Domingo, 16 de outubro de 2011
O CAPITALISMO É "CAPETALISTA"!
Eu sempre fui um crítico do sistema capitalista, e em todos os anos que estive (e ainda estou numa sala de aula), os alunos riam muito quando eu chamava o sistema capitalista de "capetalista" — sim, é o próprio diabo, de carne e osso, que destrói tudo: transforma objetos e pessoas em simples mercadorias descartáveis, pois os objetos não têm valor de uso, mas de troca. Ainda hoje alguns ex-alunos, ao me encontrarem, brincam a respeito do que eu dizia.
Gostaria de escrever um pouco sobre este assunto; pois sempre disse também que não se deve enfrentar o inimigo quando ele está mais forte, porque a derrota é quase certa... A meu ver, o inimigo, de tanto ganhar, já não tem tanta força. E a internet — grande ironia, instrumento para o avanço do capital globalizado —, desta feita, também serve de ponte para a voz do povo. Ela é a voz de um mundo sem fronteiras. Pois é...
Estamos vendo os jornais e demais mídias, perplexos, noticiarem as manifestações que varrem o planeta contra o sistema capitalista. O interessante é que tais protestos começaram justamente nos países mais beneficiados pela riqueza capitalista. Há protestos em vários países do Oriente Médio e da África também; entretanto, a meu ver, por motivos diferentes. Os primeiros querem a "saída" do capitalismo (tomara); os segundos desejam a entrada na "liberdade democrática" e nas promessas do Reino dos Céus na Terra feitas pela propaganda capitalista. Estão um pouco atrasados, não? Parece-me já ter ficado claro que o sistema capitalista atual é o "Reino do Inferno" para quase todas as pessoas no mundo. Ele é muito bom para uma minoria — a tal minoria que distribui desgraças pelo mundo em busca de dinheiro, onde o infinito é o limite, e ainda quer que o povo pague a conta. Tudo muito engraçado, não?!! O que está em jogo não é só o sistema capitalista, mas a sobrevivência do nosso ex-lindo planeta azul. A nossa casa — até mesmo a casa dos defensores do capital!! Se eles não têm responsabilidade...
Quando os grandes conglomerados financeiros e industriais se tornam maiores que os Estados, os acontecimentos que ora presenciamos não poderiam ser diferentes. Os profetas da propaganda capitalista, defensores de que o deus mercado regula tudo, por que agora querem que os Estados paguem a conta com o dinheiro do povo? De novo? Todas as outras crises não foram suficientes para que as marionetes do capital (os politiqueiros de plantão) aprendessem a lição? O povo produz tudo, consome menos do que deveria (muitos não têm um prato de comida), tem serviços públicos geralmente muito ruins; mas que, entretanto, se não fizer nada, pode ficar numa situação muito pior.
Nos momentos de crise o capital avança e faz o Estado mostrar a sua verdadeira face: a de que sempre foi uma extensão dos interesses capitalistas. A maioria dos políticos foi e ainda serão agentes vestidos com as máscaras do interesse público; mas, na verdade, estão a serviço do capital. Vou dizer mais uma vez: não existe capital sem o suporte ontológico do Estado. As pessoas pensam que a esfera da produção (economia) é separada da esfera pública (política), mas isto é pura ilusão. São unha e carne. São a mesma coisa. Até mesmo no chamado "socialismo científico".
Vou dizer pela milésima vez: não há salvação deste planeta no atual modo de produção, pois estas crises vieram para ficar. Elas são estruturais. Os trabalhadores do mundo inteiro correm o risco de perder os parcos direitos trabalhistas que ainda têm. Não podemos e nem devemos pagar esta conta. Os jogadores deste imenso cassino global que paguem a fatura, ora. O povo ainda vai descobrir que só ele tem a força. E não me refiro à violência — de um modo pacífico, ficando em casa sem produzir durante 15 dias... Talvez, assim, as elites reacionárias vão aprender a nos respeitar.
A tecnologia tem que estar a serviço do povo e não pode ser instrumento da exploração e do desemprego das massas. Os pobres já estão acostumados à miséria e à esperança no Paraíso; todavia, parece que aqueles que estavam acostumados à riqueza no mundo material começaram a sentir na pele o que o "Terceiro Mundo" já sente há muito.
A saída? O ideal seria o bom senso, mas nunca vi o capital abrir mão do lucro! O dilema? O capital sem fronteiras e Estados nacionais. Em última análise, será que o capital está buscando uma forma de implantar um Estado único? Afinal, quem segura o capital? Que a voz do povo seja a voz não de deus, mas do próprio povo. Infelizmente, a maioria daqueles que falam em nome de Deus são instrumentos do capital também!!!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO