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sábado, 31 de outubro de 2009

Filosofia - A arte de fazer perguntas

Sábado, 31 de outubro de 2009

FILOSOFIA - A ARTE DE FAZER PERGUNTAS
Infelizmente, para muitos, é a arte de chegar com as respostas prontas, o que é lamentável. Não há assunto que seja tabu em filosofia. Contudo, muitos querem falar de realidade, verdade, essência, fenômenos, lógica dedutiva e indutiva — enfim, querem falar de assuntos complexos como se estivéssemos filosofando como na época dos gregos. Confundem a palavra filosofia com as diversas correntes da disciplina; isso gera toda forma de equívocos. O problema é que muitas pessoas não sabem nem a etimologia da palavra.
Os conceitos em filosofia são essenciais. Contudo, desde Kant, não há mais conceitos de filosofia que ultrapassem o mundo dos fenômenos. Filosofar é ir à raiz das questões. Quem vai à raiz, muitas vezes, não encontra a paz; pelo contrário. O problema é que achamos que a filosofia é única. Esquecemo-nos de que existem várias correntes na filosofia; cada uma parte de um pressuposto diferente. Enfim, filosofar é fazer uma reflexão profunda sobre todos os aspectos do real. Todavia, vai depender muito da corrente filosófica que a pessoa segue. Se não fosse assim, a filosofia já teria morrido há muito tempo. Cada resposta em filosofia se torna numa nova pergunta: infinitamente. É por isso que cada vez que uma disciplina se separa da filosofia, nasce uma filosofia dessa disciplina. Outro dia estava lendo algo que me deixou intrigado: a filosofia da biologia. Não conhecia essa área.
Qual é o conceito de verdade que uma pessoa que se interessa pela filosofia preconiza? É racional, lógica, rigorosa e de conjunto? De que corrente filosófica é o seu conceito de filosofia? A verdade está no objeto? Está no sujeito? É uma relação sujeito-objeto? É práxis? É histórica? É uma convenção social das comunidades científicas e filosóficas? O que você acha?
É possível falar de um fato sem uma teoria que o sustente? O fato, em si, prova alguma coisa? Ou os fatos são feitos? Eu, particularmente, sigo o método científico: ele é provisório, mas é o melhor que tem; melhor porque evolui. A filosofia para mim é uma reflexão; é retomar o pensamento sobre si mesmo para ver se há novas possibilidades. Contudo, essa porta não se fecha: sempre há novas possibilidades.
Por exemplo, Hegel foi um gigante. Não sou especialista em Hegel, mas não gosto do idealismo de jeito nenhum. Total inversão de mundo, a meu ver. Viaja nas ideias... Hegel foi um gênio — um grande filósofo, sem dúvida. Contudo, construiu um grande castelo de ideias sem relação com a realidade. Karl Marx, sim, usou a dialética nas entranhas do real; foi à raiz ontológica do ser humano. Ou seja, só se é homem através das relações sociais de produção. Ninguém filosofa com a barriguinha vazia. Deixe o planeta ficar sem produzir durante um mês para ver o que acontece! Vou falar um pouquinho das várias concepções do conhecimento, resumidamente, para que possamos ter uma visão panorâmica do assunto.
Os filósofos gregos, de uma maneira geral, eram metafísicos. A realidade era racional e o homem, sendo racional, poderia extrair o conceito de dentro das coisas. Busvavam a essência das coisas no objeto. A pergunta era: como é possível o erro? De uma certa forma, essa maneira de filosofar passou pela filosofia medieval. Tanto é que os filósofos medievais buscavam provar a existência de Deus, da alma, etc., através da razão. Deus dá a certeza — iluminação —; posteriormente, a razão confirma.
A partir da filosofia moderna essa concepção muda. René Descartes desloca a verdade para o sujeito: é o famoso "Cogito, ergo sum" ("Penso, logo existo"). A única certeza que tenho é que sou uma coisa pensante. Descartes duvidou até do próprio corpo. Mas não poderia duvidar que existia: nem que fosse como uma coisa pensante. A pergunta é: como é possível a verdade? Passamos por Locke e Hume, empiristas ingleses. Este último detonou com a metafísica e a própria razão: tudo o que conhecemos não passa de hábitos e costumes da nossa mente. De um ponto de vista estritamente lógico — dizia ele —, não temos certeza nem que o sol nascerá amanhã. Não entrarei em detalhes. David Hume acordou Kant do seu sono dogmático. Resumindo: Kant questionou Hume e procurou fazer uma síntese entre o empirismo e o racionalismo — o chamado criticismo. Para fundamentar a física, acabou com a metafísica. Em última análise, é o sujeito quem constrói o conhecimento. Só podemos conhecer o mundo fenomenal, ou seja, aquilo que está no espaço e no tempo. Kant abre o caminho para o agnosticismo.
Com Edmund Husserl aparece a fenomenologia. Em síntese: toda consciência é intencional, ou seja, toda consciência tende para um objeto; e todo objeto só existe para uma consciência. Não existe a coisa em si (o númeno) kantiana.
A práxis é um conceito de que todo conhecimento é uma relação dialética entre teoria e prática. Uma aperfeiçoa a outra. O marxismo preconizes essa forma de pensar, incluindo a ideia de uma verdade histórica, portanto relativa.
O conhecimento como convenção social é um acordo entre os especialistas sobre o que é verdadeiro. A verdade é uma convenção social. Temos outras, mas fico por aqui. Espero ter contribuído!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

