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domingo, 9 de setembro de 2012

DIÁLOGO POLÍTICO - O FILÓSOFO E O CANDIDATO A CIDADÃO!

Domingo, 9 de setembro de 2012
DIÁLOGO POLÍTICO — O FILÓSOFO E O CANDIDATO A CIDADÃO!
Candidato a cidadão — Senhor filósofo, eu sempre quis conversar com um sábio e ouvi dizer que um filósofo poderia me ensinar como votar nestas eleições sem o risco de ser enganado. O senhor poderia me ajudar?
Filósofo — Bem, nós poderíamos conversar um pouco sobre o assunto. Em primeiro lugar, um filósofo não é um sábio, mas é um amante da sabedoria. Ele busca a sabedoria, assim como uma pessoa que está morrendo sufocada busca o ar. Em segundo lugar, você estaria disposto a votar em quem eu lhe indicasse?
Candidato a cidadão — Acho que sim. Por que não deveria? Afinal, sendo um filósofo, com certeza o senhor poderia me dizer o nome de dois bons candidatos: um para o Legislativo e o outro para o Executivo.
Filósofo — Mas o que é ser um bom candidato?
Candidato a cidadão — Ora, senhor filósofo, não é possível que não saiba o que é uma coisa boa e muito menos que não tenha noção do que é ser um bom candidato... Em vez de me ajudar, o senhor só sabe fazer perguntas?! Não me leve a mal, mas acho que perdi o meu tempo.
Filósofo — O que é ajuda? O que é uma pergunta? O que é o tempo? Você pode me dizer?
Candidato a cidadão — Ó!! O senhor filósofo é louco, o senhor é completamente aloprado!
Filósofo — Mas você poderia me dizer o que é a loucura?
Candidato a cidadão — Eu já estou perdendo a paciência com o senhor, mas vou responder essa perguntinha imbecil e vou embora daqui antes que eu fique doido também. Esta é fácil, ora! Loucura é o nome que se dá às pessoas que perderam a noção das coisas, que não sabem distinguir o estado de consciência da inconsciência; é uma pessoa que não pode ser responsável pelos seus atos. Enfim, alguém que se encontra num estado mental precário e alienado. Gostou ou quer mais? O senhor está pensando que eu sou bobo? Agora posso ir? Pra mim chega...
Filósofo — Você é livre para ir e vir... E um filósofo não vai tirar todas as suas dúvidas. Pelo contrário, ele pode até gerar mais algumas. Quer mesmo ir embora ou podemos continuar o nosso diálogo? Podemos tentar encontrar as respostas sobre este assunto juntos...
Candidato a cidadão — Senhor filósofo, tenha misericórdia, eu só queria saber como escolher um candidato para o Legislativo e um para o Executivo. Mais nada. A minha cabeça já está doendo por causa das suas perguntas sem fim. Por favor, diga logo como eu devo fazer.
Filósofo — Lembra-se quando eu o perguntei sobre o tempo? Evidentemente que fazer uma reflexão sobre o tempo é bastante difícil; mas, na rica História da Filosofia, alguns filósofos já se debruçaram sobre esse tema fascinante e, se for do seu interesse, procure numa boa biblioteca ou na internet que, com certeza, você achará. Mas voltando ao nosso assunto: a ideia de tempo nos remete à História. No caso, a História de um partido político em geral e a de um indivíduo que coloca o seu nome à disposição de um partido para ser candidato em particular. Penso que não sabemos como será o futuro, e a lógica nos assuntos sobre o comportamento humano não nos autoriza a dizer que o passado será igual ao presente e muito menos ao futuro. Todavia, no que se refere à ética e à política, talvez o passado de um partido ou de um indivíduo possa nos dar alguma pista. O que você acha?
Candidato a cidadão — Mais uma pergunta! Eu quero é ter certeza, pois a dúvida é um verdadeiro pesadelo para mim. Eu acho que vou anular o meu voto. Todo político é desonesto mesmo! Talvez, quem sabe, vender o meu voto... São todos iguais! E eu ainda ganharia um dinheiro extra. O que tem o passado que ver com a política? A maioria absoluta dos políticos é corrupta. Uma vez corrupto, sempre corrupto. Além do mais, não está escrito na testa de ninguém a palavra "honestidade". E mesmo que a pessoa seja honesta, quando chega "lá" tem que entrar no esquema, caso contrário, não faz nada. Eu vou é vender o meu voto mesmo e pronto.
Filósofo — Calma! Vamos analisar a situação mais de perto. De um ponto de vista lógico, não podemos dizer que o passado necessariamente repetir-se-á no futuro. Aqui caímos numa situação complexa; pois, desse prisma, mesmo que um político tenha sido desonesto, não podemos concluir que ele o será no futuro. O mesmo argumento serve para o político honesto; pois o fato de ele ter sido honesto no passado não legitima a inferência de que ele o será no futuro, certo?
Candidato a cidadão — Onde eu estava com a cabeça quando resolvi procurá-lo? Agora as coisas pioraram de vez. Pode explicar melhor?
Filósofo — Claro. Se logicamente é possível tanto um político desonesto ficar honesto e vice-versa, então o silogismo dedutivo não serve para resolver o problema; pois os fatos podem nos contradizer, ou seja, um único político desonesto ficar honesto, ou um único político honesto ficar desonesto. Basta isso para que o nosso silogismo seja falso.
Candidato a cidadão — Que confusão! Mas estou começando a gostar disso. Continue, por favor!
Filósofo — Não temos garantias em nada que é humano. Ser humano é estar aberto para as escolhas. Nós escolhemos dentro dos limites humanos. O ser humano não é como o animal, que já nasce "sabendo" das coisas, instintivamente. Ele é um ser social e cultural. Ele tem que se autoconstruir o tempo todo. Fica claro que a política é uma dimensão muito importante da vida em sociedade. Se todos nós fôssemos programados pelas leis naturais apenas, não precisaríamos da política. E se todos fôssemos éticos, não precisaríamos de leis; logo, o Estado não seria necessário. Concorda?
Candidato a cidadão — Estou tentando acompanhar o seu raciocínio, mas confesso que ainda está muito teórico e eu estou começando a acreditar que os que dizem ser a Filosofia muito abstrata não deixam de ter razão. Para que tanto lenga-lenga para responder uma simples pergunta? Tudo me parece tão óbvio...
Filósofo — O óbvio só é óbvio para os tolos. Se as pessoas tivessem o hábito de fazer reflexões sobre a vida, o mundo, a natureza e a cultura, talvez o mundo humano fosse bem mais rico e feliz. E a política, volto a dizer, é uma dimensão essencial para que possamos viver em sociedade. Ao menos nos próximos séculos — isto é, se os homens não abrirem mão da política e partirem para a selvageria de uma guerra atômica...
Candidato a cidadão — Deus nos livre e guarde, senhor filósofo! Vire essa boca para lá! Credo! O senhor ainda vai demorar muito, hein?!
Filósofo — Deus? Bom, se ele existe, parece que não interfere no mundo; por outro lado, se não existe, nunca saberemos. Então, até que se prove o contrário, só podemos contar com a capacidade humana de resolver os seus problemas. É por isso que a política é laica, leiga, e os seres sobrenaturais devem ser assunto para as religiões, mas na esfera da vida privada. A política é da ordem do público, profano, mundano...
Candidato a cidadão — O senhor não deveria blasfemar! O senhor não teme a palavra de Deus? Deus castiga, viu?
Filósofo — Por quê? Porque estamos buscando a verdade? Se Deus castiga, ele terá muito trabalho para condenar tantos religiosos e políticos que ganham dinheiro explorando pessoas humildes com falsas promessas. Sem contar as guerras santas feitas em nome do amor divino, certo? Não se preocupe com isso agora. Precisamos saber algumas regras para escolher os nossos representantes.
Candidato a cidadão — Tudo bem... Termina hoje ainda? Queria assistir à novela das 9h.
Filósofo — Sim, não vamos demorar. Não há como prever o comportamento humano. Como vimos, o passado não determina necessariamente os nossos atos no futuro; e, quando se trata do poder político, então, a situação é imprevisível. Todavia, não temos muitas escolhas. Numa "democracia" temos direitos e deveres. Se, como você disse antes, não está escrito na testa de uma pessoa ou político a palavra "honestidade", logo só podemos contar com os atos do passado do político. Não há outra alternativa. É importante saber a vida pregressa do candidato(a). Ter um passado "limpo", tanto do ponto de vista ético quanto do ponto de vista jurídico. Como tal candidato(a) aborda o cidadão para pedir votos. A meu ver, um "bom candidato" diz exatamente quais são as funções do cargo para o qual ele deseja ser eleito. Por exemplo, o candidato a vereador (Legislativo) não é candidato ao Executivo. Como pode, então, fazer promessas que são da alçada do prefeito? Um vereador não faz obras e nem tem a obrigação de fazer "serviço social". Um vereador deve legislar (fazer leis); fiscalizar os atos do prefeito (Executivo); denunciar possíveis irregularidades na administração pública; fazer emendas ao orçamento municipal — ou seja, pode tentar negociar uma verba para fazer obras em uma determinada região, por exemplo —; e pode ainda fazer parte da oposição ou participar da base de apoio do prefeito, e ser um canal de comunicação entre o prefeito e o povo. É pouco? Pelo contrário, é muita coisa.
Candidato a cidadão — O que o senhor disse é muito importante, sem dúvida, mas ainda não disse como identificar um bom candidato...
Filósofo — Eu já disse sobre o passado do candidato. É muito importante procurar se informar a esse respeito. Contudo, há informações que não podem faltar. Por exemplo: o candidato solicita o seu título de eleitor para anotar? Se faz isso, então é bom desconfiar. Isto é ilegal e também uma tentativa de controlar o voto do eleitor. Um "bom" candidato não faz promessas absurdas e levianas, não doa cestas básicas, dentaduras, cimento, tijolos e outros favores. Não promete empregos. Isto não é da alçada de um candidato. E torna a eleição profundamente desigual, pois o poder econômico é para os ricos. Evidentemente que, para cada comprador de votos, há um vendedor. E quem é o vendedor de votos? O próprio eleitor. Neste sentido, onde está a diferença entre comprador e vendedor de votos? A meu ver, não há distinção entre os dois: ambos são desonestos. Existe uma relação de cliente: comercial ou de favor. O político é o retrato da sociedade — afinal, ele também faz parte dela, não é mesmo? — e tal relação custa muito caro para o eleitor, porque esse dinheiro sairá de algum lugar. Que lugar? Fica aí uma sugestão para uma posterior reflexão. Pensar dói um pouco, mas liberta...
Candidato a cidadão — É... Realmente, eleição para escolher os nossos representantes é uma coisa muito séria. Eu nunca tinha pensado em todas essas coisas...
Filósofo — Vamos fazer uma pequena digressão agora? Eu me lembro de cada palavra sua quando fiz uma pergunta sobre a loucura. Todavia, vou dizer o mínimo. É o filósofo realmente um louco como você disse? Quem parece não ter consciência, de não ser o responsável pelos próprios atos; de estar num estado de inconsciência, e que confunde o sonho com a realidade é, por acaso, o filósofo? A maioria das pessoas vive num estado de entorpecimento, de alienação, que chega a dar pena. E são essas criaturas que normalmente chamam o filósofo de louco. Quem é o verdadeiro louco? Podemos concluir que é aquele que vegeta no mundo, que não apenas desrespeita o seu voto, mas que vende o maior tesouro que um ser pode ter: a sua consciência! O que eu disse sobre o Legislativo serve também para o Executivo. Isto não é uma conclusão; ao contrário, é o ponto de partida para um debate, uma discussão para todos os candidatos a cidadão. Bom voto nas próximas eleições!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 4 de agosto de 2012

O PODER POLÍTICO!

Sábado, 4 de agosto de 2012
O PODER POLÍTICO!
O poder é um verdadeiro maná dos deuses para o homem. Ele está nas palavras, na hierarquia das classes sociais, na economia, na cultura, na ideologia, nos meios de comunicação, na religião, na ciência, na técnica, na tecnologia; mas, principalmente, na política. O poder político é o fundamento de todos os outros poderes; porque ele tem a "legitimidade", o monopólio da força, e as suas consequências mais nefastas e desastrosas. O poder é onipresente: está em toda parte. Onde houver duas pessoas conversando, haverá, sem dúvida, relação de poder. O homem deseja o poder como o "demônio" deseja almas para um "passeio" no inferno.”
Pouquíssimos homens (e mulheres) desejam o poder como um meio. O poder como meio é para promover o bem comum dos cidadãos e cidadãs. Existe o poder como um fim em si mesmo para a promoção do bem comum? A meu ver, não. Por quê? Porque o poder como meio é um instrumento de ideais nobres e altruístas. O poder mesquinho, egoísta, bajulador, ambicioso e perverso não é um meio, mas é um fim em si mesmo. O poder pelo poder é, em última análise, o poder como um fim. E, infelizmente, são os homens e mulheres mais despreparados que normalmente gostam do poder como um fim. O poder pelo poder significa privilégios para uma minoria e a desgraça da maioria — geralmente com o consentimento da própria maioria...
Se o cidadão comum soubesse a importância do poder político, não daria o seu voto sem conhecer profundamente o candidato ao poder. O homem que ainda não conseguiu domar os seus instintos mais primitivos não deveria desejar o poder. Todavia, ele o deseja justamente porque há uma ambição desmedida e o ódio pela reflexão racional. Aliás, Platão já preconizava mais ou menos isto: para ele, o governante que ainda não dominou a ganância, o egoísmo, a ambição — numa palavra, o homem que não tem autodomínio e sabedoria — não poderia nunca ser governante. Para governar os outros, antes é preciso governar a si próprio.
E quem disse que alguém chega ao autodomínio e à sabedoria sem sacrifícios? E quem deseja o poder pelo poder — ou seja, o poder como um fim em si mesmo — quer atalhos para prazeres e privilégios pessoais. O poder político como meio exige, ao contrário, desprendimento, espírito de sacrifício, generosidade. Ele tem o dever de estar a serviço do povo.
O poder político é tão importante que alguns governantes do mundo têm o poder de acabar com a fome e a miséria no mundo, assim como têm o poder de fazer uma guerra atômica e mandar este planeta pelos ares. O poder político pode resolver os conflitos por meio da diplomacia ou da força militar. Quando a razão se despede, a força bruta das armas faz a alegria dos poderosos de plantão. Eis o poder político despido das belas palavras...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O MISTÉRIO!

Quarta-feira, 4 de julho de 2012
O MISTÉRIO!
A palavra mistério é, sem dúvida, uma das mais pronunciadas no mundo. Há vários exemplos na vida cotidiana sobre o conceito de mistério; mas, gostaria de me deter no seu sentido metafísico — e a contradição entre a dúvida ou a certeza daquilo que existe e o suposto inexistente...
Desde a primeira vez que ouvi tal palavra, ela sempre ocupou ao menos um pouco a minha mente. Ao me interessar cada vez mais pela Filosofia em geral e pela metafísica em particular, evidentemente que a capacidade de pensar e repensar o conceito de mistério também foi crescendo. Numa palavra, ao refletir sobre um assunto supostamente tão espinhoso, agora tenho sérias dúvidas sobre a possibilidade de alguém tentar sair pela tangente quando é questionado até as últimas consequências sobre assuntos metafísicos relacionados ao "mistério". E penso ser este um problema de paradoxo da linguagem, de contradição lógica, como tantos outros que poderíamos citar, mas que não vou colocar aqui.
É muito comum a discussão e o debate entre as pessoas de fé e aquelas mais ligadas à Filosofia e à Ciência. E não é segredo para ninguém que muitas pessoas religiosas também gostam de Ciência e tentam, na medida do possível, fazer uma conexão, uma ponte entre essas "adversárias". Afinal, contar com o apoio da Ciência seria muito bom. Entretanto, será possível alguém se referir ao mistério sem cair numa grande contradição?
Mas, afinal de contas, o que é o mistério? Algo que ninguém pode saber, que é incognoscível para sempre à percepção e ao conhecimento humano, dirão uns — algo totalmente desconhecido e que só Deus sabe, dirão outros. E, provavelmente, muitas outras formas de definição devem existir; mas, fiquemos, para o que nos interessa aqui, apenas com os dois conceitos supracitados.
O problema é o seguinte: se o mistério é misterioso, como pode alguém se referir a ele? Em outras palavras, se não sei o que é o mistério, como posso me referir a algo que não sei o que é? Se sei o que é o mistério, como posso continuar a dizer que é um mistério — ou seja, algo desconhecido e misterioso? Se conheço o mistério, ele ainda é misterioso e desconhecido? Se sei o que é o mistério, ele não é mais o mistério, porque pode ser conhecido; se não sei o que é o mistério, não posso falar sobre ele. Logo, o conceito de mistério não pode ser afirmado e nem negado. É apenas mais uma gaiola metafísica... Mais um paradoxo da linguagem humana!
Para terminar, eis mais um paradoxo para quem adora dizer que tem a palavra divina. Como pode Deus ser misterioso e, ao mesmo tempo, a sua palavra estar na Bíblia ou em outros livros sagrados? Se Deus é um mistério, então é desconhecido e nada se pode falar a respeito dele; se a palavra de Deus está nos livros sagrados, então não existe mistério algum e tudo o que se precisa saber já está escrito — e a Humanidade não pode mais se referir à palavra mistério. Fiquem à vontade para escolher...
Penso que o maior "mistério" é saber quem diz a verdade, pois os religiosos não se entendem... O interessante é que poderíamos, diante de tal contradição, dizer que somos todos agnósticos. Penso, sinceramente, que haveria mais tolerância e humildade diante da nossa imensa ignorância do desconhecido... Alguém dizer que a palavra de Deus está contida nos livros sagrados e, diante de questionamentos insolúveis, afirmar que é um mistério é o mesmo que dizer que um triângulo é um quadrado. Haja pirueta mística!!! Pois é...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sexta-feira, 1 de junho de 2012

EUTANÁSIA

Sexta-feira, 1 de junho de 2012
EUTANÁSIA
Eis um assunto polêmico: a eutanásia. Mas o que é a eutanásia? Não vou consultar dicionários e nem "especialistas" sobre a etimologia do termo. Vou no popular: eutanásia é o direito de morrer com dignidade e com o menor sofrimento possível.
A meu ver, todo ser humano tem esse direito; mas, quase tudo o que é humano tem divergências, e com a eutanásia não poderia ser diferente. A eutanásia é um tema controverso porque envolve juízos de valores éticos, religiosos, sociais e culturais. Todavia, penso que a vida de um indivíduo é da sua responsabilidade e cabe somente a ele julgar se ela vale a pena ser vivida — isto com a pessoa gozando de saúde perfeita, imagine doente e com dores alucinantes?! Sou a favor da eutanásia e talvez continuarei a ser até o "fim"...
Mas por que ser a favor da eutanásia? Respondo com outra pergunta: por que ser a favor do sofrimento? Por que ser a favor das dores insuportáveis de um câncer, por exemplo, que consome o indivíduo? Por motivos religiosos? Não tenho crenças. Por razões éticas? Alguém já descobriu uma verdade ética objetiva e que fosse referência para toda a Humanidade? Penso que não. Por questões culturais? As culturas são relativas e o que é certo para um povo pode não o ser para outras concepções culturais. Enfim, a vida do indivíduo moribundo lhe pertence e só ele pode escolher. Mas e quando a pessoa estiver em coma e não puder optar?
De minha parte, se algum dia ficar em tal situação, quero o seguinte: morrer. Penso que lei humana nenhuma pode estar acima do direito de uma pessoa de querer a morte em circunstâncias tão cruéis. Afinal, por exemplo, se uma pessoa não puder decidir, quem, em tese, poderia? Aquele que não é o proprietário da vida? Se a pessoa tiver deixado a sua opção de uma forma clara, é mais fácil. Caso contrário, como proceder? Quais são as razões que tal pessoa teria? Ela teria preocupação com a minha "partida" ou com o desejo egoísta de não sofrer com a minha morte? Ela estaria pensando na ausência do meu sofrimento ou no bem-estar dela? E se eu tivesse deixado uma fortuna como herança, qual seria a atitude dela? Haveria algum conflito de consciência por desejar um ato e preconizar outro? Quem sabe?
A finitude é para todos; prolongá-la com saúde é uma coisa, com dores insuportáveis ou num estado de coma é outra muito diferente. Em que situação somos mais dignos? Deixar a natureza fazer a sua parte e desligar os aparelhos ou prolongar o sofrimento de todos os envolvidos? Mesmo que a priori fosse por uma boa causa? Pergunto: o que é uma boa causa? A causa de qual interessado? E a causa dos religiosos? A aposta de Pascal, mesmo que não saibam o que ela significa? Os religiosos não deveriam ficar preocupados com a morte do corpo físico; afinal, acreditam que o corpo é deste mundo finito e efêmero, e a alma é uma substância de um "outro reino" — logo, ela é imortal e eterna... Meras apostas, nada mais, infelizmente...
Fica claro que a situação supracitada é apenas uma em centenas de outras possíveis. Numa circunstância limite como o é a eutanásia, quase sempre outros interesses ditam as regras...
PS.: Hoje, dia 01/06/2012, é um dia muito especial para mim. Quis falar um pouco sobre a morte para poder celebrar a vida! Parabéns, filha! Nós te amamos!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 1 de maio de 2012

O TRABALHO!

Terça-feira, 1 de maio de 2012
O TRABALHO!
Um dos maiores filósofos de todos os tempos, ou seja, Karl Marx, deveria estar vivo para presenciar o dia 1º de maio, às 24h reservadas à "comemoração do dia do trabalhador". Será que Marx participaria das festas promovidas pelas centrais sindicais? Tenho minhas dúvidas... O trabalho é a condição ontológica do ser humano.
O homem é o único ser na natureza que trabalha, já que os animais produzem e reproduzem as suas respectivas espécies instintivamente, mecanicamente; em outras palavras, são programados pela mãe natureza. O homem é um ser dual — não porque é corpo e alma, mas por ser parte natureza pelas necessidades naturais que tem de alimento, descanso, reprodução sexual da espécie, sono e a finitude; e parte cultura, pois transcende o determinismo ao transformar o mundo natural pelo trabalho. O trabalho é condição sine qua non para que possamos passar da condição de "bichos naturais" à ascensão "humana". Evidentemente que as palavras bonitas supracitadas referem-se à visão filosófica do trabalho. Enfim, deveria ser assim; mas, o é de fato? Não, não é. Somos, no máximo, animais com lampejos de consciência e "tingidos" com um verniz desbotado de cultura.
Karl Marx, certamente, não ficaria satisfeito com o nível de ideologia e alienação a que chegou a Humanidade. O homem foi capaz de realizações incríveis, chegando ao ponto de criar clones de animais, superar fronteiras no espaço e no tempo através do conhecimento científico aplicado; mas, se por um lado foi competente em descobrir leis e mecanismos para a transformação da natureza, infelizmente não foi o senhor dos seus desejos, egoísmos e ganâncias. O resultado? Em pleno século XXI ainda não passa de uma besta em termos políticos, sociais e econômicos. Incapaz de se colocar no lugar do outro, inventa máquinas, equipamentos e tecnologias de ponta para explorá-lo, e não para promover a cooperação e a solidariedade entre os homens.
As cavernas é que moram em nós, apesar de estarmos no limiar do domínio de casas "inteligentes". As trevas residem em nós, apesar de arrotarmos racionalidade; as máquinas nos dominam, apesar de as colocarmos no "automático"; o homem, de tanto querer escravizar, foi escravizado. Logo, logo seremos ciborgues. E quem não quiser ser ciborgue vai desaparecer enquanto ente biológico. Em vez de bebermos água, talvez beberemos óleo de máquina, ou quem sabe uma carga de eletricidade?!!
Karl Marx, se estivesse por aqui, não poderia estar feliz; afinal, o seu sonho de emancipação humana virou um pesadelo. A História deve acabar com a vitória capitalista. A vitória da derrota — pois a extinção da Humanidade será a prova da incontestável presença da bestialidade em nós. A tecnologia deveria servir para a libertação humana, para que as máquinas estivessem a serviço do homem, e não o contrário. O homem teria direito ao trabalho, trabalhando menos para que o trabalho não faltasse para ninguém. O homem teria tempo para se dedicar à cultura, à família e ao lazer. Faria da reflexão filosófica um prazer e também uma guardiã contra a ideologia e a alienação.
Enfim, o homem descobriria que ele e o trabalho são UM. Com a atual produção capitalista esquizofrênica — o homem está perdendo até o direito de "trabalhar", mesmo que seja explorado. E o que é o homem sem o trabalho? Nada; pois o ser humano torna-se humano pelas relações sociais de produção. Eis a ontologia humana nua e crua: sem relações sociais e o trabalho o homem se desumaniza. Aliás, não é à toa que alguns já estão vendendo órgãos humanos, se prostituindo, porque precisam vender o corpo por alguns minutos. No atual sistema tudo é mercadoria, e não vai demorar o tempo em que os empresários vão vender um "selo" de ética capitalista para tatuar na testa do consumidor — e não faltará alienado para comprar e pagar em até 48 vezes com juros. A tal da "etiqueta" muitos já compraram "no mercado dos bons modos"! Tentativa sofisticada de sair das cavernas? Eis a verdadeira riqueza da pobreza de espírito!
Nada a comemorar no dia do trabalho. Para sabermos a importância do trabalho para o ser humano, bastaria que ficássemos um mês sem trabalhar. Seria cômico, se não fosse trágico, vermos os proprietários dos meios de produção, banqueiros, grandes comerciantes e fazendeiros disputando trabalhadores no tapa. Só tenho compaixão das massas alienadas, que adoram o pão e o circo e a esperança de uma intervenção divina... Elas não sabem a força que têm...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 3 de abril de 2012

A IMORTALIDADE!

Terça-feira, 3 de abril de 2012
A IMORTALIDADE!
O homem, algumas vezes na vida, pensa na morte. A certeza da morte do corpo físico já é um tormento para a maioria dos seres humanos — imagine a dúvida de um possível desaparecimento da "alma", do espírito, de alguma forma de consciência?
Queremos sobreviver à morte, desejamos a eternidade, a imortalidade, um lugar especial numa outra dimensão onde, supostamente, seríamos felizes de uma forma perene. A maioria sonha em ser alguém especial e para tal recorre às crenças, aos "mestres espirituais", aos "iluminados" que hipoteticamente teriam vencido os sofrimentos, as dores, as amarguras, as "tentações" — enfim, derrotaram a vida na matéria densa —, ou seja, aqueles privilegiados que se transfiguraram num corpo de luz. Sem dúvida, uma esperança digna de ser desejada...
Mas o que é a imortalidade? Eu não sei. E ainda não encontrei alguém neste mundo que tenha conseguido me convencer sobre tais especulações metafísicas. Ouço essas crenças e confesso que quase não tenho muita paciência sobre este assunto. Por quê? Porque as experiências místicas dos outros não servem para mi. Elas, se existem, são pessoais e intransferíveis. O que, possivelmente, Jesus, Buda, Osho, Gandhi e muitos outros disseram a respeito da imortalidade, da reencarnação, de uma "morada" espiritual paradisíaca são experiências deles, não minhas. E, apesar de eu saber muito pouco, sei que a mente humana é complexa demais e já enganou muitos buscadores sinceros. Aliás, o pequeno em estatura e um gigante do pensamento, o filósofo alemão Kant já dissera que "o homem é um animal metafísico por excelência". Em outras palavras, sempre queremos ir além da experiência do mundo fenomenal.
Este assunto é angstian e costuma gerar crises existenciais; todavia, é muito importante para que o deixemos apenas aos "especialistas" do além-túmulo. Será que, se refletíssemos profundamente sobre a imortalidade e tivéssemos o "livre-arbítrio" — a liberdade de escolher a morte ou a imortalidade neste mundo material —, o que escolheríamos? De minha parte, optaria pela morte; pois a ideia de ser imortal é, para mim, um verdadeiro pesadelo... Imagine não morrer nunca! Deste ponto de vista, a morte seria muito bem-vinda!
Por outro lado, o que seria uma vida espiritual e, portanto, imortal? O que seria uma vida sem um corpo físico? O que seria um corpo de luz? Eu não sei. E não acredito nos que dizem saber. Não busco, visto saber que os meus desejos sobre tais experiências podem me induzir ao delírio — a vontade de ser superior espiritualmente, a ser um tipo moralista que vive com pena de quem não possui os mesmos valores e crenças. Insisto: a experiência só pode ser minha. E duvido que, se a tivesse, pudesse traduzi-la por palavras... Afinal, os gurus se entendem? Penso que não. Cada um tem a sua versão do mundo espiritual. Quem está dizendo a verdade? Ninguém pode ter experiência por nós. E mesmo as nossas podem ser apenas frutos dos nossos desejos íntimos de darmos sentido ao vazio existencial que abre um buraco no nosso ser. Como distinguir uma experiência espiritual verdadeira de uma ilusão? Para fazer uma analogia: como explicar para alguém que está morrendo de sede no deserto que o oásis à sua frente não passa de uma miragem? Sem contar os picaretas, vendedores de ilusões, muitos perdidos nelas também...
Se algum dia ficarei sabendo de outras dimensões espirituais é uma outra história. Por enquanto, gosto mais das teses do filósofo grego antigo Epicuro; afinal, desejo a "aponia" e a "ataraxia". A primeira é a ausência de dor no corpo físico; a segunda, a imperturbabilidade da "alma". O interessante é que, para Epicuro, a "alma" era composta de átomos materiais sutis, nada mais. É uma verdade? Quem sabe? Penso apenas ser mais interessante. Aliás, o hedonismo moderado de Epicuro é muito atraente e, na medida do possível, costumo colocá-lo em prática. Se eu conseguir algum domínio nesta vida material já está bom demais! Gosto desta vida mortal e adoro esta frase de Nietzsche: "Tudo aquilo que se tornou inteiramente maduro quer morrer". Bom, deixemos a morte chegar naturalmente; enquanto isso, sejamos proprietários das nossas ideias e do nosso caminhar neste mundo de prazeres e de dores...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 3 de março de 2012

O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E O CLAMOR DA ÉTICA!

Sábado, 3 de março de 2012
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E O CLAMOR DA ÉTICA!
O grande filósofo grego Aristóteles de Estagira (384 a.C. a 322 a.C.) dizia à sua época que o homem, por natureza, tem uma curiosidade pelo conhecimento. Aristóteles não afirmou tal frase apenas para impressionar os seus interlocutores, mas demonstrou com profundas reflexões filosóficas a episteme do seu tempo — inclusive na área da Biologia, onde fez várias classificações de plantas e animais. Felizmente, ainda hoje bebemos na fonte do conhecimento aristotélico nas seguintes áreas: Filosofia, Política, Lógica, Ética, Metafísica, Artes, Teoria do Conhecimento, etc. A meu ver, Aristóteles não era apenas um homem, mas uma verdadeira enciclopédia.
No tempo de Aristóteles não havia uma ênfase na pesquisa como hoje a conhecemos. Por vários motivos, entre os quais podemos destacar o modo de produção grego, baseado na escravidão; a dissociação entre o esforço intelectual, bastante valorizado, e o trabalho braçal, desprezado e considerado inferior, etc.
O modo de conhecer e produzir dos gregos são bem diferentes do que veio a ser a ciência moderna. Esta, com as primeiras reflexões de filósofos e cientistas do “quilate” de um Francis Bacon, René Descartes, Galileu Galilei, Copérnico, Isaac Newton, John Locke, David Hume, entre outros, pôde mudar completamente a forma de conhecer, produzir e transformar a natureza. O método científico foi aos poucos se aperfeiçoando; e, felizmente ou infelizmente — dependendo do ponto de vista de cada um —, o homem inventou de máquinas a vapor aos modernos computadores sem fio. O conhecimento era um fim em si mesmo; e, com o advento da época Moderna, o conhecimento científico aos poucos passa a ser um meio para um fim. A ciência aplicada — ou seja, tecnológica — passa a ser o único fim... Parece-me que o homem quis ser o senhor da natureza e, por ironia do destino, não consegue ser o senhor nem de si mesmo!
Evidentemente que a substituição da razão teórica grega (predominantemente metafísica, pois buscava a essência das coisas na própria realidade) e a visão teocrática da Filosofia (teologia cristã, onde o Deus cristão era o centro, daí a predominância do teocentrismo) foi deslocada para o sujeito. O homem passou a ser o “senhor” da natureza e do seu destino. Ele é o centro, daí o advento do antropocentrismo.
Esta pequena introdução histórica servirá para explicitar o nosso objetivo; ou seja, a importância da pesquisa científica para que possamos não ser os “senhores” da natureza — porque isto pode acabar muito mal —, mas para termos uma relação dialética com ela: transformá-la, adaptando-a às nossas necessidades, e sermos modificados por ela, desenvolvendo a nossa capacidade de pensar, sentir e agir de uma forma ética e responsável. Em outras palavras, já passou da hora de termos uma relação de respeito mútuo entre todos os humanos e a natureza, pois ela não precisa de nós... Somos efêmeros neste mundo...
O conhecimento científico pode ser um mundo maravilhoso para os dispostos ou aptos a fazerem perguntas sobre as causas, as relações, os efeitos e as consequências dos nossos atos. O projeto humano não está pronto, porque cada ser humano é um arquiteto e um pedreiro da sua própria vida. E as ciências, nas suas diferentes esferas, podem ser as luzes ou as trevas. A primeira é consciente, ética, responsável e deseja preservar o planeta para as futuras gerações; a segunda se preocupa apenas em destruir, em nome da riqueza, onde o infinito é o limite. Não precisa nem dizer onde tal forma de pensar, sentir e agir nos levará, não é mesmo? Às trevas e ao desespero... A escolha é de quem? Nossa! Que uma futura oportunidade possa fazer do iniciante na pesquisa científica um candidato a farol da Humanidade; pois, o mundo jamais será o mesmo após a contribuição de cada um, de forma consciente, crítica e responsável.
Quero deixar muito claro o seguinte: não qualquer contribuição, mas a que quer ver o ser humano como parte integrante da natureza. Somos os senhores? Sim, somos os senhores das trevas! Já é alguma coisa, desde que alguém acenda uma vela...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 11 de fevereiro de 2012

FRASES "REALISTAS"

Sábado, 11 de fevereiro de 2012
FRASES "REALISTAS"
Os místicos são os maiores mestres da criação de mitos...
A vaidade de um crente não tem limite; pois acreditar que um deus o elegeu para receber uma graça é o cúmulo da arrogância...
O nada, nada é — sem o ser que pergunta por ele...
Deuses "existem" porque são invisíveis e criados pela imaginação...
No paraíso pode-se fazer tudo o que não se pode fazer aqui no plano terreno. Eis o poder da imaginação...
A maioria dos seres humanos já está no inferno; pois está na prisão de "fogo" da sua imaginação, criadora de crendices — mas acredita que será "salva"...
Se um ser humano é capaz de amar o que está além do próprio umbigo, então ainda tenho esperança de encontrar a minha fada madrinha...
O demônio, comparado à humanidade, é um belo anjo... Ainda bem que não acredito em ambos!
Multiplicai-vos, baratas e escorpiões — pois o mundo será de vocês!
Buscar o que se desconhece é a entrada do labirinto...
Quem percebe a própria arrogância está a caminho da humildade...
A humanidade é o demônio em carne e osso...
O louco pensa que a sua loucura é a própria realidade — assim como o crente fanático não percebe que a sua loucura não é a realidade...
O neoliberal acredita tanto na liberdade do mercado que já ficou escravo do deus mercado!
Muitos acreditam em Deus; todavia, por segurança, não abrem mão da psiquiatria e das suas receitas farmacológicas!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO