Sábado, 19 de junho de 2010
TEORIA DO CONHECIMENTO!
A Teoria do Conhecimento é a parte da Filosofia que faz uma reflexão a respeito dos fundamentos do conhecimento humano. Faz perguntas e procura respondê-las; mas, como sempre em Filosofia, as perguntas não param. Penso que a Teoria do Conhecimento é a base da Filosofia. E há teorias divergentes sobre qual o filósofo ou corrente filosófica foram capazes de responder, peremptoriamente, à pergunta nuclear: “O que é o conhecimento?”
Os filósofos gregos antigos já diziam que o homem é um animal racional. Mas o que é ser racional? O homem pode conhecer alguma coisa com certeza? Alguns dizem que sim; outros, que não. Vamos desde o ceticismo radical — que nos leva fatalmente ao solipsismo — ao ceticismo relativo, que preconiza ser possível conhecermos algumas coisas. Temos filósofos e correntes filosóficas que são dogmáticos e, por isso, afirmam que é possível conhecer a "verdade". Há filósofos, por exemplo, crentes de que a razão pode conhecer a essência das coisas, pois ela pode ir além das aparências. Existem teorias sobre o conhecimento para todos os gostos!
Entre as perguntas para os que pensam ser possível termos algum conhecimento verdadeiro — portanto, aqueles pensadores que discordam do ceticismo absoluto —, temos as seguintes: "Quantos elementos é preciso para que haja o conhecimento?" Esta pergunta é fácil de responder e aproveito para respondê-la agora: dois. Quais são? O sujeito que conhece e o objeto que é "conhecido". Lembrando que o próprio sujeito pode ser objeto de conhecimento. As ciências humanas, por exemplo, lidam com essa forma de conhecer. Fácil, não? Daí para a frente caímos na mais profunda escuridão; mas a tentativa de iluminar essa escuridão existe desde o surgimento da Filosofia, no século VI a.C.
Entretanto, continuemos... A "verdade" está no objeto? Está no sujeito? Está na relação entre o sujeito e o objeto? Neste caso não está nem no sujeito e nem no objeto, pois não existe um sem o outro. A verdade é histórica? É cultural? Ela se faz na produção e reprodução da vida material dos seres humanos? Ela é convencional, um acordo das instituições humanas? Novos problemas vão surgir, evidentemente. Não darei nomes a essas correntes filosóficas porque não é a minha intenção lecionar Filosofia no blog, mas apenas despertar curiosidades para que os interessados possam pesquisá-las.
Outras perguntas que a Teoria do Conhecimento procura responder são: "O conhecimento é pragmático, ou seja, verdadeiro é aquilo que é útil e funciona?" Quais são os limites para a razão humana? Qual é o valor do conhecimento? É possível um conhecimento racional puro? O conhecimento racional puro é impossível, pois tudo começa com os dados sensoriais? Há imparcialidade dos sujeitos envolvidos? O poder econômico, político, cultural e ideológico interferem na busca pela verdade? E por aí vai...
Fica evidente, neste pequeno texto, que em Filosofia nada é fácil. Mas isso não é motivo para que fiquemos paralisados e acomodados. Geralmente as pessoas que gostam de Filosofia se identificam com uma ou mais correntes filosóficas e procuram defender as suas teses. De minha parte, gosto muito do ceticismo em geral e do pirrônico em particular; do existencialismo de Sartre e do marxismo. O conhecimento, para mim, tem uma base material, concreta e sensível: ele começa nas relações sociais humanas com a natureza, na produção e reprodução da vida material. Ele é ontoprático, como dizia o meu ex-professor José Chasin.
Neste sentido, a Teoria do Conhecimento torna-se uma ontologia em que o homem vivo e ativo transforma a natureza e é transformado por ela. Os que são enfeitiçados pela linguagem e pela lógica como forma de fazer Filosofia invertem a ordem do mundo para o deleite dos exploradores e da Filosofia idealista de inspiração platônica — o reacionário aristocrata...
Talvez seja por isso que a tradição idealista tenha ganhado a parada. Ela é essencial para que os conceitos abstratos sejam mais importantes do que o mundo material e para a invenção de um paraíso eterno imaginário: o combustível da esperança de um mundo melhor para as massas alienadas... Pergunto: "Alguém já viu um pensamento pensando sozinho?" Acho graça!
TEXTO: MARCO AURÉLIO MACHADO