IDEOLOGIA E ALIENAÇÃO NA EDUCAÇÃO

Sexta-Feira, 30 de outubro de 2009
I
DEOLOGIA E ALIENAÇÃO NA EDUCAÇÃO
Infelizmente, muitas pessoas de boa vontade, inclusive professores, não têm noção de que fazem parte de um esquema ideológico para vender ilusões. O esquema ideológico, atualmente, é a educação. Vende-se a ideia de que com a educação se resolverá todos os problemas; e com isso vem a caça às bruxas. Tem-se sempre que arrumar um bode expiatório. E pessoas alienadas, que não têm consciência de classe, acabam por pensar como se fossem as elites; não percebem o quão são manipuladas e não se dão conta de que defendem interesses, principalmente, de uma classe que deveriam combater.
Hoje, a ideologia é a educação, e os professores são os bodes expiatórios. Sempre foi assim. Quando essa ideia tiver desgastada, vende-se uma outra ideia. O rebanho, para variar, continuará comprando. Queria ter nascido um jumento; comeria o meu capim e seria mais feliz!
Bom, se estou dizendo isso, é porque este assunto já foi debatido à exaustão. E os atores são sempre os mesmos. Se os "críticos" tiverem uma visão apenas voluntarista e moralista da educação, então, quem está dentro da realidade educacional acaba perdendo o seu tempo. Conversa-se com vários de leigos que não têm noção do que é uma sala de aula. Não se discute ideias, debate-se pirraças — geralmente de pessoas frustradas que querem detonar quem tem experiência. Quem sabe o que é a educação é quem lida com ela, não é mesmo? Não em gabinetes, mas dando "duro" dentro de uma sala de aula!
Eu gostaria de ver se daqui a alguns anos os leigos continuarão com esse discurso. Os leigos não sofrem ameaças; não tomam cadeiradas de alunos como eu já vi acontecer com alguns colegas. Leigos, façam licenciatura e vão lecionar! As escolas precisam de quem preconiza soluções milagrosas, mas também pega no batente mesmo; não precisam apenas de idiotas que ficam a prescrever receitas como se fossem fazer um bolo de chocolate.
O problema da educação também é ontológico: começa no modo de produção. Não é um discurso marxista. Enquanto olharmos a educação de um ponto de vista voluntarista e moralista, não se resolverá nada; e isso pode levar centenas de anos.
Os professores são mal formados porque não há nenhuma preocupação de fato para melhorar o ensino. A violência acontece porque a tecnologia capitalista está a serviço de uma classe para explorar a maioria, gerando desemprego, miséria, fome e demais mazelas.
O que faz a ideologia? Inverte a realidade. Desvia o foco para questões morais e voluntaristas. E nós, por sermos alienados, não percebemos a manipulação. A violência não é gratuita: ela é fruto de um modo de produção perverso que transforma pessoas em objetos descartáveis.
Não há solução neste modo de produção, a não ser a destruição completa do planeta. Sempre aparece um discurso novo; e nós o compramos. Defendemos tais discursos como se fizéssemos parte das mesmas elites que nos exploram. As elites vão mostrar a raiz do problema? Os meios de comunicação, que fazem parte das elites e dominam as massas através da ideologia, vão mostrar a raiz? Não! Se não compreendermos a causa do problema, atacaremos sempre os efeitos e pensaremos que eles são as causas. A ideologia tem esse papel: inverter toda a realidade. O que é uma questão social, econômica e política, mostra como se fosse um problema natural.
Se todos nós parássemos de ler filósofos idealistas e lêssemos e entendêssemos a ideologia e a alienação em profundidade, veríamos as causas dos problemas. Mas não: compramos os discursos e os defendemos com orgulho. Queria ser um jumento. Comeria o meu capim e seria mais feliz! (2).
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

REFLEXÃO FILOSÓFICA SOBRE O AMOR E A PAIXÃO!

Quarta-Feira, 28 de outubro de 2009

REFLEXÃO FILOSÓFICA SOBRE O AMOR E A PAIXÃO!
O amor é uma ação sem motivo e que não depende do pensamento nem do sentimento. Se uma pessoa for capaz de amar um único ser neste mundo, amará todo o universo. O amor é incondicional; não exige reciprocidade.
Ainda quero encontrar uma só pessoa capaz de amar. Só uma. Mais: fazer o bem neste mundo para querer ganhar mais no paraíso não é amor. O amor não pode ser meio para coisa alguma; ele foi, é, e sempre será um fim em si mesmo. Quem ama de verdade? Não sei; nunca conheci ninguém com essa capacidade.
Uma ação dedicada ao próximo tem que ser isenta de querer ganhar um lugar ao lado de Deus. Se quero ganhar, em última análise, amo de verdade? Sou capaz de me sentir um com o universo? Há amor quando digo Eu? Posso desfrutar sem querer ser o dono? Difícil, meu caro. Ainda não encontrei o dito(a) cujo(a) que ama. Quem sabe um dia...
Quem busca, acha? Como buscar o que não se conhece? O amor pode ser representado por conceitos? Quem busca, por acaso, não deseja? Quem deseja, não quer satisfazer o desejo? Quem quer satisfazer o desejo, não quer ganhar? Quem quer ganhar, não é egoísta? Quem é egoísta, ama? Como já dizia Krishnamurti: "se pego o vento, foi mesmo o vento que peguei?"
Para fazer uma analogia: alguém pergunta às crianças, quando brincam, se elas são felizes? Se perguntasse e elas parassem de brincar para responder a tal pergunta, elas saberiam dizer? Se soubessem dizer, a representação conceitual seria o mesmo que a felicidade em ato? As crianças são felizes em ato; são inocentes, e mesmo quando "brigam", daí a pouco estão brincando novamente. O que faz um adulto ao ver tal fato? Diz que elas não têm vergonha na cara, pois brigam e daí a pouco estão brincando. Mas quem de fato gera o ódio e a falta de amor no mundo? Por acaso, não são os adultos que ficam ressentidos, magoados e vingativos?
Se fôssemos tais quais as crianças, saberíamos o que é o amor: seríamos inocentes, faríamos perguntas inocentes e puras. Mesmo quando brigássemos, logo faríamos as pazes. Teríamos um amor em ato — a meu ver, a única forma de amar. Se Eu continuo com a ideia de separação, de não ser um com o universo, nunca serei capaz de amar verdadeiramente. Eu penso assim; por isso, ainda não encontrei um ser humano capaz de amar. Pode ser que um dia ainda o encontre. Quem sabe...
Quantos dizem ser espiritualistas, amorosos, altruístas, generosos e magnânimos, contudo, na primeira crítica que se faz a tais pessoas, dizem que partimos para o ad hominem, que somos desonestos, colocam o nosso caráter em dúvida, manipulam os incautos com retóricas baratas — enfim, aqueles que mais falam a respeito do amor, da fraternidade e da solidariedade, muitas vezes são os que menos os têm. Daí a importância de não levarmos as comunidades virtuais muito a sério. Podemos "brigar" via Orkut, mas só podemos saber quem é uma pessoa de fato no convívio social. As atitudes devem ser avaliadas pessoalmente, olhando nos olhos; as nossas atitudes devem confirmar o nosso discurso, e não o contrário. Muitas pessoas no Orkut ficariam envergonhadas ao conhecer alguns seres humanos pessoalmente.
Os maiores pilantras e golpistas que têm por aí são doces e refinados que é uma "beleza". Quando se pensa que não, já se perdeu tudo para eles. Bens materiais, nesses casos, são o que têm menos valor: a nossa honra e dignidade são os nossos maiores patrimônios.
Para mim o amor está naquele nível que Eu coloquei. Há outros sentimentos menos nobres, tal como uma paixão de tirar o fôlego, o carinho, o afeto, a amizade, mas todos eles, a meu ver, não são incondicionais, como é o caso do amor. É justamente isso que estamos tentando definir: o que é o tal amor? Se Eu não sei do que estou falando, como posso me exprimir? Eis a questão. Não é tão simples; aliás, nada em filosofia é óbvio. A meu ver, não conheço nenhum ser humano capaz de amar no nível que me expressei. Ninguém.
Diante de um amigo numa situação difícil posso oferecer a minha solidariedade, apoio, etc., mas penso que isso está muito longe do tal amor.
Quantas vezes Eu já vi alguém dizer que morria de amor por uma pessoa e, na primeira oportunidade, se separava... Se o amor acaba, por acaso algum dia foi realmente amor? Eu penso que não. Todavia, por convenção social usamos a palavra amor como se fosse uma palavra qualquer. A minha visão do amor é muito ampla: ela está relacionada com todos os seres, portanto não é direcionada a uma pessoa, situação ou objeto. É ser um com o universo; é perder a sensação que temos uma individualidade, um Eu separado. É ser um com o universo sem a necessidade de um Deus. Mais: só assim, a meu ver, haveria o amor, pois seria capaz de agir sem esperar nada em troca e sem querer uma vaguinha no céu. Daí a importância de não se colocar uma religião ou Deus nessa história. O amor é um fim em si mesmo; não pode ser um meio para que Eu ame, no íntimo, só o meu umbigo.
Não posso amar como se fosse um jogador de futebol: beija o escudo de um clube e no outro dia está jurando amor a outro clube — e, assim, até encerrar a carreira...
Um amor direcionado apenas ao outro, na verdade, não é amor, senão vejamos a seguinte situação: suponha que Eu "ame" uma pessoa, mas ela não deseja ficar mais comigo. Eu insisto, insisto, peço mais uma chance e a pessoa cede. Eu resolvi o meu problema, mas a pessoa que Eu "amo" está triste ao meu lado. Isto é amor? Nunca; pois na verdade Eu amo só a mim mesmo. Sou um tremendo egoísta porque, por não querer sofrer, faço o outro sofrer, já que a pessoa não deseja mais ficar comigo. Eu gosto de quem na verdade? Gosto de mim, nada mais. É o Eu elevado ao simples meu. Se amasse de fato essa pessoa, a liberaria, mesmo que Eu sofresse. Mais: desejaria que ela refizesse a vida e fosse feliz. Quantos são capazes de fazer isto? Poucos. Eu ainda não os conheci.
Agora, e se a situação fosse esta: se Eu quisesse terminar o relacionamento e a pessoa chegasse antes e terminasse, Eu, por acaso, não ficaria feliz? Afinal, Eu já queria terminar e a pessoa nem me deu tal trabalho. Mais uma vez Eu estou pensando em quem? Em mim, é claro; estarei livre e sem desgaste. Simples! Somos iguais aos sapos: Eu, Eu, Eu, Eu, Eu, Eu, Eu, Eu. Cadê o outro? Existe como satisfação para meu ego. E ainda falam sobre o amor...
Eu penso que o amor seja o que escrevi acima, contudo, para mim, tal amor é amor de "anjo". Como não acredito em anjos nem nos demônios, ficarei com um amor humano e tão somente humano. O que não pode faltar é tesão. O resto se resolve!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 27 de outubro de 2009

SOLIDARIEDADE EGOÍSTA!

Terça-Feira, 27 de outubro de 2009

SOLIDARIEDADE EGOÍSTA!
Há algum tempo tenho pensado neste conceito e, provavelmente, alguém também já deve ter refletido sobre ele: solidariedade egoísta. Algumas pessoas ficaram chocadas com o oxímoro. Infelizmente, como a maioria das pessoas não podem ser solidárias fraternalmente por causa da ganância e ambição de acumulação cada vez maior da riqueza, o jeito é ser um solidário egoísta. Em outras palavras, deve-se ser solidário não pensando em ajudar o próximo como um fim em si mesmo, mas como meio de ajudar a si mesmo. Com a ajuda ao próximo, as pessoas estarão, em última análise, ajudando a si mesmas; pois faz-se o bem para não ser vítima do efeito colateral do mal daqueles que não têm nada a perder...
O sistema molda o indivíduo. As pessoas são condicionadas iguais aos animais e não percebem isso. O sistema capitalista só sobrevive com a reação automática para o consumismo, a inveja, o egoísmo, a ganância, etc. Não somos assim; aprendemos a ser assim. Sem isso não há capitalismo. Como falar de fraternidade, cooperação, ética na política se o próprio sistema preconiza a disputa e a concorrência? Por outro lado, não preconizo um capitalismo estatal e ditatorial, que muitos chamam de "socialismo". O Estado não deve ser onipresente nem invisível. Se o mundo caminhasse para uma social-democracia... Sonhar não custa nada!
Por isso reafirmo: a base de tudo está no modo de produção. A mudança de todos os demais valores passa por uma mudança no modo de produção. O discurso é repetitivo, mas, se as pessoas não pararem para refletir sobre isso radicalmente, não há luz no horizonte. Se conseguirmos avançar um pouco em direção a uma social-democracia, já será um grande feito. Os exemplos da Noruega, Dinamarca, Suécia e Finlândia demonstram cabalmente que é possível fazer diferente. Todavia, uma caminhada de 100 km só é possível quando se dá o primeiro passo.
Só não reconhecem isso as pessoas de direita e que têm um compromisso com o status quo. Mas essas estarão presas em gaiolas de ouro — pior para todos nós.
Vejam os exemplos dos países nórdicos: Noruega, Dinamarca e Suécia. A social-democracia desses países não seria uma prova inconteste de solidariedade egoísta? Quem dera se tivéssemos pelo menos isso, hein? Aqui, só temos ganância e egoísmo puro.
No capitalismo selvagem tudo o que não é dinheiro é feio. Estou pensando numa política de bem-estar social promovida pelo Estado. Mas, enquanto não houver pressão por parte do povo, ou se ajuda, ou se aguentam as consequências de uma distribuição de renda à força. A questão é prática. Fica aí um assunto para se fazer uma reflexão; afinal, é paradoxal falar em liberdade no atual sistema, visto que a realidade nos mostra câmeras e cercas elétricas por todos os lados. Gaiolas de ouro? Pois é...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

PODER POLÍTICO, IDEOLOGIA E ALIENAÇÃO!

Segunda-Feira, 26 de outubro de 2009

PODER POLÍTICO, IDEOLOGIA E ALIENAÇÃO!
O discurso perverso de que o pobre é, em última análise, o responsável pela sua própria desgraça e mazelas não passa de ideologia e alienação de quem não compreende de fato a realidade. No Brasil, não foi a sociedade quem fundou o Estado, mas o inverso.
Quem está com a barriguinha cheia e mora na Zona Sul pode ficar teorizando sobre as dificuldades e ignorância das massas, à vontade. Filosofar no ar-condicionado é a coisa mais fácil que tem. Que tal se preconizássemos pelo menos uma social-democracia neste país, onde o Estado tivesse uma presença mais forte e cobrasse mais impostos dos ricos?
Por que na esfera política existe o revezamento no poder e na esfera da economia — onde os bens são produzidos por todos, mas geram riquezas para poucos — os bens são transmitidos de forma hereditária? Quase sempre, quem herda uma fortuna que não ajudou a produzir são os "filhinhos de papai e mamãe", que não sabem fritar um ovo.
Em outras palavras, temos uma democracia de fachada, onde há igualdade num plano abstrato — ou seja, no papel e nas leis — e onde o homem produz a riqueza material, uma desigualdade de fato. E o que é pior: transferência hereditária, como se estivéssemos em plena monarquia absoluta. Nessa hora ninguém fala de liberalismo. Será por quê?
Evidentemente, não estou dizendo que a família que tenha uma casa e bens até o valor de R$ 2.000.000,00, por exemplo, não deveria transmitir para os filhos. Mas para quem nunca trabalhou, só ficou estudando e de papo para o ar, herdar mais de R$ 1.000.000,00 só para si é ético quando se tem tantos miseráveis? Até que ponto toda essa violência não é distribuição de renda à força?
Não preconizo a violência. Mas não podemos fingir que as elites hipócritas não são responsáveis por essa situação; e nós também, porque vemos o circo pegar fogo e aplaudimos os ricos porque queremos ser ricos, visto não percebemos a ideologia implícita no discurso deles. O problema é que absorvemos valores que não são nossos e os defendemos como se fossem. Por quê? Porque somos alienados: não temos consciência de classe e colocamos tudo nas "mãos de Deus".
Para não dizerem que sou intolerante e radical, aceito uma social-democracia tupiniquim: melhor distribuição de renda, habitação, saúde e educação de boa qualidade para todos. É pedir muito?
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 24 de outubro de 2009

EXISTÊNCIA HUMANA E ANGÚSTIA!

Sábado, 24 de outubro de 2009

EXISTÊNCIA HUMANA E ANGÚSTIA!
O homem, sem dúvida, é um ser especial. Através da linguagem é capaz de transcender o mundo e buscar o infinito; por isso, o mundo humano é do tamanho do nosso vocabulário. Não existe, para o homem, um mundo pronto e acabado, mas um mundo a ser construído. O problema é que essa construção é bem diferente do trabalho de um pedreiro que constrói uma casa, um muro, uma ponte...
O projeto humano é finito e, ao mesmo tempo, infinito. Finito, porque o homem é um ser mortal; infinito, porque, através da linguagem, ele transcende o espaço e o tempo. Assim, vive a angústia de ser e, ao mesmo tempo, de não ser, porque a morte bate à sua porta desde o primeiro dia, desde a primeira lágrima que lhe escorreu no rosto... Não há certezas, só perguntas. A morte chegará e o dilema humano continuará. Até quando? Não sei; ninguém sabe e, talvez, nunca saiba...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

ARISTÓTELES E OS LIMITES DA RAZÃO MODERNA!

Sábado, 24 de outubro de 2009

ARISTÓTELES E OS LIMITES DA RAZÃO MODERNA!
Aristóteles, a meu ver, foi o maior filósofo de todos os tempos. Sempre fiquei extasiado diante de tamanha inteligência. Impressionante! Por mais brilhante que ele seja, entretanto, o Deus dele é ato puro — o princípio motor que move todas as coisas, mas não é movido por nenhuma. Contudo, o Deus de Aristóteles não interfere no mundo; apenas o coloca em movimento.
Além do mais, Aristóteles não dispunha dos equipamentos de que dispomos hoje para podermos conhecer o universo e propor leis estritamente naturais. Para explicar os conceitos de movimento, potência e ato e a sua noção teleológica, ele teve que recorrer a um primeiro motor. Mas ele não colocou o problema de quem causou o primeiro motor, e assim ad infinitum. Como escapar do desafio cético em tal situação? O povo grego acreditava que o mundo não fora criado; era eterno. Aristóteles não deixa de ser o gigante dos gigantes por causa disso; penso que ainda está para nascer um filósofo tão brilhante...
Todavia, na época contemporânea, querer explicar a existência de Deus através de conceitos aristotélicos não dá. De onde o homem tira os conceitos de onipotência, onisciência, onipresença, eternidade, infinito, imortalidade, perfeição e tantos outros, a não ser da experiência humana, quando ele percebe que não tem nenhum dos atributos acima citados?
Ele inventa esses conceitos porque, simplesmente, é diferente em tudo com relação aos mesmos. Como quer proteção e se sentir seguro, projeta um ser à sua imagem e semelhança no céu. São muletas sobrenaturais, criadas a partir da experiência humana, que é finita, temporal, mortal, ignorante, ocupa um espaço por vez, pode muito pouco e é imperfeita. Não é porque qualquer autoridade em filosofia disse que o homem é isso ou aquilo que vamos engolir como se fossem verdades absolutas. Penso que o conhecimento deve se ater aos fenômenos naturais; o resto são acrobacias que violentam a lógica e o bom senso. Simples!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

OS SOFISTAS, SÓCRATES, PLATÃO E A EDUCAÇÃO!

Sexta-Feira, 23 de outubro de 2009

OS SOFISTAS, SÓCRATES, PLATÃO E A EDUCAÇÃO!
Vou escrever umas ideias que vieram à mente a respeito da educação no Ocidente, para tentar desvelar (tirar o véu) sobre os "responsáveis" por uma visão tão romântica da educação, que ainda paira sobre a sociedade ocidental. Professores, principalmente no Brasil, deveriam ter um corpo de luz; afinal, para que precisam de dinheiro?
Sócrates, Platão e Aristóteles, a meu ver, são os responsáveis por uma visão deformada dos professores. Sócrates não cobrava para ensinar e criticava os sofistas — professores de filosofia e retórica, ambulantes, e que cobravam caro para ensinar. Sócrates preferia viver de "esmolas", mas achava que "o saber não se vende".
Todavia, foi Platão — sempre o tal Platão,  um dos filósofos mais conservadores da história da filosofia — o responsável por essa visão tão romântica da educação. Platão criticava os sofistas violentamente; para Platão, os sofistas não mereciam respeito porque cobravam para lecionar. O saber não deve ser vendido, segundo ele.
Quem era Platão? Era um nobre e, portanto, muito rico. A riqueza da sua família era baseada em terras... muitas terras. Ele não precisava trabalhar para sobreviver; tinha tudo do bom e do melhor. Platão tinha horror a tudo o que era material, entretanto, nunca abriu mão do conforto; inclusive, não gostava das massas — tanto é assim que tinha a sua academia, lugar frequentado por gente escolhida a dedo. Logo, dessa forma era fácil criticar os sofistas, porque podia se dar ao luxo de ficar "filosofando" o tempo todo e sem compromisso com a luta pela sobrevivência.
Os sofistas cobravam, e caro, para lecionar. "Vendiam" o conhecimento porque era a única forma que tinham para sobreviver; não poderiam se alimentar de luz. Quando a fome aperta, não são ideias e conceitos que ingerimos, não é mesmo?
Infelizmente, foi essa visão romântica que chegou a nós. O professor é visto como alguém que já nasce com o dom, o talento para ensinar; ele tem que ser o exemplo, o timoneiro, o Fiat Lux da educação. O problema é que o nosso sistema é o capitalista.
Platão vivia numa sociedade escravagista. Os sofistas cobravam caro de quem podia pagar; os sofistas não tinham horror ao povo como era o caso de Platão. Numa sociedade "democrática", como era a Atenas da época, Platão ficava incomodado com os sofistas; afinal de contas, ele era um aristocrata. Olhe a luta de classes mais uma vez presente aí.
A visão platônica da educação ainda permanece viva entre nós, mesmo que não saibamos disso. Platão fez prevalecer uma visão negativa dos sofistas. Etimologicamente, a palavra sofista estava relacionada à sabedoria; com Platão, ela ganhou o significado pejorativo de coisa falsa, ilusória. Daí o tão decantado sofisma, ou raciocínio falso.
De quem é a culpa dessa tragédia? De Platão. A mesma culpa que temos pelos nossos desejos e tudo o que se relaciona com o corpo vem das teorias idealistas de Platão. Ele inverteu o mundo. Já não é o modo de produção quem determina nossas ideias: é o Mundo das Ideias o modelo para o mundo material.
Pois eu prefiro comer uma maçã "bichada" do mundo material a uma maçã perfeita do Mundo das Ideias. Aquela forra a minha fome; esta enche a minha mente de ilusões. Platão foi genial, mas foi o responsável por essa maneira idealista de concebermos o real.
Conclusão: os sofistas precisavam trabalhar e, por isso, cobravam dos filhos abastados. Platão era rico e não precisava trabalhar, logo, podia fazer metafísica, buscar a "essência" numa outra dimensão! Os professores vivem e sobrevivem numa sociedade capitalista (capetalista também). Estudaram muito para fazer um curso superior; precisam ser valorizados, não apenas com elogios, mas também com dinheiro.
Não precisam ter o salário de um prefeito, governador, presidente e demais políticos, mas deveriam ganhar muito bem. Afinal, não se nasce com talento: isso é mais uma ideia errônea platônica e aristotélica. Não há potência para ser desenvolvida e transformada em ato; há, sim, empenho e horas e mais horas para desenvolver o "talento".
Salário mínimo para os políticos! Que tal?
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

O SÁBIO


Sexta-Feira, 23 de outubro de 2009

O SÁBIO
Todas as vezes que leio ou escrevo esta palavra (sábio), Eu me lembro do personagem do Autodidata, do livro A Náusea, de Jean-Paul Sartre: lia todos os livros da biblioteca em ordem alfabética, mas era considerado um tolo. O ideal é reunir todas as qualidades em uma pessoa só. Infelizmente, a palavra ideal nos dá um recado direto: ideal, aquilo que só existe na imaginação, que é perfeito no plano das ideias.
A erudição quase sempre está relacionada à teoria — uma espécie de "enciclopédia humana". Uma pessoa sábia, a meu ver, é aquela que nem sempre é erudita, entretanto é capaz de contemplar o real como se fosse uma floresta, de uma perspectiva ampla. Sabe fazer perguntas complexas e profundas, usando conceitos e definições simples. Não é necessariamente humilde, nem é arrogante, apesar de muitos a considerarem assim. Não necessita de aprovação nem deseja aplausos. Tem convicção e não se deixa persuadir facilmente, contudo muitos o consideram teimoso. Assume a responsabilidade pelos seus atos, tendo, portanto, autonomia. Autônomo é o sujeito que dá a si mesmo a lei; é comandado de dentro e por isso é uma pessoa livre. Enfrenta os desafios que aparecem e mata a esperança (quem espera nunca alcança) todos os dias, contudo sabe qual é o melhor momento para agir. Essa espera, entretanto, é relativa; pois, se ela não acontece, ele a faz acontecer quando tal atitude depende mais dele que dos outros.
O sábio compreende que o nascimento de um ser humano é puro acaso porque, entre no mínimo 300.000.000 de espermatozoides, chegou primeiro. Assim, percebe o quão é importante ter nascido e por isso faz a diferença onde quer que esteja. Uma pessoa sábia tem defeitos como qualquer ser humano, afinal não é um deus nem conta com ajuda sobrenatural; contenta-se com a natureza e com a finitude aparente da vida.
O sábio observa com perspicácia o cotidiano e tira lições da vida como poucos. Ele sabe que os que o julgam fazem-no a partir dos próprios valores, por isso são suspeitos; nesse sentido, não se abala com as críticas. Para ele, "o tempo é o senhor da razão". O sábio sabe que são os nossos atos que dizem o que somos, e não as nossas palavras, por mais belas que sejam. Conhece a pessoa olhando-as nos olhos; ele passa a impressão de que faz uma "radiografia da alma". Um sábio desperta a inveja dos medíocres e dos amantes do poder, porém conhece o inimigo como poucos. O sábio conhece "o pulo do gato", mas quase sempre é vítima das "serpentes".
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO


QUAIS SÃO ALGUNS MITOS CONTEMPORÂNEOS?

Sexta-Feira, 23 de outubro de 2009

QUAIS SÃO ALGUNS MITOS CONTEMPORÂNEOS?
Quando se fala em mitologia e mito, principalmente os antigos, as pessoas acham graça e riem da "ingenuidade" dos mesmos. Não percebem que os mitos são representações simbólicas importantíssimas diante de um mundo desconhecido e que necessita, portanto, ser explicado e estruturado para dar sentido e significado à vida das pessoas. A função do mito é a de inventar um mundo imaginário, simbólico e mágico cuja finalidade é contribuir para o equilíbrio psicológico e emocional do homem diante de uma natureza desconhecida, misteriosa e hostil. No mito não se questiona nada; e quem ousasse seria considerado louco e a pessoa poderia ser punida com a própria morte. O mito, neste sentido, é uma "verdade" absoluta: tudo é considerado sobrenatural e sagrado. E hoje em dia? Quais são os mitos da nossa sociedade contemporânea que dão sentido e significado à vida das pessoas? São muitos. A diferença é que os mitos antigos davam um sentido existencial à vida das pessoas; os da nossa época esvaziam o sentido, num beco sem saída. No primeiro, temos o preenchimento existencial essencial à vida dos primitivos; no segundo, temos um abismo profundo e infinito, pois os "deuses" morrem da noite para o dia. A mídia fabrica e descarta; o que importa é ter, mesmo que a posse seja despossuída no dia seguinte! Pois é...
Há alguns significados para a palavra mito. Um deles é o que está relacionado ao primeiro contato que o ser humano tem com o mundo: é a cosmogonia, os relatos míticos sobre a criação do mundo e de tudo o que há nele. Um outro sentido é a admiração, o encanto, a idolatria que fazem de seres humanos deuses. Por exemplo: The Beatles são a maior banda de rock de todos os tempos; Michael Jackson é o rei da música pop; Elvis Presley é o rei do rock; Pelé é o rei do futebol. E como esquecer as "celebridades" fabricadas pela mídia? Um terceiro significado é o mito como explicação do senso comum, portanto popular. Exemplo: não se pode chupar manga e tomar leite; não se deve alimentar-se e tomar banho, pois pode-se morrer; a crença de que os astros determinam o nosso caráter e destino, entre outras crendices populares. Mas os mitos são muito mais ricos...
Além dos mitos citados, temos: o celular, o computador, o carro, o sonho de ser famoso, a ilusão de felicidade eterna no casamento, o reconhecimento profissional, a vontade de ter muito dinheiro, o desejo de ser imortal e especial aos "olhos" de deuses. Esses são os pequenos deuses do nosso mundo. Quantos de nós vivemos sem o celular e o computador? Mas o pior de todos os deuses é o ideal de beleza e juventude da nossa sociedade narcisista, e que faz tudo se tornar obsoleto da noite para o dia — até mesmo em relação aos seres humanos. Tudo o que não é novo é descartável; é por isso que o encontro autêntico, verdadeiro, está cada vez mais difícil. Afora as paixões nos esportes: transformamos seres humanos de carne e osso em deuses (ídolos). Dá-se facadas, pauladas e tiros por causa de uma paixão esportiva — mormente o futebol. E há pessoas que riem dos mitos antigos. O pensamento mágico está muito presente em nossas vidas. Outro dia estava vendo um idiota, ex-integrante do Big Brother (a mediocridade coletiva), num shopping, e uma multidão querendo tocá-lo e tirando fotos. E isso num centro de classe média-alta, hein! Isso só confirma que a massa letrada também é alienada e precisa produzir os seus deuses humanos, idiotas e medíocres. Evidentemente que este será mais um "deus" que morrerá ainda em vida; será uma espécie de zumbi à procura de algum reconhecimento na rua... Mais um candidato à depressão. Que dureza, hein?! OBS: Vi o tal sujeito no Jornal Hoje, da Rede Globo.
O vazio mental e existencial é preenchido com o consumo artificial, desnecessário, porque fazemos dos próprios objetos deuses. O consumo passa a ser desnecessário e, portanto, alienado. O cartão de crédito (que na verdade é de débito, pois crédito é o que entra no "bolso" e não o que sai) gera uma ilusão de que não se está comprando de fato, porque o dinheiro é de plástico. Todavia, tal "realidade" é logo desmentida pela fatura que chega ao final do mês. Esse tipo de consumo é terrível porque a pessoa costuma se arrepender ao sair da loja. Mas a sensação de preenchimento existencial é logo superada por um abismo mais profundo, e que será preenchido com novas compras: vira um círculo vicioso. Compramos livros, DVDs, roupas, bebidas, que quase sempre serão esquecidos numa prateleira. Ou seja, não serão "consumidos", pois a maioria já não está na "moda". Enfim, é a alienação total!
Talvez seja por isso que os alienados costumam dizer que a filosofia não serve para nada! Tal afirmação não seria, por acaso, mais um mito fabricado pelos "deuses de araque" do nosso mundo vazio de sentido? Quem sabe a "deusa" razão não é o que falta na vida de todos nós? Pois é...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO