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sexta-feira, 1 de junho de 2012

EUTANÁSIA

Sexta-feira, 1 de junho de 2012
EUTANÁSIA
Eis um assunto polêmico: a eutanásia. Mas o que é a eutanásia? Não vou consultar dicionários e nem "especialistas" sobre a etimologia do termo. Vou no popular: eutanásia é o direito de morrer com dignidade e com o menor sofrimento possível.
A meu ver, todo ser humano tem esse direito; mas, quase tudo o que é humano tem divergências, e com a eutanásia não poderia ser diferente. A eutanásia é um tema controverso porque envolve juízos de valores éticos, religiosos, sociais e culturais. Todavia, penso que a vida de um indivíduo é da sua responsabilidade e cabe somente a ele julgar se ela vale a pena ser vivida — isto com a pessoa gozando de saúde perfeita, imagine doente e com dores alucinantes?! Sou a favor da eutanásia e talvez continuarei a ser até o "fim"...
Mas por que ser a favor da eutanásia? Respondo com outra pergunta: por que ser a favor do sofrimento? Por que ser a favor das dores insuportáveis de um câncer, por exemplo, que consome o indivíduo? Por motivos religiosos? Não tenho crenças. Por razões éticas? Alguém já descobriu uma verdade ética objetiva e que fosse referência para toda a Humanidade? Penso que não. Por questões culturais? As culturas são relativas e o que é certo para um povo pode não o ser para outras concepções culturais. Enfim, a vida do indivíduo moribundo lhe pertence e só ele pode escolher. Mas e quando a pessoa estiver em coma e não puder optar?
De minha parte, se algum dia ficar em tal situação, quero o seguinte: morrer. Penso que lei humana nenhuma pode estar acima do direito de uma pessoa de querer a morte em circunstâncias tão cruéis. Afinal, por exemplo, se uma pessoa não puder decidir, quem, em tese, poderia? Aquele que não é o proprietário da vida? Se a pessoa tiver deixado a sua opção de uma forma clara, é mais fácil. Caso contrário, como proceder? Quais são as razões que tal pessoa teria? Ela teria preocupação com a minha "partida" ou com o desejo egoísta de não sofrer com a minha morte? Ela estaria pensando na ausência do meu sofrimento ou no bem-estar dela? E se eu tivesse deixado uma fortuna como herança, qual seria a atitude dela? Haveria algum conflito de consciência por desejar um ato e preconizar outro? Quem sabe?
A finitude é para todos; prolongá-la com saúde é uma coisa, com dores insuportáveis ou num estado de coma é outra muito diferente. Em que situação somos mais dignos? Deixar a natureza fazer a sua parte e desligar os aparelhos ou prolongar o sofrimento de todos os envolvidos? Mesmo que a priori fosse por uma boa causa? Pergunto: o que é uma boa causa? A causa de qual interessado? E a causa dos religiosos? A aposta de Pascal, mesmo que não saibam o que ela significa? Os religiosos não deveriam ficar preocupados com a morte do corpo físico; afinal, acreditam que o corpo é deste mundo finito e efêmero, e a alma é uma substância de um "outro reino" — logo, ela é imortal e eterna... Meras apostas, nada mais, infelizmente...
Fica claro que a situação supracitada é apenas uma em centenas de outras possíveis. Numa circunstância limite como o é a eutanásia, quase sempre outros interesses ditam as regras...
PS.: Hoje, dia 01/06/2012, é um dia muito especial para mim. Quis falar um pouco sobre a morte para poder celebrar a vida! Parabéns, filha! Nós te amamos!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 1 de maio de 2012

O TRABALHO!

Terça-feira, 1 de maio de 2012
O TRABALHO!
Um dos maiores filósofos de todos os tempos, ou seja, Karl Marx, deveria estar vivo para presenciar o dia 1º de maio, às 24h reservadas à "comemoração do dia do trabalhador". Será que Marx participaria das festas promovidas pelas centrais sindicais? Tenho minhas dúvidas... O trabalho é a condição ontológica do ser humano.
O homem é o único ser na natureza que trabalha, já que os animais produzem e reproduzem as suas respectivas espécies instintivamente, mecanicamente; em outras palavras, são programados pela mãe natureza. O homem é um ser dual — não porque é corpo e alma, mas por ser parte natureza pelas necessidades naturais que tem de alimento, descanso, reprodução sexual da espécie, sono e a finitude; e parte cultura, pois transcende o determinismo ao transformar o mundo natural pelo trabalho. O trabalho é condição sine qua non para que possamos passar da condição de "bichos naturais" à ascensão "humana". Evidentemente que as palavras bonitas supracitadas referem-se à visão filosófica do trabalho. Enfim, deveria ser assim; mas, o é de fato? Não, não é. Somos, no máximo, animais com lampejos de consciência e "tingidos" com um verniz desbotado de cultura.
Karl Marx, certamente, não ficaria satisfeito com o nível de ideologia e alienação a que chegou a Humanidade. O homem foi capaz de realizações incríveis, chegando ao ponto de criar clones de animais, superar fronteiras no espaço e no tempo através do conhecimento científico aplicado; mas, se por um lado foi competente em descobrir leis e mecanismos para a transformação da natureza, infelizmente não foi o senhor dos seus desejos, egoísmos e ganâncias. O resultado? Em pleno século XXI ainda não passa de uma besta em termos políticos, sociais e econômicos. Incapaz de se colocar no lugar do outro, inventa máquinas, equipamentos e tecnologias de ponta para explorá-lo, e não para promover a cooperação e a solidariedade entre os homens.
As cavernas é que moram em nós, apesar de estarmos no limiar do domínio de casas "inteligentes". As trevas residem em nós, apesar de arrotarmos racionalidade; as máquinas nos dominam, apesar de as colocarmos no "automático"; o homem, de tanto querer escravizar, foi escravizado. Logo, logo seremos ciborgues. E quem não quiser ser ciborgue vai desaparecer enquanto ente biológico. Em vez de bebermos água, talvez beberemos óleo de máquina, ou quem sabe uma carga de eletricidade?!!
Karl Marx, se estivesse por aqui, não poderia estar feliz; afinal, o seu sonho de emancipação humana virou um pesadelo. A História deve acabar com a vitória capitalista. A vitória da derrota — pois a extinção da Humanidade será a prova da incontestável presença da bestialidade em nós. A tecnologia deveria servir para a libertação humana, para que as máquinas estivessem a serviço do homem, e não o contrário. O homem teria direito ao trabalho, trabalhando menos para que o trabalho não faltasse para ninguém. O homem teria tempo para se dedicar à cultura, à família e ao lazer. Faria da reflexão filosófica um prazer e também uma guardiã contra a ideologia e a alienação.
Enfim, o homem descobriria que ele e o trabalho são UM. Com a atual produção capitalista esquizofrênica — o homem está perdendo até o direito de "trabalhar", mesmo que seja explorado. E o que é o homem sem o trabalho? Nada; pois o ser humano torna-se humano pelas relações sociais de produção. Eis a ontologia humana nua e crua: sem relações sociais e o trabalho o homem se desumaniza. Aliás, não é à toa que alguns já estão vendendo órgãos humanos, se prostituindo, porque precisam vender o corpo por alguns minutos. No atual sistema tudo é mercadoria, e não vai demorar o tempo em que os empresários vão vender um "selo" de ética capitalista para tatuar na testa do consumidor — e não faltará alienado para comprar e pagar em até 48 vezes com juros. A tal da "etiqueta" muitos já compraram "no mercado dos bons modos"! Tentativa sofisticada de sair das cavernas? Eis a verdadeira riqueza da pobreza de espírito!
Nada a comemorar no dia do trabalho. Para sabermos a importância do trabalho para o ser humano, bastaria que ficássemos um mês sem trabalhar. Seria cômico, se não fosse trágico, vermos os proprietários dos meios de produção, banqueiros, grandes comerciantes e fazendeiros disputando trabalhadores no tapa. Só tenho compaixão das massas alienadas, que adoram o pão e o circo e a esperança de uma intervenção divina... Elas não sabem a força que têm...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 3 de abril de 2012

A IMORTALIDADE!

Terça-feira, 3 de abril de 2012
A IMORTALIDADE!
O homem, algumas vezes na vida, pensa na morte. A certeza da morte do corpo físico já é um tormento para a maioria dos seres humanos — imagine a dúvida de um possível desaparecimento da "alma", do espírito, de alguma forma de consciência?
Queremos sobreviver à morte, desejamos a eternidade, a imortalidade, um lugar especial numa outra dimensão onde, supostamente, seríamos felizes de uma forma perene. A maioria sonha em ser alguém especial e para tal recorre às crenças, aos "mestres espirituais", aos "iluminados" que hipoteticamente teriam vencido os sofrimentos, as dores, as amarguras, as "tentações" — enfim, derrotaram a vida na matéria densa —, ou seja, aqueles privilegiados que se transfiguraram num corpo de luz. Sem dúvida, uma esperança digna de ser desejada...
Mas o que é a imortalidade? Eu não sei. E ainda não encontrei alguém neste mundo que tenha conseguido me convencer sobre tais especulações metafísicas. Ouço essas crenças e confesso que quase não tenho muita paciência sobre este assunto. Por quê? Porque as experiências místicas dos outros não servem para mim. Elas, se existem, são pessoais e intransferíveis. O que, possivelmente, Jesus, Buda, Osho, Gandhi e muitos outros disseram a respeito da imortalidade, da reencarnação, de uma "morada" espiritual paradisíaca são experiências deles, não minhas. E, apesar de eu saber muito pouco, sei que a mente humana é complexa demais e já enganou muitos buscadores sinceros. Aliás, o pequeno em estatura e um gigante do pensamento, o filósofo alemão Kant já dissera que "o homem é um animal metafísico por excelência". Em outras palavras, sempre queremos ir além da experiência do mundo fenomenal.
Este assunto é angustiante e costuma gerar crises existenciais; todavia, é muito importante para que o deixemos apenas aos "especialistas" do além-túmulo. Será que, se refletíssemos profundamente sobre a imortalidade e tivéssemos o "livre-arbítrio" — a liberdade de escolher a morte ou a imortalidade neste mundo material —, o que escolheríamos? De minha parte, optaria pela morte; pois a ideia de ser imortal é, para mim, um verdadeiro pesadelo... Imagine não morrer nunca! Deste ponto de vista, a morte seria muito bem-vinda!
Por outro lado, o que seria uma vida espiritual e, portanto, imortal? O que seria uma vida sem um corpo físico? O que seria um corpo de luz? Eu não sei. E não acredito nos que dizem saber. Não busco, visto saber que os meus desejos sobre tais experiências podem me induzir ao delírio — a vontade de ser superior espiritualmente, a ser um tipo moralista que vive com pena de quem não possui os mesmos valores e crenças. Insisto: a experiência só pode ser minha. E duvido que, se a tivesse, pudesse traduzi-la por palavras... Afinal, os gurus se entendem? Penso que não. Cada um tem a sua versão do mundo espiritual. Quem está dizendo a verdade? Ninguém pode ter experiência por nós. E mesmo as nossas podem ser apenas frutos dos nossos desejos íntimos de darmos sentido ao vazio existencial que abre um buraco no nosso ser. Como distinguir uma experiência espiritual verdadeira de uma ilusão? Para fazer uma analogia: como explicar para alguém que está morrendo de sede no deserto que o oásis à sua frente não passa de uma miragem? Sem contar os picaretas, vendedores de ilusões, muitos perdidos nelas também...
Se algum dia ficarei sabendo de outras dimensões espirituais é uma outra história. Por enquanto, gosto mais das teses do filósofo grego antigo Epicuro; afinal, desejo a "aponia" e a "ataraxia". A primeira é a ausência de dor no corpo físico; a segunda, a imperturbabilidade da "alma". O interessante é que, para Epicuro, a "alma" era composta de átomos materiais sutis, nada mais. É uma verdade? Quem sabe? Penso apenas ser mais interessante. Aliás, o hedonismo moderado de Epicuro é muito atraente e, na medida do possível, costumo colocá-lo em prática. Se eu conseguir algum domínio nesta vida material já está bom demais! Gosto desta vida mortal e adoro esta frase de Nietzsche: "Tudo aquilo que se tornou inteiramente maduro quer morrer". Bom, deixemos a morte chegar naturalmente; enquanto isso, sejamos proprietários das nossas ideias e do nosso caminhar neste mundo de prazeres e de dores...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 3 de março de 2012

O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E O CLAMOR DA ÉTICA!

Sábado, 3 de março de 2012
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E O CLAMOR DA ÉTICA!
O grande filósofo grego Aristóteles de Estagira (384 a.C. a 322 a.C.) dizia à sua época que o homem, por natureza, tem uma curiosidade pelo conhecimento. Aristóteles não afirmou tal frase apenas para impressionar os seus interlocutores, mas demonstrou com profundas reflexões filosóficas a episteme do seu tempo — inclusive na área da Biologia, onde fez várias classificações de plantas e animais. Felizmente, ainda hoje bebemos na fonte do conhecimento aristotélico nas seguintes áreas: Filosofia, Política, Lógica, Ética, Metafísica, Artes, Teoria do Conhecimento, etc. A meu ver, Aristóteles não era apenas um homem, mas uma verdadeira enciclopédia.
No tempo de Aristóteles não havia uma ênfase na pesquisa como hoje a conhecemos. Por vários motivos, entre os quais podemos destacar o modo de produção grego, baseado na escravidão; a dissociação entre o esforço intelectual, bastante valorizado, e o trabalho braçal, desprezado e considerado inferior, etc.
O modo de conhecer e produzir dos gregos são bem diferentes do que veio a ser a ciência moderna. Esta, com as primeiras reflexões de filósofos e cientistas do “quilate” de um Francis Bacon, René Descartes, Galileu Galilei, Copérnico, Isaac Newton, John Locke, David Hume, entre outros, pôde mudar completamente a forma de conhecer, produzir e transformar a natureza. O método científico foi aos poucos se aperfeiçoando; e, felizmente ou infelizmente — dependendo do ponto de vista de cada um —, o homem inventou de máquinas a vapor aos modernos computadores sem fio. O conhecimento era um fim em si mesmo; e, com o advento da época Moderna, o conhecimento científico aos poucos passa a ser um meio para um fim. A ciência aplicada — ou seja, tecnológica — passa a ser o único fim... Parece-me que o homem quis ser o senhor da natureza e, por ironia do destino, não consegue ser o senhor nem de si mesmo!
Evidentemente que a substituição da razão teórica grega (predominantemente metafísica, pois buscava a essência das coisas na própria realidade) e a visão teocrática da Filosofia (teologia cristã, onde o Deus cristão era o centro, daí a predominância do teocentrismo) foi deslocada para o sujeito. O homem passou a ser o “senhor” da natureza e do seu destino. Ele é o centro, daí o advento do antropocentrismo.
Esta pequena introdução histórica servirá para explicitar o nosso objetivo; ou seja, a importância da pesquisa científica para que possamos não ser os “senhores” da natureza — porque isto pode acabar muito mal —, mas para termos uma relação dialética com ela: transformá-la, adaptando-a às nossas necessidades, e sermos modificados por ela, desenvolvendo a nossa capacidade de pensar, sentir e agir de uma forma ética e responsável. Em outras palavras, já passou da hora de termos uma relação de respeito mútuo entre todos os humanos e a natureza, pois ela não precisa de nós... Somos efêmeros neste mundo...
O conhecimento científico pode ser um mundo maravilhoso para os dispostos ou aptos a fazerem perguntas sobre as causas, as relações, os efeitos e as consequências dos nossos atos. O projeto humano não está pronto, porque cada ser humano é um arquiteto e um pedreiro da sua própria vida. E as ciências, nas suas diferentes esferas, podem ser as luzes ou as trevas. A primeira é consciente, ética, responsável e deseja preservar o planeta para as futuras gerações; a segunda se preocupa apenas em destruir, em nome da riqueza, onde o infinito é o limite. Não precisa nem dizer onde tal forma de pensar, sentir e agir nos levará, não é mesmo? Às trevas e ao desespero... A escolha é de quem? Nossa! Que uma futura oportunidade possa fazer do iniciante na pesquisa científica um candidato a farol da Humanidade; pois, o mundo jamais será o mesmo após a contribuição de cada um, de forma consciente, crítica e responsável.
Quero deixar muito claro o seguinte: não qualquer contribuição, mas a que quer ver o ser humano como parte integrante da natureza. Somos os senhores? Sim, somos os senhores das trevas! Já é alguma coisa, desde que alguém acenda uma vela...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

sábado, 11 de fevereiro de 2012

FRASES "REALISTAS"

Sábado, 11 de fevereiro de 2012
FRASES "REALISTAS"
Os místicos são os maiores mestres da criação de mitos...
A vaidade de um crente não tem limite; pois acreditar que um deus o elegeu para receber uma graça é o cúmulo da arrogância...
O nada, nada é — sem o ser que pergunta por ele...
Deuses "existem" porque são invisíveis e criados pela imaginação...
No paraíso pode-se fazer tudo o que não se pode fazer aqui no plano terreno. Eis o poder da imaginação...
A maioria dos seres humanos já está no inferno; pois está na prisão de "fogo" da sua imaginação, criadora de crendices — mas acredita que será "salva"...
Se um ser humano é capaz de amar o que está além do próprio umbigo, então ainda tenho esperança de encontrar a minha fada madrinha...
O demônio, comparado à humanidade, é um belo anjo... Ainda bem que não acredito em ambos!
Multiplicai-vos, baratas e escorpiões — pois o mundo será de vocês!
Buscar o que se desconhece é a entrada do labirinto...
Quem percebe a própria arrogância está a caminho da humildade...
A humanidade é o demônio em carne e osso...
O louco pensa que a sua loucura é a própria realidade — assim como o crente fanático não percebe que a sua loucura não é a realidade...
O neoliberal acredita tanto na liberdade do mercado que já ficou escravo do deus mercado!
Muitos acreditam em Deus; todavia, por segurança, não abrem mão da psiquiatria e das suas receitas farmacológicas!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O QUE É A JUSTIÇA?

Terça-feira, 10 de janeiro de 2012
O QUE É A JUSTIÇA?
O que é a Justiça? Alguém sabe o que é ela? Duvido! Há tantas respostas quanto os interesses em jogo para uns — para outros, a Justiça é relativa; ou seja, depende do contexto histórico, cultural, econômico, social e político de um povo, de uma civilização, etc. Para outros tantos, a Justiça existe e é objetiva; portanto, existe como algo essencial na própria estrutura do Universo. Alguns, como Platão, por exemplo, pensam que a Justiça existe num mundo à parte, como uma espécie de paradigma ou modelo para este mundo das sombras e aparências — ou seja, o nosso mundo...
A meu ver, a Justiça não existe neste mundo... A começar pelos símbolos da justiça, tão belos como imagens e conceitos e muito feios na prática. Quais são os símbolos? Uma mulher com uma venda nos olhos (em tese, representa a imparcialidade e a neutralidade) e um outro símbolo é representado por uma balança em equilíbrio (em teoria, representa a igualdade dos homens perante as leis). De fato, o primeiro símbolo representa aqueles que não querem ver as "injustiças"; o segundo, um desequilíbrio da Justiça, pois na realidade os pratos da balança deveriam estar em desnível! São bonitos, muito bonitos, mas são só ideais, nada mais... Mormente na maioria dos países onde a Justiça é esta: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”! “Sabe com quem você está falando”? Pois é!
A "Justiça" é a lei do mais forte — seja na natureza, seja na "sociedade dos homens racionais". No primeiro caso não é necessário entrar em detalhes; no segundo, é a força das armas e da tecnologia militar com o seu poder de destruição. Sem contar a velhacaria da mídia, quase sempre a favor da "justiça" de belas palavras e a manipulação descarada a favor de uma democracia de fachada.
Procurar Justiça neste mundo é tão ingênuo quanto acreditar no "bom velhinho", o senhor Papai Noel. E acreditar que ela possa existir num outro mundo é viver de esperança — a anestesia dos pobres e dos crentes no além-túmulo.
No Brasil, por exemplo, a senhora com a venda nos olhos simbolizando a Justiça — com raras exceções — representa a cegueira de quem não quer ver as constantes injustiças cometidas contra os mais necessitados e humildes; por outro lado, demonstra que a Justiça é quase sempre feita a favor dos ricos, que pagam excelentes advogados, enquanto os pobres desconhecem os seus direitos e quase sempre dependem de um defensor público; quando conseguem encontrar um, ainda ficam agradecendo como se fosse um favor pessoal e não um "direito". Eu poderia dilatar este assunto para todas as demais esferas humanas, da política à economia, mas não há necessidade. A balança? Pesa sempre do lado do "direito" da "direita".
O que fazer? Viver de esperança e continuar lutando para que o homem seja bípede e racional. Quem sabe um dia... Até agora, apenas trocamos as clavas das cavernas pelas bombas, que fazem a Justiça não com o bom senso, mas com ameaças e a força bruta do poderio militar. Os símbolos da "Justiça" neste mundo deveriam ser: o dinheiro, os tanques, os canhões e as bombas atômicas! Amém!
Pobre planetinha Terra e os seus ingênuos habitantes, a maioria ainda acredita em comédias... Eu? Estou na arquibancada...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O QUE É A VERDADE?

Terça-feira, 6 de dezembro de 2011
O QUE É A VERDADE?
O que é a "verdade"? Eis uma pergunta que existe desde a mais tenra aurora da Filosofia. Muitos já morreram e tantos outros já mataram em nome de uma suposta "verdade". Penso que, quando alguém diz que fulano de tal quer ser o dono da verdade, há um equívoco de interpretação conceitual. Aliás, a Filosofia deveria se preocupar em fazer uma terapia da linguagem.
Um dos maiores filósofos do século XX, o austríaco Wittgenstein, já nos alertava para tal fato. Ele dizia que muitos problemas filosóficos são pseudoproblemas que podem ser resolvidos ou dissolvidos apenas com uma boa análise da linguagem e da gramática. Concordo com ele...
Para o nosso texto aqui, vou tentar distinguir o conceito de "verdade" do conceito de "verdadeiro". A meu ver, muitos erros e equívocos da História da Filosofia poderiam ser evitados se tivéssemos prestado mais atenção na diferença entre eles. Por exemplo, quando digo que um quadrado tem quatro ângulos, posso afirmar, categoricamente, que daqui a milhões de anos (se houver seres humanos) tal verdade será reafirmada. É uma verdade necessária e universal. É uma verdade lógica, não depende de interpretação — a não ser num ceticismo radical, que costuma argumentar que um gênio maligno poderia nos enganar, nos mostrando um quadrado com quatro ângulos quando, na "verdade", ele teria cinco lados. Penso que a maioria das pessoas não defenderia uma tese tão absurda como a supracitada, não é mesmo? Em outras palavras, a lógica e a matemática nos dão uma verdade peremptória. A verdade, então, é um ente de razão — uma razão inventada pelos seres humanos, pois eu não defendo a tese de que a matemática faça parte da própria estrutura do Universo. Mas isto é uma outra discussão...
A "verdade" só pode ser lógica, matemática e, portanto, abstrata, universal e necessária. Ela é atemporal e definitiva. Eis o grande problema: o que eu vou fazer com tal "verdade"? Resolver problemas lógicos e matemáticos! Mas a vida se resume em problemas de tal natureza? Não. A vida não é congelada e estática. A vida é dinâmica, é movimento, é um processo que não pode ser enquadrado dentro de esquemas lógicos rígidos. A vida existe num espaço, num tempo; a vida é muito mais do que a invenção da lógica — a vida é ontológica.
A "verdade", então, por estar num mundo que contém o ser humano, não pode ir além daquilo que é o "verdadeiro". O conceito de algo verdadeiro é limitado; é temporal e finito. O verdadeiro, neste sentido, é humano; e o que é humano é sempre provisório. Muitas teorias científicas hoje são verdadeiras; mas, daqui a alguns anos, décadas ou séculos, continuarão a ser? Não. Mostrar-se-ão falsas. Novos modelos, paradigmas, conceitos, experimentos, mudanças culturais e históricas nos mostrarão o quão humildes e limitados são os seres humanos.
O "verdadeiro" é a única "verdade" em um mundo que vai muito além de uma lógica que confunde o "mapa com o território". O verdadeiro lida com o movimento, portanto, com a vida no sentido mais amplo da palavra. A "verdade" é a morte da vida; o verdadeiro é a essência da vida... A primeira é a inércia; a segunda é o dinamismo e a eterna transformação.
Quem sabe se os filósofos antigos tivessem prestado mais atenção ao filósofo Heráclito e menos a Parmênides e Aristóteles, não conceberíamos a vida de uma forma completamente diferente? A metafísica antiga é um amor não pela sabedoria, mas um amor pela morte. Por quê? Porque sempre valorizou o imóvel, o estático — ou seja, o imutável — como o fundamento daquilo que muda. Em outras palavras, como pode a essência (o imutável) ser a causa da aparência, do que muda? Mudemos isto: a aparência (o dinamismo) é o verdadeiro; a essência (o estático) é "verdade".
Qual é a "conclusão"? Penso que o verdadeiro é isto: a "verdade" é a morte — o verdadeiro é a vida; a "verdade" é universal — o verdadeiro é singular; a "verdade" é lógica — o verdadeiro é ontológico. A "verdade" é abstrata — o verdadeiro é um mergulho no oceano vital; a "verdade" é a essência morta — o verdadeiro é o mundo enquanto fenômeno existencial... Contraditório? Então preste atenção nisto: a mentira é "verdade". A mentira é mentira. Descubra por você mesmo(a) o que está certo ou errado nas frases acima, pois eu não vou dizer. O motor da vida é a contradição. Basta ver um ser humano agindo: grandes "verdades" e atos que envergonhariam os animais se eles tivessem consciência moral...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O FILÓSOFO!

Segunda-feira, 7 de novembro de 2011
O FILÓSOFO!
Neste blog refiro-me com frequência à Filosofia e demais áreas correlatas; contudo, é necessário me voltar para o filósofo. Quem é o filósofo? Não desejo escrever sobre a etimologia da palavra Filosofia. Gostaria de refletir sobre o conceito de filósofo; todavia, busco algo que vá além dos dicionários e do senso comum.
Um filósofo é quem estuda Filosofia numa faculdade? É alguém que, depois de graduado, torna-se professor nos vários níveis de educação? É aquele que faz um mestrado? Seria quem faz um doutorado com uma tese original? O que significa ser original — principalmente quando buscamos um filósofo na rica História da Filosofia e fazemos uma leitura totalmente diferente ou mesmo uma crítica considerada única e, portanto, "original"? Mas como ser original nos baseando no trabalho de outros filósofos? Pode ser alguém que nunca frequentou um curso formal de Filosofia? No passado era muito comum; afinal, os filósofos antigos não frequentavam faculdades de Filosofia e nem recebiam um diploma. Em última análise, quem está autorizado a conferir um título de filósofo a alguém?
Fico perplexo com a Filosofia; pois, até mesmo para decidir quem deve ser chamado de filósofo, não há consenso. Um psicólogo é quem faz Psicologia; um sociólogo é quem faz Sociologia; um médico é quem faz Medicina — mas por que quem estuda Filosofia numa faculdade não é chamado de filósofo também? Não há consenso nem sobre o que se entende por Filosofia...
O senso comum chama de filósofo quem pensa em coisas estranhas, abstratas e que parecem não ter conexão com a vida cotidiana, com o “mundo real”. É até compreensível; pois dificilmente alguém que não estuda Filosofia problematiza sobre o que é o "mundo real". Há muitos outros profissionais que se referem a quem é formado em Filosofia de uma forma pejorativa. Veem as pessoas da área como aqueles que ficam "filosofando" sobre o sexo dos anjos, que viajam num mundo onde a única realidade são as ideias; pensam que a Filosofia é muito teórica, outros acham-na inútil, etc. Mas, para quem pensa que inútil é tudo aquilo que não seja dinheiro e bens materiais, então para o filósofo não tem muita importância. Há filósofos complacentes com esse tipo de mentalidade tosca e infantil.
A meu ver, o filósofo é um apaixonado pelos pontos de interrogação, exclamação e as reticências. É a pessoa que faz perguntas simples, mas de uma complexidade profunda sobre a vida, o mundo, a natureza, a história, a política, a ética, a cultura, a beleza, a justiça, a ciência, a religião, o conhecimento — ou seja, sobre o conjunto de tudo o que existe, mas não sem antes perguntar sobre o que deve ser entendido por existência. A Filosofia é muito complexa — e, como há muitas doutrinas filosóficas, ela mais parece uma Torre de Babel.
O filósofo é um amante da sabedoria, da angústia e do desespero; gosta do abismo e da escuridão — e a sua arma é a luz da Razão, da inteligência e da reflexão. A angústia e o desespero vêm por causa da natureza da Filosofia. Uma pessoa que passou incólume pela Filosofia pode ser um excelente citador de filósofos, pode ser um grande erudito; mas, não mergulhou profundamente nos principais problemas humanos e, portanto, existenciais. O filósofo estuda muito e, quanto mais estuda, descobre que não desvelou quase nada. A diferença é que ele sabe que sabe muito pouco, por isso quer saber mais. O filósofo é também um desvelador das máscaras ideológicas e alienantes; mas, isso só é possível quando ele não está alienado na defesa de doutrinas filosóficas que defendem uma classe social em detrimento da Humanidade...
Um filósofo é uma dinamite de ideias: faz uma pergunta aqui, ali e acolá; ensaia algumas respostas, mas nunca fica satisfeito com elas. Por outro lado, os questionamentos filosóficos parecem abstratos; mas, não se enganem, quem já encontrou um grande filósofo no seu caminho será marcado por ele definitivamente — num plano bem concreto, pois a pessoa muda a sua maneira de pensar, sentir e agir.
O filósofo incomoda; é alvo de inveja, maledicências, perseguições e ciúmes. As pessoas o respeitam, de uma forma ou de outra; mas, não é incomum a desqualificação moral, mormente quando ele não está presente. O filósofo é considerado perigoso e semeador de discórdias; porque quem faz muitas perguntas abala as certezas dos donos do poder e das massas ignaras. Como a maioria das pessoas prefere ser guiada, visto ter uma "mentalidade de rebanho", o filósofo não é bem visto. Ele é respeitado, mas quase sempre isolado. Não é fácil conviver com um filósofo; e, mais difícil ainda é a convivência dele com a maioria das pessoas. A impressão que se tem é que são habitantes de planetas diferentes.
Uma das rejeições que o filósofo mais sofre é a acusação de ateísmo. Mas ele sempre pergunta: “A qual deus(es) você se refere”? Pronto! A confusão está armada! Para o filósofo é apenas mais uma pergunta; todavia, para os crentes, em geral, isto é um absurdo. E, normalmente, o que um filósofo compreende como ateísmo é completamente diferente do que supõem os crentes. Em outras palavras, eles não falam a mesma língua. Por quê? Porque o filósofo busca compreender a totalidade da cultura humana; e, neste sentido, os homens já acreditaram e acreditam em milhares de deuses. Quem tem razão? O filósofo quer saber também... Ele parece um habitante de um outro planeta, porque faz deste mundo um lugar estranho, desconhecido e inóspito... Ele sempre pensa que algo lhe escapa...
Por ser um questionador radical — no sentido de ir à raiz dos problemas —, o filósofo é tido como alguém metido a saber mais do que os outros quando, na verdade, ele não tem respostas prontas, e as respostas tornam-se novos problemas. Mais: ele quer saber até o que uma pessoa entende por "problema". Não é de admirar, portanto, que ele seja considerado um "doido", um "aloprado" e outros adjetivos pejorativos. O que ele faz diante dessas acusações? Pergunta: “O que é ser doido”? “O que é ser aloprado”? “Ser normal é quem vive como gado”?
O filósofo se distancia do mundo — não tanto fisicamente, mas intelectualmente. É uma distância estratégica para melhor se aproximar! A meu ver, o filósofo deve ter um compromisso com a vida nas suas várias dimensões: a reflexão filosófica não pode ficar restrita à Academia. A práxis é a palavra de ordem. Ele deve ter paciência para trocar ideias e participar dos problemas da sociedade sempre que possível. Afinal, a capacidade de elucidar conceitos e contribuir com algumas sugestões fazem parte da reflexão filosófica. Bom, eu entendo assim...
O filósofo brinca com os conceitos como uma criança se diverte com os brinquedos; ele se parece com uma criança ao fazer tantas perguntas — o que os distingue é que a criança aceita a resposta de um adulto, inocentemente, como se fosse uma verdade peremptória (definitiva); o filósofo, por sua vez, faz perguntas, mas não há ingenuidade nelas. Há o desejo de se aprofundar, de ir além!
Um filósofo busca o óbvio incessantemente, porque sabe que o "óbvio" não é tão óbvio. O óbvio é evidente para os tolos. Para o filósofo, o óbvio não tem obviedade. O que é obviedade? Se alguém descobrir, estou muito interessado — mesmo que eu nunca tenha me considerado um filósofo, apesar de eu gostar muito de fazer umas “perguntinhas ingênuas”, mas que já implodiram e explodiram muitos dogmas em vários campos do conhecimento, das ideologias e das crenças supersticiosas. Eu não quero muito, desejo apenas um pouco de sabedoria...
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO

domingo, 16 de outubro de 2011

O CAPITALISMO É "CAPETALISTA"!

Domingo, 16 de outubro de 2011
O CAPITALISMO É "CAPETALISTA"!
Eu sempre fui um crítico do sistema capitalista, e em todos os anos que estive (e ainda estou numa sala de aula), os alunos riam muito quando eu chamava o sistema capitalista de "capetalista" — sim, é o próprio diabo, de carne e osso, que destrói tudo: transforma objetos e pessoas em simples mercadorias descartáveis, pois os objetos não têm valor de uso, mas de troca. Ainda hoje alguns ex-alunos, ao me encontrarem, brincam a respeito do que eu dizia.
Gostaria de escrever um pouco sobre este assunto; pois sempre disse também que não se deve enfrentar o inimigo quando ele está mais forte, porque a derrota é quase certa... A meu ver, o inimigo, de tanto ganhar, já não tem tanta força. E a internet — grande ironia, instrumento para o avanço do capital globalizado —, desta feita, também serve de ponte para a voz do povo. Ela é a voz de um mundo sem fronteiras. Pois é...
Estamos vendo os jornais e demais mídias, perplexos, noticiarem as manifestações que varrem o planeta contra o sistema capitalista. O interessante é que tais protestos começaram justamente nos países mais beneficiados pela riqueza capitalista. Há protestos em vários países do Oriente Médio e da África também; entretanto, a meu ver, por motivos diferentes. Os primeiros querem a "saída" do capitalismo (tomara); os segundos desejam a entrada na "liberdade democrática" e nas promessas do Reino dos Céus na Terra feitas pela propaganda capitalista. Estão um pouco atrasados, não? Parece-me já ter ficado claro que o sistema capitalista atual é o "Reino do Inferno" para quase todas as pessoas no mundo. Ele é muito bom para uma minoria — a tal minoria que distribui desgraças pelo mundo em busca de dinheiro, onde o infinito é o limite, e ainda quer que o povo pague a conta. Tudo muito engraçado, não?!! O que está em jogo não é só o sistema capitalista, mas a sobrevivência do nosso ex-lindo planeta azul. A nossa casa — até mesmo a casa dos defensores do capital!! Se eles não têm responsabilidade...
Quando os grandes conglomerados financeiros e industriais se tornam maiores que os Estados, os acontecimentos que ora presenciamos não poderiam ser diferentes. Os profetas da propaganda capitalista, defensores de que o deus mercado regula tudo, por que agora querem que os Estados paguem a conta com o dinheiro do povo? De novo? Todas as outras crises não foram suficientes para que as marionetes do capital (os politiqueiros de plantão) aprendessem a lição? O povo produz tudo, consome menos do que deveria (muitos não têm um prato de comida), tem serviços públicos geralmente muito ruins; mas que, entretanto, se não fizer nada, pode ficar numa situação muito pior.
Nos momentos de crise o capital avança e faz o Estado mostrar a sua verdadeira face: a de que sempre foi uma extensão dos interesses capitalistas. A maioria dos políticos foi e ainda serão agentes vestidos com as máscaras do interesse público; mas, na verdade, estão a serviço do capital. Vou dizer mais uma vez: não existe capital sem o suporte ontológico do Estado. As pessoas pensam que a esfera da produção (economia) é separada da esfera pública (política), mas isto é pura ilusão. São unha e carne. São a mesma coisa. Até mesmo no chamado "socialismo científico".
Vou dizer pela milésima vez: não há salvação deste planeta no atual modo de produção, pois estas crises vieram para ficar. Elas são estruturais. Os trabalhadores do mundo inteiro correm o risco de perder os parcos direitos trabalhistas que ainda têm. Não podemos e nem devemos pagar esta conta. Os jogadores deste imenso cassino global que paguem a fatura, ora. O povo ainda vai descobrir que só ele tem a força. E não me refiro à violência — de um modo pacífico, ficando em casa sem produzir durante 15 dias... Talvez, assim, as elites reacionárias vão aprender a nos respeitar.
A tecnologia tem que estar a serviço do povo e não pode ser instrumento da exploração e do desemprego das massas. Os pobres já estão acostumados à miséria e à esperança no Paraíso; todavia, parece que aqueles que estavam acostumados à riqueza no mundo material começaram a sentir na pele o que o "Terceiro Mundo" já sente há muito.
A saída? O ideal seria o bom senso, mas nunca vi o capital abrir mão do lucro! O dilema? O capital sem fronteiras e Estados nacionais. Em última análise, será que o capital está buscando uma forma de implantar um Estado único? Afinal, quem segura o capital? Que a voz do povo seja a voz não de deus, mas do próprio povo. Infelizmente, a maioria daqueles que falam em nome de Deus são instrumentos do capital também!!!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO