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quarta-feira, 21 de julho de 2010

O HOMEM E O PODER DAS PALAVRAS!

Quarta-feira, 21 de julho de 2010
O HOMEM E O PODER DAS PALAVRAS!
O homem é o único ser que pergunta. Por que o homem pergunta? Porque não sabe. Por que não sabe? Porque não nasce sabendo. Por que não nasce sabendo? Porque o homem é mais do que instinto ou programação biológica. Por que é mais do que instinto ou programação biológica? Porque é um ser de cultura. Por que é um ser de cultura? Porque compartilha uma parte da natureza com os outros animais, devido às necessidades de um ser vivo animal; todavia, é mais do que os animais, pois é o único ser da natureza que transforma a natureza e, consequentemente, é transformado por ela. E o que tem isso a ver com o homem? Tudo, ora!
O homem, além de ser parte natureza, é também cultura. Isto significa que o homem é um ser de transcendência: transforma a natureza pelo seu trabalho intencional e consciente, dá sentido e significado à sua vida e se situa no tempo e no espaço devido a uma questão fundamental: o aprendizado da linguagem através das relações sociais. Daí a importância do enriquecimento do vocabulário humano. Uma linguagem rica de sinônimos será de suma importância para a extensão e a compreensão do nosso mundo na maneira humana de pensar, sentir e agir.
Entretanto, não basta ter uma linguagem rica. É preciso ser o senhor da linguagem. As palavras, os conceitos são representações do "real". O que é representar? Tornar presente novamente. Eis algo que escapa a tantas pessoas... Tornar presente novamente é fazer abstração daquilo que está ausente de nós, mas que se torna presente por um processo de abstração — aqui mora o perigo. Podemos estar tão encantados pelas palavras que não percebemos o seu enfeitiçamento. As palavras encantam... As palavras envenenam...
Quem sabe a diferença entre elas e já mergulhou profundamente na relação entre o pensamento e a linguagem sabe bem o que quero dizer: o pensamento é a palavra em potência; e a palavra é o pensamento verbalizado e dinamitado. Mas a palavra pode ser mais do que a dinamite. A dinamite explode e faz muitos estragos, disso ninguém duvida. A palavra, porém, pode ter o efeito de uma espada. Antes esta espada cortasse apenas a nossa "carne". Uma espada comum fere a carne; no entanto, a espada — simbolicamente representada pela língua — corta a alma das pessoas. É muito importante sabermos disso...
Algumas pessoas são doces (no fundo são ácidas, amargas e mal-amadas) com uma sutileza de invejar um sofista. São amáveis, carinhosas, polidas e enganam a muitos. Fico até com pena da ingenuidade de tantas pessoas que se deixam levar. A mim, entretanto, elas não enganam. Conheço "cheiro" de hipócritas a quilômetros de distância. Conheço as sutilezas de uma linguagem venenosa. Não preciso ouvir a voz das pessoas. A forma de escrever revela muito: as frases soltas e "inocentes". Pois é...
Nesta vida as máscaras caem. E muitas vezes não precisamos mover uma palha para que a lição seja aprendida: a falta de autoconhecimento sobre o poder que as palavras têm pode ser fatal de um ponto de vista psicológico. Cada um que carregue a sua cruz e se responsabilize pelas palavras que solta ao vento. Uma pessoa sábia não busca aplausos e tem a consciência leve. Não sente tanto os efeitos das palavras; pois se coloca sob a mira delas o tempo todo. Só observa e não julga os possíveis efeitos delas sobre si. Não sabe se muitos que gostam de falar "umas verdades" têm estrutura emocional para tomar o contragolpe.
Eis um dos motivos de se dar corda e sair do "combate". Muitos chamam tal atitude de covardia, como se o bater boca fosse sinônimo de valentia. Ao dizerem que somos isto ou aquilo, não percebem que estão dizendo implicitamente: seja mais parecido comigo! Como não percebem as trevas da própria alma, enxergam as dos outros. São os "Procustos" da vida à procura de medir pessoas e atitudes na sua "cama de ferro". São os atores de periferia que, de tanto usarem máscaras, já não sabem se são pessoas ou as personagens que encarnam... São os donos de navios que já afundaram faz tempo, cujos fantasmas cultuam a "abelha rainha em forma de zumbi". São os filosofastros virtuais cuja profundidade está em fazer citações de filósofos, porque as suas (delas) ideias são cópias de um senso comum esclerosado, mofado e preconceituoso. Parte de uma classe sem rosto que não tolera a frustração diante da coragem de pessoas que dizem “não”. São os curiosos da vida alheia, porque a própria vida é destituída de significado.
Não vale a pena perder tempo com quem não tem rosto (uns não têm literalmente, não se sabe qual o papel que representam) e um possível coração de vidro... A melhor escola que tem é a vida, e ela não tem pressa...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 13 de julho de 2010

A MÍDIA E AS NOVELAS!

Terça-feira, 13 de julho de 2010
O MITO DA MÍDIA E AS NOVELAS!
Faz algum tempo que venho refletindo sobre a mídia. Em especial, a mídia televisiva. Antigamente, mesmo em casos criminais cometidos por pessoas famosas, a mídia informava e, logo, havia outras "novidades". Sim, "novidades" entre aspas; porque acontecem tantas coisas boas; todavia, a impressão que se tem é que este mundo é um "circo de horrores". Por quê? Porque notícias boas quase nunca vendem jornais e nem aumentam a audiência...
A notícia já não cabe numa edição de jornal. A notícia virou novela. Uma "novela" que transcende, em tempo real, as fronteiras do país, nesta imensa aldeia global que se tornou o planeta Terra. A notícia é comentada, discutida e debatida à exaustão. Inclusive acontecem outros crimes devido aos comentários dos crimes precedentes. A notícia tem gerado paixões, a ponto de se condenar o suposto culpado, num réu criminoso e quase sempre considerado "psicopata", antes mesmo do julgamento no tribunal. Sobram demagogia e sensacionalismo por toda parte. Já não importam os fatos, mas como se contam os "fatos". O que importa é a audiência...
O jornalismo, por natureza, faz um recorte dos "fatos". Ele é tirado do contexto em que supostamente os fatos aconteceram e editado em pequenos capítulos da nova novela: a jornalística. A diferença é que nas novelas, normalmente, os verdadeiros culpados são presos ou têm um fim trágico; o galã vence e, no último capítulo, quase todos se casam e são felizes para sempre... Na novela jornalística, não. O fim quase sempre é trágico — principalmente se a vítima é pobre e não pode pagar um advogado para se defender. Quando é rica e famosa, pode ter o dinheiro para os honorários dos advogados; entretanto, são condenadas antes do julgamento. Os fatos? Os fatos são feitos e refeitos. A opinião pública? Não tem opinião, apenas repete os deuses apresentadores — os juízes soberanos do novo pódio: o Olimpo televisivo.
A mídia "suga" a notícia novela até as últimas consequências; quando a audiência fica escassa, vai atrás de novos capítulos tenebrosos. Catarses coletivas? A desgraça alheia é divertida? Evidentemente há exceção; no entanto, rara como encontrar um diamante lapidado num bairro de periferia. Onde vamos parar? Não vamos. Na sociedade do espetáculo, tudo é "espetáculo". As aparências coloridas dão de goleada na essência — palavra séria candidata a desaparecer dos dicionários num futuro próximo.
Todavia, o pior de tudo é que o apresentador do "jornal novela" já não é humano. Estamos diante dos novos deuses que falam através do novo Olimpo: a emissora de televisão e outras mídias conhecidas. O apresentador deus é onipresente, pois está em milhões de lares, concomitantemente. Tão perto e tão distante... E as massas questionam os deuses? Não. Elas repetem, tal qual um papagaio de pirata, os mantras das emissoras.
A meu ver, estamos diante de um fenômeno preocupante. A justiça do "jornalismo noveleiro" dos novos deuses midiáticos está acima das leis humanas. E o que está por trás disso tudo? Um outro deus, que já desbancou os deuses de várias religiões: o deus dinheiro. Lamentável!! Mais do que nunca, a Filosofia é a luz que jamais pode se apagar. Contra esses deuses, o melhor antídoto é a luz da razão...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 29 de junho de 2010

O QUE É A FELICIDADE?

Terça-feira, 29 de junho de 2010
O QUE É A FELICIDADE?
O que é a felicidade? Sempre escuto alguém dizer: "Eu sou muito feliz"! Mas quase nunca escuto alguém perguntar: "O que é a felicidade"? Penso ser muito difícil responder tal pergunta e não sei se alguém tem respostas; mas, de qualquer forma, às vezes em que eu tive consciência da minha felicidade, percebi que era feliz em ato. Não há tempo e nem espaço. A ação da pessoa está focada num grande prazer que, por incrível que pareça, as palavras não são capazes de descrevê-lo. Não há nada de místico nisso. É apenas uma constatação. Quantas vezes já ouvi alguém dizendo que era feliz e não sabia?
O que é a felicidade? Se não sei o que é uma coisa, como posso saber que tenho ou sou essa coisa? Estas questões me lembram a constante presença de Platão — a assombração de uma suposta alma que já vivera no Mundo das Ideias e que conhecera a felicidade. Como? Através do método dialético platônico, que preconizava a purificação dos erros e equívocos "fabricados" pelas nossas opiniões para chegar ao mundo "verdadeiro". É a chamada Teoria das Reminiscências. A alma conheceu antes e, por isso, pode reconhecer... Mas não é sobre isso que quero escrever...
Outros dizem que são felizes porque sentem a felicidade. O que é sentir a felicidade? Mas as coisas se complicam, pois outra pergunta continua a nos incomodar: "O que é o sentimento"? Vou tentar responder; todavia, não tenho a intenção de ter a última palavra sobre assunto tão espinhoso. Enquanto houver pensamentos dirigidos a um fim, não haverá felicidade. Uma criança é feliz em ato. Se você tem consciência da própria felicidade, então não há felicidade alguma. Uma pessoa feliz não lembra do passado e nem antecipa o futuro. Ela vive num eterno presente. Não há pensamento e nem sentimento. Há somente o ato no presente. Nada mais!
Vou citar um princípio cristão, apesar de não ser religioso: “Se vós não voltares a ser como as crianças, não entrarás no Reino dos Céus”. Jesus Cristo. As crianças são puras, inocentes. Brigam e, logo em seguida, estão brincando. Não guardam mágoas. E não sabem o que é o egoísmo. Não sabem porque agem e não ficam raciocinando sobre se agiram certo ou errado. É do ponto de vista de um adulto que as crianças ganham os rótulos. Elas simplesmente são o que são. Nunca querem ser o que não são. Depois que se vira adulto, isto por acaso acontece? Quantos são capazes disso? Eis a felicidade: a felicidade das crianças!
O mais engraçado disso tudo é que ainda dizemos que é preciso educar as crianças. Deveríamos, isto sim, sermos educados por elas...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 19 de junho de 2010

TEORIA DO CONHECIMENTO!

Sábado, 19 de junho de 2010
TEORIA DO CONHECIMENTO!
A Teoria do Conhecimento é a parte da Filosofia que faz uma reflexão a respeito dos fundamentos do conhecimento humano. Faz perguntas e procura respondê-las; mas, como sempre em Filosofia, as perguntas não param. Penso que a Teoria do Conhecimento é a base da Filosofia. E há teorias divergentes sobre qual o filósofo ou corrente filosófica foram capazes de responder, peremptoriamente, à pergunta nuclear: “O que é o conhecimento?”
Os filósofos gregos antigos já diziam que o homem é um animal racional. Mas o que é ser racional? O homem pode conhecer alguma coisa com certeza? Alguns dizem que sim; outros, que não. Vamos desde o ceticismo radical — que nos leva fatalmente ao solipsismo — ao ceticismo relativo, que preconiza ser possível conhecermos algumas coisas. Temos filósofos e correntes filosóficas que são dogmáticos e, por isso, afirmam que é possível conhecer a "verdade". Há filósofos, por exemplo, crentes de que a razão pode conhecer a essência das coisas, pois ela pode ir além das aparências. Existem teorias sobre o conhecimento para todos os gostos!
Entre as perguntas para os que pensam ser possível termos algum conhecimento verdadeiro — portanto, aqueles pensadores que discordam do ceticismo absoluto —, temos as seguintes: "Quantos elementos é preciso para que haja o conhecimento?" Esta pergunta é fácil de responder e aproveito para respondê-la agora: dois. Quais são? O sujeito que conhece e o objeto que é "conhecido". Lembrando que o próprio sujeito pode ser objeto de conhecimento. As ciências humanas, por exemplo, lidam com essa forma de conhecer. Fácil, não? Daí para a frente caímos na mais profunda escuridão; mas a tentativa de iluminar essa escuridão existe desde o surgimento da Filosofia, no século VI a.C.
Entretanto, continuemos... A "verdade" está no objeto? Está no sujeito? Está na relação entre o sujeito e o objeto? Neste caso não está nem no sujeito e nem no objeto, pois não existe um sem o outro. A verdade é histórica? É cultural? Ela se faz na produção e reprodução da vida material dos seres humanos? Ela é convencional, um acordo das instituições humanas? Novos problemas vão surgir, evidentemente. Não darei nomes a essas correntes filosóficas porque não é a minha intenção lecionar Filosofia no blog, mas apenas despertar curiosidades para que os interessados possam pesquisá-las.
Outras perguntas que a Teoria do Conhecimento procura responder são: "O conhecimento é pragmático, ou seja, verdadeiro é aquilo que é útil e funciona?" Quais são os limites para a razão humana? Qual é o valor do conhecimento? É possível um conhecimento racional puro? O conhecimento racional puro é impossível, pois tudo começa com os dados sensoriais? Há imparcialidade dos sujeitos envolvidos? O poder econômico, político, cultural e ideológico interferem na busca pela verdade? E por aí vai...
Fica evidente, neste pequeno texto, que em Filosofia nada é fácil. Mas isso não é motivo para que fiquemos paralisados e acomodados. Geralmente as pessoas que gostam de Filosofia se identificam com uma ou mais correntes filosóficas e procuram defender as suas teses. De minha parte, gosto muito do ceticismo em geral e do pirrônico em particular; do existencialismo de Sartre e do marxismo. O conhecimento, para mim, tem uma base material, concreta e sensível: ele começa nas relações sociais humanas com a natureza, na produção e reprodução da vida material. Ele é ontoprático, como dizia o meu ex-professor José Chasin.
Neste sentido, a Teoria do Conhecimento torna-se uma ontologia em que o homem vivo e ativo transforma a natureza e é transformado por ela. Os que são enfeitiçados pela linguagem e pela lógica como forma de fazer Filosofia invertem a ordem do mundo para o deleite dos exploradores e da Filosofia idealista de inspiração platônica — o reacionário aristocrata...
Talvez seja por isso que a tradição idealista tenha ganhado a parada. Ela é essencial para que os conceitos abstratos sejam mais importantes do que o mundo material e para a invenção de um paraíso eterno imaginário: o combustível da esperança de um mundo melhor para as massas alienadas... Pergunto: "Alguém já viu um pensamento pensando sozinho?" Acho graça!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 12 de junho de 2010

OS NARCISISTAS QUE NÃO GOSTAM DE ESPELHOS

Sábado, 12 de junho de 2010
OS NARCISISTAS QUE NÃO GOSTAM DE ESPELHOS
Neste texto, eu quero fazer uma reflexão "superficial" sobre o conceito de "narcisismo". Muitas coisas têm sido ditas e escritas sobre o Mito de Narciso — principalmente quando se trata da referência ao espelho. Eu quero escrever um pouco sobre o narcisista que não gosta de espelhos... Eu li ou ouvi (não me lembro mais) há muito tempo, mas não sei se tudo não passou de um delírio... O título, se alguém pensou antes, nunca soube — pois esta ideia me veio assim que acordei, e escrevi o texto. Esclarecido, vamos aos “fatos”.
A meu ver, os piores narcisistas são aqueles que não se sentem atraídos pelos espelhos. Talvez eles até poderiam gostar de um espelho que multiplicasse a sua "beleza" ao infinito... A vaidade, o orgulho e a arrogância deles estão na "alma". Por isso, não perdem tempo com um objeto tão insignificante. Para quê? Um reles espelho? Não precisa!
Conta a lenda que um determinado rei queria casar a sua filha com um rapaz sábio, humilde, honesto, leal, trabalhador, entre outras qualidades. Para isso, mandou chamar alguns pretendentes. O rei colocou um espelho na entrada do castelo e ficou da sacada a observar os "candidatos". Passou um, parou diante do espelho e ficou arrumando o cabelo; outro, se a barra estava bem feita; um terceiro, se o corpo estava bem "malhado", diríamos hoje; e, assim sucessivamente... O rei, por sua vez, ao observar o suposto narcisismo dos pretendentes, ficara desapontado...
Quando estava quase desistindo de tarefa tão inglória, eis que surge um cavalheiro muito bonito — parecia um deus grego. Este candidato passou diante do espelho e nem o notou. Não parou diante do ímã que reflete imagens. Apresentou-se ao rei, que ficou encantado com tanto "refinamento": educado, sábio, entre outras qualidades que o rei queria para aquele que desposaria a sua linda princesa: a sua filha.
Pois bem. O rei casou a filha com o suposto cavalheiro "humilde". Na verdade, o agora genro era o mais narcisista entre todos os concorrentes. A sua vaidade não estava em ficar admirando-se no espelho. Era tão vaidoso, arrogante e orgulhoso que essas "qualidades" estavam na sua alma. Exteriormente existia todo aquele jogo de aparências refinadas; interiormente, no entanto, o genro não se sentia superior — tinha certeza de que o era...
Os maiores narcisistas não gostam de espelhos. Eles têm tanta convicção da própria superioridade que não perdem tempo com "pobres mortais". Não se expõem, evitam discutir, fogem dos debates. Para quê, não é? Já ganharam mesmo. Na verdade, eles continuam debatendo, porém na intimidade dos seus pensamentos. Dizem, através dos pensamentos: “Como são idiotas e imbecis esses pobres coitados, não devo perder o meu precioso tempo com essa gentinha”. Externamente dizem: "Puxa, como vocês são inteligentes"!!!
Conclusão: o rei só descobriu a verdade muito tempo depois... Mas aí já era tarde, pois o narcisista já havia tomado posse de tudo...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

domingo, 30 de maio de 2010

OS PEQUENOS PODERES

Domingo, 30 de maio de 2010
OS PEQUENOS PODERES
Gostaria de fazer uma reflexão sobre o poder, mormente os pequenos poderes. O que é o poder? Vou definir o poder como a capacidade que uma pessoa, um grupo, uma sociedade tem de impor a sua vontade, seja pelo diálogo, persuasão, pela força de uma lei e, no último caso, pela força bruta policial ou militar. O Estado, por exemplo, tem a legitimidade do uso da força. Isso pode ser garantido pela Constituição de um país, ou por interesses vários. Quase sempre os interesses econômicos são os motivos fundamentais...
Todavia, o poder tem vários tentáculos: pode ser poder político, econômico, cultural, ideológico, social, religioso, midiático, carismático, etc. O poder está espalhado por toda a sociedade e é uma espécie de Deus: onipotente, onisciente, onipresente, e que nos dá a impressão de ser invisível.
Entretanto, eu queria escrever um pouco sobre os pequenos poderes — mais: gerentes, supervisores, "chefes", professores, diretores de escolas privadas ou públicas, vereadores, prefeitos de cidades pequenas e médias, entre outros.
O que há de tão importante no poder? Por que as pessoas incapazes de fazer uma reflexão superficial sobre o fascínio que o poder exerce em si e nos outros, desprovidas de "gerenciar", "coordenar" e controlar os próprios conflitos internos, são seduzidas por essa espécie de demônio que habita a mente de tantas pessoas medíocres e imbecis? Por que as pessoas que sabem que o poder neste mundo é efêmero, passageiro e transitório se encantam por esse demônio? Uma vez um prefeito me disse que o poder é solitário. Ele havia sofrido um atentado e esteve entre a vida e a morte; contudo, após se recuperar, retornou ao poder. Bom, se o poder é solitário e "sofrido", por que tantas pessoas o querem? Que magia é essa? O poder deve ser um meio para promover o bem comum, e não um fim em si mesmo.
Se não passamos de seres finitos e a "vala" é o destino de todos nós, por que as pessoas querem glória, fama, dinheiro, status, juventude, beleza e outras coisas que o poder pode, em teoria, fazer uma pequena concessão?
Eu, particularmente, tenho receio dos pequenos poderosos, mesmo que eles tenham um grande poder de direito — sim, pois o poder exercido de fato e consciente é para muito poucos... Não há nada pior do que ser vítima dos "poderosos" paranoicos e inimigos da razão, logo da lucidez. Caminham na escuridão com os seus "assessores", que têm alergia ao bom senso. Quero distância dos poderosos sem poder. Paradoxal, não? Poderosos sem poder? Explico: não têm o poder de iluminar o próprio caminho, mas querem iluminar o caminho dos seus "subalternos". "Manda quem pode, obedece quem tem juízo", é o ditado popular. Pois é...
De minha parte, quero apenas um poder: o poder de ficar bem longe de desejar o poder. Quero ter o poder de não desejar o poder. E, se algum dia o tiver, por forças alheias e circunstanciais, que eu tenha o poder de ser o seu senhor. A escravidão do poder prefiro deixar para as mentes que acumulam invejas, ciúmes, egoísmos e tiranias. São os pequenos ditadores que só trazem desgraças ao mundo... Sim, porque é a partir dos pequenos poderes que as sociedades se sustentam. Os pequenos filhotes da ditadura não têm o poder de saber disso. Por quê? Porque são ignorantes; pois estão muito preocupados com os aplausos e não sobra tempo para se dedicarem à sabedoria e exercerem um poder de fato, e não apenas de "direito". Amém!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

domingo, 23 de maio de 2010

PLATÃO, ARISTÓTELES, MAQUIAVEL E A EDUCAÇÃO EM MG

Domingo, 23 de maio de 2010
PLATÃO, ARISTÓTELES, MAQUIAVEL E A EDUCAÇÃO EM MINAS GERAIS
Platão dizia que o governante deve ser, primeiro, capaz de controlar as suas paixões, desejos e ambições para, posteriormente, poder promover o bem comum. Em outras palavras, se o governante não é capaz de controlar os seus apetites corporais e mundanos, como poderá governar os cidadãos?
O filósofo e discípulo de Platão, Aristóteles preconizava que o homem é um animal político por natureza. Ele dizia que, para sermos felizes, deveríamos usar aquilo que distingue o homem do animal — ou seja, viver de acordo com os princípios racionais para nos guiar na esfera privada e no espaço público —, na vida pessoal, social e política. A política e a ética deveriam ser unidas. A política propiciaria uma vida digna aos cidadãos e a ética aperfeiçoaria o indivíduo para que fizesse da política um instrumento universal em prol do bem comum.
Com Maquiavel, aquele que é considerado o pai da Ciência Política, a situação supracitada mudará. O velho e sábio ideal grego daria lugar à separação entre a ética e a política. A ética passa a ser o espaço da esfera privada e a política assume, peremptoriamente, a dimensão pública. Não entrarei em detalhes porque aqui, neste espaço, infelizmente não é o foro ideal para profundas reflexões filosóficas. E eu não faço consultas ao escrever: vou puxando pela memória o que escrevo neste blog. O meu objetivo, no atual texto, é voltar à greve dos professores e à relação entre a política e a ética, mesmo que de uma forma "superficial".
Bom, o governo estadual de Minas Gerais reclama que a greve dos professores da rede estadual é "política". As pessoas inteligentes, cujo bom senso e a capacidade de refletir são frutos de um exercício diário tão simples, mas que o governo de Minas insiste em não reconhecer. O governo gasta milhões de reais com propagandas na televisão, no rádio e na mídia impressa. Quem acredita? Só os alienados, a direita raivosa e muitos pais desinformados pelo mantra do governo. Quando "olham" para a classe de professores lutando por melhores salários e condições de vida, não veem pessoas — só "enxergam" cifrões. A razão, senhora nobre inventada pelos gregos antigos, para eles se resume à matemática. O ser humano, na visão deles, não passa de números e quantidade. A palavra qualidade é estranha... Ora, a política permeia, perpassa todas as dimensões da sociedade. Onde houver duas pessoas conversando, há relação de poder; logo, há política. A política é poder; o poder é político e se espalha tal qual o vento do mês de agosto. O que tem tudo isso a ver com este texto, que parece não ter fim? Muito! E quem são os grandes culpados? O governo, a sociedade, a mídia e a categoria.
Foi por falta de ação política da categoria e dos sindicatos pelegos que a situação chegou neste ponto; ou seja, apatia e indiferença durante muitos anos por parte da categoria e excesso de uma política de baixo nível, rasteira e desprezível por parte dos governantes do Estado.
Se os nossos governantes leram Maquiavel, deve ter sido um resumo de gosto duvidoso; pois, dificilmente fazem algum "bem aos poucos" — em compensação, a capacidade de fazer o mal parece eterna. E a coisa pública? É administrada como se fosse a esfera privada. O cidadão quase sempre só é lembrado para pagar taxas e impostos, em troca de uma prestação de serviço de quinta categoria. É lamentável!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quinta-feira, 20 de maio de 2010

GREVE, EDUCAÇÃO E CONSCIÊNCIA POLÍTICA

Quinta-feira, 20 de maio de 2010
GREVE, EDUCAÇÃO E CONSCIÊNCIA POLÍTICA
Penso que, se o prejuízo para os alunos, segundo o editorial, é incalculável, o que dizer da situação dos professores durante os últimos oito anos? O Estado, independentemente de ameaças e demissões, perderá excelentes profissionais. E a qualidade das aulas vai piorar, porque a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais contratará "professores" que fizeram licenciatura por telepatia e querem apenas "fazer um bico" no Estado. Se os ricos e a classe média alta tivessem os seus filhos matriculados na rede estadual, duvido que este governo reacionário continuaria a pagar migalhas aos professores. A educação no Estado é de péssima qualidade por causa da falta de consciência e poder de pressão da maioria dos pais, que não acompanham ou não têm noção do que acontece na rede estadual. Infelizmente, os incautos formam opiniões através de uma mídia que, em sua maioria, não está preocupada com a educação pública de qualidade. Será que os filhos dos donos da mídia estudam na rede estadual? Duvido. Por mim, a greve continuará...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO
P.S.: Fiz este comentário no jornal O Tempo, editorial do dia 20/05/2010. Espero que publiquem na edição impressa.

domingo, 9 de maio de 2010

FILOSOFIA E EDUCAÇÃO NO BRASIL

Domingo, 9 de maio de 2010
FILOSOFIA E EDUCAÇÃO NO BRASIL
A Filosofia deveria começar no "útero materno". Li numa revista, há muitos anos, sobre a Filosofia para crianças. Um caso me chamou muita atenção: uma criança de oito anos fez esta pergunta: “Professora, quando o fogo se apaga, ele vai onde?” Um outro emendou: "E as bolhas de sabão, o que acontece quando estouram?" Bonitinho, não?
As crianças são naturalmente curiosas e, por isso, fazem perguntas muito interessantes. Depois acabam sendo condicionadas pelas crenças descabidas dos mais velhos. Infelizmente é enorme o número de pessoas que são contra a Filosofia nas escolas. Entretanto ninguém pergunta o porquê deveríamos ter tantas aulas de Matemática, Física, Química e Biologia...
Ser um cidadão crítico e consciente; raciocinar com clareza e questionar os dogmas e superstições; ser capaz de fazer escolhas com maturidade intelectual — não serve para o resto da vida? Por acaso isso é inútil? Pelo tipo de político que ganha as eleições no Brasil, é possível perceber como os nossos alunos são "cidadãos". Talvez se, desde a mais tenra idade, tivéssemos mais boa vontade com a leitura e a escrita — principalmente das disciplinas da área de Humanas —, os problemas fossem bem menores e a capacidade de resolvê-los fosse bem maior...
Alguns dizem que a Filosofia foi imposta no currículo do Ensino Médio. Discordo. Não é imposição. Todas as outras matérias são impostas também? Quais são os critérios para se escolher uma determinada disciplina? O que é a educação? Para que precisamos ser "educados"? Esta educação está a serviço de quem? Por que eu deveria formar um "cidadão" para reproduzir a forma de pensar, sentir e agir da atual sociedade consumista? Desejar um mundo melhor e ter a Filosofia como o caminho da liberdade não é muito mais importante do que ser um robô programado para dizer: “Sim, senhor”?!!
O problema é que os "donos" do país pensam que a razão é privilégio deles, e não um direito de todos os seres humanos. Querem fazer da razão uma seita de iniciados — uma espécie de maçonaria. A reflexão filosófica deveria ser estimulada sempre. Temos horror à ideia de prisão do nosso corpo numa cadeia; todavia, quantos questionam a prisão emocional, psicológica, preconceituosa e, principalmente, a tortura das crenças que dividem os homens?
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O QUE É A MORTE?

Segunda-feira, 3 de maio de 2010
O QUE É A MORTE?
A morte é a certeza inexorável e implacável de que todos os seres humanos, animais e vegetais não escaparão. O ser humano, ao que tudo indica, por enquanto, é o único que sabe conscientemente e peremptoriamente (definitivamente) que a destruição do seu "corpo" material é inevitável.
Eis a grandeza e a miséria humana: por um lado, a consciência, a razão e, portanto, a capacidade de dar significado e sentido às coisas, pessoas e ações; por outro, essa capacidade humana impõe ao ser humano, tragicamente, a consciência da finitude e, consequentemente, o desaparecimento e o aniquilamento total. Devolveremos os nossos átomos à mãe de todos nós: a natureza.
O homem não sabe o que é a morte. Se soubesse, não sofreria tanto... A imaginação, faculdade humana por excelência, pode ser benigna ou maligna, dependendo da dose. O ser humano, por isso, inventa as crenças, as superstições e os demais recursos que a sua imaginação coloca a seu dispor para tentar domar esta senhora implacável: a morte. A recusa da finitude e a aposta na imortalidade da alma são apenas algumas das muitas crenças que dão significado ao imenso vazio existencial humano.
Todavia, em Filosofia temos que ser honestos intelectualmente. A "verdade" nua e crua é que ninguém sabe o que é a morte. Se existe uma alma, um espírito, um princípio vital, uma energia que frequenta o corpo de todo ser vivente em geral, e do homem em particular, é um profundo mistério — talvez seja melhor assim...
Num assunto metafísico e altamente especulativo como o é a morte, cabe ao ser humano procurar um sentido para a sua vida. Ninguém tem a receita; porque a vida, por ser dinâmica, não se deixa enquadrar tal qual uma receita de "bolo". O caminho não tem luz própria; logo, a iluminação virá da razão, da imaginação, dos sentimentos e, principalmente, da ação humana. Se houver uma vida após a morte, ótimo, pois a vida continuará; se não houver, excelente, pois não saberemos que morremos. Melhor ou pior para quem fica, pois dela será a responsabilidade de julgar se a pessoa que morreu fez alguma diferença neste mundo. A meu ver, devemos fazer o melhor que pudermos, apostando na finitude. Assim, faremos o bem sem a esperança de ganhar — única forma verdadeiramente de amar...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 24 de abril de 2010

REFLEXÃO SOBRE O CONHECIMENTO, A IGNORÂNCIA E A LOUCURA

Sábado, 24 de abril de 2010
REFLEXÃO SOBRE O CONHECIMENTO, A IGNORÂNCIA E A LOUCURA
Algumas pessoas dizem que eu sou doido porque escolhi estudar Filosofia e ser professor dessa disciplina. Outros dizem que pensar demais pode fazer a pessoa enlouquecer... Discordo. Em primeiro lugar, o que é a loucura? O que é ser doido? A nossa sociedade, com todos os seus padrões de consumo, de beleza, de fama, de destruição da natureza sem precedentes é, por acaso, normal? Se isso for normalidade, então eu sou louco — pois quero distância dessa maneira de pensar, sentir e agir. A meu ver, está mais fácil uma pessoa ficar louca, doida, aloprada ou quaisquer outros adjetivos pouco magnânimos que possamos lembrar lendo e questionando nada ou muito pouco, do que uma pessoa que estuda, lê muito, faz perguntas — enfim, mergulha profundamente nas questões essenciais da existência.
Saber de menos é o que prejudica a pessoa — principalmente leitores de um livro só: os livros dogmáticos e que dizem ter a palavra divina. Tudo o que estiver fora do que neles está escrito já é motivo de preconceitos. As certezas absolutas podem nos levar à loucura. Acreditar cegamente pode nos fazer cometer as maiores sandices. Quem sabe "muito" continuará sabendo pouco, pois tem muito o que aprender ainda. Imagine quem não sabe nada!! Pior... muito pior... Vai ser um ignorante, não apenas no sentido de não saber; a ignorância, quando compreendida com o sentido de não saber, é positiva. Por quê? Porque fica-se com o espírito aberto; ampliam-se os horizontes.
A ignorância por falta de leitura, escrita, espírito crítico, sabedoria, de não querer saber ou de recusar o saber — esta, sim, é o grande problema. Esse tipo de ignorância é ótimo para os canalhas, os mentirosos, os manipuladores e os charlatães de toda espécie fazerem a festa. A melhor maneira de ser um sábio é ser um ignorante no sentido de não saber e procurar o saber. E como se faz isso? Fazendo perguntas!! Aprender um pouco de raciocínio lógico e as falácias (argumentos falsos e que nos induzem ao erro). Um raciocínio distorcido, com certeza, distorcerá os nossos mundos, tanto subjetivamente como objetivamente.
Outra coisa muito comum é alguém dizer que eu deveria conhecer com o coração. E desde quando o coração conhece alguma coisa? O coração não conhece coisa nenhuma sem um cérebro que o comande. Isso é tolice — ditado popular de gosto duvidoso. O dia em que as massas forem conscientes, críticas, capazes de raciocinar e não depender de muletas dos vendedores de ilusões neste mundo e no além-túmulo, veremos o povo ser feliz pela primeira vez... Porque, assim, faremos a nossa própria história. Seremos os nossos próprios guias e dispensaremos os "loucos" que querem nos indicar o caminho que nem eles seguem... Pensar "dói", mas nos liberta...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 10 de abril de 2010

A CORUJA COMO SÍMBOLO DA FILOSOFIA

Sábado, 10 de abril de 2010
A CORUJA COMO SÍMBOLO DA FILOSOFIA
Por incrível que possa parecer, referimo-nos à Filosofia com uma grande frequência e, pelo menos neste espaço — ou seja, no meu blog —, nunca fiz qualquer menção ao símbolo da Filosofia: a coruja. A meu ver, a Filosofia, além da coruja, deveria ter mais dois símbolos: o ponto de (?) e o ponto de (!) representando o espanto e a admiração diante da riqueza do real em todas as suas dimensões. Voltemos ao assunto do símbolo da coruja. Será por quê? A coruja representa simbolicamente a Filosofia.
A coruja é uma ave peculiar. Tem olhos enormes. Enxerga muito bem à noite. É capaz de enxergar coisas numa escuridão total. Os olhos da coruja representam a razão, o logos grego. A razão é capaz de iluminar as coisas mais sombrias e obscuras. Ilumina, traz à luz assuntos e problemas que a maioria das pessoas olha, mas não "enxerga". É capaz de transcender o imediato e aquilo que é encoberto pela ideologia e as convenções sociais. Desvelar o que está oculto e aparente, e relacionar o que está "fragmentado". Olhar as coisas com os "olhos" do intelecto é ver por dentro o que muitos só veem por fora. Buscar e mergulhar além das aparências e encontrar a essência, o fundamento ou a raiz do problema. Criticar, analisar, comparar, relacionar, refletir, problematizar, duvidar e continuar interrogando são os atos do filosofar propriamente dito.
Por outro lado, o pescoço da coruja é constituído de tal forma que a possibilita girá-lo e ver as coisas através de vários ângulos. É o que faz a Filosofia. Uma verdadeira Filosofia é inimiga dos dogmas, das verdades absolutas e eternas. Quem dera se a maioria dos homens fosse capaz de refletir sobre todos os problemas humanos de uma forma tão ampla... Quem dera... Fica, portanto, esta pequena colaboração sobre este símbolo tão importante da Filosofia: “a majestosa coruja”. É uma pena que, em vez das pupilas, a coruja não tenha nascido com dois desenhos em cada olho: um ponto de interrogação (?) e um ponto de exclamação (!). Bom, acabei de acordar de um belo sonho... Sonhava que os homens haviam acordado do seu sono dogmático e que, finalmente, fariam um bom uso da sua razão — a única forma de construirmos um mundo melhor...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO