca me convenci de que a Psicanálise tenha a última palavra sobre o sofrimento psíquico; 2º) Parece-me um tratamento para uma elite, porque não conheço pobre que faça análise (deve ter, apenas não os conheço); 3º) O tratamento é extremamente demorado e caro. Na verdade, a Psicanálise é muito "chique", para pessoas "chiques".


TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

domingo, 1 de novembro de 2009

Filosofia - Metafísica X Ontologia Social

A metafísica/ontologia não deve ser vista apenas como a busca da essência das coisas, como pensavam os filósofos antigos e medievais. Quando refiro-me à questão ontológica, estou em busca daquilo que fundamenta o SER. O SER que pergunta por todos os outros seres e que tem consciência da própria existência. Quem é este ser? O homem. Contudo, não nascemos humanos. Tornamo-nos humanos através das relações sociais que estabelecemos com outros humanos. Ninguém filosofa sem produzir. Ninguém pensa com a barriguinha vazia. Negar a política é a condição "sine qua non" para salvarmos o planeta. Se isso é parecido com o Marxismo, para mim não é importante. Não estou preocupado com nenhum "ismos". Os homens podem se organizar para produzirem a sua subsistência material.

A existência do Estado é fundamental para quem domina. Podemos preconizar que o Estado não deve interferir na economia e que deve limitar-se às questões básicas. Contudo, o Estado político existiu, existe e sempre existirá para assegurar os privilégios da classe dominante. Afinal, quem tem o monopólio da força? Reafirmo, que apesar disso, uma filosofia dissociada da vida é muito boa para quem está satisfeito com a situação vigente.
Não tenho ilusões, mas o homem só pode ser homem, se for consciente de todas as dimensões da sua vida. Caso contrário, será alienado. Não devemos compreender a Filosofia como os filósofos gregos e medievais a preconizaram. Quem produzia naquela época? Não podemos nos dar esse luxo. Deixe o mundo ficar uma semana sem produzir... Seria o caos. O homem é igual na política-organização do Estado de direito-uma igualdade abstrata, mas onde ele produz a riqueza marerial, onde está a igualdade?


Se é uma ontologia marxista...não sei! A verdade é que nunca tivemos uma experiência nem socialista. Tivemos, no máximo, um Capitalismo de Estado. Vide Cuba e CIA. Daí a "ontonegatividade da politicidade", como dizia o meu ex-professor José Chasin. Negar a política, que nada mais é do que sinônimo de poder em suas várias vertentes, é importante para a humanização e a emancipação do homem.

Texto: Marco Aurélio Machado

Filosofia - Política - Brasil, mostre a sua cara

Brasil: MOSTRE A SUA CARA!

Este país precisa encontrar o caminho REPUBLICANO. Ter seriedade com a coisa pública. Avançar nas políticas sociais. Enfim, o Estado não pode continuar a ser esfera privada de políticos desonestos.

Na "democracia," se elege quem tem mais votos. Quantidade de votos não prova a qualidade de um político. Há que saber como esses votos foram "conquistados". Um homem que não aprendeu a dominar as suas paixões, o egoísmo e a ambição desenfreada, pode governar para o POVO? O escravo do dinheiro, do poder e das glórias não pode administrar nada, pois ele não consegue governar a própria vida.

Que diferença fará neste mundo se fui REI ou MENDIGO? A vala e os micróbios nivelam as pessoas. Tudo apodrece e, até onde eu sei, não há outra vida, e se houver, o dinheiro que se acumulou por aqui, não pode se levar para o outro lado. Para que tanta sede de poder, corrupção e tanto sofrimento para a própria pessoa? Sim, porque uma pessoa que desvia dinheiro publico, não é livre: É ESCRAVA dos seus apetites mundanos, dos aplausos, dos elogios, do fingimento e da hipocrisia alheia. Como é o sono dessas pessoas? É leve? É um pesadelo? Elas conseguem dormir? Dormem o sono dos justos? Ou será que usam os TARJAS PRETAS para dormirem? Triste...Muito triste tudo isso.

O que me deixa mais indignado é ver pessoas desonestas lerem versículos bíblicos, antes de uma sessão no LEGISLATIVO. Em nome de Deus, do SENHOR, as pessoas fazem as coisas mais terríveis. Mas a culpa, infelizmente, não é só dos maus políticos: é do povo também. Povo pacífico e ordeiro que costuma estufar o peito e dizer: "ELE ROUBA, MAS FAZ". Povo que quer sempre uma "ajudinha" de um político. Quanto custa essa "ajudinha"? Da próxima vez em que for votar, lembre-se, a responsabilidade é sua. O dinheiro é SEU. Onde ele será melhor aplicado? Na conta pessoal do candidato que lhe comprou o voto ou na CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS, HOSPITAIS, SANEAMENTO BÁSICO e outros programas sociais? A escolha é sua. Depois não reclame!!!

Texto: Marco Aurélio Machado

sábado, 31 de outubro de 2009

Filosofia - A arte de fazer perguntas

Infelizmente, para muitos, é a arte de chegar com as respostas prontas. O que é lamentável. Não há assunto que seja tabu em Filosofia. Contudo, muitos querem falar de realidade, verdade, essência, fenômenos, lógica dedutiva e indudiva, enfim, querem falar de assuntos complexos, como se estivéssemos filosofando como na época dos gregos. Confundem a palavra Filosofia com as diversas correntes da disciplina. Isso gera toda forma de equívocos. O problema é que muitas pessoas não sabem nem a etimologia da palavra.

Os conceitos em Filosofia são essenciais. Contudo, desde Kant, não há mais conceitos de Filosofia que ultrapassem o mundo dos fenômenos. Filosofar é ir à raiz das questões. Quem vai à raiz, muitas vezes, não encontra a paz. Pelo contrário. O problema é que achamos que a filosofia é única. Esquecemo-nos que existem várias correntes na Filosofia. Cada uma parte de um pressuposto diferente. Enfim, filosofar é fazer uma reflexão profunda sobre todos os aspectos do real. Todavia, vai depender muito da corrente filosófica que a pessoa segue. Se não fosse assim, a Filosofia já teria morrido há muito tempo. Cada resposta em filosofia se torna numa nova pergunta: infinitamente. É por isso, que cada vez que uma disciplina se separa da Filosofia, nasce uma Filosofia dessa disciplina. Outro dia estava lendo algo que me deixou intrigado: a Filosofia da BIOLOGIA. Não conhecia essa área.

Qual é o conceito de verdade que uma pessoa que se interessa pela Filosofia preconiza? É racional, lógica, rigorosa e de conjunto? De que corrente filosófica é o seu conceito de Filosofia? A verdade está no objeto? Está no sujeito? É uma relação sujeito-objeto? É práxis? É histórica? É uma convenção social das comunidades científicas e filosóficas? O que você acha?

É possível falar de um fato sem uma teoria que o sustente? O fato, em si, prova alguma coisa? Ou os fatos são feitos? Eu, particularmente, sigo o método científico. Ele é provisório, mas é o melhor que tem. Melhor, porque evolui. A Filosofia para mim é uma reflexão. É retomar o pensamento sobre si mesmo, para ver se há novas possibilidades. Contudo, essa porta não se fecha. Sempre há novas possibilidades.

Por exemplo, Hegel foi um gigante. Não sou especialista em Hegel, mas não gosto do Idealismo de jeito nenhum. Total inversão de mundo, a meu ver. Viaja nas idéias...
Hegel foi um gênio. Um grande filósofo, sem dúvida. Contudo, construiu um grande castelo de idéias sem relação com a realidade. Karl Marx, sim, usou a dialética nas entranhas do real. Foi à raiz ontológica do ser humano. Ou seja, só se é homem através das relações sociais de produção. Ninguém filosofa com a barriguinha vazia. Deixe o planeta ficar sem produzir durante um mês, para ver o que acontece!! Vou falar um pouquinho das várias concepções do conhecimento, resumidamente, para que possamos ter uma visão panorâmica do assunto.

Os filósofos gregos, de uma maneira geral, eram metafísicos. A realidade era racional e o homem, sendo racional, poderia extrair o conceito de dentro das coisas. Buscavam a essência das coisas no objeto. A pergunta era: como é possível o erro? De uma certa forma, essa maneira de filosofar passou pela Filosofia Medieval. Tanto é que os filósofos medievais buscavam provar a existência de Deus, da alma etc, através da razão. Deus dá a certeza-iluminação-, posteriomente, a razão confirma.

A partir da Filosofia Moderna essa concepção muda. René Descartes desloca a verdade para o sujeito. É o famoso "Cogito, ergo sum": "Penso, logo existo". A única certeza que tenho é que sou uma coisa pensante. Descartes duvidou até do próprio corpo. Mas, não poderia duvidar que existia: nem que fosse como uma coisa pensante. A pergunta é: como é possível a verdade? Passamos por Locke e Hume. Empiristas ingleses. Este último detonou com a metafísica e a própria razão. Tudo o que conhecemos não passa de hábitos e costumes da nossa mente. De um ponto de vista estritamente lógico-dizia ele-, não temos certeza nem que o sol nascerá amanhã. Não entrarei em detalhes. David Hume acordou Kant do seu sono dogmático. Resumindo: Kant questionou Hume e procurou fazer uma síntese entre o empirismo e o racionalismo. O chamado CRITICISMO. Para fundamentar a física, acabou com a metafísica. Em última análise, é o sujeito quem constrói o conhecimento. Só podemos conhecer o mundo fenomenal, ou seja, aquilo que está no espaço e no tempo. Kant abre o caminho para o agnosticismo.

Com Edmund Husserl aparece a FENOMENOLOGIA. Em síntese: toda consciência é intencional, ou seja, toda consciência tende para um objeto. E todo objeto só existe para uma consciência. Não existe a coisa em si ( o númeno) kantiana.

A práxis é um conceito de que todo conhecimento é uma relação dialética entre teoria e prática. Uma aperfeiçoa à outra. O marxismo preconiza essa forma de pensar. Incluindo a idéia de uma verdade histórica, portanto, relativa.

O conhecimento como convenção social é um acordo entre os especialistas sobre o que é verdadeiro. A verdade é uma convenção social. Temos outras, mas fico por aqui. Espero ter contribuído!

Texto: Marco Aurélio Machado

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

IDEOLOGIA E ALIENAÇÃO NA EDUCAÇÃO

Infelizmente, muitas pessoas de boa vontade, inclusive professores, não têm noção de que fazem parte de um esquema ideológico para vender ilusões. O esquema ideológico, atualmente, é a educação. Vende-se a idéia de que com a educação se resolverá todos os problemas. E com isso vem a caça as bruxas. Tem-se sempre que arrumar um bode expiatório. E pessoas alienadas, que não têm consciência de classe, acabam por pensar como se fossem as elites. Não percebem o quão são manipuladas e não se dão conta que defendem interesses, principalmente, de uma classe que deveriam combater.

Hoje, a ideologia é a educação, e os professores são os bodes expiatórios. Sempre foi assim. Quando essa idéia tiver desgastada, vende-se uma outra idéia. O rebanho, para variar, continuará comprando. Queria ter nascido um jumento. Comeria o meu capim e seria mais feliz!

Bom, se estou dizendo isso, é porque este assunto já foi debatido à exaustão. E os atores são sempre os mesmos. Se os "críticos" tiverem uma visão apenas voluntarista e moralista da educação, então, quem está dentro da realidade educacional acaba perdendo o seu tempo. Conversa-se com vários de leigos que não têm noção do que é uma sala-de-aula. Não se discute idéias, debate-se pirraças, geralmente de pessoas frustradas que querem detonar quem tem experiência. Quem sabe o que é a educação é quem lida com ela, não é mesmo? Não em gabinetes, mas dando "duro" dentro de uma sala-de-aula!!

Eu gostaria de ver se daqui a alguns anos os leigos continuarão com esse discurso. Os leigos não sofrem ameaças; não tomam cadeiradas de alunos como eu já vi acontecer com alguns colegas. Leigos, façam licenciatura e vão lecionar!!! As escolas precisam de quem preconiza soluções milagrosas, mas, também, pega no batente mesmo, não precisam apenas de idiotas que ficam a prescrever receitas como se fossem fazer um bolo de chocolate.

O problema da educação também é ontológico. Começa no modo de produção. Não é um discurso marxista. Enquanto olharmos a educação de um ponto de vista voluntarista e moralista, não se resolverá nada. E isso pode levar centenas de anos.

Os professores são mal formados, porque não há nenhuma preocupação de fato para melhorar o ensino. A violência acontece, porque a tecnologia capitalista está a serviço de uma classe, para explorar a maioria. Gerando desemprego, miséria, fome e demais mazelas.

O que faz a ideologia? Inverte a realidade. Desvia o foco para questões morais e voluntaristas. E nós, por sermos alienados, não percebemos a manipulação. A violência não é gratuita. Ela é fruto de um modo de produção perverso que transforma pessoas em objetos descartáveis.

Não há solução neste modo de produção. A não ser a destruição completa do planeta. Sempre aparece um discurso novo. E nós o compramos. Defendemos tais discursos como se fizéssemos parte das mesmas elites que nos explora. As elites vão mostrar a raiz do problema? Os meios de comunicação, que fazem parte das elites e dominam as massas através da ideologia, vão mostrar a raiz? Não! Se não compreendermos a causa do problema, atacaremos sempre os efeitos e pensaremos que os mesmos são as causas. A ideologia tem esse papel. Inverter toda a realidade. O que é uma questão social, econômica e política, mostra como se fosse um problema natural.

Se todos nós parássemos de ler filósofos idealistas e lêssemos e entendêssemos a ideologia e a alienação em profundidade, veríamos as causas dos problemas. Mas, não. Compramos os discursos e os defendemos com orgulho. Queria ser um jumento. Comeria o meu capim e seria mais feliz!(2).


Texto: Marco Aurélio Machado

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

REFLEXÃO FILOSÓFICA SOBRE O AMOR E A PAIXÃO!

O amor é uma ação sem motivo e que não depende do pensamento e nem do sentimento. Se uma pessoa for capaz de amar um único ser neste mundo, amará todo o UNIVERSO. O amor é incondicional; não exige reciprocidade.

Ainda quero encontrar uma só pessoa capaz de amar. Só uma. Mais: fazer o bem neste mundo para querer ganhar mais no PARAÍSO, não é amor. O amor não pode ser meio para coisa alguma, ele foi, é, e sempre será um fim em si mesmo. Quem ama de verdade? Não sei. Nunca conheci ninguém com essa capacidade.

Uma ação dedicada ao próximo tem que ser isenta de querer ganhar um lugar ao lado de Deus. Se quero ganhar, em última análise, amo de verdade? Sou capaz de me sentir UM com o UNIVERSO? Há amor quando digo EU? Posso desfrutar sem querer ser o dono? Difícil, meu caro. Ainda não encontrei o dito(a) cujo(o) que ama. Quem sabe um dia...

Quem busca, acha? Como buscar o que não se conhece? O amor pode ser representado por conceitos? Quem busca, por acaso, não deseja? Quem deseja, não quer satisfazer o desejo? Quem quer satisfazer o desejo, não quer ganhar? Quem quer ganhar, não é egoísta? Quem é egoísta, ama? Como já dizia Krishnamurti:"Se pego o vento, foi mesmo o vento que peguei"?



Para fazer uma analogia: ALGUÉM pergunta às crianças quando brincam, se elas são felizes? Se perguntasse e elas parassem de brincar para responder tal pergunta, elas saberiam dizer? Se soubessem dizer, a representação conceitual seria o mesmo que a felicidade em ato? As crianças são felizes em ato; são inocentes, e mesmo quando "brigam", daí a pouco estão brincando novamente. O que faz um adulto ao ver tal fato? Diz que elas não têm vergonha na cara, pois brigam e daí a pouco estão brincando. Mas quem de fato gera o ódio e a falta de amor no mundo? Por acaso, não são os adultos que ficam ressentidos, magoados e vingativos?

Se fôssemos tais quais as crianças saberíamos o que é o amor; seríamos inocentes, faríamos perguntas inocentes e puras. Mesmo quando brigássemos, logo faríamos as pazes. Teríamos um AMOR em ato. A meu ver, a única forma de amar. Se eu continuo com a idéia de separação, de não ser UM com o Universo, nunca serei capaz de amar verdadeiramente. Eu penso assim, por isso, ainda não encontrei um ser humano capaz de amar. Pode ser que um dia ainda o encontre. Quem sabe...

Quantos dizem ser espiritualistas, amorosos, altruístas, generosos e magnânimos, contudo, na primeira crítica que se faz a tais pessoas, dizem que partimos para o AD HOMINEM, que somos desonestos, colocam o nosso caráter em dúvida, manipulam os incautos com retóricas baratas, enfim, aqueles que mais falam a respeito do amor, da fraternidade e da solidariedade, muitas vezes são os que menos as têm. Daí a importância de não levarmos as comunidades virtuais muito a sério. Podemos "brigar" via Orkut, mas só podemos saber quem é uma pessoa de fato, no convívio social. As atitudes devem ser avaliadas pessoalmente; olhando nos olhos. As nossas atitudes devem confirmar o nosso discurso e não o contrário. Muitas pessoas no Orkut ficariam envergonhadas ao conhecer alguns seres humanos pessoalmente.

Os maiores pilantras e golpistas que têm por aí são DOCES e refinados que é uma "beleza". Quando se pensa que não, já se perdeu tudo para eles. Bens materiais, nesses casos, são o que têm menos valor: a nossa honra e dignidade são os nossos maiores patrimônios.

Para mim o amor está naquele nível que eu coloquei. Há outros sentimentos menos nobres, tal como uma paixão de tirar o fôlego, o carinho, o afeto, a amizade, mas todos eles, a meu ver, não são incondicionais, como é o caso do AMOR. É justamente isso que estamos tentando definir: O QUE É O TAL AMOR? Se eu não sei do que estou falando, como posso me exprimir? Eis a questão. Não é tão simples, aliás, nada em Filosofia é óbvio. A meu ver, não conheço nenhum ser humano capaz de amar no nível que me expressei. Ninguém.

Diante de um amigo numa situação difícil posso oferecer a minha solidariedade, apoio, etc., mas penso que isso está muito longe do tal amor.

Quantas vezes eu já vi alguém dizer que morria de amor por uma pessoa e na primeira oportunidade, se separava... Se o amor acaba, por acaso algum dia foi realmente amor? Eu penso que não. Todavia, por convenção social usamos a palavra amor como se fosse uma palavra qualquer. A minha visão do amor é muito ampla. Ela está relacionada com todos os seres, portanto, não é direcionada a uma pessoa, situação, ou objeto. É ser um com o UNIVERSO. É perder a sensação que temos uma individualidade, um EU separado. É ser um com o UNIVERSO sem a necessidade de um DEUS. Mais: só assim, a meu ver, haveria o amor, pois seria capaz de agir sem esperar nada em troca e sem querer uma vaguinha no céu. Daí a importância de não se colocar uma religião ou DEUS nessa história. O amor é um fim em si mesmo, não pode ser um meio para que eu ame, no íntimo, só o meu umbigo.

Não posso amar como se fosse um jogador de futebol. Beija o escudo de um clube e no outro dia está jurando amor a outro clube, e, assim, até encerrar a carreira...

Um amor direcionado apenas ao outro, na verdade, não é amor, senão vejamos a seguinte situação: suponha que eu "ame" uma pessoa, mas ela não deseja ficar mais comigo. Eu insisto, insisto, peço mais uma chance e a pessoa cede. Eu resolvi o meu problema, mas a pessoa que eu "amo" está triste ao meu lado. Isto é amor? Nunca, pois na verdade eu amo só a mim mesmo; sou um tremendo egoísta, porque por não querer sofrer, faço o outro sofrer, já que a pessoa não deseja mais ficar comigo. Eu gosto de quem na verdade? Gosto de mim, nada mais. É o EU elevado ao simples MEU. Se amasse de fato essa pessoa, a liberaria, mesmo que eu sofresse. Mais: desejaria que ela refizesse a vida e fosse feliz. Quantos são capazes de fazer isto? Poucos. Eu ainda não os conheci.

Agora e se a situação fosse esta: se eu quisesse terminar o relacionamento e a pessoa chegasse antes e terminasse, eu, por acaso, não ficaria feliz? Afinal, eu já queria terminar e a pessoa nem me deu tal trabalho. Mais uma vez eu estou pensando em quem? Em mim, é claro, estarei livre e sem desgaste. Simples! Somos iguais aos sapos: EU, EU, EU, EU, EU, EU, EU, EU. Cadê o outro? Existe como satisfação para meu EGO. E ainda falam sobre o amor.

Eu penso que o amor seja o que escrevi acima, contudo, para mim, tal amor é amor de "anjo". Como não acredito em anjos  nem nos demônios, ficarei com um amor humano e tão somente humano. O que não pode faltar é tesão. O que resto se resolve!!
Texto: Marco Aurélio Machado

terça-feira, 27 de outubro de 2009

SOLIDARIEDADE EGOÍSTA!

Há algum tempo tenho pensado neste conceito e, provavelmente, alguém também já deve ter refletido sobre ele: SOLIDARIEDADE EGOÍSTA. Algumas pessoas ficaram chocadas com o oximoro. Infelizmente, como a maioria das pessoas não pode ser solidárias fraternalmente, por causa da ganância e ambição de acumulação cada vez maior da riqueza, o jeito é ser um solidário egoísta. Em outras palavras, deve-se ser solidário, não pensando em ajudar ao próximo como um fim em si mesmo, mas como meio de ajudar a si mesmo. Com a ajuda ao próximo, as pessoas estarão, em última análise, ajudando a si mesmas, pois faz-se o bem para não ser vítima do efeito colaterol do mal daqueles que não têm nada a perder...

O sistema molda o indivíduo. As pessoas são condicionadas iguais aos animais e não percebem isso. O sistema capitalista só sobrevive com a reação automática para o consumismo, a inveja, o egoísmo, a ganância, etc. Não somos assim. Aprendemos a ser assim. Sem isso não há capitalismo. Como falar de fraternidade, cooperação, ética na política, se o próprio sistema preconiza a disputa e a concorrência? Por outro lado, não preconizo um capitalismo estatal e ditatorial, que muitos chamam de "socialismo". O Estado não deve ser onipresente e nem invisível. Se o mundo caminhasse para uma social-democracia...Sonhar não custa nada!

Por isso reafirmo. A base de tudo está no modo de produção. A mudança de todos os demais valores passa por uma mudança no modo de produção. O discurso é repetitivo, mas se as pessoas não pararem para refletir sobre isso radicalmente, não há luz no horizonte. Se conseguirmos avançar um pouco em direção a uma social-democracia, já será um grande feito. Os exemplos da Noruega, Dinamarca, Suécia e Finlândia demonstram cabalmente que é possível fazer diferente. Todavia, uma caminhada de 100 KM só é possível quando se dá o primeiro passo.

Só não reconhece isso as pessoas de direita e que tem um compromisso com o status quo. Mas esses estarão presos em gaiolas de ouro. Pior para todos nós.

Vejam os exemplos dos países nórdicos: Noruega, Dinamarca e Suécia. A social-democracia desses países não seria uma prova inconteste de solidariedade egoísta? Quem dera se tivéssemos pelo menos isso, hein? Aqui, só temos ganância e egoísmo puro.

No capitalistamo selvagem, tudo o que não é dinheiro é feio. Estou pensando numa política de bem-estar-social promovida pelo Estado. Mas enquanto não houver pressão por parte do povo, ou se ajuda, ou se aguenta as consequências de uma distribuição de renda à força. A questão é prática. Fica aí um assunto para se fazer uma reflexão, afinal, é paradoxal falar em liberdade no atual sistema, visto que a realidade nos mostra câmeras e cercas elétricas por todos os lados. Gaiolas de ouro? Pois é...


Texto: Marco Aurélio Machado

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

PODER POLÍTICO, IDEOLOGIA E ALIENAÇÃO!

O discurso perverso de que o pobre é, em última análise, o responsável pela sua própria desgraça e mazelas, não passa de ideologia e alienação de quem não compreende de fato a realidade. No Brasil, não foi a sociedade quem fundou o Estado, mas o inverso.

Quem está com a barriguinha cheia e mora na ZONA SUL, pode ficar teorizando sobre as dificuldades e ignorância das massas à vontade. Filosofar no ar-condicionado é a coisa mais fácil que tem. Que tal se preconizássemos pelo menos uma social-democracia neste país? Onde o Estado tivesse uma presença mais forte e cobrasse mais impostos dos ricos?

Por que na esfera política existe o revezamento no poder e na esfera da economia, onde os bens são produzidos por todos, mas geram riquezas para poucos, os bens são transmitidos de forma hereditária? Quase sempre, quem herda uma fortuna que não ajudou a produzir, são os "filhinhos de papai e mamãe", que não sabem fritar um ovo.

Em outras palavras, temos uma democracia de fachada, onde há igualdade num plano abstrato, ou seja, no papel e nas leis. E onde o homem produz a riqueza material, uma desigualdade, de fato. E o que é pior: transferência hereditária, como se estivéssemos em plena monarquia absoluta. Nessa hora ninguém fala de liberalismo. Será por quê?

Evidentemente, não estou dizendo que a família que tenha uma casa e bens até o valor de R$ 2.000.000,00, por exemplo, não deveria transmitir para os filhos. Mas, para quem nunca trabalhou, só ficou estudando e de papo para o ar, herdar mais de R$1.000.000,00, só para si, é ético, quando se têm tantos miseráveis? Até que ponto, toda essa violência não é distribuição de renda à força?

Não preconizo a violência. Mas, não podemos fingir que as elites hipócritas não são responsáveis por essa situação. E nós também, porque vemos o circo pegar fogo e aplaudimos os ricos, porque queremos ser ricos, visto não percebemos a ideologia implícita no discurso deles. O problema é que absorvemos valores que não são nossos e os defendemos como se fossem. Por quê? Porque somos alienados. Não temos consciência de classe e colocamos tudo nas "mãos de Deus".

Para não dizerem que sou intolerante e radical, aceito uma social-democracia tupiniquim: melhor distribuição de renda, habitação, saúde e educação de boa qualidade para todos. É pedir muito?


Texto: Marco Aurélio Machado

sábado, 24 de outubro de 2009

EXISTÊNCIA HUMANA E ANGÚSTIA!

O homem, sem dúvida, é um ser especial. Através da linguagem é capaz de transcender o mundo e buscar o infinito. Por isso, o mundo humano é do tamanho do nosso vocabulário. Não existe, para o homem, um mundo pronto e acabado, mas um mundo a ser construído. O problema é que essa construção é bem diferente do trabalho de um pedreiro que constrói uma casa, um muro, uma ponte...

O projeto humano é finito e ao mesmo tempo infinito. Finito, porque o homem é um ser mortal. Infinito, porque através da linguagem, ele transcende o espaço e o tempo. Assim, vive a angústia de ser e ao mesmo tempo de não-ser, porque a morte bate à sua porta desde o primeiro dia, desde a primeira lágrima que lhe escorreu no rosto...Não há certezas, só perguntas. A morte chegará e o dilema humano continuará. Até quando? Não sei. Ninguém sabe e talvez nunca saberá...

Texto: Marco Aurélio Machado

ARISTÓTELES E OS LIMITES DA RAZÃO MODERNA!

Aristóteles, a meu ver, foi o maior filósofo de todos os tempos. Sempre fiquei extasiado diante de tamanha inteligência. Impressionante! Por mais brilhante que ele seja, entretanto, o Deus dele é ATO PURO. O princípio motor, que move todas as coisas, mas não é movido por nenhuma. Contudo, o Deus de Aristóteles não interfere no mundo, apenas o coloca em movimento.

Além do mais, Aristóteles não dispunha dos equipamentos de que dispomos hoje para podermos conhecer o Universo e propor leis estritamente naturais. Para explicar os conceitos de movimento, potência e ato e a sua noção teleológica, ele teve que recorrer a um primeiro motor. Mas ele não colocou o problema de quem causou o primeiro motor e assim ad infinitum. Como escapar do desafio cético em tal situação? O povo grego acreditava que o mundo não fora criado, era eterno. Aristóteles não deixa de ser o gigante dos gigantes por causa disso. Penso que ainda está para nascer um filósofo tão brilhante...

Todavia, na época contemporânea, querer explicar a existência de Deus através de conceitos aristotélicos, não dá. De onde o homem tira os conceitos de onipotência, onisciência, onipresença, eternidade, infinito, imortalidade, perfeição e tantos outros, a não ser da experiência humana, quando ele percebe que não tem nenhum dos atributos acima citados?

Ele inventa esses conceitos, porque, simplesmente, é diferente em tudo com relação aos mesmos. Como quer proteção e se sentir seguro, projeta um ser a sua imagem e semelhança no céu. São muletas sobrenaturais. Criadas a partir da experiência humana, que é finita, temporal, mortal, ignorante, ocupa um espaço por vez, pode muito pouco e é imperfeito. Não é porque qualquer autoridade em filosofia disse que o homem é isso ou aquilo, que vamos engolir como se fossem verdades absolutas. Penso que o conhecimento deve se ater aos fenômenos naturais. O resto são acrobacias que violentam a lógica e o bom senso. Simples!

Texto: Marco Aurélio Machado

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

OS SOFISTAS, SÓCRATES, PLATÃO E A EDUCAÇÃO!

Vou escrever umas idéias que vieram à mente a respeito da educação no Ocidente, para tentar desvelar (tirar o véu) sobre os "responsáveis" por uma visão tão romântica da educação, que ainda paira sobre a sociedade OCIDENTAL. Professor, principalmente no Brasil, deveria ter um corpo de luz, afinal, para que precisam de dinheiro?

Sócrates, Platão e Aristóteles, a meu ver, são os responsáveis por uma visão deformada dos professores. Sócrates não cobrava para ensinar e criticava os SOFISTAS(PROFESSORES DE FILOSOFIA E RETÓRICA, AMBULANTES, E QUE COBRAVAM CARO PARA ENSINAR). Sócrates preferia viver de "esmolas", mas achava que "o saber não se vende".

Todavia, foi Platão-sempre o tal Platão, o filósofo mais reacionário e "cascateiro" da História da Filosofia-o responsável por essa visão tão romântica da educação. Platão criticava os SOFISTAS violentamente. Para Platão, os sofistas não mereciam respeito, porque cobravam para lecionar. O saber não deve ser vendido, segundo ele.

Quem era Platão? Era um nobre e, portanto, muito rico. A riqueza da sua família era baseada em terras...muitas terras. Ele não precisava trabalhar para sobreviver. Tinha tudo do bom e do melhor. Platão tinha horror a tudo o que era material, entretanto, nunca abriu mão do conforto, inclusive, não gostava das massas, tanto é assim que tinha a sua ACADEMIA, lugar frequentado por gente escolhida a dedo. Logo, dessa forma era fácil criticar os sofistas, porque podia se dar ao luxo de ficar "filosofando" o tempo todo e sem compromisso com a luta pela sobrevivência.

Os sofistas cobravam e caro para lecionar. "Vendiam" o conhecimento, porque era a única forma que tinham para sobreviver. Não poderiam se alimentar de LUZ. Quando a fome aperta, não são ideias e conceitos que ingerimos, não é mesmo?

Infelizmente, foi essa visão romântica que chegou a nós. O professor é visto como alguém que já nasce com o dom, o talento para ensinar. Ele tem que ser o exemplo, o timoneiro, o FIAT LUX da educação. O problema é que o nosso sistema é o capitalista.

Platão vivia numa sociedade escravagista. Os SOFISTAS cobravam caro de quem podia pagar. Os sofistas não tinham horror ao povo como era o caso de Platão. Numa sociedade "democrática", como era a Atenas da época, Platão ficava incomodado com os SOFISTAS, afinal de contas, ele era um ARISTOCRATA. Olhe a luta de classe mais uma vez presente aí.

A visão platônica da educação ainda permanece viva entre nós, mesmo que não saibamos disso. Platão fez prevalecer uma visão negativa dos SOFISTAS. Etimologicamente, a palavra sofista estava relacionada à sabedoria. Com Platão, ela ganhou o significado pejorativo de coisa falsa, ilusória. Daí o tão decantado SOFISMA, OU RACIOCÍNIO FALSO.

De quem é a culpa dessa tragédia? De Platão. A mesma culpa que temos pelos nossos desejos e tudo o que se relaciona com o corpo, vêm das teorias idealistas de Platão. Ele inverteu o mundo. Já não é o modo de produção quem determina nossas ideias. É o MUNDO DAS IDÉIAS o modelo para o mundo material.

Pois eu prefiro comer uma maça "bichada" do mundo material a uma maçã perfeita do Mundo das Idéias. Aquela "forra" a minha fome, esta enche a minha mente de ilusões. Platão foi genial, mas foi o responsável por essa maneira idealista de concebermos o real.

Conclusão: os sofistas precisavam trabalhar e, por isso, cobravam dos filhos abastados. Platão era rico e não precisava trabalhar, logo, podia fazer metafísica, buscar a "essência" numa outra dimensão!! Os professores vivem e sobrevivem NUMA SOCIEDADE CAPITALISTA (CAPETALISTA TAMBÉM). Estudaram muito para fazer um curso superior. Precisam ser valorizados, não apenas com elogios, mas também com dinheiro.

Não precisa ter o salário de um prefeito, governador, presidente e demais políticos, mas deveriam ganhar muito bem. Afinal, não se nasce com talento. Isso é mais uma ideia errônea platônica e aristotélica. Não há POTÊNCIA para ser desenvolvida e transformada em ato. Há, sim, empenho e horas e mais horas para desenvolver o "TALENTO".

Salário mínimo para os políticos!! QUE TAL?
Texto: Marco Aurélio Machado

O SÁBIO



Todas às vezes que leio ou escrevo esta palavra (sábio), eu me lembro do(a) personagem do AUTODIDATA, DO LIVRO A NÁUSEA, DE JEAN PAUL SARTRE. LIA TODOS OS LIVROS DA BIBLIOTECA EM ORDEM ALFABÉTICA, MAS ERA CONSIDERADO UM TOLO. O ideal é reunir todas as qualidades em uma pessoa só. Infelizmente, a palavra ideal nos dá um recado direto: IDEAL, aquilo que só existe na imaginação, que é perfeito no plano das idéias.

A erudição quase sempre está relacionada à teoria, uma espécie de "enciclopédia humana". Uma pessoa sábia, a meu ver, é aquela que nem sempre é erudita, entretanto, é capaz de contemplar o real como se fosse uma floresta, de uma perspectiva ampla. Sabe fazer perguntas complexas e profundas, usando conceitos e definições simples. Não é necessariamente humilde, nem é arrogante, apesar de muitos o considerarem assim. Não necessita de aprovação e nem deseja aplausos. Tem convicção e não se deixa persuadir facilmente, contudo, muitos o consideram teimoso. Assume a responsabilidade pelos seus atos, tendo, portanto, autonomia. Autônomo é o sujeito que dá a si mesmo a lei. É comandado de dentro e por isso é uma pessoa livre. Enfrenta os desafios que aparecem e mata a esperança (quem espera nunca alcança) todos os dias, contudo, sabe qual é o melhor momento para agir. Essa espera, entretanto, é relativa, pois se ela não acontece, ele a faz acontecer, quando tal atitude depende mais dele que dos outros.

O sábio compreende que o nascimento de um ser humano é puro acaso, porque, entre no mínimo 300.000.000 de espermatozóides, chegou primeiro. Assim, percebe o quão é importante ter nascido e por isso faz a diferença onde quer que esteja. Uma pessoa sábia tem defeitos como qualquer ser humano, afinal não é um deus e nem conta com ajuda sobrenatural. Contenta-se com a natureza e com a finitude aparente da vida.

O sábio observa com perspicácia o cotidiano e tira lições da vida como poucos. Ele sabe que os que o julgam, fazem-no a partir dos próprios valores, por isso são suspeitos. Nesse sentido, não se abala com as críticas. Para ele, "o tempo é o senhor da razão". O sábio sabe que são os nossos atos quem diz o que somos e não as nossas palavras, por mais belas que sejam. Conhece a pessoa olhando-a nos olhos. Ele passa a impressão de que faz uma "radiografia da alma". Um sábio desperta a inveja dos medíocres e dos amantes do poder, porém, conhece o inimigo como poucos. O sábio conhece "O PULO DO GATO", mas quase sempre é vítima das "serpentes".

Texto: Marco Aurélio Machado

QUAIS SÃO OS MITOS CONTEMPORÂNEOS?

Quando se fala em mitologia e mito, principalmente, os antigos, as pessoas acham graça e riem da "ingenuidade" dos mesmos. Não percebem que os mitos são representações simbólicas importantíssimas, diante de um mundo desconhecido e que, necessita, portanto, ser explicado e estruturado para dar sentido e significado à vida das pessoas. A função do mito é a de inventar um mundo imaginário, simbólico e mágico cuja finalidade é contribuir para o equilíbrio psicológico e emocional do homem diante de uma natureza desconhecida, misteriosa e hostil. No mito não se questiona nada, e quem ousasse, seria considerado louco e a pessoa poderia ser punida com a própria morte. O mito, neste sentido, é uma "verdade" absoluta. No mito tudo é considerado sobrenatural e sagrado. E hoje em dia? Quais são os mitos da nossa sociedade contemporânea, que dão sentido e significado à vida das pessoas? São muitos. A diferença é que os mitos antigos davam um sentido existencial à vida das pessoas; os da nossa época, esvaziam o sentido, num beco sem saída. No primeiro, temos o preenchimento existencial essencial à vida dos primitivos, no segundo, temos um abismo profundo e infinito, pois os "deuses" morrem da noite para o dia. A mídia fabrica e descarta. O que importa é ter, mesmo que a posse seja despossuída no dia seguinte! Pois é...

Há alguns significados para a palavra mito. Um deles é o que está relacionado ao primeiro contato que o ser humano tem com o mundo. É a cosmogonia; os relatos míticos sobre a criação do mundo e de tudo o que há nele. Um outro sentido, é a admiração, o encanto, a idolatria que fazem de seres humanos, deuses. Por exemplo: The Beatles é a maior banda de rock de todos os tempos. Michael Jackson é o rei da música pop. Elvis Presley é o rei do rock. Pelé é o rei do futebol. E como esquecer as "celebridades" fabricadas pela mídia? Um terceiro significado é o mito como explicação do senso comum, portanto, popular. Ex: não se pode chupar manga e tomar leite. Não se deve alimentar e tomar banho, pois PODE-SE MORRER, a crença que os astros determinam o nosso caráter e destino, entre outras crendices populares. Mas os mitos são muito mais ricos...

Além dos mitos citados, temos: o celular, o computador, o carro, o sonho de ser famoso, a ilusão de felicidade eterna no casamento, o reconhecimento profissional, a vontade de ter muito dinheiro, o desejo de ser imortal e especial aos "olhos" de (Deus)ses. Esses são os pequenos DEUSES do nosso mundo. Quantos de nós vivemos sem o celular e o computador? Mas o pior de todos os deuses: o ideal de beleza e juventude da nossa sociedade narcisista, e que faz tudo se tornar obsoleto da noite para o dia. Até mesmo em relação aos seres humanos. Tudo o que não é novo, é descartável. É por isso que o encontro autêntico, verdadeiro, está cada vez mais difícil. Afora, as paixões nos esportes: transformamos seres humanos de carne e osso em DEUSES( ÍDOLOS). Dá-se facadas, pauladas e tiros por causa de uma paixão esportiva. Mormente, o futebol. E há pessoas que riem dos mitos antigos. O pensamento mágico está muito presente em nossas vidas. Outro dia estava vendo um idiota, ex-integrante do(BIG BROTHER - a mediocridade coletiva), num shopping, e uma multidão querendo tocá-lo e tirando fotos. E isso num centro de classe média-alta, hein!! Isso só confirma que a massa letrada também é alienada e precisa produzir os seus DEUSES humanos, idiotas e medíocres. Evidentemente, que este será mais um "deus" que morrerá ainda em vida. Será uma espécie de zumbi à procura de algum reconhecimento na rua...Mais um candidato à depressão. Que dureza, hein?! OBS: Vi o tal sujeito no JORNAL HOJE, DA REDE GLOBO.

O vazio mental e existencial é preenchido com o consumo artificial, desnecessário, porque fazemos dos próprios objetos, deuses. O consumo passa a ser desnecessário e, portanto, alienado. O cartão de crédito ( que na verdade é de débito, pois crédito é o quem entra no "bolso" e não o que sai) gera uma ilusão de que não se está comprando de fato, porque o dinheiro é de plástico. Todavia, tal "realidade" é logo desmentida pela fatura que chega ao final do mês. Esse tipo de consumo é terrível, porque a pessoa costuma se arrepender ao sair da loja. Mas a sensação de preenchimento existencial é logo superada por um abismo mais profundo e que será preenchido com novas compras. Vira um círculo vicioso. Compramos livros, DVDs, roupas, bebidas, que quase sempre serão esquecidos numa prateleira. Ou seja, não serão "consumidos", pois a maioria já não está na "moda". Enfim, é a alienação total!!


Talvez seja por isso que os alienados costumam dizer que a Filosofia não serve para nada! Tal afirmação não seria, por acaso, mais um mito fabricado pelos "deuses de araque" do nosso mundo vazio de sentido? Quem sabe a "deusa" RAZÃO não é o que falta na vida de todos nós? Pois é...



Texto: Marco Aurélio Machado

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

FILOSOFIA DA CIÊNCIA

Filosofia é reflexão. Sendo reflexão, nada escapa. E as diversas ciências não poderiam ficar de fora da reflexão filosófica. É a retomada do pensamento sobre si mesmo, para abrir novas possibilidades. É questionar o esclerosado, o mofado, o cristalizado pelos usos e costumes. É refletir sobre a floresta e não sobre a árvore. O especialista que enxerga muito bem uma árvore, saberá tanto dela, até saber tudo de nada.

O papel da Filosofia é fazer perguntas mesmo. É incomodar; é tirar o chão e colocar areia movediça; é empurrar no abismo, quem tem verdades prontas e acabadas; é espantar-se e admirar-se com o mundo, como se fosse a primeira vez que o tivesse vendo. É colocar as questões mais superficiais, na verdade mais complexas, mas o tolo acha que é superficial. O problema, a meu ver, é que muitas pessoas leram algumas páginas de HISTÓRIA DA FILOSOFIA E PENSAM QUE A COMPREENDEM.

Quem começa com conclusões em qualquer área, é um assassino da Filosofia. E quem pensa que a ciência explica tudo, não compreendeu que a ciência é provisória. E que um pequeno e insignificante fato pode jogar toda uma teoria científica ao chão. Quem acha que a ciência tem a última palavra para tudo, deixou de ser cientista e tornou-se mais um religioso. Não existe nenhum fato científico sem uma teoria a priori que o sustente.

O cientista fala de um fato? O filósofo pergunta:"O que é um fato"? O cientista fala de uma lei. O filósofo pergunta:"O que é uma lei"? O cientista fala em seguir um método. O filósofo pergunta:"O que é um método"? E assim por diante. O que é um fato? Newton "viu" a lei da gravidade? Não! Os "fatos" nos mostram o sol girando em volta da Terra, mas todos sabemos que isso não é a verdade. Acontece justamente o contrário. E quantas pessoas e durante quanto tempo acreditaram que a Terra era o centro do Universo? Pois é! Chega a ser engraçado, pois partimos do que não vemos para explicar o que vemos. Não é à toa que o filósofo escocês, David Hume, já nos alertava para o papel importante da imaginação na esfera do conhecimento.

Contudo, foi o filósofo grego, Demócrito, que nasceu bem antes de Cristo, a meu ver, um dos mais brilhantes pensadores da teoria atômica e que corrobora o papel da imaginação e do raciocínio, para postular uma das maiores "verdades" da Ciência de todos os tempos. Através de pequenas partículas de poeira, numa fresta de luz solar, que entrava pela janela ou porta (há controvérsias), ele foi capaz de "imaginar" a existência do átomo, ou seja, partícula minúscula que constitui o mundo material. Evidentemente, com novos recursos tecnológicos foi possível ampliar a sua brilhante teoria. Fantástico!!!

Cadê os fatos? Outro exemplo banal. Um detetive se depara com uma mulher morta no meio da rua. A MULHER MORTA É O FATO. ELE EXPLICOU ALGUMA COISA? O FATO NÃO EXPLICA COISA NENHUMA. ELE APENAS CONSTATA. NO CASO, A MORTE DA MULHER. Para se descobrir tudo a respeito da morte da mulher, eu preciso fazer algumas perguntas. Veja bem: mais uma vez estarei partindo do que não vejo-hipóteses-, para explicar o que estou vendo, a mulher morta no meio da rua: o fato. Para desvendar o fato, o detetive, provavelmente, formularia as seguintes perguntas que ainda não têm respostas e, portanto, são invisíveis. Por que ela morreu? Qual o motivo? Em que condições? Quando? Como? Seria por vingança? Ciúmes? Envolvimento com o tráfico de drogas? Crime passional?

Enfim, formularia um quebra-cabeça-hipótese, teoria, para se chegar à uma conclusão que explicasse o fato. Uma sentença definitiva-lei-e o desvendamento daquilo que era apenas uma constatação-o fato-, que na verdade não explicou coisa nenhuma. Em última análise, o cientista parte de uma hipótese, uma teoria-e dependendo e pode assim explicar muitos fatos. Até que apareçam fatos novos. No início faz se um arranjo e a teoria continua comportando o fato. Aparece mais um, outro rearranjo; depois outro fato, mais um, mais outro, e assim por diante...Conclusão: tem que se arrumar um novo paradigma ou modelo para dar-se conta de explicar tantos fatos.

É mais ou menos isso que postula Thomas Kuhn, filósofo da ciência americano do século XX, ou seja, a ideia de novos paradigmas e revoluções científicas. Eu concordo com ele a priori, apesar de não ser especialista em Filosofia da Ciência (e nem quero ser especialista de coisa nenhuma, a não ser por motivos estritamente profissionais e de sobrevivência).

Mais uma vez, partimos da constatação do visível, que em si mesmo não explica nada, e imaginamos o invisível, para explicar o visível.

Eu queria acreditar como muitos por aí. Em última análise, se não temos fatos e tudo não passa de uma equação matemática, a conclusão é óbvia. A realidade é uma equação matemática. Pergunta: desde quando a matemática existe por si mesma? Se foi o homem, através das relações sociais, que aprendeu uma linguagem e depois inventou a matemática, como dizer que a filha é a mãe da mãe? Como não perceber que há interesses, relações de poder nas ciências? Quem ganha os principais prêmios de física, química e outros na comunidade científica internacional? O prêmio Nobel, por exemplo? Os americanos e os europeus? Acertei!!

Por outro lado, penso que a Filosofia não tem essa pretensão. Ela não gera o próprio conhecimento. Ela é uma reflexão, muito mais dos fins a que se destinam o conhecimento científico, do que qualquer outra coisa. Outra: como dissociar conhecimento científico, da ciencia aplicada, que nada mais é do que a tecnologia? A ciência já foi um fim em sim mesma. Hoje, não o é. Ela está a serviço do capitalismo. Quem define o que é ciência hoje? Simplesmente, a comunidade internacional de cientistas. Muito mais do que equações matemáticas que, supostamente, representam o real objetivamente, hoje, os fatos são feitos. E quem define o que é ciência ou não são os poderosos. Porque ela não é um fim em si mesma, mas um meio para transformar a natureza a seu bel-prazer e produzir mais-valia relativa e absoluta. Vou no popular. Produzir lucro. Mais do que nunca, a crítica filosófica é importante. Porque ao contrário do que muitos pensam, a intenção dela é abrir uma clareira na floresta, para que todos vejam o véu da ideologia e da alienação que encombrem o rosto da maioria desapropriada e desprovidada de sua humanidade, que é a espécie humana. Ciência pura + ciência prática ou tecnologia= EXPLORAÇÃO, DESEMPREGO, MISÉRIA, FOME E VIOLÊNCIA. Quem dera se a Filosofia fosse a luz da humanidade. Já teríamos acabado com essa mamata há muito tempo.

Enfim, a Filosofia é a busca sem fim por todas as supostas verdades colocadas no mundo humano. Se você amplia os seus horizontes, então, a Filosofia já fez a parte dela. Imagine o olhos humanos. Agora, compare com os olhos de uma águia. O filósofo é a águia. Imagine se todos filosofassem neste PLANETA. Conseguissem tirar o véu da ideologia e desalienar-se...O mundo estaria assim? Acredito que não, certo?


Texto: Marco Aurélio Machado

EDUCAÇÃO E IDEOLOGIA CAPITALISTA

Eu estou convencido de que o sujeito faz parte de um todo. Não separo a educação da economia, da política e das questões sociais. É uma grande engrenagem complexa e de difícil explicação. Uma coisa é certa: o sistema quer arrumar o culpado, o bode expiatório. Normalmente, o professor é o responsável por todas as mazelas referentes à educação. É mais fácil arrumar um culpado e os governantes encarnarem o papel de Pôncio Pilatos...

O sistema capitalista gera o desejo, o conforto, o estímulo ao consumo, a lei do menor esforço. Gera também, em muitos, a necessidade de ter apenas um diploma. Principalmente, um diploma de Ensino Médio porque muitas empresas o exigem, mas, também, o diploma de um curso superior, mesmo que seja numa faculdade que só visa o lucro e o ensino é de péssima qualidade. O importante é o PP: pagou, passou.

A educação é coisa séria demais para ser uma mercadoria como outra qualquer. Não existe apenas uma teoria para explicar toda a realidade educacional, porque o conceito é universal e, por isso, congela o real. O mundo, a sociedade, o homem e a realidade educacional são dinâmicos, mudam o tempo todo, logo, não se deixam explicar facilmente.

Veja um dos grandes problema da educação: a repetência. Eu penso que a instituição da repetência é um problema, pois muitos jovens passam da idade escolar e acabam evadindo. Por outro lado, os ciclos toleram alunos que chegam ao Ensino Médio sem saberem ler e escrever. A construção de um meio termo seria o ideal.

Eu, particularmente, penso que não se deve reter o aluno do Ensino Médio. Evidentemente, a família, a sociedade, a economia, a cultura, a alimentação, os conflitos existenciais, etc., contribuem para o sucesso ou o fracasso escolar. Todavia, acredito que a maior escola é a vida. Se a pessoa durante o período que estudou não quis nada com a "dureza," e além de não estudar, atrapalha os colegas, por que se deveria reter esse aluno? A vida será a sua melhor mestre. Os alunos do EJA, que não tiveram oportunidade de estudar quando eram jovens, são um belo exemplo disso. A diferença é que dão o maior valor aos estudos. Evidentemente, eles não têm mais tempo a perder. Por outro lado, algumas profissões exigem que o formando saiba muito e não se deve dar um diploma para qualquer um. Eis um grande dilema...Devemos deixar nas mãos do DEUS mercado? Pois é...

Texto: Marco Aurélio Machado

terça-feira, 20 de outubro de 2009

SARTRE: "A EXISTÊNCIA PRECEDE A ESSÊNCIA"

Pretendo, neste texto, fazer uma pequena reflexão bem didática e com exemplos pessoais sobre a filosofia existencialista de Sartre. Evidentemente, trata-se um de uma compreensão bastante pessoal e limitada minha, do grande filósofo francês.

Sartre inverteu a filosofia tradicional, que buscava a essência como realidade última. De uma maneira geral, os gregos tinham horror ao movimento. Heráclito era a exceção. Em Platão e Aristóteles fica muito nítida o nascimento da metafísica. A verdade está no real. Por sermos racionais, poderíamos, em tese, chegarmos à essência. Muitos, apesar de não saberem, continuam a filosofar como os gregos antigos. O que você acha que é essência e, por que, para Sartre, a existência precede a essência?

É o velho dilema da teoria do conhecimento. É possível o ser humano conhecer a natureza das coisas? Como ter acesso direto ao real sem representações mediadas pela linguagem? Quem vê a natureza do real? Uma águia enxerga muito mais. Um cachorro ouve muito mais do que nós. Se os nossos olhos fossem constituídos de outra forma, como seriam os objetos? "O homem é a medida de todas as coisas", como diria o grande Protágoras? Se for, caimos no relativismo e a verdade é a medida humana. Adeus metafísica. Adeus a todo conhecimento que sai do mundo imanente.

Muitos não gostam de Sartre, porque nem sequer conseguem compreendê-lo. Complementando:" o homem nada mais é do que o seu projeto".Mesmo quando o homem não escolhe, ele já fez uma escolha. A escolha de não fazer escolha nenhuma. Não há um Deus para Sartre. Se 'Deus" não existe, tudo, em tese, seria permitido. O homem não tem desculpa. Tem que escolher o tempo todo. A liberdade é isso. Por isso gera a angústia. O homem autêntico escolhe e assume a responsabilidade pelos seus atos. O inautêntico vive na má-fé. Finge escolher. Não há uma essência imanente esperando para ser atualizada. A essência é o conjunto das minhas ações livres.Primeiro eu existo. E todos os meus atos são a realização da minha essência. O homem, simplesmente, é o que faz.

O nada vem ao mundo pela consciência. Na fenomenologia, toda consciência tende para um objeto e todo objeto só tem sentido e significado para uma consciência. Não há um 'Deus" para conceber coisa nenhuma. Se houvesse, como poderia o necessário criar o contingente? Para quê? Qual a finalidade? O necessário não pode ser carente. se for, já não é o necessário. Só há fenômeno.

Digam-me. De onde 'Deus' saiu? Se Deus é causa teria que ser necessariamente efeito de uma outra causa. E assim ad infinitum. Se Deus existe precisaria de um ser mais complexo do que ele para gerá-lo. A teoria de Darwin tem demonstrado que organismos mais simples criam os mais complexos. E não o contrário.

A navalha de Ockan serve para quê? Se podemos explicar um fenômeno de uma forma mais simples e natural, para que recorrer ao complexo e ao divino? Ao mistério? Isso é imaginação e fantasia. Não perderei mais tempo com discussões lógicas que não tem objetos que a correspondam.

Por que os psicopatas e sociopatas não tem natureza humana? Explique-me. São capazes de cometer as maiores atrocidades sem terem remorsos, culpas e arrenpendimentos? Cadê a essência imanente da racionalidade a esperar uma atualização ou desenvolvimento? Você disse bem: acredita. Não pode demonstrar logicamente ou racionalmente.

A essência acaba com a liberdade humana. E joga por terra o livre arbítrio. O que fazer? Sair da metafísica e cair dentro do abismo. E agora?

Uma discussão filosófica não comporta opiniões. Ou você demonstra logicamente, ou não demonstra. Não é nada pessoal. Como pode me explicar que pessoas que viveram com carinho, amor, respeito, dignidade e que não tem histórico de nenhuma psicopatia na família possam desenvolver quadros psiquiátricos terríveis? Onde está a consciência moral dessas pessoas? E se estuprassem uma filha sua? Como você veria essa situação? Sinceramente...não convence.

Logo, o ser humano não é capaz de escolher? Faltou reflexão. Como explicar, então, os filósofos estóicos? Eles tinham total domínio sobre suas emoções e sentimentos. Por quê? Porque refletiam. Os pensamentos mudam os nossos sentimentos. Mas, fomos condicionados desde pequenos a crer que não somos responsáveis pelos nossos atos.

OS FILÓSOFOS ESTÓICOS SÃO A PROVA DE QUE É POSSÍVEL. EU NÃO DISSE QUE SOU RACIONAL O TEMPO TODO. MAS SEI QUE A MAIOR PARTE DOS MEUS ERROS FORAM COMETIDOS POR FALTA DE REFLEXÃO. NÃO JOGO A CULPA NEM NO INCONSCIENTE E NEM NO DEMÔNIO.

A liberdade em Sartre só se dá na ação. Ao agir, a pessoa escolhe. Escolha e ação se identificam. A capacidade de fazer escolhas é absoluta. Mas, nem todas as nossas escolhas terão êxito. Contudo, se não tivéssemos a sensação de obstáculo, nem saberíamos que somos livres. Se não tenho resistência nenhuma, como saber o que é a liberdade? Um pássaro só voa por causa da resistência do ar.

É preciso estudá-lo a fundo. Não substantivem a consciência em Sartre. A liberdade só se faz em ato. Se eu nunca escrevi um livro, não tenho posso saber se tenho potencial. Escrever uma obra é torná-la uma existência.Se penso muito na liberdade e não ajo, tenho liberdade? Primeiro existo, depois realizo o meu projeto. Projetar é ir sempre em direção ao futuro. E eu só posso ir ao futuro realizando ações no presente. Para Sartre, toda a liberdade e responsabilidade é interior ao sujeito. Ex: "Eu choro, porque estou triste. Errado. Eu estou triste e por isso choro. Perceberam a diferença? Eu dou um motivo, um sentido, um significado para a tristeza e, por isso, choro.Outra: A altura me assusta. Errado. A altura não tem o poder de assustar as pessoas. EX:"Eu me assusto com a altura. Dei um motivo. A responsabilidade é minha. Tanto é verdade que duas pessoas na mesma situação, poderiam agir diferente. Mais:"Você me magoou". Errado. Eu me magoei ao dar mais importância a sua opinião a meu respeito. Eu escolhi ficar magoado. Estamos condenados a ser livres. E isso implica em responsabilidades. Não há um Deus, não há valores estabelecidos para Sartre, não há caminho a seguir. Eu realizo os meus projetos com outros humanos e sou responsável por eles, inclusive, assumindo todas as conseqüências. Eu crio os meus valores e os assumo. Isso é viver autenticamente e não na má-fé.

A essência nada mais é do que o que fazemos. Não existem valores, regras, normas e princípios para nos guiar. O homem está condenado a ser livre. E a liberdade nada mais é do que escolher o tempo todo e sermos responsáveis pelos nossos atos. Se não há essência, então, primeiro o homem existe. E a partir da sua existência, ele realizará à sua essência através dos seus atos. Não temos desculpas ou pretextos. O homem cria e recria os seus valores através da liberdade de escolher os seus projetos. Não há uma substancialização da mente. Ex: ninguém é, por natureza, covarde. Escolhe-se a covardia. E o mesmo serve para as demais situações. Quem foi covarde um dia, numa mesma situação, poderá agir diferente. É uma escolha. O homem realiza a sua essência escolhendo e agindo. A escolha não é abstrata. Ela se funde com os atos. Isso explica esta frase:"O HOMEM ESTÁ CONDENADO A SER LIVRE." Livre, porque não se criou; condenado, porque todo ato tem responsabilidade: não há a quem recorrer. Nesse sentido, a liberdade é um fardo, porque ao homem cabe criar o seu próprio SER.

As coisas são "em si". Estão aí. Sem sentido e absurdas. Só o homem existe, porque ele é o "para-si". Tem consciência da sua existência e pode escolher o sentido e o significado da própria vida e do mundo. Nesse sentido, como dizia Heidegger, o homem é o ser das lonjuras, ou seja, distancia-se do real e lhe dá sentido. É como se houvesse uma fissura, uma rachadura no interior do "em si", para conhecer a si mesmo.

As meninas-lobo são um bom exemplo. Elas não tiveram oportunidade de se humanizar, logo, eram lobos. Onde estava a essência delas? Uivavam, latiam, bebiam água lambendo, comiam carne podre e andavam de quatro. Não somos humanos. Tornamo-nos humanos. OBS: não tenho a última palavra sobre o assunto. É intrigante. Muitos não concordam. Apesar de achar interessante, continuo refletindo sobre o assunto.

O passado é ontologicamente um tempo fechado para Sartre. O mesmo pode ter um outro significado e sentido, mas não se pode mudar o acontecido. Por outro lado, o futuro é aberto. O que nos permite fazer escolhas, construir e reconstruir o nosso caminho. Quando não a fazemos, vivemos na má-fé ou de forma inautêntica. Fingimos escolher. O homem autêntico escolhe e assume a responsabilidade pelos seus atos.

Texto: Marco Aurélio Machado.