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segunda-feira, 23 de junho de 2014

REFLEXÃO SOBRE A NATUREZA

Segunda-feira, 23 de junho de 2014
REFLEXÃO SOBRE A NATUREZA
O homem faz parte da natureza; mas, enquanto esta, segundo quase a totalidade da humanidade, não tem "consciência" de si mesma, aquele é capaz de ter não apenas consciência de um mundo exterior quanto da dimensão interior; ou seja, autoconsciência. Numa palavra: consciência da própria consciência. Todavia, tal noção merece uma reflexão nem que seja superficial. O objetivo, como sempre, é antes provocar que chegar a conclusões. Estas deixamos para os dogmáticos...
A concepção de um homem separado da natureza tem sido nefasta, deletéria para a espécie humana. Não percebemos a natureza como um todo — como parte de outros todos —, o Universo, ou, quem sabe, vários outros Universos; nem mesmo temos uma compreensão holística sobre a natureza da qual fazemos parte: o planeta Terra. Há uma cisão, uma dicotomia: de um lado temos a natureza bruta, "irracional", sem nenhuma finalidade ou objetivo; do outro, o homem como ser cultural, "racional", e que transforma a natureza a seu bel-prazer, adequando-a às suas necessidades.
É a velha crença da arrogância humana: Cultura x Natureza. A primeira representa a liberdade; a segunda, o determinismo. O homem, teoricamente, é o ser livre que faz escolhas, que tem o destino da própria vida; a natureza, ao contrário, é determinista e segue leis naturais que não poderiam ser de outra maneira. Será? Isto é um fato? É uma necessidade lógica; portanto, necessária e universal? Hume desconfiava que não...
Vários filósofos foram os responsáveis por tal forma de conceber a realidade. Entre eles, René Descartes e Kant. Citei os dois, mas não vou entrar em detalhes: primeiro, porque teria que fazer uma pesquisa extensa; segundo, que a finalidade deste texto é aguçar a curiosidade dos interessados neste assunto tão fascinante e, ao mesmo tempo, deixado de lado pela sociedade que ama artefatos tecnológicos e despreza a beleza e os horrores da "natureza bruta".
Se o homem faz parte da natureza, como dizer que a natureza não é "inteligente"? Talvez a forma humana de pensar, sentir e agir fosse completamente diferente de se relacionar se, por acaso, tivéssemos uma concepção diferente da natureza. Como preconizar que o homem é racional, livre, se construímos bombas atômicas e outros artefatos mortíferos para matar e destruir o planeta, a nossa "casa natural"? Se somos natureza, então ela é inteligente, consciente e, por isso, em tese, poderíamos edificar uma história em harmonia com outros humanos e todos os demais seres vivos, além da responsabilidade de transformar os recursos naturais disponíveis com o devido respeito.
O fato é que, enquanto existirem seres humanos na natureza, ela será racional, inteligente, capaz de escolhas para fazer o bem ou o mal. O que seria o bem neste caso específico? Preservar e tirar da natureza apenas o necessário para a sobrevivência humana. O que seria o mal? A destruição do planeta e, portanto, a extinção da espécie humana. Se a humanidade não é capaz de realizar este projeto, então a conclusão é evidente: somos a própria natureza bruta e irracional!!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

domingo, 11 de maio de 2014

O ESTADO E O PODER POLÍTICO!

Domingo, 11 de maio de 2014
O ESTADO E O PODER POLÍTICO!
Desde o nascimento da Filosofia, por volta do século VI a.C., até os nossos dias, que os filósofos, cientistas políticos e sociólogos têm escrito, debatido e discutido sobre o Estado. O que é o Estado? Qual é a origem do Estado? Qual é a função do Estado? A serviço de quem está o Estado? Qual deve ser o tamanho do Estado? O Estado deve intervir na economia? Enfim, poderíamos fazer um texto só com perguntas a respeito do Estado. Entretanto, neste texto, vou me deter em alguns aspectos bem gerais com o intuito de provocar reflexões — não tenho a intenção de ter a última palavra sobre o tema, aliás, como em todos os outros textos que escrevi.
Em primeiro lugar, discordo do grande filósofo grego Aristóteles; pois ele afirmava que os homens, naturalmente, procuram se organizar e instituir o poder político para que a vida em sociedade seja possível. Ele cai numa contradição — afinal, chamava de bárbaros os povos que não tinham tal organização. Ora, se o Estado fosse algo natural, todos os povos fariam o mesmo, inclusive as tribos primitivas. Existiu, existe e existirá, necessariamente, a forma estatal nas sociedades primitivas? Penso que não. Há outras teorias: origem divina, o contrato social, entre outras; contudo, como não faço consultas ao escrever, não procurarei entrar em detalhes sobre o fundamento do Estado.
A meu ver, o Estado, independentemente da sua origem, tem um papel na chamada luta de classes e na produção e reprodução da subsistência material da Humanidade. Todavia, ele não é essencial, necessário, nem fruto de um decreto divino; caso contrário, as comunidades indígenas não produziriam coletivamente e dividiriam os bens produzidos para todos os membros da comunidade. Afirmar que são sociedades mais simples não é um argumento peremptório; porque, mesmo sendo sociedades primitivas, é válida lógica e ontologicamente a possibilidade de produção e reprodução da subsistência humana — retirando apenas o necessário para a sua sobrevivência. Ou alguém vai dizer que os índios não são humanos?
Na verdade, a ideia de que o Estado é fundamental não passa de uma ideologia empobrecida; pois, se há algo fundamental, ontológico na ação humana é a produção material da vida. Sem ela não há ser humano e muito menos filosofia, ciência, religião, arte... Numa palavra: não há cultura, pois ninguém produz nada com o estômago vazio. Quem produz a riqueza? O povo! Quem mais usufrui a riqueza produzida? Não seria, por acaso, quem mais precisa da instituição estatal, mas preconiza que o Estado não deve intervir na economia? O Estado não é sinônimo de poder político? E o poder político aparece, num primeiro momento, como a arte de resolver conflitos de classes por meio de representantes "legitimamente" eleitos pelo povo; mas, o que a ideologia dos que "mandam" de fato oculta é que o Estado é o outro nome da "força militar".
O Estado e o poder político são verso e reverso da mesma moeda. Para que precisamos da política? Quem mais precisa do Estado? Não seria, afinal, aqueles que preconizam que o Estado não deve se intrometer na economia? Política e economia estão separadas? Aqueles que detêm os meios de produção são os que mais necessitam do Estado. Comprova-se tal tese quando acontece uma crise financeira. Sem a ajuda estatal, como banqueiros e empresários irresponsáveis e falidos fariam? Se o Estado não deve intervir na economia, na hora das crises também tal tese deveria ser verdadeira, não é mesmo? O discurso contra o Estado é só de fachada — pois a doutrina de que a lei de oferta e procura regula tudo não passa de uma falácia.
O Estado é a condição ontológica para a existência do atual modo de produção no planeta; mas não foi, não é e nunca será fundamental para que o ser humano possa resolver os seus dilemas e conflitos. Não estou defendendo nenhum modo de produção específico; contudo, aceitar os argumentos falaciosos de que o Estado que promove o bem-estar do maior número de pessoas possível é paternalista já é demais...
Ser paternalista com banqueiros, empresários falidos, jogadores nas bolsas de valores no planeta pode, não é? Distribuir renda e promover o bem comum entre aqueles que realmente trabalham e produzem a riqueza material para a Humanidade não pode?
Concluo com a seguinte questão: por que aqueles que normalmente são assalariados, mas que fazem parte da classe A e B no Brasil, preconizam que o Estado brasileiro é paternalista, e que o povo deve trabalhar e não depender de esmolas, são os mesmos que geralmente não trabalham, dependem dos pais para tudo: estudam nas melhores escolas particulares, fazem viagens, cursos de línguas, intercâmbios, moram em palacetes ou edifícios de luxo? E, em muitos casos, dependem do SUS e estudam nas universidades federais também, não é mesmo? Mais: muitos financiamentos para comprar imóveis e outros bens materiais são feitos por meio dos bancos estatais... Pois é!! Quem mais precisa do Estado e dos pais mesmo? Para os mais pobres, o trabalho; para os ricos e a classe média alta, o ócio — para depois poderem mandar, inclusive nos melhores cargos estatais... É ou não uma comédia?
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

domingo, 6 de abril de 2014

FRASES EXISTENCIAIS!!

Domingo, 6 de abril de 2014
FRASES EXISTENCIAIS!!
Se uma pessoa tiver prazer em se vingar de mim, psicologicamente, eu sugiro que dê a si mesma tal oportunidade. Eu prometo que farei o possível para não ter pena da sua tolice.
Eu não busco a felicidade — estou muito ocupado em observar as crianças...
Excesso de desejos tem o sabor amargo do sofrimento psicológico; a realização da maioria deles deixa marcas no corpo e na "alma". Mas não se preocupe: a cura talvez venha com a morte e ninguém viverá para sempre...
Há pessoas que diante de um espelho se acham maravilhosas; sonho com o dia em que a ciência invente um espelho para que a pessoa observe a própria alma — mas antes deixe um psiquiatra de plantão!!
O homem não deve se "casar" apenas com um corpo; pois ele corre o risco de contribuir para que as palavras dignidade, ética, solidariedade, companheirismo e cumplicidade desapareçam dos dicionários.
O que é uma tempestade para você pode ser apenas uma brisa para quem está acostumado ao sofrimento desde a mais tenra idade.
Se é que tive alguns momentos de lucidez, eles vieram na mais profunda angústia existencial...
Faça as suas escolhas sempre; mas, quando as consequências vierem, tenha a dignidade de não solicitar a ajuda de quem foi vítima da sua liberdade de escolher: carregue a sua cruz de chumbo.
Construir a própria história pessoal é tão difícil quanto um cachorro deixar de "amar" o dono.
Não queira ser referência para ninguém, pois você despertará a imaginação da pessoa e ela o comparará aos deuses. O problema é que os deuses têm todos os defeitos humanos — afinal, quem os criou foi o homem...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 15 de março de 2014

A ETERNIDADE E O TÉDIO!

Sábado, 15 de março de 2014
A ETERNIDADE E O TÉDIO!
A maioria dos seres humanos acredita numa alma imortal que supostamente transcenderá este mundo temporal — logo, de transformações e mudanças —, mas quantos fizeram estas perguntas: existem a eternidade e uma alma? O que são, respectivamente, a eternidade e a alma?
O fato de uma pessoa acreditar não significa que ela saiba. Ela faz uma aposta que dê um sentido, um significado à vida dela; porém, o saber vai muito além de "explicações" religiosas de livros ditos sagrados, pois várias culturas têm os seus livros sagrados e cada uma quer ser a guardiã da palavra divina. Se existe um deus, em qual idioma ele se expressa? Livros sagrados já foram traduzidos desde tempos imemoriais para diversas línguas, e sabemos que nem sempre uma tradução é capaz de corresponder à ideia, ao significado, ao sentido de uma palavra. Os próprios hermeneutas não se entendem... A humanidade vai penar muito ainda para compreender o óbvio: somos ignorantes a respeito do próprio mundo físico, material — imagine a arrogância do entendimento da palavra divina?
Viver neste mundo espaço-temporal já é uma luta árdua... A certeza da morte alivia aqueles que têm uma concepção da finitude, já que morremos em vida aos poucos. Isto porque não temos certeza de nada que ultrapasse este mundo dos fenômenos. Este mundo se transforma pela ação do tempo; mas, o que seria a eternidade? Uma crença, um conceito? A crença e o conceito correspondem à existência de uma eternidade? O que é ser eterno? Existir para sempre? Nunca morrer? Quem já experimentou isso? Ninguém! Se tivesse experimentado, não teria nascido; pois o que é eterno não nasce nem morre. O que é eterno não muda — não gera vida como a conhecemos —, logo a eternidade, se existe, existe sem movimento, mudança e transformação.
Eis o tédio... Somos capazes de elaborar os conceitos mais profundos e refinados sobre a eternidade, mas incapazes de experimentá-la, afinal somos corpos físicos. Há pensadores que afirmam ser a eternidade um eterno presente — uma espécie de fusão com o Universo sem as lembranças do passado e as projeções futuras. Todavia, se isto for verdade, então só posso penetrar na eternidade por meio de um recurso material: o meu corpo. O que é uma suposta alma sem um corpo? Não sei. O que é "viver" numa dimensão eterna sem mutações? Não sei.
A eternidade, por enquanto, é apenas uma crença religiosa ou um conceito metafísico. Se "existe", deve ser um tédio...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

domingo, 9 de fevereiro de 2014

EXISTÊNCIA E INEXISTÊNCIA!

Domingo, 9 de fevereiro de 2014
EXISTÊNCIA E INEXISTÊNCIA!
O ser humano geralmente passa pela vida e nunca faz esta pergunta: onde eu estava antes de nascer? Entretanto, quase sempre faz este questionamento: para onde vou quando morrer? Ele parte do pressuposto de que existia como um espírito, uma alma ou qualquer forma de energia vital antes do nascimento. Logo, se existia antes, viverá num corpo físico temporariamente neste planeta e, posteriormente, voltará para uma suposta dimensão espiritual. E, de acordo com a fé e a crença da pessoa, há muitas nuances: desde o julgamento final; passando pelo purgatório — ou mesmo o castigo eterno no inferno. Será?
Em primeiro lugar, os fatos mostram o seguinte: excluindo as doutrinas céticas radicais e apostando no naturalismo, temos um mundo físico do qual fazemos parte; percebemos que os seres vivos "morrem". Desde os mais simples micro-organismos até o homem — ou seja, o ente que, além de conviver com a finitude, o aniquilamento de todos os outros animais e plantas, sabe que também morrerá. Pior: pode ser a qualquer momento. O que os fatos mostram? A morte do corpo físico. A certeza de que, ao menos de um ponto de vista material, o fim de tudo é inevitável. Adeus sorrisos, lágrimas, dores, afetos, amizades, ódio, rancor, amor. Enfim, é o desaparecimento da pessoa e da consciência exterior e interior.
Contudo, a maioria dos seres humanos se recusa a aceitar a morte como um fenômeno natural. Acredita que a consciência, a alma, o espírito sobrevive à destruição do corpo físico. Como podemos compreender tal tipo de crença? Afinal, o que sobrevive? O ego humano com os seus desejos, esperanças, medo do desaparecimento total? Por que deveríamos ter medo justamente daquilo que nos faz tanto mal? Continuar convivendo com o conjunto de toda a nossa história, psicologicamente, é o outro nome do inferno; porém, se queremos continuar acreditando numa vida após a morte, não seria dar sequência a tudo o que nos permite alguns curtos momentos de felicidade e muito mais sofrimentos? O Eu, o Ego desejam a permanência; mas, existe de fato a permanência neste mundo?
Tudo muda: o nosso corpo, a aparência, a forma de pensar, sentir e agir. Todavia, o desejo de permanecer na impermanência é um grande problema psicológico. Queremos levar para uma outra dimensão tudo isso que nos faz sofrer? Pior: nem temos certeza disso, apenas fazemos uma aposta. Penso que a morte é o desaparecimento de tudo. Assim como não temos a menor ideia de onde estávamos antes de nascermos — porque não podemos pensar o nada sem que existamos, aprendamos uma linguagem e, então, podemos perguntar pelo nada —, assim também só podemos especular sobre o pós-túmulo. Há um desejo, uma crença, uma fé de que somos eternos.
O fato é que não sabemos, mas queremos ser especiais diante de uma natureza que nos é indiferente. Se a natureza não se importa conosco, buscamos um ser superior que, em tese, poderia fundamentar as nossas crenças de permanência. Conclusão: esperanças, nada mais...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

VIDA E ANO NOVO!



Sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
VIDA E "ANO NOVO!
Eu queria viver como tantos por aí. "Aproveitar" muito a vida, como a maioria gosta de dizer. Entretanto, viver para mim é muito mais que os instintos; sei que sou um animal como qualquer outro da natureza; mas, diferente de outros animais, posso fazer escolhas. E os desejos que tenho, que não são poucos, passam por reflexões.
E é justamente uma boa reflexão que me faz perceber que sou muito mais do que um bicho — transcendo os meus instintos "naturais", mesmo à custa de algum sofrimento. Se viver é realizar todos os desejos possíveis, então não estou vivendo; pois, tenho aberto mão de quase todos eles porque sei que o prazer contém a dor. E mais ainda quando damos vazão aos nossos instintos, principalmente àqueles que geram vida.
Penso que se realmente não valer a pena, se não houver ao menos uma "química" forte, é melhor se abster. Seres humanos não ficam no cio — caso vivessem nesse estado, bastaria ficar com o primeiro que a pessoa visse na rua —, mas cada um tem que lidar com o seu "fogo infernal"... Observe a vida de quem o aconselha, mesmo que seja um poço de virtudes e não apenas uma montanha de músculos; a escolha é sua e as consequências também — ninguém está na sua pele...
Devemos, sempre que possível, ser os senhores da situação; nem sempre conseguimos; todavia, o preço a pagar justifica o "viver" por "viver"? Bom, vou continuar não vivendo se a maioria pensa que viver é o que temos por aí. Fazemos as nossas escolhas e somos os responsáveis por elas.
Escuto muitas pessoas, mas quem escolhe sou eu. E acho muito interessante escutar, mormente quando há lucidez, bom senso das pessoas que ouço. Melhor ainda quando há harmonia entre o que ouço e as atitudes das pessoas. Ninguém consegue tal harmonia o tempo todo — é difícil, muito difícil, afinal, animais humanos se contradizem, o que é natural.
Diante do que foi exposto neste pequeno texto, tal qual Sísifo, vou continuar rolando a minha rocha morro acima. Mas vou devagar porque sei que, se for muito depressa, as minhas viagens serão mais cansativas e dolorosas, porque a rocha cairá de novo. É o castigo dos deuses para Sísifo!! Para mim, basta o castigo da minha consciência — e nela não povoam deuses e crenças —, pois não pode existir uma ética verdadeira se o fundamento não for apenas a consciência humana.
Conheço tantos por aí que oram, rezam e vivem bem piores que eu; talvez seja pelo fato de acreditarem que podem fazer o que quiserem, pois no último suspiro pedirão perdão a Deus e serão perdoados. Eu não posso contar com esse recurso... A minha consciência, na medida do possível, está leve. E a sua, está? Pense nisso para o "Ano Novo". Contudo, como sou um cético, continuo sem muita esperança nesta espécie de que também faço parte: o ser humano! O ser que diz ser racional — imagine se não o fosse?
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

AMOR PELOS PONTOS DE ???? !!!!!! ...

Sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
AMOR PELOS PONTOS DE ???? !!!!!! ...
Hoje quero fazer uma reflexão sobre os três pontos, a meu ver, mais importantes da linguagem humana escrita, falada ou em forma de gestos: os pontos de (?, !, ...).

Há pessoas que passam pela vida e quase nunca utilizam esses verdadeiros "sinais" inventados pelo homem. A maioria gosta mesmo é do ponto final (.) e dos dois pontos (:). Afirmam e negam premissas baseadas no senso comum, no ouvir dizer, nas fofocas, nos discursos das "autoridades": políticos, cientistas, padres, pastores, professores; enfim, em supostos proprietários do "saber". Fazer perguntas, indagar, questionar é sinônimo de chatice, de querer ser o "dono" da verdade, de curiosidade inútil... É uma espécie de tabu para quem encontrou a verdade: "dos outros"!!!!!
Quantas pessoas tenho encontrado pela vida que baseiam o seu "conhecimento" em livros escritos por “especialistas consagrado," pessoas de renome, autoridades, doutores, pós-doutores? Evidentemente é impossível que uma pessoa possa descobrir sozinha teorias, fatos científicos e demais áreas do conhecimento humano. A maior parte do que sabemos é de "segunda mão". Contudo, quem é a referência neste mundo para nos dizer que tem a última palavra sobre quaisquer assuntos?
Podemos não saber as respostas para a maioria dos nossos questionamentos, e a famosa frase de Sócrates já nos alertava: “Sei que nada sei”. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso percebe que há uma contradição com a frase supracitada; mas, tal contradição é lógica. A linguagem humana gera muitos paradoxos dessa natureza; e, quem não estiver atento para isso, confundirá o conceito de fome com a fome real. Bom, mas quem quiser mergulhar nessas discussões lógicas, fique à vontade. O compromisso deste autor é de trazer a Filosofia para o cotidiano, para a vida comum dos homens. Aqui não há muito interesse por uma grande erudição, repetir tal qual um papagaio o que os outros disseram, mas usar a linguagem para resolver problemas práticos. Alguma coincidência com o livro Investigações Filosóficas, de Wittgenstein?
É muito importante, numa época em que as pessoas usam de artimanhas e recursos para a persuasão, analisar as frases e atitudes com muito cuidado. Uma pessoa não precisa ser paranoica; mas, perguntar, espantar-se, e evitar o ponto final (.) e os dois pontos (:) — como se fossem verdades divinas — evitará muitos problemas na vida...

Particularmente, gosto muito de observar discursos, atitudes, me espantar e me admirar com coisas simples, fazer perguntas "inocentes", contemplar coisas e situações de um ponto de vista amplo. Talvez seja por isso que eu goste de ter uma visão de conjunto das coisas — relacionar aquilo que aos olhos do leigo está fragmentado, separado...
Ao escrever este texto, lembrei-me da minha mãe... Desde criança fazia muitas perguntas a ela. Pior: não ficava satisfeito com quaisquer respostas. Será que me apaixonei pela Filosofia por causa disso??? Quem sabe!!! Quem sabe...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

CARTA A UM AMIGO IMAGINÁRIO!

Sexta-feira, 8 de novembro de 2013
CARTA A UM AMIGO IMAGINÁRIO!
Uma das formas de escrever textos filosóficos é por meio de cartas. Hoje vou escrever uma carta para um "amigo imaginário". Nada como uma boa reflexão sobre a vida para o fortalecimento do espírito (nada a ver com a dimensão religosa, espiritual); afinal, refiro-me ao intelecto, à consciência de ser e estar no mundo...
Sabe, "amigo imaginário", durante a sua existência neste mundo, você teve muitas experiências: como todo ser humano, muitas foram agradáveis; mas, os maiores desafios que você enfrentou deixaram marcas profundas. Quando se é criança, somos conduzidos pelos adultos. O problema é que há adultos e "adultos". Estas pessoas também têm uma história de vida — muitas foram vítimas da estupidez, da ignorância, que por sua vez...
Todavia, depois de uma certa idade, escolhemos grande parte do nosso "destino". Você sabe, "amigo imaginário", que a vida foi madrasta contigo. Evidentemente que, comparando a sua vida com a de grande parte da Humanidade, a sua situação foi e é ainda muito "boa". Mas, por favor, não me pergunte, por enquanto, o que é ser "bom"; porque, hoje, o mais importante não é o conceito de bondade, mas a sua condição de ter nascido sem saber o porquê...
Nesta vida, como o "amigo imaginário" deve saber, pagamos um preço por todas as nossas escolhas. Uma pessoa revoltada, rebelde e questionadora incomoda... A sociedade e o sistema gostam das ovelhas, dos rebanhos, dos que dizem amém, dos que se ajoelham para garantir benesses milagrosas, dos hipócritas que vendem a alma aos poderosos que possuem uma conta bancária recheada, mas que não têm o poder sobre a própria vida. São escravos com máscaras de senhores e senhoras...
As pessoas livres, autônomas, independentes são ridicularizadas; mas, os verdadeiros palhaços não sabem que o são porque o espelho deles é o outro nome do photoshop. Vivem uma vida "rica", mas às custas de uma pobreza da liberdade. Sabe, "amigo imaginário", essas pessoas nunca ouviram falar de um Diógenes, de um Epicuro. Elas precisam da riqueza material ou do desejo de adquirir muitos bens terrenos; porque, na verdade, no lugar de uma "alma" elas têm um buraco sem fundo. E o que não tem fundo não pode ser preenchido... É o eterno buscador que não pode encontrar o que busca, pois não sabe o que busca. Logo, "amigo imaginário", aquilo que o tolo busca pode estar ao lado; mas, como se pode encontrar o que não se conhece?
Há pessoas que "juram" que o conhecem... Como estão enganadas!! Conhecem o espelho distorcido da própria imagem. Como a imagem é bonita na aparência e horrível na essência, projetam a sua carência nos outros — confundindo momentos de fraqueza, natural em todo ser humano autônomo e que enfrenta a angústia das suas escolhas —, como se fosse uma necessidade que habita a pessoa desde a sua infância. Nada mais falso.
Agora eu preciso ir, "amigo imaginário". Numa outra oportunidade, continuaremos o nosso diálogo...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 5 de outubro de 2013

FRASES "DOCES!

Sábado, 5 de outubro de 2013
FRASES "DOCES"!!
Há pessoas que dizem tantas mentiras que, quando falam a verdade, a gente sempre pensa que é mentira — e escutá-las com seriedade passa a ser uma comédia...
Não diga aos outros o que você não suportaria saber se a mesma frase fosse dita a você.
As sutilezas devem ser feitas pelos sábios; pois o estúpido acreditará que pode iludir e continuar pensando que a confiança nele está intacta...
A maior comédia que faz a minha "alma" sorrir é a do mentiroso que acredita no próprio engodo.
Há pessoas que se acham tão inteligentes para tentar enganar, mas não passam de idiotas por pensarem que uma pessoa realmente inteligente acredita no seu teatrinho de gosto duvidoso!
Não utilize a mesma técnica de sedução que você usa para lidar com um imbecil e uma pessoa que é capaz de saber onde você quer chegar — porque ela sabe que você cairá no abismo.
Os maiores idiotas que eu conheço sempre pensam que livros de autoajuda são a solução para resolver todos os problemas humanos.
Os maiores canalhas que eu conheço acreditam em Deus, mesmo sendo fãs das seduções diabólicas, e ainda rezam e oram e se sentem especiais aos "olhos" da divindade...
A única pessoa que tem obrigação de gostar de mim sou eu; afinal, não sou proprietário dos pensamentos, dos sentimentos nem da vontade dos outros.
O filósofo sabe que sabe muito pouco; o imbecil sabe que é sábio porque é iluminado por Deus!
O humilde que se acha humilde é o arrogante que não reconhece a própria arrogância.
Se você me acha arrogante, farei o possível para ser mais parecido contigo!!
Se a felicidade é algo interno, então esqueça os bens materiais; pois eles são externos e não contribuirão para preencher o seu vazio existencial.
A carência é a condição ontológica de todo ser que não é Deus...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 14 de setembro de 2013

A MORTE DO TEMPO!

Sábado, 14 de setembro de 2013
A MORTE DO TEMPO!
Uma reflexão sobre a morte de todos os seres vivos da natureza não é um tema muito agradável de abordar, principalmente numa época que cultua e desfruta objetos que, além de não terem vida, são descartáveis antes de poderem ainda ser utilizados por algum tempo.
Apesar de ser extremamente preocupante a situação supracitada, há algo pior. O homem, que já foi definido como animal racional, simbólico, econômico, político, cultural, social, histórico, entre outros conceitos — acredita-se que ninguém tenha a última palavra sobre o assunto; pois, uma definição essencial, metafísica, portanto eterna, pode ser até bela, mas não retrata a época que estamos "vivendo", se é que podemos dizer que tenha algum ser humano vivendo de fato. Os animais vivem, mesmo que não tenham consciência disso; entretanto, por paradoxal que seja, se prestarmos atenção aos demais seres naturais, aprenderemos muito mais com eles do que com a maioria dos seres humanos. Talvez seja por isso que algumas artes marciais foram desenvolvidas por pessoas que observaram, por longos anos, o comportamento do "seres irracionais".
Diante do exposto, vou definir o homem como o prisioneiro do tempo psicológico e o assassino do tempo cronológico; ou seja, o tempo que é marcado pelo espaço — os ponteiros dos relógios provam tal tese... Até quando haverá relógios com ponteiros? Alguém sabe? Eu, como sempre, não sei... Já não basta ao homem ser o assassino de todas as demais espécies da natureza (pode-se perdoar o filósofo francês René Descartes? Afinal, por acaso não foi o dito cujo quem disse que os animais não têm alma?) O interessante é que, segundo ele, o homem tem alma... E desde quando o homem deixou de assassinar o seu semelhante, inclusive em nome de um suposto amor divino?
O homem é, então, o prisioneiro do tempo psicológico e o assassino do tempo cronológico. Prisioneiro, porque "tempo é dinheiro"; porque é "necessário" ter fluência em algumas línguas estrangeiras; porque é "essencial" ter músculos e um corpo padronizado pela ditadura da beleza; porque a felicidade humana é mensurada pela quantidade de bens materiais que se adquire; porque é preciso ter um tempinho para realizar múltiplas experiências sexuais, mesmo que sejam com vários parceiros e durem apenas quinze minutos; porque é fundamental ter um tempo para frequentar as igrejas para Deus abençoar as pessoas com bens materiais e perdoar os pecados pelo desejo de ter desejos estimulados pelo capitalismo; porque é preciso ter alguns minutinhos para tentar garantir uma vaga no paraíso... Mas não é só isso, mas isto: para quem não é espiritualista, há os novos templos e palcos — shoppings, arenas onde se joga futebol, shows de artistas medíocres, mas que são transformados em deuses humanos —, enfim, jogos e mais diversões para "matar" o tempo!!!
Infelizmente, ainda temos que nos referir ao tempo cronológico, que está intimamente relacionado ao tempo psicológico. Para começar, não vai demorar e o atual modo de produção capitalista vai inventar um dia de 48 horas, porque só 24 horas está ficando impraticável!! O sistema precisa produzir num ritmo cada vez mais rápido, pois objetos descartáveis "têm vida útil escassa". "Vivemos" numa época em que a memória está sendo transferida para as máquinas; logo, matamos o passado, as lembranças, as memórias. Pior: como não temos paciência, não toleramos frustrações — porque o importante é não esperar e viver para o futuro em pleno período presente. Somos os assassinos do passado e do presente, mas queremos ressuscitar o que nunca morreu, ou seja, o futuro! Desejamos viver no futuro, justamente o tempo que não existe e nunca existirá, a não ser pela imaginação. Eis o homem!! O assassino do tempo que existiu e que existe agora, e o inventor do futuro!! O inventor do "objeto inexistente"...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

PROFESSOR OU EDUCADOR?

Sexta-feira, 9 de agosto de 2013
PROFESSOR OU EDUCADOR?
Observo, atento, há anos, um processo ideológico ocorrendo na educação por parte dos "pensadores da educação" — os chamados especialistas. Confesso que, quando ouço dizer que alguém é especialista numa determinada área, procuro observar com "olhos de lince" tais afirmativas. Nada contra o especialista em si, mas a carga ideológica implícita no conceito...
Parece-me também que, ao chamar alguém de especialista, não nos damos conta da "falácia da autoridade"; ou seja, passa-se a impressão "inocente" de que o especialista aprofundou-se tanto em uma área do conhecimento humano que os "leigos" devem estudá-lo, ouvi-lo, prestar atenção e reproduzir o discurso sem uma análise crítica ampla. Desconfio sempre do que não aparece como poder num primeiro momento; mas, em nome de uma suposta "especialização", em vez de termos estudos sérios, tenhamos uma "autoridade" sobre o assunto. Assim, trocamos estudos científicos aprofundados, baseados na experiência, e generalizamos a ideologia de um determinado grupo como se fosse uma verdade inquestionável, porque a falácia da autoridade passa a ser a verdade. Quem nunca ouviu neste país: “Sabe com quem você está falando”?
Evidentemente que não faço neste texto uma crítica generalizada sobre a especialização em si, mesmo porque em muitos aspectos ela é essencial. Questiono, sim, uma ideologia que se passa por ciência, cujo objetivo é ocultar, e não desvelar, interesses econômicos, sociais, políticos e culturais como se fossem tabus — afinal, são teorias de especialistas na área, uma autoridade!
Diante do supracitado, tenho observado vários colegas de profissão que têm muito orgulho de dizer que são educadores. Participam de vários cursos, leem os grandes "filósofos da educação", encantam-se com as belas palavras encadeadas através de deduções lógicas impecáveis; mas, quase sempre, não se dão conta de que a ideologia violentou a ciência. Principalmente quando esses "especialistas" estão a serviço de algum governo que se preocupa mais com a quantidade do que com a qualidade do ensino.
Penso que é necessário tomar muito cuidado e não confundirmos a figura do professor com a de educador. Por quê? Porque o professor ensina, leciona, tem um compromisso de preparar aulas, corrigir provas, avaliações, testes, trabalhos, exercícios e demais rotinas da profissão. O educador, não; pois, além de tudo o que foi mencionado acima, torna-se uma espécie de pai, mãe, irmão, babá, psicólogo, amigo, disciplinador, referência, enfim, uma espécie de ser mitológico supra-humano. E se o "educador" não fizer isso, a culpa é dele, e não do sistema educacional; ou seja, o "educador" é o bode expiatório ideológico para as mazelas da educação. E quem prepara a "teoria"? O especialista!!
De minha parte, prefiro dizer que sou um professor e um "educador complementar". Afinal, a educação informal, básica deve vir da família. O problema é que a família também está situada no contexto do capitalismo — é mais uma peça desta imensa engrenagem. Contudo, apesar das dificuldades, valores, princípios, regras, normas e virtudes devem começar no seio familiar. Como pode um jovem chegar à escola como se nunca tivesse ouvido um "não" na sua curta existência?
O discurso do talento, do dom, da profissão "nobre", da missão divina já está ultrapassado. O profissional da educação não é uma máquina de ferro e nem é filósofo estoico para fazer um papel que ultrapassa a sua capacidade de ser um ser humano como outro qualquer. Portanto, reflitam sobre este assunto e procurem perceber que o conceito de "educador" é de uma responsabilidade enorme — tão grande que pouquíssimos profissionais têm conseguido carregar sem adoecer... Quem está numa sala de aula sabe disso na prática; afinal, apenas palavras bonitas não mudam a realidade nas suas várias dimensões...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO