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MAPA DOS VISITANTES DESDE O DIA 29/11/2009

sábado, 23 de agosto de 2014

A RAZÃO "ENLOUQUECIDA"!

Desde o surgimento da Filosofia,  por volta do século VI a. C, há conflitos e divergências sobre todas as dimensões da "realidade".  E o conceito de realidade aqui deve ser entendido da forma mais amplo possível, ou seja, desde a natureza última do Universo e de tudo o que o constitui até à questão cultural...Em outras palavras, todas as instituições e demais saberes teóricos, práticos, produzidos e reproduzidos pelo homem: artefatos, política, ética, Filosofia, Ciência, Religião, Arte, enfim, tudo aquilo que a razão, a imaginação, a capacidade de criação, recriação e destruição que a espécie humana é capaz de realizar.

O homem é um ser paradoxal: é melhor e pior (ao mesmo tempo) do que todos os demais seres vivos. Melhor, porque é capaz de realizar coisas e situações maravilhosas, pelo distanciamento, pela reflexão, pelo cálculo e pela imaginação;  de se "descolar" da natureza bruta e produzir cultura do mais alto nível; pior,  porque,  a despeito disso, criou um poder de destruição tão grande,  que pode acabar com  tudo, afinal, ainda reside nele  a pior besta selvagem: o instinto animal que parece ultrapassar a sua capacidade de reflexão sobre o seu lugar no Universo em geral e no  minúsculo planeta Terra em particular.

Quem vai nos apontar o caminho a seguir? Infelizmente, ninguém. Como diria o grande filósofo francês, Sartre: "Estamos condenados a sermos livres". Eis mais um paradoxo: condenação e liberdade não são contradições? Em termos lógicos, sim, no contexto do Existencialismo, não. Ele quer dizer o seguinte: estamos condenados, porque não escolhemos nascer, muito menos onde nascemos, em qual país, classe social, família...E, livres, porque temos que fazer escolhas o tempo todo e assumir a responsabilidade por elas. Em outras palavras, segundo o filósofo francês, o homem tem uma liberdade absoluta e, por isso, ele não é mais do que aquilo que faz. Ele é o responsável incondicional pelos seus projetos e estes são sempre inacabados.  " O homem é um operário em construção",  para relembrar aqui o genial poeta, Vinícius de Morais.

Onde vamos buscar consolo? Nas religiões? Não. Elas não se entendem...Não se entendendo, geram fanatismos e estes geram conflitos e guerras; nos esportes? Não, pois eles geram paixões e estas são responsáveis pelas bestas que moram em nós, logo, promovem  discussões, brigas, ambições e a vontade de ganhar a qualquer custo. No caso de alguns esportes, como o futebol, por exemplo, os assassinatos são muito comuns...Nas ciências? Não, pois apesar de ela não ser nem boa nem má, o uso que o atual sistema faz dela, torna-a um instrumento do lucro e este está a serviço de uma minoria em detrimento da Humanidade; nas artes? Seria uma saída, mas quem determina o que é arte ou não hoje em dia? Por acaso, não seria o mesmo sistema econômico supracitado? Quem promoveria o que de "melhor" o homem foi capaz de produzir em termos de música, literatura, teatro, pintura, escultura, enfim, nas artes em geral, se as máquinas reproduzem cópias num ritmo mais rápido, intenso e mais barato? A arte nobre fica para uma elite que pode pagar...às massas, sobram caricaturas "artísticas"; a Filosofia? Não. Qual doutrina filosófica nos salvaria? Não há consenso entre doutrinas e filósofos. Na política? Jamais, porque esta é sinônima de poder e onde há poder não pode existir paz, pelo contrário, a diplomacia política quase sempre fracassa e a política costuma se legitimar pela força militar...

Enfim, estamos sós e condenados, infelizmente, fizemos a escolha de uma liberdade incondicional: O DESAPARECIMENTO DA ESPÉCIE HUMANA. É uma questão de tempo...Ao menos sobrará uma esperança: o instinto dos animais "irracionais" vai superar a razão humana. Infelizmente, o fogo que PROMETEU "subtraiu" dos deuses não foi suficiente para usarmos a razão em prol da Humanidade. Antes fôssemos apenas puro instinto, afinal não teríamos capacidade de produzir cultura e estaríamos integrados à natureza tal qual os outros animais. Parabéns, demônios humanos, vocês venceram algumas batalhas, mas perderão a guerra, pois fizeram da razão não um instrumento da liberdade, mas da escravidão. A razão, enlouquecida,  transformou-se em instinto, contudo, não da preservação da espécie,  como acontece  nos animais "irracionais", mas no instinto de destruição do planeta e do homem. Até nos instintos somos inferiores... O feiticeiro ficou refém do próprio feitiço. Uma pena...


TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quinta-feira, 24 de julho de 2014

BRINCANDO COM AS PALAVRAS!!

Uma inteligência aguda não é capaz de prever o futuro, mas quase sempre chega a conclusões que parecem profecias.
  

Brincar com os sentimentos dos tolos é uma coisa; conviver com pessoas que se fingem de tolas é outra muita diferente, pois elas enxergam o que está por detrás até de uma máscara de "ferro".

Use a sua inteligência para explicar; utilize as suas atitudes para comprovar a sua explicação.
  

A arte de fazer perguntas é a arma mortífera para desmascarar todos os vendedores de ilusões.

Eu já quebrei o meu espelho faz tempo, desde então tenho me divertido com o espelho de cristal de quem vive de aparências.

Desista sempre de quem prefere o futuro ao presente: este existe, aquele é pura imaginação.

Quem busca a felicidade vai encontrar apenas o conceito no dicionário.

A sabedoria trágica é a certeza de que tudo o existe no tempo é fonte de prazer e de dor.
Viva de tal forma que a sua palavra seja mais importante do que a sua assinatura. Todavia, não prometa nada a pessoas que não são capazes de fazer o mesmo.

Prepare-se sempre para as rupturas, pois na vida os rompimentos são mais frequentes do que a permanência.
  
Divirta-se, mas não se esqueça: uma hora a solidão será a sua companheira. Relembrar o passado é fonte de dor; antecipar o futuro é o outro nome da ansiedade. Contudo, não se desespere, pois logo, logo, uma nova distração será a sua companhia. "Escolha" até que a morte chegue. Boa sorte!



TEXTO: Marco Aurélio Machado


segunda-feira, 23 de junho de 2014

REFLEXÃO SOBRE A NATUREZA

O homem faz parte da natureza, mas enquanto esta, segundo quase a totalidade da humanidade, não tem "consciência" de si mesma, aquele é capaz de ter não apenas consciência de um mundo exterior, quanto da dimensão interior, ou seja, autoconsciência. Numa palavra: consciência da própria consciência. Todavia, tal noção  merece uma reflexão nem que seja superficial. O objetivo, como sempre, é antes provocar que chegar a conclusões. Estas deixamos para os dogmáticos...

A concepção de um homem separado da natureza tem sido nefasta, deletéria para a espécie humana. Não percebemos a natureza como um TODO,  como parte de outros TODOS, o Universo,  ou quem sabe,  vários outros Universos, nem mesmo temos uma compreensão holística sobre  a natureza da qual fazemos parte: o planeta Terra. Há uma cisão, uma dicotomia: de um lado temos a natureza bruta, "irracional", sem nenhuma finalidade ou objetivo; do outro, o homem, como ser cultural, "racional", e que transforma a natureza a seu bel-prazer, adequando-a às suas necessidades.

É a velha crença da arrogância humana: Cultura x Natureza. A primeira,  representa a liberdade, a segunda, o determinismo. O homem teoricamente é o ser livre, que faz escolhas, que tem o destino da própria vida; a natureza, ao contrário, é determinista e segue leis naturais que não poderiam ser de outra maneira. Será? Isto é um fato? É uma necessidade lógica,  portanto,  necessária e universal? Hume desconfiava que não...

Vários filósofos foram os responsáveis por tal forma de conceber a realidade. Entre eles, René Descartes e Kant. Citei os dois, mas não vou entrar em detalhes, primeiro, porque teria que fazer uma pesquisa extensa, segundo, que a finalidade deste texto é aguçar a curiosidade dos interessados neste assunto tão fascinante e ao mesmo tempo deixado de lado pela sociedade que ama artefatos tecnológicos e despreza a beleza e os horrores da "natureza bruta".

Se o homem faz parte da natureza, como dizer que a natureza não é "inteligente"? Talvez, a forma humana de pensar, sentir e agir fosse completamente diferente de se relacionar,  se por acaso tivéssemos uma concepção diferente da natureza. Como preconizar que o homem é racional, livre, se construímos bombas atômicas e outros artefatos mortíferos para matar e destruir o planeta, a nossa "casa natural"? Se somos natureza, então ela é inteligente, consciente e, por isso, em tese, poderíamos edificar uma história em harmonia com outros humanos e todos os demais seres vivos, além da responsabilidade de transformar os recursos naturais disponíveis com o devido respeito.

O fato é que enquanto existir seres humanos na natureza ela será racional, inteligente, capaz de escolhas para fazer o bem ou o mal. O que seria o bem neste caso específico? Preservar e tirar da natureza apenas o necessário para a sobrevivência humana. O que seria o mal? A destruição do planeta e, portanto, a extinção da espécie humana. Se a humanidade não é capaz de realizar este projeto, então a conclusão é evidente: SOMOS A PRÓPRIA NATUREZA BRUTA E IRRACIONAL!!


TEXTO: Marco Aurélio Machado

domingo, 11 de maio de 2014

O ESTADO E O PODER POLÍTICO!

Desde o nascimento da Filosofia,  por volta do século VI a.C, até os nossos dias, que os filósofos, cientistas políticos e sociólogos têm escrito, debatido e discutido sobre o Estado. O que é o Estado? Qual é a origem do Estado? Qual é a função do Estado? A serviço de quem está o Estado? Qual deve ser o tamanho do Estado? O Estado deve intervir na economia? Enfim, poderíamos fazer um texto só com perguntas a respeito do Estado. Entretanto, neste texto,  vou me deter em alguns aspectos bem gerais  com o intuito de provocar reflexões;  não tenho a intenção de ter a última palavra sobre o tema,  aliás, como em todos os outros textos que escrevi.

Em primeiro lugar, discordo do grande filósofo grego, Aristóteles, pois ele afirmava que os homens, naturalmente,  procuram se organizar e instituir o poder político,  para que a vida em sociedade seja possível. Ele cai numa contradição, afinal,  chamava de bárbaros,  os povos que não tinham tal organização. Ora, se o Estado fosse algo natural, todos os povos fariam o mesmo, inclusive, as tribos primitivas. Existiu, existe e existirá,  necessariamente,  a forma estatal nas sociedades primitivas? Duvido. Há outras teorias: origem divina, o contrato social, entre outras, contudo, como não faço consultas ao escrever, não procurarei entrar em detalhes sobre o fundamento do Estado.

A meu ver, o Estado, independentemente da sua origem, tem um papel na chamada luta de classes e na produção e reprodução da subsistência material da humanidade. Todavia, ele não é essencial, necessário, nem fruto de um decreto divino, caso contrário, as comunidades indígenas não produziriam coletivamente e dividiriam os bens produzidos para todos os membros da comunidade. Afirmar que são sociedades mais simples não é um argumento peremptório, porque, mesmo sendo sociedades primitivas,  valida logicamente e ontologicamente  a possibilidade de produção e  reprodução da subsistência humana, e retirando apenas o necessário para a sua sobrevivência.  Ou alguém vai dizer que os índios não são humanos?

Na verdade, o que perpassa a ideia de que o Estado é fundamental,  não passa de uma ideologia empobrecida,  pois se há algo fundamental,  ontológica na ação humana é a produção  material da vida. Sem ela não há ser humano e muito menos filosofia, ciência, religião, arte... Numa palavra: não há cultura, pois ninguém produz nada com a barriga vazia. Quem produz a riqueza? O povo!  Quem mais usufrui a riqueza produzida? Não seria, por acaso,  quem mais precisa da instituição estatal, mas  preconiza que o Estado não deve intervir na economia? O Estado não é sinônimo de poder político? E o poder político aparece num primeiro momento como a arte de resolver conflitos de classes por meio de representantes "legitimamente" eleitos pelo povo, mas o que a ideologia dos que "mandam," de fato,  oculta, é que o ESTADO é o outro nome da "força militar".

O Estado e o poder político são verso e reverso da mesma moeda. Para que precisamos da política? Quem mais precisa do Estado? Não seria, afinal, aqueles que preconizam que o Estado não deve se intrometer na economia? Política e economia estão separadas? Aqueles que detêm os meios de produção são os que mais necessitam do Estado. Comprova-se tal tese quando acontece uma crise financeira. Sem a ajuda estatal, como banqueiros e empresários irresponsáveis e falidos fariam? Se o Estado não deve intervir na economia, na hora das crises, também,  tal tese deveria ser verdadeira, não é mesmo? O discurso contra o Estado é só de fachada,   pois a doutrina de que a lei de oferta e procura regula tudo não passa de uma falácia.

O Estado é a condição ontológica para a existência do atual modo de produção no planeta, mas não foi, não é, e nunca será fundamental para que o ser humano possa resolver os seus dilemas e conflitos. Não estou defendendo nenhum modo de produção específico, contudo, aceitar os argumentos falaciosos de que o Estado que promove o bem-estar do maior número de pessoas possível, é paternalista,  já é demais...

Ser paternalista com banqueiros, empresários falidos, jogadores nas bolsas de valores no planeta, pode, não é?  Distribuir renda e promover o bem comum entre aqueles que realmente trabalham e produzem a riqueza material para a humanidade, não pode?

Concluo com a seguinte questão: POR QUE aqueles que normalmente são assalariados, mas que fazem parte da classe A e B no Brasil,  preconizam que o Estado brasileiro é paternalista, e que o povo deve trabalhar e não depender de esmolas, são os mesmos que geralmente não trabalham, dependem dos pais para tudo: estudam nas melhores escolas particulares, fazem viagens, cursos de línguas, intercâmbios, moram em palacetes ou edifícios de luxo? E em muitos casos, dependem do SUS e estudam nas universidades federais também, não é mesmo? Mais: muitos financiamentos para comprar imóveis e outros bens materiais são feitos por meio dos bancos estatais...Pois é!! Quem mais precisa do Estado e dos pais mesmo? Para os mais pobres, o trabalho; para os ricos e a classe média alta, o ócio,  para depois poderem mandar, inclusive, nos melhores cargos estatais...É ou não uma comédia?


Texto: MARCO AURÉLIO MACHADO

domingo, 6 de abril de 2014

FRASES EXISTENCIAIS!!

Se uma pessoa tiver prazer em se vingar de mim,  psicologicamente, eu sugiro que dê a si mesma tal oportunidade. Eu prometo que farei o possível para não ter pena da sua tolice.

Eu não busco a felicidade, estou muito ocupado em observar as crianças...

Excesso de desejos tem o sabor amargo do sofrimento psicológico; a realização da maioria deles deixa marcas no corpo e na "alma". Mas não se preocupe: a cura talvez venha com a morte e ninguém viverá para sempre...

Há pessoas que diante de um espelho se acham maravilhosas; sonho com o dia em que a CIÊNCIA invente um espelho para que a pessoa observe a própria alma, mas antes deixe um psiquiatra de plantão!!

O homem não deve se "casar" apenas com um corpo, pois ele corre o risco de contribuir para que as palavras dignidade, ética, solidariedade, companheirismo e cumplicidade desapareçam dos dicionários.

O que é uma tempestade para você, pode ser apenas uma brisa para quem está acostumado ao sofrimento desde a mais tenra idade.

Se é que tive alguns momentos de lucidez, eles vieram na mais profunda angústia existencial...

Faça as suas escolhas sempre, mas quando as consequências vierem, tenha a dignidade de não solicitar a ajuda de quem foi vítima da sua liberdade de escolher: carregue a sua cruz de chumbo.

Construir a própria história pessoal é tão difícil quanto um cachorro deixar de "amar" o dono.

Não queira ser referência para ninguém, pois você despertará a imaginação da pessoa e ela o comparará aos deuses. O problema é que os deuses têm todos os defeitos humanos, afinal quem os criou foi o homem...


TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO



sábado, 15 de março de 2014

A ETERNIDADE E O TÉDIO!

A maioria dos seres humanos acredita numa alma imortal que supostamente transcenderá  este mundo temporal, logo, de transformações e mudanças, mas quantos  fizeram estas perguntas: existem a eternidade e uma alma? O que são,  respectivamente,  a eternidade e a alma?

O fato de uma pessoa acreditar não significa que ela saiba. Ela faz uma aposta que dê um sentido, um significado à vida dela, porém, o saber vai muito além de "explicações" religiosas de livros ditos sagrados, pois várias culturas têm os seus livros sagrados e cada uma quer ser a guardiã da palavra divina. Se existe um deus, em qual idioma ele se expressa? Livros sagrados já foram traduzidos desde tempos imemoriais para diversas línguas, e sabemos que nem sempre uma tradução é capaz de corresponder à ideia, ao significado, ao sentido de uma palavra. Os próprios hermeneutas não se entendem...A humanidade vai penar muito ainda para compreender o óbvio: somos ignorantes a respeito do próprio mundo físico, material, imagine a arrogância do entendimento  da palavra divina?

Viver  neste mundo espaço-temporal já é uma luta árdua...A certeza da morte alivia àqueles que têm uma concepção da finitude, já que morremos em vida aos poucos. Isto porque não temos certeza de nada que ultrapasse este mundo dos fenômenos. Este mundo se transforma pela ação do tempo, mas o que seria a eternidade? Uma crença, um conceito? A crença e o conceito correspondem à existência de uma eternidade? O que é ser eterno? Existir para sempre? Nunca morrer? Quem já experimentou isso? Ninguém! Se tivesse experimentado, não teria nascido, pois o que é eterno não nasce nem morre. O que é eterno não muda; não gera vida como a conhecemos, logo a eternidade, se existe, existe sem movimento, mudança e transformação.

Eis o tédio...Somos capazes de elaborar os conceitos mais profundos e refinados sobre a eternidade, mas incapazes de experimentá-la, afinal somos corpos físicos. Há pensadores que afirmam ser a eternidade um eterno presente; uma espécie de fusão com o Universo sem as lembranças do passado e as projeções futuras. Todavia, se isto for verdade, então só posso penetrar na eternidade por meio de um recurso material: o meu corpo. O que é uma suposta alma sem um corpo? Não sei. O que é "viver" numa dimensão eterna sem mutações?  Não sei.
A eternidade, por enquanto, é apenas uma crença religiosa ou um conceito metafísico. Se  "existe",  deve ser um tédio...


TEXTO: Marco Aurélio Machado

domingo, 9 de fevereiro de 2014

EXISTÊNCIA E INEXISTÊNCIA!

O ser humano geralmente passa pela vida  e nunca faz esta pergunta: onde eu estava antes de nascer? Entretanto, quase sempre faz este questionamento: para aonde vou quando morrer? Ele parte do pressuposto de que existia como um espírito, uma alma ou qualquer forma de energia vital antes do nascimento. Logo, se existia antes, viverá num corpo físico temporariamente neste planeta e, posteriormente,  voltará para uma suposta dimensão espiritual. E de acordo com a fé e a crença da pessoa, há muitas nuances. Desde o julgamento final,  passando pelo purgatório,  ou mesmo o castigo eterno no inferno.  Será?

Em primeiro lugar, os fatos mostram o seguinte: excluindo as doutrinas céticas radicais e apostando no naturalismo, temos um mundo físico do qual fazemos parte; percebemos que os seres vivos "morrem". Desde os mais simples micro-organismos até o homem, ou seja, o ente que além de conviver com a finitude, o aniquilamento de todos os outros animais e plantas, sabe que também morrerá. Pior: pode ser a qualquer momento. O que os fatos mostram? A morte do corpo físico. A certeza de que ao menos de um ponto de vista material o fim de tudo é inevitável. Adeus sorrisos, lágrimas, dores, afetos, amizades, ódio, rancor, amor. Enfim, é o desaparecimento da pessoa e da consciência exterior e interior.

Contudo, a maioria dos seres humanos se recusa a aceitar a morte como um fenômeno natural. Acredita que a consciência, a alma, o espírito sobrevive a destruição do corpo físico. Como podemos compreender tal tipo de crença? Afinal, o que sobrevive? O ego humano com os seus desejos, esperanças, medo do desaparecimento total? Por que deveríamos ter medo justamente daquilo que nos faz tanto mal? Continuar convivendo com o conjunto de toda a nossa história, psicologicamente,  é o outro nome do inferno, porém, se queremos continuar acreditando numa vida após a morte, não seria dar sequência a tudo o que nos permite alguns curtos momentos de felicidade e muito mais sofrimentos? O Eu, o Ego desejam a permanência, mas existe de fato a permanência neste mundo?

Tudo muda: o nosso corpo, a aparência, a forma de pensar, sentir e agir. Todavia, o desejo de permanecer na impermanência é um grande problema psicológico. Queremos levar para uma outra dimensão tudo isso que nos faz sofrer? Pior: nem temos certeza disso, apenas fazemos uma aposta. Penso que a morte é o desaparecimento de tudo. Assim como não temos a menor ideia de onde estávamos antes de nascermos, porque não podemos pensar o nada sem que existamos, aprendamos uma linguagem e então podemos perguntar pelo nada; assim também só podemos especular sobre o pós-túmulo. Há um desejo, uma crença, uma fé de que somos eternos.  

O fato é que não sabemos, mas queremos ser especiais diante de uma natureza que nos é indiferente. Se a natureza não se importa conosco, buscamos um ser superior que em tese poderia fundamentar as nossas crenças de permanência. Conclusão: esperanças, nada mais...


Texto: MARCO AURÉLIO MACHADO

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

VIDA E "ANO NOVO"!!




 Eu queria viver como tantos por aí. "Aproveitar" muito a vida, como a maioria gosta de dizer. Entretanto, viver para mim, é muito mais que os instintos; sei que sou um animal como qualquer outro da natureza, mas, diferente de outros animais, posso fazer escolhas. E os desejos que tenho, que não são poucos, passam por reflexões.

E é justamente uma boa reflexão que me faz perc
eber que sou muito mais do que um bicho, transcendo os meus instintos "naturais", mesmo à custa de algum sofrimento. Se viver é realizar todos os desejos possíveis, então não estou vivendo, pois tenho aberto mão de quase todos eles, porque sei que o prazer contém a dor. E mais ainda quando damos vazão aos nossos instintos, principalmente, àqueles que geram VIDA.

Penso que se realmente não valer a pena, se não houver ao menos uma "química" forte, é melhor se abster. Seres humanos não ficam no cio, caso vivessem nesse estado, bastaria ficar com o primeiro que a pessoa visse na rua: mas cada um tem que lidar com o seu "fogo infernal"...Observe a vida de quem o aconselha, mesmo que seja um poço de virtudes e não apenas uma montanha de músculos, a escolha é sua e as consequências também: NINGUÉM ESTÁ NA SUA PELE...

Devemos, sempre que possível, ser os senhores da situação, nem sempre conseguimos, todavia, o preço a pagar justifica o "viver" por "viver"? Bom, vou continuar não vivendo, se a maioria pensa que viver é o que temos por aí. Fazemos as nossas escolhas e somos os responsáveis por elas.

Escuto muitas pessoas, mas quem escolhe sou eu. E acho muito interessante escutar, mormente quando há lucidez, bom senso das pessoas que ouço. Melhor ainda quando há harmonia entre o que ouço e as atitudes das pessoas. Ninguém consegue tal harmonia o tempo todo: É DIFÍCIL, muito difícil, afinal, animais humanos se contradizem, o que é natural.

Diante do que foi exposto, neste pequeno texto, tal qual Sísifo, vou continuar rolando a minha rocha morro acima. Mas vou devagar, porque sei que se for muito depressa, as minhas viagens serão mais cansativas e dolorosas, porque a rocha cairá de novo. É o castigo dos deuses para Sísifo!! Para mim, basta o castigo da minha consciência, e nela não povoam deuses e crenças, pois não pode existir uma ética verdadeira, se o fundamento não for apenas a consciência humana.

Conheço tantos por aí, que oram, rezam, e vivem bem piores que eu; talvez seja pelo fato de acreditar que podem fazer o que quiserem, pois no último suspiro pedirão perdão a Deus e serão perdoados. Eu não posso contar com esse recurso... A minha consciência, na medida do possível, está leve. E a sua, está? PENSE NISSO para o "ANO NOVO". Contudo, como sou um cético, continuo sem muita esperança nesta espécie que também faço parte: o ser humano! O ser que diz ser racional, imagine se não o fosse? 




 TEXTO: Marco Aurélio Machado
 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

AMOR PELOS PONTOS DE ???? !!!!!! ...



Hoje quero fazer uma reflexão sobre os três pontos, a meu ver, mais importantes da linguagem humana escrita, falada ou em forma de gestos: os pontos de ( ?, !, ...).
Há pessoas que passam pela vida e quase nunca utilizam esses verdadeiros "sinais" inventados pelo homem. A maioria gosta mesmo é do ponto final (.) e dos dois pontos (:). Afirmam e negam premissas baseadas no senso comum, no ouvir dizer, nas fofocas, nos discursos das "autoridades": políticos, cientistas, padres, pastores, professores, enfim, em supostos proprietários do "saber". Fazer perguntas, indagar, questionar é sinônimo de chatice, de querer ser o "dono" da verdade, de curiosidade inútil...É uma espécie de tabu para quem encontrou a verdade: "DOS OUTROS"!!!!!

Quantas pessoas tenho encontrado pela vida que baseiam o seu "conhecimento" em livros escritos por "especialistas, sagrados, pessoas de renome, autoridades, doutores, pós-doutores? Evidentemente, é impossível que uma pessoa possa descobrir sozinha  teorias,  fatos científicos e demais áreas do conhecimento humano. A maior parte do que sabemos é de "segunda mão". Contudo, quem é a referência neste mundo para nos dizer que tem a última palavra sobre quaisquer assuntos?

Podemos não saber as respostas para a maioria dos nossos questionamentos, e a famosa frase de Sócrates já nos alertava: "SEI QUE NADA SEI". Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso percebe que há uma contradição com a frase supracitada, mas tal contradição é lógica. A linguagem humana gera muitos paradoxos dessa natureza, e quem não estiver atento para isso, confundirá o conceito de fome com a fome real. Bom, mas quem quiser mergulhar nessas discussões lógicas, fique à vontade. O compromisso deste autor e deste blog,  é trazer a Filosofia para o cotidiano, para a vida comum dos homens. Aqui não há muito interesse por uma grande erudição, repetir tal qual um papagaio o que os outros disseram, mas usar a linguagem para resolver problemas práticos. Alguma coincidência com o livro "INVESTIGAÇÕES FILOSÓFICAS",  de Wittgenstein?

É muito importante, numa época em que as pessoas usam de artimanhas e recursos para a persuasão, analisar as frases e atitudes com muito cuidado. Uma pessoa não precisa ser paranóica, mas perguntar, espantar-se, e evitar o ponto final (.) e os dois pontos (:), como se fossem verdades divinas,  evitará muitos problemas na vida...
Particularmente, gosto muito de observar discursos, atitudes, me espantar e me admirar com coisas simples, fazer perguntas "inocentes", contemplar coisas e situações de um ponto de vista amplo. Talvez seja por isso que eu goste de ter uma visão de conjunto das coisas; relacionar aquilo que aos "olhos" do leigo está fragmentado, separado...

Ao escrever este texto, me lembrei da minha mãe...Desde criança fazia muitas perguntas a ela. PIOR: não ficava satisfeito com quaisquer respostas. Será que me apaixonei pela Filosofia por causa disso??? Quem sabe!!! Quem sabe...

TEXTO: Marco Aurélio Machado

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

CARTA A UM AMIGO IMAGINÁRIO!

Uma das formas de escrever textos filosóficos é por meio de cartas. Hoje vou escrever uma carta para um "amigo imaginário". Nada como uma boa reflexão sobre a vida para o fortalecimento do espírito ( nada a ver com a dimensão religiosa, espiritual), afinal, refiro-me ao intelecto, à consciência de ser e estar no mundo...

Sabe, "amigo imaginário", durante a sua existência neste mundo, você teve muitas experiências: como todo ser humano, muitas foram agradáveis, mas os maiores desafios que você enfrentou, deixaram marcas profundas. Quando se é criança,  somos conduzidos pelos adultos. O problema é que há adultos e "adultos". Estas pessoas também têm uma história de vida; muitas foram vítimas da estupidez, da ignorância, que por sua vez...

Todavia, depois de uma certa idade, escolhemos grande parte do nosso "destino". Você sabe, "amigo imaginário", que a vida foi madrasta contigo. Evidentemente, que comparando a sua vida com a de  grande parte da Humanidade, a sua situação foi, e é ainda muito "boa". Mas, por favor, não me pergunte, por enquanto, o que é ser "bom", porque, hoje, o mais importante não é o conceito de bondade,  mas a sua condição de ter nascido sem saber o porquê...

Nesta vida, como o "amigo imaginário" deve saber, pagamos um preço por todas as nossas escolhas. Uma pessoa revoltada,  rebelde e questionadora incomoda...A sociedade e o sistema gostam das ovelhas, dos rebanhos, dos que dizem amém, dos que se ajoelham para garantir benesses milagrosas, dos hipócritas que vendem a alma aos poderosos que possuem uma conta bancária recheada, mas que não têm o poder sobre a própria vida. São escravos com máscaras de senhores e senhoras...

As pessoas livres, autônomas, independentes são ridicularizadas, mas os verdadeiros palhaços não sabem que o são,  porque o espelho deles é o outro nome do Photoshop. Vivem uma vida "rica", mas às custas de uma pobreza da liberdade. Sabe, "amigo imaginário",  essas pessoas nunca ouviram falar de um Diógenes, de um Epicuro. Elas precisam da riqueza material ou do desejo de adquirir muitos bens terrenos, porque na verdade,  no lugar de uma "alma" elas têm um buraco sem fundo. E o que não tem fundo, não pode ser preenchido...É o eterno buscador,  que não pode encontrar o que busca, pois não sabe o que busca. Logo, "amigo imaginário",  aquilo que o tolo busca, pode estar ao  lado, mas como se pode encontrar o que não se conhece?

Há pessoas que "juram" que o conhecem...Como estão enganadas!! Conhecem o espelho distorcido da própria imagem. Como a imagem é bonita na aparência e horrível na essência, projetam a sua carência nos outros, confundindo momentos de fraqueza, natural em todo ser humano autônomo,  e que enfrenta a angústia das suas escolhas, como se fosse uma necessidade que habita a pessoa desde a sua infância.  Nada mais falso.

Agora eu preciso ir, "amigo imaginário". Numa outra oportunidade, continuaremos o nosso diálogo...


TEXTO: Marco Aurélio Machado

sábado, 5 de outubro de 2013

FRASES "DOCES"!!

Há pessoas que dizem tantas mentiras, que quando falam a verdade,  a gente sempre pensa que é mentira;  e escutá-las com seriedade passa a ser uma comédia...

Não diga aos outros o que você não suportaria saber se a mesma frase fosse dita a você.

As sutilezas devem ser feitas pelos sábios, pois  o estúpido acreditará que pode iludir e continuar pensando que a confiança nele está intacta...

A maior comédia que faz a minha "alma" sorrir é a  do mentiroso que acredita no próprio engodo.

Há pessoas que se acham tão inteligentes para tentar enganar, mas não passam de idiotas por pensarem  que uma pessoa realmente inteligente acredita no seu teatrinho de gosto duvidoso!!

Não utilize a mesma técnica de sedução que você usa para lidar com um imbecil, e uma pessoa que é capaz de saber aonde você quer chegar, porque ela sabe que você cairá no abismo.

Os maiores idiotas que eu conheço sempre pensam que livros de autoajuda são a solução para resolver todos os problemas humanos.

Os maiores canalhas que eu conheço acreditam em Deus,  mesmo sendo fã das seduções diabólicas, e ainda rezam e oram e se sentem especiais aos "olhos" da divindade...

A única pessoa que tem obrigação de gostar de mim sou eu, afinal não sou proprietário dos pensamentos, dos sentimentos nem da vontade dos outros.

O filósofo sabe que sabe muito pouco; o imbecil sabe que é sábio, porque é iluminado por Deus!!!

O humilde que se acha humilde é o arrogante que não reconhece a própria arrogância.

Se você me acha arrogante, farei o possível para ser mais parecido contigo!!

Se a felicidade é algo interno, então esqueça os bens materiais, pois eles são externos e não contribuirão para preencher o seu vazio existencial.

A carência é a condição ontológica de todo ser que não é Deus...


TEXTO: Marco Aurélio Machado

sábado, 14 de setembro de 2013

A MORTE DO TEMPO!

Uma reflexão sobre a morte de todos os seres vivos da natureza não é um tema muito agradável de abordar, principalmente, numa época que cultua e desfruta  objetos, que além de não terem vida, são descartáveis antes de poderem ainda ser utilizados por algum tempo.

Apesar de ser extremamente preocupante a situação supracitada, há algo pior. O homem, que já foi definido como animal racional, simbólico, econômico, político, cultural, social, histórico, entre outros conceitos;  acredita-se que ninguém tenha a última palavra sobre o assunto, pois uma definição essencial, metafísica, portanto, eterna,  pode ser até bela, mas não retrata a época que estamos "vivendo", se é que podemos dizer que tenha algum ser humano vivendo de fato. Os animais vivem,  mesmo que não tenham consciência disso, entretanto, por paradoxal que seja, se prestarmos atenção aos demais seres naturais, aprenderemos muito mais com eles do que com a maioria dos seres humanos. Talvez seja por isso que algumas artes marciais foram desenvolvidas,  por pessoas que observaram por longos anos o comportamentos dos "seres irracionais".

Diante do exposto, vou definir o homem como o prisioneiro do tempo psicológico e o assassino do tempo  cronológico, ou seja, o tempo que é marcado pelo espaço: os ponteiros dos relógios provam tal tese...Até quando haverá relógios com ponteiros? Alguém sabe? Eu, como sempre, não sei...Já não basta ao homem ser o assassino de todas as demais espécies da natureza ( pode-se perdoar o filósofo francês, René Descartes? Afinal, por acaso, não foi o dito cujo quem disse que os animais não têm alma?) O interessante,  é que segundo ele,  o homem tem alma...e desde quando o homem deixou de assassinar o seu semelhante, inclusive, em nome de um suposto amor divino?

O homem é, então, o prisioneiro do tempo psicológico e o assassino do tempo cronológico. Prisioneiro, porque "tempo é dinheiro"; porque é "necessário" ter fluência em algumas línguas estrangeiras; porque é "essencial" ter músculos e um corpo padronizado pela ditadura da beleza; porque a felicidade humana é mensurada pela quantidade de bens materiais que se adquire; porque é preciso ter um tempinho para realizar múltiplas experiências sexuais, mesmo que sejam com vários parceiros e durem apenas quinze minutos; porque é fundamental ter um tempo para frequentar as igrejas,  para Deus abençoar às pessoas com bens materiais e perdoar os pecados pelo desejo de ter desejos estimulados pelo capitalismo; porque é preciso ter alguns minutinhos para tentar garantir uma vaga no paraíso...Mas não é só isso, mas isto: para quem não é espiritualista, há os novos templos e palcos. Shoppings, arenas, onde se jogam futebol, shows de artistas medíocres, mas que são transformados em deuses humanos, enfim, jogos e mais diversões para "matar" o tempo!!!

Infelizmente, ainda temos que nos referir ao tempo cronológico, que está intimamente relacionado ao tempo psicológico. Para começar,  não vai demorar e o atual modo de produção capitalista vai inventar um dia de 48 horas, porque só 24 horas está ficando impraticável!! O sistema precisa produzir num ritmo cada vez mais rápido, pois objetos descartáveis "têm vida útil escassa". "Vivemos" numa época em que a memória está sendo transferida para as máquinas, logo, matamos o passado, as lembranças, as memórias. Pior: como não temos paciência, não toleramos frustrações, porque o importante é não esperar e viver para o futuro em pleno período presente. Somos os assassinos do passado e do presente, mas queremos ressuscitar o que nunca morreu, ou seja, o futuro! Desejamos viver no futuro, justamente o tempo que não existe e nunca existirá, a não ser pela imaginação. Eis o homem!! O assassino do tempo que existiu e que existe agora e o inventor do futuro!! O inventor do "objeto inexistente...


TEXTO:  Marco Aurélio Machado

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

PROFESSOR OU EDUCADOR?

Observo, atento, há anos, um processo ideológico ocorrendo na educação por parte dos "pensadores da educação", os chamados especialistas. Confesso que quando ouço dizer que alguém é especialista numa determinada área, procuro observar com "olhos de lince" tais afirmativas. Nada contra o especialista em si, mas a carga ideológica implícita no conceito...

Parece-me também que ao chamar alguém de especialista, não nos damos conta da "falácia da autoridade", ou seja, passa-se a impressão "inocente"de que o especialista aprofundou-se tanto em uma área do conhecimento humano que os "leigos" devem estudá-lo, ouvi-lo, prestar atenção e reproduzir o discurso sem uma análise crítica ampla. Desconfio sempre do que não aparece como poder num primeiro momento, mas em nome de uma suposta "especialização," em vez de termos estudos sérios, tenhamos uma "autoridade" sobre o assunto. Assim, trocamos estudos científicos aprofundados, baseados na experiência, e generalizamos a ideologia de um determinado grupo como se fosse uma verdade inquestionável, porque a falácia da autoridade passa a ser a verdade. Quem nunca ouviu neste país? "Sabe com quem você está falando"?

Evidentemente, que não faço neste texto uma crítica generalizada sobre a especialização em si, mesmo porque em muitos aspectos ela é essencial. Questiono, sim, uma ideologia que se passa por ciência, cujo objetivo é ocultar e não desvelar,  interesses econômicos, sociais, políticos e culturais como se fossem tabus,  afinal, são teorias de especialistas na área, uma autoridade! 

Diante do supracitado,  tenho observado vários colegas de profissão que têm muito orgulho de dizer que são educadores. Participam de vários cursos, leem os grandes "filósofos da educação", encantam-se com as belas palavras encadeadas através de deduções lógicas impecáveis, mas quase sempre não se dão conta que a ideologia violentou a ciência. Principalmente, quando esses "especialistas" estão a serviço de algum governo que se preocupa mais com a quantidade do que com a qualidade do ensino.

Penso que é necessário tomar muito cuidado e não confundirmos a figura do professor com a de educador. Por quê? Porque o professor ensina, leciona, tem um compromisso de preparar aulas, corrigir provas, avaliações, testes, trabalhos, exercícios e demais rotinas da profissão. O educador, não, pois além de tudo o que foi mencionado acima, torna-se uma espécie de pai, mãe, irmão, babá, psicólogo, amigo, disciplinador, referência, enfim, uma espécie de ser mitológico supra-humano. E se o "educador" não fizer isso, a culpa é dele, e não do sistema educacional, ou seja, o "educador" é o bode expiatório ideológico para as mazelas da educação. E quem prepara a "teoria"? O especialista!!

De minha parte, prefiro dizer que sou um professor e um "educador complementar". Afinal, a educação informal, básica deve vir da família. O problema é que a família também está situada no contexto do capitalismo; é mais uma peça desta imensa engrenagem. Contudo, apesar das dificuldades, valores, princípios, regras, normas e virtudes devem começar no seio familiar. Como pode um jovem chegar à escola como se nunca tivesse ouvido um "não" na sua curta existência?

O discurso do talento, do dom, da profissão "nobre", da missão divina já está ultrapassado. O profissional da educação não é uma máquina de ferro e nem é filósofo estóico, para fazer um papel que ultrapassa a sua capacidade de ser um ser humano como outro qualquer. Portanto, reflitam sobre este assunto e procurem perceber que o conceito de "educador" é de uma responsabilidade enorme, tão grande que pouquíssimos profissionais têm conseguido carregar sem adoecer...Quem está numa sala de aula sabe disso na prática, afinal, apenas palavras bonitas não mudam a realidade nas suas várias dimensões...


TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 9 de julho de 2013

ÉTICA NO FACEBOOK!!

É muito comum nos debates e diálogos filosóficos a ideia de que um filósofo pensa os problemas e possíveis soluções da época em que viveu ou vive. Assim, o que não falta na nossa época é a importância da computação em geral e da internet em particular. Esta traz uma novidade que só o distanciamento no tempo será capaz de analisar: um "poder" jamais visto na História.
Apesar dos acontecimentos políticos e sociais que estão acontecendo no país, e da importância da reflexão sobre tal fato histórico inédito, neste texto eu vou escrever a respeito da ética e das prescrições morais no Facebook. Parece-me que a maioria gosta de Filosofia e ainda não sabe disso...

Há um outro dado importante que gostaria de salientar: as frases e textos que aparecem e que dificilmente constam os nomes dos autores das mensagens. Uma espécie de plágio "inocente"? Um espaço para demonstrar a inteligência alheia, mas usado como se fosse da pessoa que posta? Um ambiente paradoxal: distante e próximo ao mesmo tempo?  Um consultório psicológico coletivo? Uma farmácia de placebos de autoajuda e terapia virtual? Eis as redes sociais: o Facebook é a moda do momento, assim como o Orkut fora um dia. Até quando? Não sei, ninguém sabe...

A impressão que tenho quando leio frases, textos, mensagens, pequenos trechos de romances, lições e prescrições morais, é que a pessoa que as escreve é proprietária de todas as virtudes que preconiza aos leitores. Como nem sempre é possível comparar o discurso com a prática cotidiana das pessoas, ficamos do outro lado da tela admirando, criticando, nos emocionando, rindo, irados, desconfiados, enfim, aliviados ou mais entediados. Todavia, a nova "droga" continua nos viciando, pois quantas pessoas viram as madrugadas no Facebook?

Entretanto, há situações que chegam a ser hilárias. A pessoa escreve frases e a impressão que nos passa é de que existe uma divisão interna na sua personalidade, pois afirma algo categoricamente a respeito dos mais variados assuntos, principalmente, aqueles relacionados ao amor, contudo, após alguns minutos,  a mesma pessoa posta outras frases que contradizem as primeiras, demonstrando o quão o estado emocional dela está em conflito. Pior: na maioria das vezes são frases de outras pessoas e sem os devidos créditos.

Evidentemente, que o que escrevi aqui são impressões e interpretações pessoais. Não segui um método científico rigoroso e nem fiz estatísticas. A intenção foi apenas colocar neste texto algumas constatações divertidas e na medida do possível tentar compreender o tão rico universo psicológico do ser humano: o ser das contradições!!!


TEXTO: Marco Aurélio Machado

sexta-feira, 7 de junho de 2013

FRASES TÓXICAS!!

Intoxicar-se com o próprio veneno mental é desejar o sofrimento alheio e  morrer em vida...


Viver como um zumbi é o passatempo  preferido do alienado...


A ambição em excesso é o passaporte gratuito para o sofrimento, pois, quem ganha,  convive com o receio de perder, e quem perde, tem como companhia a culpa...


Procurar a felicidade nas distrações é como fazer comédia em grupo e lidar com a tragédia na solidão.


O assassino dos desejos será o carrasco de si mesmo, e aquele que realiza todos os desejos conviverá com o prazer e a dor até a morte.


A desgraça alheia parece satisfazer imensamente gente que não tem noção da própria desgraça!


A crença na riqueza fácil é a descrença na dignidade de si mesmo.


A ilusão de um prazer contínuo já é o sofrimento que consome a alma do tolo.


Viver é conviver com o tempo, conviver com o tempo é a certeza do aniquilamento de todas as coisas e situações...


A esperança em excesso é a paciência sem limite e o que não tem limite não tem amor próprio...



TEXTO:  MARCO AURÉLIO MACHADO






sexta-feira, 3 de maio de 2013

O CORPO!

O corpo humano é um dos assuntos mais polêmicos e paradoxais que o homem se depara. Ele é ao mesmo tempo cultuado e negado. Cultuado, na nossa época, que padroniza uma espécie de beleza universal, onde músculos misturam-se com silicones, anabolizantes e alimentos "saudáveis", e, por outro lado, negado e rejeitado como se fosse um fardo para as correntes de pensamento de cunho religioso e idealista. O corpo, neste sentido, passa a ser o "templo" da alma, do espírito, e que como tudo aquilo que existe no espaço e no tempo,  está fadado à mudança e ao desaparecimento.

Mas, afinal, temos um corpo ou somos o próprio corpo? O corpo é o responsável pela prisão de uma suposta alma ou espírito que o habita? Em caso de a resposta ser afirmativa, como comprovar a existência de uma alma ou espírito? Constatamos milhares, milhões de corpos humanos nas mais diversas relações: social, econômica, política, cultural, mas apesar de o homem estar sempre numa determinada situação e condição no mundo, não constatamos uma alma ou espírito o habitando.

Elaboramos crenças, temos fé que o corpo não passa de um recurso para a evolução de algum ser de natureza espiritual,  e que só está no plano terreno de passagem. A mensagem é: temos um corpo,  e numa linguagem filosófica, ele é mera aparência, pois a essência, esta sim, é imortal e eterna e vem de uma outra dimensão. A verdade? Apenas o desejo de ser especial e merecer residir num outro reino, em tudo diferente deste mundo de lágrimas, dores, sofrimentos, desesperos e injustiças, contudo, com alguns lampejos de alegrias e prazeres.  A rejeição de encarar a finitude e o nascimento aleatório é uma verdade muito dura para ser confrontada. O homem precisa de ficções e ilusões para poder suportar o fardo pesado de um corpo que envelhece, adoece e morre como todos os outros seres viventes da natureza. A ideia de ter um corpo, mas ser uma alma ou espírito, "alivia" a angústia existencial da companheira e ao mesmo tempo inimiga: a morte.

Na falta de uma prova peremptória, fico com a crença de que somos um corpo, e que a matéria foi capaz de, no decorrer de milhões de anos, formar desde corpos mais simples aos mais complexos, como é o caso do ser humano. É através do corpo que o homem se relaciona, produz e reproduz a sua existência material, tem experiências sexuais e, portanto, reproduz a sua espécie, escolhe e é determinado pelas circunstâncias também, trabalha e com isso transforma a natureza,  produzindo cultura, dá sentido e significado à sua vida, comete atos e é responsável por eles, sejam pela consciência ou pela força das leis.

É pelo corpo que o ser humano está no mundo,  ocupando mais do que um lugar no espaço, mas vivendo também a sua dimensão temporal. É o corpo de um bebê nascendo que, geralmente,  é fonte de uma das maiores alegrias que o homem pode vivenciar, mas é o mesmo corpo que não tem garantia de sobreviver neste mundo, pois a existência pode ser longa,  quanto extremamente breve. E seja a existência breve ou longa, a alegria do nascimento é substituída pela dor da morte e a certeza do aniquilamento de uma pessoa ou quaisquer seres viventes.

Nunca vi uma alma desvinculada de um corpo. Existe? Não sei. Eu até gostaria que existisse, mas entre a realidade que percebo e o desejo de que o mundo fosse diferente,  e a necessidade de o homem inventar, imaginar e especular a respeito de um mundo metafísico, nada mais é que um paliativo e a esperança de uma recompensa que possa fazer justiça aos infortúnios de quem "passa" por aqui, pois até mesmo essa passagem é muito improvável. Deste ponto de vista, ser um corpo é um privilégio, dependendo da concepção de cada um. A meu ver, sou um corpo e fico feliz por estar apenas de "passagem" por aqui, pois a perspectiva da eternidade me gera um tédio maior. Jamais morrer? Isto, sim, é angustiante...


TEXTO: Marco Aurélio Machado

terça-feira, 2 de abril de 2013

O QUE É O PENSAMENTO?




O homem é um ser que pensa, memoriza, imagina, visualiza, representa, abstrai, recorda, compreende intelectualmente, dentre outros processos criados pelo "pensamento". Usamos a palavra pensamento no cotidiano e dificilmente refletimos sobre o que ela significa. O que é o pensamento? Qual é a origem do pensamento? Qual é a função do pensamento?

O pensamento é algo difícil de ser definido. Ele é algo imaterial e, por isso, não ocupa lugar no espaço,  entretanto, ele percebe e reflete sobre o espaço, e no que se refere ao tempo, o pensamento humano situa o homem nas suas três dimensões: passado, presente e futuro. Tudo o  que há no mundo humano como produto cultural , antes de vir à existência,  estava presente enquanto ideia, pensamento,  na mente do homem. O pensamento distancia o homem dos objetos, ou seja, não há necessidade de haver algo concreto diante do homem para que ele possa saber do que se trata. O homem é capaz de lembrar, recordar, visualizar e imaginar aquilo que não está presente às suas impressões sensoriais.

Mas qual é a origem do pensamento? Penso que não há dúvida que o pensamento começa com as impressões sensoriais e com o aprendizado da linguagem em suas várias dimensões na vida em sociedade. O pensamento está em íntima conexão com a palavra em toda a sua riqueza: escrita, falada, gestual, etc.

A função do pensamento é dar ao homem a capacidade e a competência de usá-lo nas mais diversas circunstâncias e situações da vida. Ele não é bom e nem mau em si; mas é capaz de gerar obras nobres e também causar tragédias inimagináveis, pois quando recordamos o passado, por mais que pensemos nas catástrofes geradas pelo homem, nunca podemos afirmar peremptoriamente que a humanidade não será capaz de superar a sua capacidade de causar atrocidades em todos os níveis.

Todavia, é na vida pessoal que o pensamento costuma ser motivo de grandes alegrias, mas também de enormes tristezas e sofrimentos. O homem não é apenas razão enquanto poder de dominar sentimentos, emoções e a imaginação. Uma pessoa que conseguisse fazer uso apenas da sua razão  empobreceria a sua condição de ser humano. Por outro lado, alguém totalmente dominado pelas emoções, imaginação e sentimentos, seria um escravo de um verdadeiro caos interior.

Evidentemente, que o ideal é o equilíbrio dessas esferas que habitam a mente do homem, ou seja, nem a "frieza" racional nem a "fervura" emocional e sentimental. Como cada ser humano conseguirá realizar tal projeto é uma outra "história". O certo é que o pensamento é uma espécie de anjo ou demônio que reside na mente humana. E enquanto houver vida numa determinada pessoa, haverá paz ou guerra no íntimo de cada um. Eis o que é bendito e maldito no homem: O PENSAMENTO e a sua capacidade de construção e de destruição...Cabe ao homem carregar a sua cruz...


TEXTO: Marco Aurélio Machado




sexta-feira, 1 de março de 2013

A CARÊNCIA EXISTENCIAL

O homem é finito, contudo, dificilmente reflete sobre a sua situação no mundo como um ser que carrega no seu âmago uma carência ontológica,  e o desejo que ele tem de complementar tal falta com a angústia de uma busca incessante de preenchimento do nada que o habita.

O fato de ele ser finito,  quase nunca se torna um problema filosófico, visto que a maioria só se dar conta disso quando enfrenta uma crise, uma ruptura radical na monotonia do cotidiano, um fato inesperado que lhe tira o chão até então sólido.  A areia movediça e o abismo passam a ser algumas das suas escolhas...Todavia, mesmo diante do mais profundo desespero, quase sempre o homem recorre aos mais diversos paliativos para não ter que enfrentar a realidade de frente: bebidas alcoólicas, drogas, religião, amigos, astrologia, psicólogos e até mesmo supostos videntes do além-túmulo e do "futuro".

Refugiar-se em ilusões e em dogmas sobrenaturais que lhe prometem a infinitude e a eternidade é um "placebo" importante.
Entretanto, encarar a finitude, a consciência dos nossos limites e a certeza de que estamos atolados num tempo e espaço que não escolhemos e que a vala é o nosso destino, é o grande desafio e a noite negra em que todo ser humano deveria mergulhar. A consciência da finitude faria o homem repensar valores, práticas, regras e normas que não fazem o menor sentido...

Se  fôssemos eternos, talvez eu seria o homem mais ambicioso do mundo, mas que diferença fará daqui a alguns anos se fui famoso ou anônimo, rico ou pobre, bonito ou feio? Nenhuma. Escolher, porém, uma ética que fará de mim uma pessoa mais digna,  mesmo durante o curto período que estarei neste mundo, é, com certeza, uma escolha mais interessante. Não sabemos de outras realidades e dimensões espirituais, mas ninguém duvida de que alguém morre, é colocado no féretro,  e nos demais rituais humanos a respeito desta grande conhecida: a morte e um corpo cremado, enterrado ou jogado em qualquer lugar.

Infelizmente, a imensa maioria dos seres humanos passa pela vida sem fazer uma pergunta sequer sobre a carência humana. Mascaramos as nossas angústias com diletantismos de gosto duvidoso. 

Todavia, o difícil é perceber o buraco existencial e as dores deste mundo com dignidade. Neste sentido, um mergulho nas trevas da nossa "alma" pode ser um grande diferencial. Compreender que,  apesar da carência, da falta, do vazio, o homem pode distinguir o que é essencial para ele e o que é aparência. A primeira é escolher a liberdade e a autonomia, a segunda é fingir escolher e, assim, alienar a própria consciência, quase sempre com gente estúpida e que vive como um pé-de -quiabo...


Texto: MARCO AURÉLIO MACHADO









sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

ESPERANÇA E DES(ESPERO)

Nas aulas de Filosofia, quando digo aos alunos que a esperança, ao contrário do ditado popular, deve ser a primeira a morrer e não a última, quase sempre vem uma avalanche de questionamentos e rótulos de que o professor de Filosofia é "doido". Estamos tão acostumados à aceitação sem crítica e reflexão dos ditados populares, que muitas vezes não percebemos o componente "ideológico" implícito em frases tão "ingênuas". E eu que cheguei a ficar farto do filosofar e, por um momento, queria me perder no senso comum...

É preciso ir além das aparências para perceber o que está oculto e torná-lo explícito. A esperança, tal qual o Mito de Sísifo, aquele que foi condenado, eternamente,  a subir com uma pedra enorme morro acima,  e quando chegava ao topo, a pedra caia,  e todo o trabalho teria que recomeçar. Penso que podemos fazer uma analogia entre a esperança e este mito grego tão rico de significado. 

A esperança, palavra bonita, mas que tomou um sentido cristão, não é tão inocente assim. A esperança está na temporalidade, pior, numa parte do tempo que é impossível viver: o futuro. Sísifo rola a pedra à sua frente, e num raciocínio de semelhança, a esperança está no futuro. Mas o futuro existe? O senso comum diz: "Quem espera sempre alcança"; " A esperança é a última que morre"; mas isto é verdade?  Não estou livre dessas armadilhas, mormente em alguns momentos em que abrimos mão da reflexão, mas quem vive de esperança, ou seja, quem espera do futuro, que é um tempo apenas imaginário, será um forte candidato à depressão e terá a tristeza como companhia. 

Penso que é justamente o contrário: quem espera, vai ficar esperando, e alcançará a ansiedade e dará asas à sua imaginação, esta "senhora" angelical e demoníaca que habita a mente humana. O recado da esperança é claro: "viva sempre o futuro e carregue o fardo pesado de viver num tempo que não existe". "Faça sempre o bem aqui e a recompensa virá com a salvação no paraíso". Alguém pode ser realmente "feliz" vivendo desta forma? A pessoa viverá atormentada pelos fantasmas da imaginação e nunca terá certeza se alcançará os seus desejos e objetivos. RESULTADO: SOFRIMENTO.

Por incrível que pareça, a palavra "desespero," na nossa cultura,  tem uma carga de negatividade enorme, mas poucas pessoas pararam para refletir sobre ela. Desesperar, a meu ver, não é o oposto da esperança apenas, mas significa não esperar por nada que esteja além do âmbito de domínio da pessoa humana. Há uma frase que eu penso ser de Sartre, mas não tenho certeza, que é a seguinte: "Fazer o possível, mas sem esperança". Em outras palavras, devemos agir, porque ao agir, escolhemos, mas se as coisas darão certo ou não, já é outra história. Desespero, então, é não esperar nada do futuro, do comportamento das outras pessoas, das suas pirraças, de toda situação externa à nossa mente. Há situações, ações e coisas que dependem de mim; infelizmente, a maioria delas não está sob o nosso controle. 

Desespero, portanto, é viver o presente, é não antecipar o futuro pela imaginação e não se culpar pelo passado. É fácil? Não, não é fácil. Vivemos numa cultura cristã e desde a mais tenra idade somos bombardeados com os dogmas cristãos. A palavra desespero para nós é uma espécie de tabu: não deve ser pronunciada. Todavia, se as nossas ações se mostrarem infrutíferas, na esperança de conquistar e reconquistar os nossos desejos, para o bem da nossa saúde mental, a palavra de ordem é "DESESPERO. (DES (ESPERO.) Os desejos são os vilões do sofrimento humano. E desesperar, não esperar, é o mesmo que não desejar. Desejar e conquistar nos dão sempre uma sensação boa, de poder, capacidade e competência, mas não existe desejo satisfeito sem dor. 

Estou ciente disso, pois sou humano. Mas "EU" ( outra ilusão) sei o preço de cada desejo "satisfeito". E quando embarco num desejo, estou convicto da dor que me espera. E o sistema capitalista sabe lidar bem com esta fraqueza humana, pois o próprio ser humano é, neste sistema, uma mercadoria temporária,  da esperança de que alguém o possua, posse esta, sempre ilusória...O que fazer?  Se sempre abrirmos mão, não viveremos; se sempre dermos vazão à satisfação dos desejos, sofreremos até a morte. Isto,  se a morte física por fim ao sofrimento. Para quem acredita que existe uma alma que habita o corpo físico, talvez a morte do corpo físico seja apenas o início dos sofrimentos da alma. Só não me perguntem como uma alma pode sentir dor sem um corpo...Os místicos adoram viajar nesses desejos e nas suas especulações, mas cada um tem o seu dicionário, que nunca tem o mesmo significado! E tome sofrimento...


Texto: Marco Aurélio Machado








quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

REFLEXÃO SOBRE O SER HUMANO!

No cotidiano,  nos deparamos com os mais variados conceitos e palavras. Reproduzimos-os como senso comum e,  por isso,  não paramos para refletir sobre a importância de lançarmos luz naquela que possibilita ao homem ser quem ele é de direito e de fato: a linguagem. Em vários outros textos que escrevi,  no meu blog, sempre refiro-me a respeito da importância do pensamento, da palavra e do conceito como condição de percepção e compreensão da realidade nas suas várias dimensões. E, portanto,  neste texto gostaria de tentar fazer uma conexão, uma ponte entre a linguagem e o ser humano, afinal é impossível darmos sentido e significado à vida e ao mundo,  sem a mediação dos pensamentos e das palavras como representações do universo humano.


Todavia, como já dissera em outros textos, o ser humano não existe como algo abstrato e, assim, pudéssemos nos livrar,  como num passe de mágica,  da sua situação concreta, existencial  e tendo como fardo um corpo,  que não apenas ocupa um lugar no espaço como os outros objetos,  mas percebe tal espaço, convive com outros e estabelece relações sociais de produção e reprodução da sua vida material e tem consciência da sua dimensão temporal. Isto significa que o homem coexiste consigo mesmo e com os seus semelhantes de uma forma contingente no espaço-tempo. É impossível conceber um sem o outro, pois estão intricados, relacionados e, com isto, estabelecemos uma relação de causa e efeito com o mundo.


Evidentemente, que tudo o que foi supracitado,  é belo,  e faz do ser humano, apesar da sua insignificância diante do Universo, um ser único e de uma certa forma especial. Contudo, paradoxalmente, o ser humano como ser belo e especial, também é um dos maiores abortos já gerados casualmente, aleatoriamente, pela "mãe" natureza. Em outras palavras, um ser capaz de construir e destruir com a mesma eficácia, eficiência, capacidade e "competência".


O pensamento, a palavra, o conceito como representações do mundo, da realidade fazem do ser humano a única espécie que vive no tempo e, com isto, relembra o passado, tem consciência do presente e projeta o futuro,  antecipando-o pela imaginação. O ser humano "controla" e manipula o seu meio ambiente da forma que lhe convier e quiser.


Todavia, um dos piores defeito humano,  é a arte de enganar o seu semelhante; mentir ou faltar com a verdade. O filósofo alemão, Kant, já dissera algo muito profundo sobre a importância da verdade e de como o homem deveria ser tratado como um fim em si mesmo e não um meio. Evidentemente, que a mentira é uma das formas de se usar uma pessoa como meio, portanto, a serviço dos interesses pessoais, e quem é usado fica carente da sua humanidade.


E, o que mais me entristece,  é o ser humano com toda essa capacidade, fazer um mau uso da palavra, palavra esta que o coloca numa posição de destaque na natureza e na cultura, mas ao mesmo tempo é a mesma que o que o faz rastejar na lama e ser pior dos que os vermes. Os vermes não têm culpa de ser vermes, mas o homem tem culpa de ser pior do que as víboras. Não sou religioso nem sei se existiu,  de fato,  um homem na História com o nome de Jesus, contudo, o mais importante foi a frase que a tradição lhe atribui: " O HOMEM É UMA RAÇA DE VÍBORAS". E digo mais: o ser humano é pior do que as víboras, pois estas não podem escolher, o homem, se não for vítima de nenhuma doença mental grave, pode fazer belas escolhas e assim contribuir para colocar a luz da razão e da ética a serviço da humanidade, usando, sempre que possível,  a VERDADE.


TEXTO:  Marco Aurélio Machado