Domingo, 20 de fevereiro de 2011
ATEÍSMO E EXISTÊNCIA HUMANA!
Deus, para mim, é uma questão existencial; não gnosiológica — ou seja, não tem nada a ver com conhecimento racional sobre Deus; visto que, a meu ver, a razão é do tamanho da dimensão humana. O resto é sonho do delírio humano... Não acredito em nenhum conceito de Deus. Eu digo isso o tempo todo, mas as pessoas fazem de conta que não leram; ou, se leram, preferem dizer o contrário do que afirmei. É a velha intolerância e preconceito daqueles que odeiam o mundo no discurso; entretanto, adoram o conforto do mundo... E a "mesada vem todos os meses"...
Quase sempre volto a este assunto; porque, infelizmente, por ignorância ou má-fé, muitos preferem distorcer o conceito de ateísmo. Desde quando o ateísmo é a negação de um Deus? Como posso negar a existência de Deus se não sei se existe tal ser? Se existe um Deus, como posso negá-lo? Como se pode negar a inexistência se não se pode negar o nada? Eu nego as crenças humanas em seres sobrenaturais; todavia, não invento uma crença que diz que deuses não existem. Afinal, "ausência de crença não é crença na ausência." Crenças, cada cultura inventa as suas, nada mais. O mais engraçado disso tudo é que a maioria das pessoas não sabe que também é ateia. Quem nunca viu um cristão questionar os deuses de outras sociedades e culturas? Tal atitude não é ateísmo com relação aos deuses alheios? E outras culturas, por acaso, não negam o Deus cristão? Estamos dispostos a colocar "Zeus" na conta de “historinha da carochinha”; mas, quando alguém faz o mesmo com os deuses e santos em que acreditam, a maioria perde a calma, em vez de analisar racionalmente tal possibilidade. A verdade nua e crua: todos somos ateus!!
Se as crenças em deus(es) fossem verdadeiras, teríamos apenas uma crença, não é mesmo? Uma única e, portanto, verdadeira para todos os habitantes da Terra. Mas é isso que vemos? No! Em nome das crenças nunca se viu tantas mortes e guerras. Por quê? Porque Deus é amor!!! Imagine se não fosse... Penso que o ateísmo — negação das crenças, dos conceitos limitados por parte de pessoas humanas a respeito de um ser divino ou seres divinos — o livra da culpa, do medo do inferno, da esperança de ser salvo. Dá-se mais valor à vida, porque é uma só; de fazer o bem pelo prazer de ajudar, não para ganhar o paraíso; de inventar os próprios valores, já que não existem valores predeterminados; de ser humano em todos os sentidos e não renegar os desejos mais ocultos; de estar em harmonia com a natureza e de saber que se faz parte dela; de aceitar os fenômenos naturais e mudar o que é possível; de saber que o que não posso explicar racionalmente não preciso inventar um ser imaginário, etc. Viver e ser feliz, porque a vida é única e bela. Si houver um Deus, ótimo, a vida continua; se não houver, excelente; não saberei que morri...
Em primeiro lugar, quero dizer que sou um humanista. Baseio minha vida em valores estritamente naturais. Não acredito em seres sobrenaturais: deuses, fadas, duendes, demônios, anjos, arcanjos, serafins, capetas, diabos, anjos caídos, anjos que subiram, unicórnios, elementais, astrologia e seus signos, poder dos cristais, macumbas, espíritos das trevas, espíritos de luz, almas encarnadas e nem desencarnadas, fogo do inferno e em nenhuma religião e seus supostos salvadores ou messias.
Acredito na finitude da minha razão, nos limites das minhas impressões sensoriais e na recusa radical de dar asas à minha imaginação, inventando deuses e tornando-me prisioneiro dos seus caprichos e ameaças. Não se preocupem comigo. Quando morrer estarei debaixo da terra. Mas quero fazer, nesta vida curta e finita, o que muitos só fazem no discurso. Para terminar: todas as minhas convicções são baseadas nas ciências e na Filosofia. Até que se prove o contrário, elas são as luzes da minha vida e do meu caminhar finito, mas solidário, fraterno e humano!!!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO