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terça-feira, 23 de novembro de 2010

O QUE É A AMIZADE?



Terça-feira, 23 de novembro de 2010
O QUE É A AMIZADE?
A palavra amizade é de uma beleza ímpar, singular. Muitas vezes repetida e quão poucas vezes colocada em prática. Mencionamos tal palavra ad nauseam; entretanto, quantas pessoas sabem o significado filosófico da amizade? Em outras palavras, qual é a essência da amizade? O que faz a amizade ser amizade e não um mero coleguismo?
Vou tentar definir a amizade, mas não tenho a intenção de esgotar o assunto — mormente num pequeno texto como é a pretensão deste. Defino a amizade como um sentimento nobre e altruísta de companheirismo, lealdade, sinceridade, carinho e solidariedade nas mais variadas situações da vida. Ser amigo é estar junto, mesmo estando longe — ou seja, é ter o amigo no pensamento —; é compartilhar segredos e confidências; é ficar alegre com as vitórias e triste com as derrotas; é ser sincero quando perguntado, mas respeitar a vontade do outro quando ele prefere o silêncio; é compreender que o amigo é humano e pode nos ferir, mesmo sem querer; é ter a certeza de que uma amizade não acaba, a não ser com a morte física das duas pessoas, pois enquanto uma estiver viva, o outro existirá nas lembranças...
A amizade é um sentimento raro; por isso, bendita seja a pessoa que encontrou um verdadeiro amigo. Quase sempre encontramos na nossa odisseia terrestre várias pessoas com quem convivemos e compartilhamos trocas afetivas. Todavia, o tempo se encarrega de mostrar se houve uma amizade ou um simples coleguismo. Na maioria das vezes, os desencontros são mais frequentes, principalmente porque não podemos dissociar a amizade de um contexto político, social, econômico e cultural.
A amizade só pode existir quando consideramos o outro como se fosse um fim em si mesmo, e não um meio para interesses mesquinhos e egoístas. Parafraseando uma frase do cantor e compositor Milton Nascimento: “Amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves”...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO


terça-feira, 2 de novembro de 2010

O CETICISMO PIRRÔNICO!

Terça-feira, 2 de novembro de 2010
O CETICISMO PIRRÔNICO!
Quando nos referimos ao ceticismo, geralmente pensamos que o cético é aquele que duvida de tudo e, tal qual Descartes, coloca em dúvida a existência do mundo exterior e do próprio corpo. Evidentemente que com um ceticismo tão radical chegaríamos ao solipsismo — ou seja, a crença de que só posso ter acesso à minha mente e que tudo em volta não passa de situações na minha consciência. Vou preconizar neste espaço um outro tipo de ceticismo: o ceticismo pirrônico. E a minha intenção não é me referir à História do Ceticismo, já que há várias concepções sobre o ceticismo. Pirro de Élis (360 a.C. a 270 a.C.), filósofo grego que nasceu na cidade de Élis, é considerado o pai do ceticismo pirrônico ou pirronismo. Entretanto, conhecemos mais sobre o pirronismo através do médico e filósofo cético Sexto Empírico, que viveu entre os séculos II e III da nossa era.
Um cético pirrônico acredita nas leis naturais; nos instintos; nas leis e costumes humanos e na ciência — desde que não seja uma tentativa de ir além dos fenômenos, ou seja, daquilo que me aparece. Sexto Empírico era médico. E o ceticismo pirrônico tem uma relação com o empirismo, desde que seja de acordo com o que eu disse acima.
Percebemos uma certa regularidade na natureza; temos uma inclinação instintiva para matar a fome, dormir, reproduzir a espécie; sempre que vemos uma cicatriz, podemos deduzir que houve um ferimento naquele local; seguimos as leis e tradições ou podemos propor outras — mas sem achar que atingimos a essência ou a causa primeira do real. Não se deve confundir o ceticismo pirrônico com outras formas de ceticismo. Percebemos de uma forma natural, eis o ceticismo pirrônico. Não sabemos qual é a natureza de nada, apenas daquilo que nos aparece; ou seja, o fenômeno. Ex: um cético pirrônico não lhe dirá que o mel é doce por natureza, apenas que lhe aparece como tal. Ele lida com o mundo dos fenômenos, nada mais. Qual a natureza do fenômeno? Ninguém sabe, ora!
Se o cético lida com o fenômeno e a experiência que ele tem com o mundo, não busca a essência de coisa alguma, pois isso seria próprio das filosofias dogmáticas. Quem disse que o cético pirrônico abre mão do mundo dos fenômenos e do que lhe aparece? Não sabe qual é a causa do mundo e a sua verdadeira essência. Ele não faz metafísica; entretanto, quando alguém insiste, demonstra que não há como escolher entre duas teses filosóficas, pois elas se equivalem. Se uma doutrina filosófica afirma que algo é, o cético pirrônico demonstra que "não é"; se a doutrina adversária afirma que algo "não é", ele demonstra "que é". Diante dessas divergências, o cético pirrônico apenas usufrui do fenômeno sem colocá-lo em dúvida. Nada mais falso, portanto, a ideia de que o ceticismo pirrônico é contraditório. Pelo contrário, o cético se reconcilia com a vida comum dos homens. Insere-se no mundo dos fenômenos e se contenta com os seus limites...
Sabemos muito pouco e, quando o cético pirrônico analisa as várias correntes filosóficas, percebe que elas são contraditórias. Sempre há bons argumentos entre as várias doutrinas filosóficas, num conflito ad infinitum. Não podendo saber qual tem razão, o ceticismo pirrônico faz com que suspendamos o juízo (epoché) e nos permite, assim, chegar à ataraxia, ou a imperturbabilidade da alma. No trecho abaixo, fruto de outro texto que escrevi, constatamos a atitude de um cético diante das perguntas metafísicas a respeito das interrogações sobre as leis do universo.
(...) As leis naturais e o mundo deveriam ter sido inventados antes; que, por sua vez, deveriam ser antecedidas por outras leis e outro mundo; que, por sua vez, deveriam ser antecedidas por outras leis e outro mundo... Ad infinitum. Mas, se formos regredir ao infinito, logo de onde saiu este mundo? Da eternidade? E de onde saiu a eternidade?
Diante das questões supracitadas, evidentemente o cético voltaria a se deliciar com o mundo dos fenômenos, nada mais!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 23 de outubro de 2010

O QUE É O FUTURO?

Sábado, 23 de outubro de 2010
O QUE É O FUTURO?
O que é o futuro? Não conheço este tempo. Mas ele existe pela imaginação. Quem vive de imaginação não tem tempo para saborear o único tempo que existe: o presente.
Que futuro? As pessoas vivem 24 horas por dia. Cada minuto deve ser aproveitado da melhor forma possível. Não podemos antecipar pela imaginação — o futuro — o que possivelmente acontecerá ou não. Isto é uma fonte de ansiedade e de angústia. A pessoa não vive o presente e fica o tempo todo pensando no futuro. Quando o "futuro" chega, ele será o futuro? Não. Será o presente — e, talvez, completamente diferente do que fora planejado.
Um usuário de drogas ficará esperando o futuro para tentar parar pela força de vontade? Buscará um tratamento no futuro? Quando? Vai esperar chegar no fundo do poço? Não. A decisão de parar é aqui e agora. Um dia eu vou parar? Quando isto dará certo? Vivamos os problemas de hoje, hoje. Os de amanhã, amanhã; e, assim por diante. Pensar no futuro não é bom para a saúde mental; pelo contrário, é fonte de muito sofrimento antecipado.
Vou dar um exemplo simples: os AA (Alcoólicos Anônimos). Eles não pensam no futuro. Evitam o primeiro gole nas próximas 24 horas. No dia seguinte, renovam o compromisso. Por acaso eles não ficam anos sem beber? Se fizessem o compromisso de que um dia iriam parar, o que aconteceria? E se decidissem que parariam para sempre? Para sempre é muito "tempo". É todo o "futuro". Dificilmente uma atitude assim daria certo...
O passado gera a culpa e o futuro gera a preocupação. Dois tempos que não existem, mas que são a desgraça da maioria das pessoas. O passado já passou. O futuro não chegou e, quando chegar, será o presente. Infelizmente, no entanto, vivemos o passado pela nossa memória e lembranças, e o futuro pela imaginação. E o único tempo que existe (o presente) nós o gastamos remoendo o passado e projetando o futuro. Resultado: tome sofrimento.
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 2 de outubro de 2010

IDENTIDADE EM MOVIMENTO!

Sábado, 2 de outubro de 2010
IDENTIDADE EM MOVIMENTO!

Eu? Quem é o eu? Ele existe? Se existe, tem uma identidade imutável? É uma alma? Uma alma que, supostamente, existiria em uma outra dimensão espiritual? Será? Duvido.
Eu tenho muitas dúvidas. Talvez não seja por acaso que eu goste tanto do ponto de interrogação (?). Não consigo conceber um suposto "eu" separado do conjunto dos meus pensamentos — não sei como alguém pode explicar um "eu" pensando e ser diferente dos próprios pensamentos. Como pode um "eu" pensar se ele não é também pensamento? Como pode algo que é dinâmico e está em constante movimento ser uma entidade central e imóvel? Como se pode ver, as perguntas não param. A ideia de um "eu" imutável, que pensa sem ser pensado, é absurda e contraditória.
Penso que a situação supracitada faz nascer o medo e a superstição. Inventamos crenças e criamos deuses aos montes para que possamos nos sentir seguros. Construímos as nossas gaiolas, trancamo-las por dentro e jogamos a chave fora.
A Filosofia é, a meu ver, a única chave que temos para abrirmos a gaiola e voarmos. Entretanto, o que pode ser a solução pode também ser o receio de enfrentar o nosso pior inimigo: as algemas fabricadas pela nossa estupidez e ignorância. Viver no mundo das trevas é o mesmo que odiar as perguntas e aceitar explicações tolas e infantis — principalmente por parte daqueles que também estão no abismo, mas não sabem que estão. Estes são as piores companhias; pois, cegos de "nascença", não podem saber o que é a luz do sol. O conceito de sol, por mais belo que seja, se for dito por um cego de nascença, não terá o mesmo valor comparado aos olhos de uma criança inocente que percebe o sol como um fato.
O grande dilema humano é tentar explicar o mundo. Compreende muito mal esta realidade material, mas quer explicá-la por algo que compreende menos ainda: um suposto Deus. Prefiro a minha ignorância sobre o assunto. Sei muito pouco e sei que sei muito pouco... Todavia, sei como poucos a arte de fazer perguntas, de me espantar e de me admirar com a minha própria ignorância... Eis o motivo da minha paixão pela Filosofia — a luz da minha vida!!!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

IMPRENSA E DEMOCRACIA NO BRASIL

Quarta-feira, 29 de setembro de 2010
IMPRENSA E DEMOCRACIA NO BRASIL

A palavra democracia é uma das mais pronunciadas no mundo. De ditadores sanguinários, políticos de direita e de esquerda aos meios de comunicação em geral, a palavra democracia é como se fosse o maná dos deuses. Tantas vezes pronunciada e raras ocasiões colocada em prática. Está na moda dizer que a liberdade de imprensa é tudo e que qualquer pessoa pode dizer tudo — desde que seja para bem "informar o público". Informar, sim; mas, a imprensa deve ter partido político? A imprensa pode acusar sem provas? Jornalistas podem ser demitidos por serem isentos? Governantes podem deixar de anunciar numa determinada mídia se a mídia divulgar os fatos?
Infelizmente, no Brasil, mesmo a democracia formal está muito longe de ser uma realidade. Para quem não sabe, na democracia formal há o direito à igualdade num plano abstrato; ou seja, todos são iguais (deveriam ser) perante a lei; liberdade de associação; de "ir e vir"; de ser inocente até que se prove o contrário — pois a Carta Magna (Constituição) nos garante tal "direito".
No Brasil e em muitos países com uma vocação autoritária — tipo "manda quem pode e obedece quem tem juízo" —, a palavra democracia chega a ser motivo de chacota; afinal, a regra quase sempre é esta: para o inimigo a lei, para o amigo o "jeitinho". E estamos nos referindo apenas à democracia formal; pois, se formos mencionar a verdadeira democracia — ou seja, a democracia substancial, que preconiza uma igualdade de fato, e não apenas sujeitos de direito abstrato —, as coisas, então, viram piada de gosto duvidoso! A democracia abstrata não alimenta quem tem fome; não dá educação de qualidade aos pobres; não cuida dos doentes; não coloca a pessoa sob um teto digno; não prepara o indivíduo para a cidadania; não emprega — em compensação, desampara...
É com muita tristeza que vemos, indignados e quase impotentes, uma meia-dúzia de famílias dominarem a mídia no Brasil e ainda estufarem o peito para grasnar uma "democracia" de fachada. Desde quando alguns coronéis que trocaram o chicote pelo black tie podem querer ganhar uma eleição no grito e no poder do dinheiro? Trocar as esporas das botas por uma roupa mais sofisticada muda também a alma de quem tem horror aos pobres? Basta alguém começar a tentar dar um pouco de dignidade ao povo e as elites reacionárias querem colocar mordaças — não apenas nas nossas bocas, mas nos tirarem o direito sagrado de sermos humanos? Já não se contentam em apenas dividir migalhas durante 500 anos?
Deixemos de ser uma republiqueta de bananas e vamos respeitar a vontade do povo, ora! Não é com mentiras, calúnias, infâmias e força bruta que a direita reacionária voltará ao poder. É preciso que este país assuma de vez o seu destino de crescer com autonomia, liberdade e responsabilidade. O Brasil é de todos — não é apenas de meia-dúzia de famílias que faz da onipresente mídia um meio para tentar impor interesses mesquinhos. O Estado brasileiro deve ser um meio para promover o bem comum; não pode, por isso, ter compromisso com quem diz "informar". A mídia não pode estar acima da lei. A lei é para todos e deve ser democrática — principalmente porque os canais de televisão e rádio são concessões estatais, e não poder de grupos privados que só gostam da "democracia" que assegura privilégios à nata da sociedade.
O país está no caminho certo e precisamos apenas colocar a Constituição cidadã em prática. Democratizar este país. E isto inclui cidadania de fato — e a mídia não pode ser contra um Estado que tem no povo a sua referência. A sociedade é a genitora do Estado. Este, então, deve cuidar de todos: desde a pessoa mais humilde à mais rica, ninguém pode querer ser mais "igual" do que os outros.
Avante, Brasil, pois a sua vocação é a luz que ilumina, e não as trevas daqueles que, por terem um microfone, a audição e a imagem onipresente e onipotente, pensam que podem ofuscar a nossa inteligência e o nosso sagrado direito de escolher o caminho que queremos seguir; mesmo que as nossas escolhas se mostrem equivocadas, pois é participando do jogo democrático que aprenderemos o que é a democracia de fato. Assim como ninguém aprende a nadar apenas teoricamente, ninguém saberá o que é a democracia somente através dos discursos dos donos do poder no Brasil. Por quê? Porque eles são treinados para exigir dos outros; todavia, quando se trata de exigência alheia, geralmente a intolerância é a regra: “façam o que eu mando, mas não façam o que eu faço”. Consideram a maioria dos brasileiros cidadãos de segunda classe, para dizer o mínimo... A voz do povo é inviolável e intransferível, não está à venda. Façamos o nosso destino e torçamos para que a mídia possa informar com lucidez e coerência. O bom senso e a tão decantada "informação democrática" agradecem. E que a luz da Filosofia continue atenta para anunciar as tentativas de profissionais que fugiram das aulas de ética.
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O MITO DO LIVRE-ARBÍTRIO RELIGIOSO!



Terça-feira, 14 de setembro de 2010
O MITO DO LIVRE-ARBÍTRIO RELIGIOSO!
O livre-arbítrio é um dos maiores argumentos utilizados pelas pessoas de boa-fé ou má-fé para tentar explicar o mal que acomete os seres humanos. Todavia, uma pequena reflexão pode jogar por terra a tentativa de explicar o que não tem explicação.
A maioria das pessoas, para fazer predominar as suas crenças e opiniões infundadas, parece ter um certo horror à lógica — e muitas querem encarcerar deduções lógicas em prisões dogmáticas. Vejamos mais de perto o tão decantado argumento do livre-arbítrio e as contradições lógicas que insistem em desaprová-lo. Recorrer ao argumento do livre-arbítrio é o mesmo que dizer que somos livres e responsáveis pelos nossos atos e atitudes. Em primeiro lugar, qual é o livre-arbítrio que uma criança de cinco anos tem? E uma criança de dois anos? Um pai responsável seria capaz de colocar uma criança de dois anos num ônibus para viajar para o centro de uma cidade grande? Por acaso os seres humanos, em relação a Deus, não teriam menos de dois anos? Deus, por ser onisciente, já não sabia desde a eternidade o que um dos seus filhos faria? Se sabia, como poderia colocar à prova alguém cuja atitude já estava escrita? Se, por outro lado, Deus não sabia, como pode ser Deus e onisciente? Parece o mito de Adão e Eva. Deus já sabia que Adão e Eva pecariam; se dissermos que não, então duvidaremos também da onisciência, onipotência e onipresença divina; se sabia, não precisava experimentá-los, certo? A Lógica é fria e não podemos colocá-la a serviço do nosso narcisismo divino...
O argumento do livre-arbítrio é totalmente contraditório. Uma criança de dois anos pode escolher não ser vítima de um pedófilo? Pode escolher não cair da sacada de um edifício? Quem poderia olhar por ela? Os pais? Mas os pais são imperfeitos — não são oniscientes, onipotentes e onipresentes. O único "pai" com todos esses atributos é o "pai" divino. Entretanto, é triste constatar que as crianças são vítimas de violências as mais variadas e, infelizmente, ainda não se viu intervenção do único ser que poderia fazer isso. Dizer que Deus deu livre-arbítrio para os seres humanos é mais improvável do que afirmar que um pai responsável deixa um filho de dois anos viajar sozinho. Pior: o primeiro “pai” é Deus; o segundo, um ser humano. Não tem o menor cabimento. Todavia, é nesse tipo de absurdo que as pessoas ingênuas querem nos fazer acreditar. A palavra é providencial: acreditar. Crença não é um fato — é apenas uma crença!
Essas pessoas não conseguem explicar quase nada; mas querem explicar a mente divina através de argumentos pueris, crenças e superstições. É o cúmulo da arrogância.
Eu poderia desenvolver este assunto com muitas e muitas páginas e demonstrar, cabalmente, que, de um ponto de vista lógico, o argumento do livre-arbítrio é fraco e infantil. Mas fico por aqui e espero ter contribuído para que as pessoas possam refletir sobre o assunto sem paixões, devaneios e piruetas acrobáticas que não explicam nada...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A PRIVATIZAÇÃO DO AR

Quarta-feira, 1 de setembro de 2010
A PRIVATIZAÇÃO DO AR
Nas minhas "viagens" para trabalhar todos os dias, às vezes mergulho fundo em alguns questionamentos que fariam um "louco" se sentir "normal". Vou compartilhar com os poucos visitantes deste espaço uma dessas minhas especulações tenebrosas, dignas de um filme de terror. Parece brincadeira; mas, em se tratando de dinheiro, ganância, ambição e egoísmo, é bom não duvidar. Aliás, se dinheiro fosse comida, muitos capitalistas comeriam só notas de euros.
Não sei como os capitalistas e "empreendedores" ainda não descobriram uma forma de "privatizar" o ar. Sim — porque já arrumaram um jeito de privatizar as terras (parece até que receberam escrituras e registros de loteamentos divinos) e também já são "donos" até do verbo criador do mundo.
Não vai demorar muito e algum grande empresário descobrirá a "fórmula" de filtrar o ar — não para benefício da humanidade, mas para engordar a sua conta bancária. Virá em forma de download, direto da esfera celeste! Quem teria direito de respirar um ar puro e revitalizador? Os ricos e a classe média alta. Aquela que não é proprietária dos meios de produção, assalariada, ou composta por profissionais liberais, mas que tem pose de rica. Há exceções, é claro. A crítica não é uniforme. Pobre, "rica" classe média...
Essas classes pagariam uma senhora taxa por mês, com direito a reajustes anuais. Caso o cliente ficasse inadimplente, o "filtro" seria cortado... Parece brincadeira; mas é preocupante — afinal, a educação, a saúde, a televisão, a internet, a terra, a água, os animais e as plantas já têm donos. Se pagaram a duplicata a Deus é outra discussão. O mais engraçado disso tudo é que muitos empresários agradecem a Deus pelo fato de terem sido "abençoados". Bênção para explorar o que deveria ser de todos? Pois é...
Pobre humanidade. Pobres, ricos exploradores... Todavia, pelo menos um tipo de ar fora privatizado; afinal, os ricos e a classe média alta respiram um ar puro, mormente aos fins de semana e nas férias!! Onde? Nos sítios, chácaras, condomínios fechados, fazendas e outros refúgios naturais.
Seria interessante que o nosso lindo planeta azul pudesse ser um lugar onde não houvesse territórios cercados com arames farpados, muros, câmeras e cercas elétricas; que as malditas crenças (não apenas as religiosas) não dividissem os homens; pois, onde não há reflexão racional, impera a "lei dos instintos". Como seria bom se pudéssemos usufruir os recursos naturais e não sermos "proprietários" de nada. O melhor exemplo de que isso é possível é o ar — elemento essencial à vida de todos, mesmo que seja poluído pelo efeito do "progresso". O "progresso" em direção à morte. A morte de tudo que é belo e natural. Pergunta: os outros elementos também não são, por acaso, fundamentais à vida? Por que, então, foram privatizados? Bendita seja a democratização do ar; pois, o dia em que ele for privatizado, só os ricos e a classe média alta (será?) poderão viver. Tudo muito triste... Antes, só existissem os pássaros...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

FILOSOFAR ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE!


Sexta-feira, 20 de agosto de 2010
FILOSOFAR ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE!
Filosofar é voltar a ser criança. É olhar para todas as coisas como se tivéssemos olhando para elas pela primeira vez. É o espanto e a admiração. É ter dúvida onde a maioria das pessoas tem certezas. É ter uma visão ampla, raciocínio rigoroso e coerente e, principalmente, ir à raiz das questões.
A Filosofia é diferente da ciência, mas tudo é objeto do filosofar; todavia, há um limite. Vamos até essa fronteira — daí para a frente, se não tomarmos cuidado, expulsaremos a razão e deixaremos a imaginação e a fantasia tomarem conta do nosso ser.
Filosofar é um ato corajoso. É mergulhar fundo. É sofrer toda a responsabilidade e a angústia pelos efeitos das nossas perguntas. Cada resposta torna-se-á uma nova pergunta; é por isso que a Filosofia existe desde o século VI a.C. Quem deseja certezas deve correr da Filosofia como o diabo foge da cruz. Na Filosofia não há lugar para misticismos e superstições infantis.
Filosofar é incomodar: perguntar, comparar, analisar, confrontar, sacudir, criticar e buscar ad infinitum as respostas. É dormir e acordar com as perguntas. É sonhar e ter pesadelos com o ponto de interrogação. É pular no abismo profundo da nossa "alma". É brincar com as respostas como as crianças... É andar na escuridão em busca da luz. É preferir o precipício ao terreno firme. É ter orgasmos intelectuais com aquilo que de mais sagrado o ser humano tem: a luz da razão.
Seja bem-vinda, madame Filosofia, e os seus benditos frutos: o espanto e a admiração! Sem eles a Humanidade se perde na mais profunda escuridão da estupidez, e pode fazer companhia aos equinos!! Os equinos têm uma vantagem sobre aqueles que residem nas certezas e, por isso, matam o movimento, o dinamismo — numa palavra, a própria vida. Eles não sabem que são equinos... Façamos, urgentemente, o uso da razão para que o mundo humano seja iluminado por ideais nobres e altruístas guiados pelo bom senso; para que aqueles que vivem nas trevas dogmáticas não nos apontem o caminho do delírio, de uma imaginação descontrolada e, portanto, paranoica. Onde não há luz filosófica só pode haver as trevas mais nefastas ao gênero humano...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO




sábado, 7 de agosto de 2010

ATEÍSMO E ÉTICA!

Sábado, 7 de agosto de 2010
ATEÍSMO E ÉTICA!
Escrever sobre o ateísmo é muito complicado. Geralmente tento explicar o conceito; mas, em vez de as pessoas prestarem atenção no que está sendo dito, elas estão acumulando crenças para tentar refutar o que ainda não compreenderam. Quem sabe que Deus existe? Ninguém. Quem acredita em Deus/deuses? Quase toda a Humanidade. Mas é diferente: uma coisa é crer, outra muito diferente é saber. Eis o dilema. Vou tentar esclarecer que é possível ser uma pessoa descrente e ter uma ética altruísta e magnânima. Uma ética humanista — ou seja, a que coloca o homem como senhor do próprio destino sem recorrer às forças sobrenaturais.
Ateísmo é apenas a ausência de crenças em deus(es). Uma criança de dois anos é ateia porque não tem crenças. As crenças virão através dos pais, da sociedade e da cultura em que ela viverá. Este é o chamado ateísmo passivo ou fraco. O ateísmo forte ou militante é mais radical, pois nega uma suposta existência divina — não é o meu caso. Eu não sei se existe um Deus. Até gostaria que existisse; mas, tenho um compromisso com a verdade, não com crenças. Nada mais.
O que vamos fazer da nossa vida é uma escolha nossa. Os países mais desenvolvidos do mundo (exceção dos EUA) têm um grande percentual de ateus e pessoas com cursos superiores; e, há um índice muito pequeno de criminalidade. Portanto, têm uma ética e leis apenas e tão somente humanas. Os países mais religiosos do mundo são, geralmente, os mais miseráveis e explorados, e onde os índices de criminalidade são enormes. Como explicar esse paradoxo? A religião, infelizmente, não é garantia de paz — quase sempre mata-se e discrimina-se as pessoas em nome de Deus/deuses.
Somos livres para fazer o bem e o mal. No caso do ateísmo, temos a liberdade para fazer um mundo apenas humano e colocar limites aos nossos instintos através da moral, da ética e das leis humanas. Não há garantia de que os seres humanos vão preferir a paz ou a guerra. Assim como não há garantia nenhuma de paz num fundamento moral divino. A crença em Deus, pelo contrário, tem promovido muito ódio, preconceito e genocídios terríveis entre os povos. O darwinismo social já existe, inclusive com a complacência de uma suposta existência divina; afinal, o país que faz mais guerras no mundo são os EUA, e quase 90% dos cidadãos americanos acredita em Deus. A maioria é protestante. Paradoxal, não? Li em jornais que o ex-presidente americano chegou a afirmar que fora Deus que o mandou invadir o Iraque...
Estamos tão acostumados com essas crenças que achamos impossível vivermos sem uma tutela sobrenatural. Ninguém nasce católico, evangélico, espírita, islâmico, budista ou de qualquer outra religião. Os homens são capazes de formular os seus valores, princípios, normas, regras e leis perfeitamente bem. A maior parte da Humanidade acredita em Deus. O mundo está melhor por causa disso? Pelo contrário, a crença em deus(es) gera muitos assassinatos por causa dos conflitos religiosos e de crenças divergentes. Somos capazes de colocar limites aos nossos instintos; somos capazes de construir um mundo melhor apenas e tão somente por sermos diferentes dos animais. A ética só pode existir, verdadeiramente, se ela, única e exclusivamente, for um valor humano. Enxergar o ser humano como um fim em si mesmo, e não um meio para se ganhar a salvação. Isto, a meu ver, é fazer um comércio metafísico com um suposto Deus. Faço o bem porque tenho medo da ira divina — e esqueço que, se Deus existe, ele sabe disso! E como deve saber!!
Devo fazer o bem independentemente da existência divina. Por quê? Porque sou um ser humano e tenho a obrigação de me colocar no lugar do outro. Penso que, se alguém ama verdadeiramente neste mundo, são as pessoas descrentes; porque fazem o bem sem esperar nada em troca num plano espiritual. Se faço o bem querendo ganhar mais num plano espiritual, eu realmente amo alguém? Amo a mim mesmo; sou um tremendo egoísta. Pior: ainda achamos que, se existe um Deus e se ele tiver todos os atributos que dizemos que tem, que ele não perceberá o quão hipócritas e egoístas nós somos.
Quem é mais honesto aos "olhos" de um suposto Deus? Se fizéssemos uma pesquisa em todas as prisões do Ocidente, talvez a maioria absoluta acreditaria em Deus; assim como o número de ateus deve ser ínfimo. O mesmo podemos dizer dos países civilizados. Para citar apenas alguns, na Noruega, Suécia e Dinamarca, por exemplo, se não me engano, a maioria absoluta da população é ateia. Como é o padrão de vida por lá? E por que é justamente nos países mais pobres que as grandes religiões monoteístas predominam? Por que se abre mão deste mundo em prol de um suposto paraíso? Por que não podemos ter um padrão de vida melhor aqui e agora? Por que não ser feliz aqui primeiro e, se houver um paraíso, ser feliz lá também? Pois é...
Somos instintos e somos os únicos animais capazes de fazer escolhas também. Por isso, valores éticos só podem existir entre seres humanos. O animal não é bom e nem ruim. O ser humano é capaz de se colocar no lugar do outro, premeditar o mal e fazer o bem. A vida de um cético é muito valiosa, pois ele acredita que é a única. Não faz planos para o além-túmulo; logo, se a vida é uma só, não vale a pena desperdiçá-la com medos e desesperos que não podem ser provados. Fazer o bem sem esperança é difícil... Eu sou um cético, mas tenho religiosidade. O que é isto? É fazer o bem sem ter uma religião e ser um cidadão de um mundo sem fronteiras.
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O HOMEM E O PODER DAS PALAVRAS!

Quarta-feira, 21 de julho de 2010
O HOMEM E O PODER DAS PALAVRAS!
O homem é o único ser que pergunta. Por que o homem pergunta? Porque não sabe. Por que não sabe? Porque não nasce sabendo. Por que não nasce sabendo? Porque o homem é mais do que instinto ou programação biológica. Por que é mais do que instinto ou programação biológica? Porque é um ser de cultura. Por que é um ser de cultura? Porque compartilha uma parte da natureza com os outros animais, devido às necessidades de um ser vivo animal; todavia, é mais do que os animais, pois é o único ser da natureza que transforma a natureza e, consequentemente, é transformado por ela. E o que tem isso a ver com o homem? Tudo, ora!
O homem, além de ser parte natureza, é também cultura. Isto significa que o homem é um ser de transcendência: transforma a natureza pelo seu trabalho intencional e consciente, dá sentido e significado à sua vida e se situa no tempo e no espaço devido a uma questão fundamental: o aprendizado da linguagem através das relações sociais. Daí a importância do enriquecimento do vocabulário humano. Uma linguagem rica de sinônimos será de suma importância para a extensão e a compreensão do nosso mundo na maneira humana de pensar, sentir e agir.
Entretanto, não basta ter uma linguagem rica. É preciso ser o senhor da linguagem. As palavras, os conceitos são representações do "real". O que é representar? Tornar presente novamente. Eis algo que escapa a tantas pessoas... Tornar presente novamente é fazer abstração daquilo que está ausente de nós, mas que se torna presente por um processo de abstração — aqui mora o perigo. Podemos estar tão encantados pelas palavras que não percebemos o seu enfeitiçamento. As palavras encantam... As palavras envenenam...
Quem sabe a diferença entre elas e já mergulhou profundamente na relação entre o pensamento e a linguagem sabe bem o que quero dizer: o pensamento é a palavra em potência; e a palavra é o pensamento verbalizado e dinamitado. Mas a palavra pode ser mais do que a dinamite. A dinamite explode e faz muitos estragos, disso ninguém duvida. A palavra, porém, pode ter o efeito de uma espada. Antes esta espada cortasse apenas a nossa "carne". Uma espada comum fere a carne; no entanto, a espada — simbolicamente representada pela língua — corta a alma das pessoas. É muito importante sabermos disso...
Algumas pessoas são doces (no fundo são ácidas, amargas e mal-amadas) com uma sutileza de invejar um sofista. São amáveis, carinhosas, polidas e enganam a muitos. Fico até com pena da ingenuidade de tantas pessoas que se deixam levar. A mim, entretanto, elas não enganam. Conheço "cheiro" de hipócritas a quilômetros de distância. Conheço as sutilezas de uma linguagem venenosa. Não preciso ouvir a voz das pessoas. A forma de escrever revela muito: as frases soltas e "inocentes". Pois é...
Nesta vida as máscaras caem. E muitas vezes não precisamos mover uma palha para que a lição seja aprendida: a falta de autoconhecimento sobre o poder que as palavras têm pode ser fatal de um ponto de vista psicológico. Cada um que carregue a sua cruz e se responsabilize pelas palavras que solta ao vento. Uma pessoa sábia não busca aplausos e tem a consciência leve. Não sente tanto os efeitos das palavras; pois se coloca sob a mira delas o tempo todo. Só observa e não julga os possíveis efeitos delas sobre si. Não sabe se muitos que gostam de falar "umas verdades" têm estrutura emocional para tomar o contragolpe.
Eis um dos motivos de se dar corda e sair do "combate". Muitos chamam tal atitude de covardia, como se o bater boca fosse sinônimo de valentia. Ao dizerem que somos isto ou aquilo, não percebem que estão dizendo implicitamente: seja mais parecido comigo! Como não percebem as trevas da própria alma, enxergam as dos outros. São os "Procustos" da vida à procura de medir pessoas e atitudes na sua "cama de ferro". São os atores de periferia que, de tanto usarem máscaras, já não sabem se são pessoas ou as personagens que encarnam... São os donos de navios que já afundaram faz tempo, cujos fantasmas cultuam a "abelha rainha em forma de zumbi". São os filosofastros virtuais cuja profundidade está em fazer citações de filósofos, porque as suas (delas) ideias são cópias de um senso comum esclerosado, mofado e preconceituoso. Parte de uma classe sem rosto que não tolera a frustração diante da coragem de pessoas que dizem “não”. São os curiosos da vida alheia, porque a própria vida é destituída de significado.
Não vale a pena perder tempo com quem não tem rosto (uns não têm literalmente, não se sabe qual o papel que representam) e um possível coração de vidro... A melhor escola que tem é a vida, e ela não tem pressa...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 13 de julho de 2010

A MÍDIA E AS NOVELAS!

Terça-feira, 13 de julho de 2010
O MITO DA MÍDIA E AS NOVELAS!
Faz algum tempo que venho refletindo sobre a mídia. Em especial, a mídia televisiva. Antigamente, mesmo em casos criminais cometidos por pessoas famosas, a mídia informava e, logo, havia outras "novidades". Sim, "novidades" entre aspas; porque acontecem tantas coisas boas; todavia, a impressão que se tem é que este mundo é um "circo de horrores". Por quê? Porque notícias boas quase nunca vendem jornais e nem aumentam a audiência...
A notícia já não cabe numa edição de jornal. A notícia virou novela. Uma "novela" que transcende, em tempo real, as fronteiras do país, nesta imensa aldeia global que se tornou o planeta Terra. A notícia é comentada, discutida e debatida à exaustão. Inclusive acontecem outros crimes devido aos comentários dos crimes precedentes. A notícia tem gerado paixões, a ponto de se condenar o suposto culpado, num réu criminoso e quase sempre considerado "psicopata", antes mesmo do julgamento no tribunal. Sobram demagogia e sensacionalismo por toda parte. Já não importam os fatos, mas como se contam os "fatos". O que importa é a audiência...
O jornalismo, por natureza, faz um recorte dos "fatos". Ele é tirado do contexto em que supostamente os fatos aconteceram e editado em pequenos capítulos da nova novela: a jornalística. A diferença é que nas novelas, normalmente, os verdadeiros culpados são presos ou têm um fim trágico; o galã vence e, no último capítulo, quase todos se casam e são felizes para sempre... Na novela jornalística, não. O fim quase sempre é trágico — principalmente se a vítima é pobre e não pode pagar um advogado para se defender. Quando é rica e famosa, pode ter o dinheiro para os honorários dos advogados; entretanto, são condenadas antes do julgamento. Os fatos? Os fatos são feitos e refeitos. A opinião pública? Não tem opinião, apenas repete os deuses apresentadores — os juízes soberanos do novo pódio: o Olimpo televisivo.
A mídia "suga" a notícia novela até as últimas consequências; quando a audiência fica escassa, vai atrás de novos capítulos tenebrosos. Catarses coletivas? A desgraça alheia é divertida? Evidentemente há exceção; no entanto, rara como encontrar um diamante lapidado num bairro de periferia. Onde vamos parar? Não vamos. Na sociedade do espetáculo, tudo é "espetáculo". As aparências coloridas dão de goleada na essência — palavra séria candidata a desaparecer dos dicionários num futuro próximo.
Todavia, o pior de tudo é que o apresentador do "jornal novela" já não é humano. Estamos diante dos novos deuses que falam através do novo Olimpo: a emissora de televisão e outras mídias conhecidas. O apresentador deus é onipresente, pois está em milhões de lares, concomitantemente. Tão perto e tão distante... E as massas questionam os deuses? Não. Elas repetem, tal qual um papagaio de pirata, os mantras das emissoras.
A meu ver, estamos diante de um fenômeno preocupante. A justiça do "jornalismo noveleiro" dos novos deuses midiáticos está acima das leis humanas. E o que está por trás disso tudo? Um outro deus, que já desbancou os deuses de várias religiões: o deus dinheiro. Lamentável!! Mais do que nunca, a Filosofia é a luz que jamais pode se apagar. Contra esses deuses, o melhor antídoto é a luz da razão...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO